A garota loira que começou a tocar depois de ser expulsa do colégio se apropria da canção de GaGa de tal forma que por um breve momento a gente até esquece da irresistível embalagem pop de GaGa.
Se você gostou, vale a pena conhecer o trabalho de Lissie. Até agora ela possui apenas 2 EPs e uma porção de faixas soltas por aí. A música dela é uma mistura consciente de folk, trip hop, rock e country. Escute abaixo On My Chest, música presente em Lisse, seu primeiro EP, lançado ano passado:
Curtiu? Saiba que Lissie está preparando seu primeiro álbum e a produção será de ninguém menos que Glen Ballard, o responsável por Jagged Little Pill, de Alanis Morissette e Slow Motion Addict, de Carina Round.
Como muitos dos cantores(as) atuais, Marina Diamondis surgiu como destaque na internet. Nascida no País de Gales, ela começou disponibilizando suas faixas sob a alcunha de “Marina and The Diamonds” para serem ouvidas pelos seus fãs (carinhosamente apelidados por ela de “diamantes” – daí o apelido, criado não só em razão de seu sobrenome) no MySpace e logo, com a ajuda de um EP lançado em 2007, começou a chamar a atenção da mídia. No fim do ano passado, foi apontada como uma das maiores promessas de 2010 numa lista montada pela emissora de tevê BBC e o hype aumentou ainda mais.
Seu primeiro disco, “The Family Jewels” foi lançado em fevereiro no Reino Unido e há poucos dias nos EUA. Com um álbum completo nas lojas e fazendo barulho no cenário musical, Marina está tendo a chance de mostrar a que veio e se de fato faz jus a badalação que envolve seu nome.
Sua músicas causam um certo estranhamento. Para quem ouve pela primeira vez, elas podem parecer confusas e exageradas demais, assim como as marcantes brincadeiras vocais da cantora. Esses, porém, são alguns dos pontos a favor da artista e do disco, de forte sonoridade oitentista e que expressa perfeitamente o imaginário da galesa.
O mundo de Marina é cheio de brilho, uma boa dose de fantasia e muita dramaticidade. Suas excêntricas canções são, mais do que boas peças pop, visões inusitadas do cotidiano e críticas divertidas ao comportamento atual. Diversos temas cabíveis a uma jovem no início de sua carreira estão presentes no disco, como as ambições escancaradas em “Are You Satisfied?” e as críticas aos modelos norte-americanos de fama e poder em “Hollywood”, um dos singles de seu debut, com um refrão grudento e hilárias referências à Shakira e Catherine Zeta Jones.
“Mowgli’s Road”, a “viajada” faixa que lançou Marina ao sucesso, tem um “q” de Kate Bush e soa quase pueril com sons de animais ao fundo, mas definitivamente não estaria na trilha sonora de uma produção da Disney, e “Shampain”, uma daquelas que imploram para ser single, relata o porre tomado por Marina num quarto vazio para esquecer o que aconteceu no dia anterior. São faixas mais animadas de seu repertório, que também conta com momentos mais introspectivos como a delicada e pomposa ”Rootless” e “The Outsider”, onde narra os incômodos de sentir-se completamente inapropriada em determinadas situações.
Pra finalizar, confira abaixo o videoclipe da agradável “semi-balada-auto-ajuda” “I Am Not a Robot”, que mostra Marina brincando de Freddie Mercury negro (brinks!) com um visual à la Lovefoxx em determinados momentos. Ok, os sonhos e peripécias da garota tem, por vezes, uma pontinha de cafonice, como dá pra ver no vídeo. Tanta estranheza é ou não irresistível? Vale ficar de olho em Marina and the Diamonds!
Gabriella Cilmi que ficou conhecida em 2008 quando o hit Sweet About Me foi parar num comercial de desodorante, lançou na última semana seu novo disco: Ten.
