MIOLÃO • 2010 junho
 

Archive for junho, 2010

Kylie Minogue – Aphrodite

Kylie é uma das maiores cantoras pop da atualidade e a impressão que fica algumas vezes é que está sempre comendo pelas beiradas. Famosa mundialmente, não possui a “força” de alguns outros nomes do gênero, mas tem identidade própria o suficiente para se sobressair no meio de uma porção de artistas femininas que vem e vão. Seu trabalho segue a mesma linha: é charmoso, muito bem produzido e verdadeiro. Kylie parece ter prazer em trilhar esse caminho musicalmente, e isso é essencial. Em alguns momentos ousa, em outros apresenta mais do mesmo, mas no geral, é tudo de primeira linha.

O ótimo “X”, de 2007, foi seu último disco de inéditas até então. Esse mês, Kylie lançou o seu sucessor, “Aphrodite”; produzido por Stuart Price (“Confessions on a Dancefloor”, de Madonna e “Day & Age” do The Killers) com participações de nomes como Jake Shears do Scissor Sisters e o DJ Calvin Harris, o álbum não traz nenhuma revolução para sua carreira. A questão é que mesmo sem inovar, seu novo compacto é tão simpático e redondinho que é difícil não gostar: com altos e baixos, é ótimo para ouvir sem grandes pretensões, divertir-se por um tempo e depois ficar cantarolando por aí.

Nesse álbum, Afrodite, a deusa grega do amor, torna-se alter ego de Minogue: a temática das canções gira em torno de relacionamentos e atrações amorosas, sem contar os usuais convites freqüentes para a pista de dança – não espere nada original sob esse aspecto. O primeiro single, “All The Lovers”, é a síntese das duas coisas: a faixa é uma ode à todos os amantes que habitam a terra, iniciada pela frase “dance/it’s all I wanna do, so won’t you dance?”, que explicita o tom dessa “falsa” balada, que apesar da letra banal, é certamente uma das melhores gravações do europop de 2010. Irresistível.

Get Outta My Way”, próxima música de trabalho de Kylie é daquelas que nos fazem pensar, “poxa, mal posso esperar para ouvir essa aqui numa festa!”. Parece ter saído diretamente do disco “Fever” (2001) – aquele que trouxe a moça de volta para a grande mídia, com o hit massivo “Can’t Get You Out of My Head”. Ela se encaixaria perfeitamente ao lado de “Love at First Sight”, mas com menos brilho.

Outras faixas conseguem chamar a atenção de forma mais “fresca”, como o clamor sensual da cantora em “Closer”, meio Pet Shop Boys e que não parece completamente à vontade no meio de outras canções de sonoridade menos densas, mas um dos destaques de “Aphrodite” é a faixa título, retrô e com toques R&b, momento em que Kylie dialoga com seus fãs assumindo o discurso da deusa em questão.

Illusion” é o tipo de canção que estouraria com o remix certo. “Too Much” soa como uma Roisin Murphy menos frenética e mais brincalhona. Ela prepara o ouvinte para o ápice do álbum, “Cupid Boy”, que, esperamos, também tenha seu lugar nas paradas mais à frente. Em “Looking For An Angel”, quase dá pra ter a visão da cantora cantando com diversos querubins atrevidos ao seu redor. (Ok, isso foi cafona. Kylie, nunca faça um clipe assim. É sério.) É um momento ingênuo e que tira sorrisos. “Can’t Beat The Feeling”, última faixa do disco, é o resultado do encontro de Afrodite com o dance farofa dos primeiros discos da cantora australiana. É quase datada demais, mas consegue cumprir a tarefa de fechar bem o disquinho.

Certas canções, como as mega comuns “Put Your Hands Up” e “Everything Is Beautiful” derrubam o “ânimo” de “Aphrodite” . Outro ponto negativo do álbum é que, estranhamente, as músicas que o compõem parecem funcionar melhor separadas: reunidas, tornam-se repetitivas – e a tarefa de ouvir o disco, por consequência, entediante. Como dito, o lançamento consegue se salvar, mesmo com alguns deslizes e sendo menos impactante do que prometia. No final das contas, ainda estamos falando de Kylie, e é sempre bom ter um novo trabalho seu nas lojas. O feitiço do amor de Afrodite pode não estar em seu auge, mas vai te conquistar ao menos um pouquinho.

Cover: Across The Universe, Fiona Apple

A partir de hoje o MIOLÃO postará covers. O esquema será bem simples: dia sim, dia não vocês verão graaaandes músicas na voz de graaaaandes artistas. Se quiser sugerir algo é só comentar, dar reply do twitter ou mandar um e-mail (contato@miolao.com), ok?

Para começar com o pé direito, temos Fiona Apple cantando Beatles. Gravado em 1998, originalmente para a trilha sonora de Pleasantville – A Vida Em Preto e Branco, esse cover consegue um feito raro: ser tão bom quanto (ou até melhor que) a versão original:

Continue lendo →

3 Momentos: Michael Cera

Há quem diga que bons atores são aqueles que conseguem interpretar qualquer tipo de personagem, se perdendo dentro deles até que seja impossível lembrar que o que é visto nas peças ou nos filmes se trata de pequenas mentiras. Meryl Streep é o maior exemplo disso: vê-la em papéis tão distintos quanto o da chefe Julia Child, em Julie & Julia; ou na pele da malvada Miranda, em O Diabo Veste Prada são ilustrações perfeitas para este ponto. Mas seria isso uma regra?