Nas palavras da própria, o novo álbum possui “muito funk e groove, misturado com R&B e pop bem como ‘algumas mais sexys’“. Eu mesmo não poderia definir melhor. Mas se a definição soa instigante, na prática a gente percebe que não é bem assim…
Se em Lessons to Be Learned, seu primeiro trabalho lançado em 2008, Gabriella flertava com a música dos anos 50 e 60, agora ela se entrega as pistas abraçando a pop music descartável.
As referências saltam aos ouvidos logo de cara: Abba, Gloria Garner, Nikka Costa, Anastacia e até Girls Aloud. A mistura disso tudo garante um álbum pouco regular e ultra diferente entre si pelo simples fato de que Gabrielle pegou o pior disso tudo.
On A Mission, primeiro single, é uma divertida ode aos anos 80. A música, que poderia ser facilmente confundida com algo do nível de Pussycat Dolls ou tema de alguma versão tosca da Mulher Maravilha, rendeu um clipe exageradamente tosco e bizarro em homenagem ao clássico Barbarella com Jane Fonda. Mas por mais divertida que seja, a música é tão taxativa que chega a doer. E por mais incrível que pareça essa é a melhor faixa do CD.
As baladas do disco, como Defender, seguem o mesmo caminho óbvio de “mamãe quero ser diva”. Parece mesmo que Whitney Houston fez escola. Alguém duvida que os anos 90 definitivamente voltaram? Para não dizer que não falei das flores, Superman trás ecos dos de Temptations e o funkão de Hearts Don’t Lie lembra Bee Gees. Love Me ‘Cause You Want To, a faixa preferida da cantora, remete de imediato as boas músicas de Sophie Ellis-Bextor… mas a sensação logo se perde e a musiquinha fica pedante.
Como um todo o disco é uma decepção. A menina prodígio que tinha um grande potencial preferiu seguir o caminho mais fácil. A inovação ficou só na promessa e o que poderia resultar num puta disco fez com que o mal uso das referências gerasse apenas mais um disco ruim. Tão ruim que nem dá vontade de ouvir.
Lembra da Sophie Ellis-Bextor, aquela cantora que estourou nas pistas do mundo todo com hits como “Murder on The Dancefloor” e sua versão de “Take Me Home”, da Cher? Depois de “Read My Lips”, seu primeiro álbum, a britânica lançou mais dois discos, que apesar de ótimos não fizeram o mesmo barulho: desde “Trip The Light Fantastic”, em 2007, Sophie não lançava nenhum trabalho de inéditas. Pelo que parece, após muita enrolação e adiamentos, o seu novo CD está prestes a sair!
Caiu na rede o clipe de “Bittersweet”, canção que já havia vazado há algum tempo. Nele, Sophie aparece elegante como sempre, em meio à modelos, saltos, pétalas, vento no cabelo e tinta (?), num clima bem festivo. Tudo glamouroso e classudo, dentro do universo comum dos clipes da cantora.
A faixa estará em “Straight To The Heart”, seu novo disco de inéditas, que seria anteriormente chamado de “Make a Scene”, mas teve o nome alterado por decisão da própria Ellis-Bextor, que não considerou o título “bom o suficiente”. Entre os produtores de “Straight…” - que tem previsão de lançamento para o segundo semestre – estão o divertido DJ Calvin Harris, que já trabalhou com Kylie Minogue e Joe Mount do Metronomy.
Confira abaixo o clipe de “Bittersweet” – que será lançada nas rádios somente em 2 de Maio:
Há algum tempo, o Miolão comentou que a cantora Laura Marling lançaria dois álbuns esse ano, e que o primeiro deles sairia em março. O mês de lançamento finalmente chegou e hoje foi lançado oficialmente – apesar de ter caído na rede na semana passada – “I Speak Because I Can”, o segundo disco de sua carreira. Caso você não conheça a cantora, vale contextualizar:
Laura Marling é uma jovem inglesa de vinte anos que ingressou no cenário musical cedo, aos dezesseis. Ela, que já foi uma das componentes da banda folk Noah and the Whale, transita, sonoramente, entre folk, o country e o pop. Seu debut, o sensacional “Alas I Cannot Swim” de 2007, é um disco introspectivo, mas ao mesmo tempo poderoso. Ele, que foi provavelmente um dos melhores discos lançados naquele ano por uma artista feminina, surpreendeu pela maturidade, que não cabe a muitos dos cantores jovens atuais.
É um disco que exige atenção para perceber todas suas minúcias. Tudo é sensacional: a voz bem colocada e carregada de emoção da moça, os arranjos minimalistas e com “viradas” surpreendentes, as composições – as de Laura merecem um parágrafo só pra elas mais à frente – a atmosfera que a jovem consegue criar num enfileirado de canções que, juntas, não passam dos cinqüenta minutos… É um trabalho e tanto, e minha expectativa era alta para o seu novo disco.
Tenho ouvido “I Speak Because I Can” com freqüência nos últimos dias, e creio que por vezes temos que esperar um certo tempo pra construir uma opinião sólida sobre algumas coisas, mas não posso deixar de descrever minha empolgação com o novo trabalho de Laura e minhas primeiras impressões nesses poucos dias de audição.
Ela, que anteriormente era louvada como uma promissora revelação, continua jovem, mas não é mais a garota que um dia foi barrada em uma de suas próprias apresentações, por não ter a idade necessária para freqüentar o pub onde iria cantar. (!) “I Speak Because I Can” transpira amadurecimento.
Se “Alas…” deve ser degustado aos poucos, “I Speak…” não fica atrás. A artista continua transitando não somente por ritmos, mas também por emoções distintas. Suas influências sonoras parecem ainda mais óbvias do que no antecessor, e a verdade com que canta sobre os sentimentos e casos mais variados permanece intocada. Sua voz soa mais firme e suas letras, que já eram incríveis, tornaram-se ainda mais complexas, como dá pra perceber nas belas dez faixas.
Laura, por sinal, além de contar sobre suas experiências pessoais, possui uma forma incrível de narrar pequenas histórias em suas composições, com personagens e situações bastante sólidas, que podiam de fato existir. Tudo é detalhado com muito aprumo, e ela é certeira nas mensagens que procura (ou não) passar. Se a cantora tivesse nascido em outra época e não cantasse, provavelmente seria uma daquelas escritoras ou poetisas inglesas do passado, marcantes na produção literária feminina.
São diversos bons detalhes que tornam o trabalho fascinante. Além disso, “I Speak…” é terno (como em “Made By Maid”, em que Laura conta a história de uma empregada maltratada pelo filho adotivo e “Blackberry Stone”), tenso em momentos como “Alpha Shallows” e no embate travado na letra de “Hope In The Air” e aterrador em faixas como aquela que dá nome ao disco – e a música de trabalho “Devil’s Spoke”, mais country do que nunca. Entre outras, destaco “Goodbye England (Covered In Snow)”, segundo single e minha favorita até o momento – a narrativa de uma paixão conflitante em clima de despedida, com a Inglaterra “coberta de neve” como pano de fundo é tão doce, rica e tocante que por si só merece ser ouvida.
Laura Marling mudou em seu segundo disco, porém, sem perder sua essência – uma das maiores provas de talento que poderia dar. O disco, pra mim, já é um dos mais memoráveis do ano e teremos novo lançamento logo, se aquilo que ela cumpriu for prometido. Então, no segundo semestre, teremos mais um apanhado de boas músicas da inglesinha pra comentar.
Em 2006, um livro foi lançado no exterior e, nos anos seguintes, tornou-se um dos títulos mais vendidos da década. Escrito pela jornalista Elizabeth Gilbert, “Comer, Rezar, Amar” é composto por um apanhado de memórias pessoais da autora, que, depois de passar por um divórcio traumático, começou a rever suas prioridades e viajou para locais diferentes buscando as coisas de que sentia falta na vida.