Continue lendo →

Marina and the Diamonds lança clipe de “Oh No!”

A galesa Marina Diamondis, conhecida como Marina and The Diamonds, lançou hoje o vídeo do novo single de seu ábum de estréia, “The Family Jewels”.

“Oh No!” é um dos melhores clipes da cantora até o momento: abordando os excessos do mundo contemporâneo, o vídeo foi dirigido por Kinga Burza, que ao mesmo tempo, satiriza e homenageia esse universo de ostentação.

O resultado é um paraíso de cores pastéis, toques que lembram quadrinhos clássicos e pop art, coreografias divertidas e Marina graciosa como sempre.

Assista abaixo e confira aqui o making-off:

MusicMonday: a profusão rítmica de Dan Black

Dan Black é outro cantor da safra de artistas britânicos talentosos e cheios de estilo que parece não parar de crescer. O cara, um dos integrantes da banda indie The Servant, que fez moderado sucesso na Europa há alguns anos e acabou em 2007, ganhou maior projeção em sua carreira solo arriscando uma sonoridade diferente daquela que seu antigo grupo possuía.

Black, que lançou seu debut, “UN”, no ano passado, se jogou numa mistura mais pop e abrangente: ele transita entre a música eletrônica, o r&b, o rap e o rock, criando um som urbano e charmoso, que possui pontos em comum com as fusões criativas de Mark Ronson ou Calvin Harris.

Em entrevista ao site de música The Couch Sessions, Dan explicou que essas junções sonoras são cada vez mais freqüentes e, pra ele, muito divertidas; seu trabalho simplesmente reflete essa tendência, de pegar o melhor das influências que absorve. Em suas experiências realizadas em estúdio, o cantor costumava mixar canções de artistas pouco similares, como The Smiths e Missy Elliott, para ver o resultado, quase sempre curioso.

Um dos singles do disco, “Symphonies”, serve como exemplo: construída tendo como base a música “Hypnotize”, do rapper Notorius Big e um trecho de “Umbrella”, sucesso da cantora Rihanna, a deliciosa balada de ar “espacial”, ganhou até uma nova versão posteriormente, com participação do rapper Kid Cudi. Seu ótimo clipe, que mostra Dan vivendo um amor cinematográfico, com diversas referências à Hollywood, pode ser visto abaixo:

Imagem de Amostra do You Tube

Ela é uma das melhores faixas de “UN”, que também conta com outros bons momentos, como “Yours”, a doce “Ecstasy”, “Let Go” e a simpática “Cocoon”. Dan conduz essa festa rítmica de forma vigorosa e empolgante, e nos convida a participar: não aceitar é quase impossível!

Toy Story 3

Antes de começar a falar qualquer coisa sobre Toy Story 3, quero contar à vocês minha relação com os primeiros filmes e com os personagens.

Eu deveria ter uns 6 ou 7 anos quando o primeiro título foi lançado nos cinemas. E desde aquela época eu adorava ver filmes, principalmente filmes da Disney.

Naquele tempo ir ao cinema era um verdadeiro acontecimento. E para ser bem sincero, com Toy Story isso acabou não acontecendo. Assisti em VHS. Lembro-me bem de ter achado o filme dos brinquedos falantes uma das coisas mais chatas que já tinha visto até então. A sensação que tive durante todo tempo era que o tempo não passava e que o filme não iria terminar nunca. Por fim terminou e eu, como ficou claro aqui, detestei o filme.

Continue lendo →

#VemAí: “Never Let Me Go”

Belo. Esse é o melhor adjetivo que posso usar para descrever o trailer de Never Let Me Go. A excepcional trilha sonora combinada com imagens extremamente bem fotografadas faz com que o filme seja desde já um dos mais aguardados do ano.

O longa, dirigido pelo visionário Mark Romanek, que tem no currículo o menosprezado Retratos de Uma Obsessão, é uma das apostas da FOX para o Oscar do ano que vem.

Escrito por Alex Garland, que tem em seu currículo ótimas colaborações com Danny Boyle (para citar alguns exemplos, o cara escreveu os roteiros de A Praia, Extermínio 2 e Sunshine – Alerta Solar), a história de Never Let Me Go é baseada no livro homônimo de Kazuo Ishiguro e narra o reencontro de 3 amigos que são confrontados a lidar com segredos e lembranças esquecidas no passado.

Com toques de ficção, o drama trás no elenco a talentosa Carey Mulligan (que foi indicada ao Oscar desse ano de Melhor Atriz por Educação), Keira Knightley (Elizabeth, de Piratas do Caribe), Andrew Garfield (Leões e Cordeiros), Charlotte Rampling (Swimming Pool) e Sally Hawkins (uma moça que outrora já foi Simplesmente Feliz).

O filme, que ainda não tem título em português, só chega nas telas de cinema (dos Estados Unidos!) em outubro. Pra variar, por aqui ainda não há previsão.

 

Features Stats Integration Plugin developed by YD

UA-11237259