Alguns articulam que “Comer Rezar Amar” é apenas mais um best seller comum , mas todos aqueles que leram o livro – inclusive eu, mesmo não tendo chegado até o fim por pura falta de tempo – foram conquistados pelo humor leve, pela amabilidade e o tom despretensioso com que Elizabeth conduz a narrativa sobre sua “jornada”. É o tipo de obra que você pode não esperar muito, mas continua lendo porque é agradável e envolvente como uma conversa casual com alguém, ou como ouvir uma pessoa te contando algumas situações do cotidiano com observações honestas sobre sentimentos, impressões e coisas da vida.
Mas esse não é o caso! O fato é que, além do sucesso de vendas e de render uma paródia - o livro “Beber Jogar F@%der”, de Andrew Gottlieb – ele também não demorou pra chamar a atenção dos grandes estúdios, que sabem muito bem que uma obra literária pode render algo bom (ou ao menos bastante dinheiro) quando levada para as telonas.
A Columbia Pictures, então, comprou os direitos de adaptação da história de Gilbert em meados de 2008 e o resto foi acontecendo. Para a transposição às telas de um livro de peso, nada mais justo que um nome importante para viver a protagonista: Julia Roberts, que anteriormente já havia declarado ser fã da trama, foi a escolhida para interpretar Elizabeth nos cinemas. Lembra de umas notícias que caíram na rede há um tempo, dizendo que a atriz estava causando tumulto em templos indianos devido às filmagens de um novo longa-metragem? Esse era o filme em questão.
Depois de mais de um ano e meio de filmagens e pequenas confusões como essa, o primeiro trailer oficial do filme caiu na rede. Nele, dá pra ver um pouquinho das locações do projeto – que incluem Itália e Índia, entre outros lugares - e outros nomes que estão no elenco, como Javier Bardem, (muito mais amável do que em “Onde os Fracos Não Tem Vez”) James Franco e Viola Davis.
Será que o filme vai ser simpático e cativante como a obra original? Ele estreará em 13 de agosto nos Estados Unidos, mas não tem data de lançamento prevista para o Brasil, ainda. Enquanto ele não chega por aqui, dá tempo de ler a “autobiografia” que o originou.
Vale lembrar que o diretor do filme é Ryan Murphy, que anteriormente fez o ótimo “Correndo Com Tesouras” – por sinal, outro caso de livro adaptado para o cinema – e também é um dos produtores de Glee, que o Miolaoteam adora.
Há mais ou menos 10 anos, Nelly Furtado, compositora de origem luso-canadense, chamou a atenção da crítica e do público com o lançamento de Whoa, Nelly!, seu primeiro álbum.
Numa época em que a música pop era uma fabrica de loiras adolescentes (hi, Britney! hi, Christina! hi, Jessica!) e rapazes apaixonados (hi, *N’sync! hi, Backstreet Boys!), Nelly surgiu como um “antídoto” a mesmice. Nelly era, naquele cenário, uma verdadeira Cinderela da música pop.
Fato é que a música pop quase nunca foi levada a sério. Excetuando raras exceções (hi, Madonna! hi, Michael! hi, GaGa?) o gênero desperta preconceito de quem tem, cof cof, bom gosto e apuro musical. No entanto, Nelly Furtado, avessa a fórmulas, conseguiu com seu debut uma boa recepção da crítica e do público.
Até Nick Hornby, roteirista indicado ao Oscar deste ano por seu trabalho em “Educação” e autor dos maravilhosos livros “Uma Longa Queda”, “Um Grande Garoto” e “Como Ser Legal”, se rendeu aos encantos da moça em seu livro “31 Canções” (Editora Rocco, 2005).Leia abaixo o capítulo sobre I’m Like a Bird, a música que levou Nelly ao estrelato:
“É claro que eu entendo as pessoas que desprezam a música pop. Sei que muita coisa do mundo pop, a maior parte até, é lixo, sem imaginação, realizada porcamente, produzida nas coxas, repetitiva e infantilóide (embora pelo menos quatro dos adjetivos acima possam ser usados para descrever os incessantes ataques ao pop que você pode achar em importantes jornais e revistas).
E sei também, acredite, que Cole Porter foi “melhor” que Madonna ou Travis. Que a maioria das canções pop são cinicamente direcionadas para um público-alvo três décadas mais jovens que eu. Que tudo de bom no pop foi feito a 35, 25, 15 anos atrás. E que pouca coisa de valor na pop music foi feita, desde então.
Mas é que de repente tem essa canção que eu ouvi na rádio, e que depois eu comprei o CD, e agora eu tenho de ouvi-la dez ou 15 vezes por dia…
É isso que me intriga sobre os de vocês que acham que o pop atual é uma coisa abaixo de você, atrás de você ou além de você (uso pop aqui para englobar soul, reggae, country, rock… qualquer coisa que você possa achar que é lixo).
Será que você nunca ouviu ou pelo menos nunca se viu atraído por canções novas? Será que tudo o que você cantarola no chuveiro foi feito anos, décadas, séculos atrás?
Você realmente se priva do prazer de se entregar a uma boa nova canção pop porque isso pode manchar sua fama de conhecedor de Foucault?
Então. A canção que tem me enchido de prazer recentemente é “I’m Like a Bird”, da Nelly Furtado. Só a história vai dizer se ela irá se transformar em uma cantora famosa. E, embora eu suspeite que ela não vá mudar o jeito de as pessoas olharem o mundo, não posso dizer que eu esteja muito preocupado com isso.
O fato é que eu sempre serei grato a Nelly Furtado por criar em mim esse narcótico efeito de me fazer ouvir sua canção again e again. Não quero criar um caso com essa música, “I’m Like a Bird”, nem compará-la com qualquer outra _embora aconteça de eu pensar que ela é uma canção pop muito boa, que transmite uma sensação gostosa de sonho, vem marcada por um certo otimismo que, quando tocada em rádio, por exemplo, a diferencia imediatamente das músicas anêmicas que possam vir antes ou depois.
O ponto é que há poucos meses a canção não existia e agora ela está aí. E que ela, em um mundo delimitado, é um pequeno milagre. Algumas vezes no ano, eu gravo uma fita para tocar no carro. Uma fita cheia com essas novas canções que eu fui amando nos meses que antecederam a gravação. Toda vez que eu terminava uma fita, nunca acreditei que fosse gravar uma outra. Mas sempre vai existir a próxima, e mal posso esperar por ela. Um punhado de canções novas como “I’m Like a Bird” e você terá uma vida que valha a pena ser vivida.”
Não dá pra dizer nada. Nick disse tudo. Cabe a nós assistir na próxima semana a Cinderela da Música Pop Nelly Furtado em seus shows no Brasil. Se liga nas datas:
Porto Alegre: 25/03/2010
Onde: Teatro do Bourbon Country – Av. Túlio de Rose, 80.
Quanto? de R$ 75,00 a R$ 300,00;
www.teatrodobourboncountry.com.br
São Paulo: 27/03/2010
Onde? Via Funchal – Rua Funchal, 65.
Quanto? de R$ 90, 00 a R$ 300,00; www.viafunchal.com.br
Rio de Janeiro: 28/03/2010
Onde? HSBC Arena – Embaixador Abelardo Bueno, 3.401.
Quanto? de R$ 80, 00 a R$ 290,00; www.hsbcarena.com.br
E para fechar com chave de ouro, assista Más, último clipe da cantora. A faixa faz parte de Mi Plan, disco gravado em espanhol e lançado ano passado.