MIOLÃO • 2010 julho
 

Archive for julho, 2010

Cover: Should I Stay Or Should I Go, Kylie Minogue

Se tem uma coisa que eu aprecio nessa história de covers, é quando um artista sai de sua zona de conforto e arrisca outros ritmos diferentes do que está acostumado.

Já vimos nesse espaço de covers quando o jazz encontrou o rock moderninho quando Diane Birch cantou Gossip e também vimos quando o rock encontrou o pop com Flaming Lips tocando Madonna.

Hoje a situação é exatamente o oposto: o que temos aqui é um exemplo mais que perfeito de quando o pop encontra o punk.

Kylie Minogue, estrelinha absoluta e diva por maioria dos votos, mostra todo seu potencial vocal ao cantar o clássico dos clássicos do Clash, Should I Stay Or Should I Go, numa versão divertida e, para uma cantora pop, bastante rock’n'roll:

Alguém discorda que ficou o máximo?

Também pudera a música, que em outros tempos já foi eleita uma das 500 melhores de todos os tempos pela Rolling Stone, tem força o suficiente para “sobreviver” a toda mudança.

E pensar que quando ela foi lançada no Combat Rock, de 1982, só chegou ao #45 na Billboard… Tsc, tsc.

Relembrando: Felicity

De vez em quando surgem algumas obras que dialogam tão bem com seus espectadores que até parecem que foram feitas sob medida.

Felicity poderia ser só mais uma série adolescente estadunidense, mas devido ao respeito que teve para com seu público tornou-se um dos produtos mais encantadores vistos na telinha.

Criada por um desconhecido J.J. Abrams – sim, o mesmo cara por trás de Alias e do fenômeno LOST - e por Matt Reeves (diretor do fantástico Cloverfield – O Monstro), Felicity tinha como foco a personagem título, interpretada por Keri Russell.

Na trama, Felicity era uma adolescente interiorana que alimentou uma paixão platônica durante todo o colegial por Ben Covington (Scott Speedman) e depois de entender errado  uma série de ‘sinais’ decidiu segui-lo e entrar na mesma universidade que ele, em Nova York. A partir de então a vida de Felicity vira do avesso. Sem o amparo dos pais ela se muda para um dormitório estudantil, arruma um emprego numa lanchonete e conhece todo tipo de gente e enfrenta todos os tipos de dúvidas.

No decorrer da série, que durou de 1998 até 2002, o espectador cresce junto com Felicity. É curioso perceber que mesmo contando uma história tipicamente norte-americana, os medos e inseguranças da personagem são universais. Dúvidas sobre o que fazer da vida ou mesmo se é melhor agir com o coração ou com a razão soam tão pertinentes que independente do lugar de origem do público é possível sentir-se cúmplice da moça.

Cada temporada do programa corresponde a um ano letivo da personagem título. No meio disso, há comédia, romance e lições que ultrapassam a tela sem soar piegas.

As personagens coadjuvantes foram bem exploradas e esmiuçadas a fundo. Ninguém ali era unilateral.

Tecnicamente falando, a fotografia caprichada capturava uma Nova York bucólica e distante, servindo de cenário perfeito para os dramas e romances da mocinha.

Por trás das câmeras, gente do calibre de Ron Howard (sim, galera, o diretor de Frost/Nixon), Matt e Brian Grazer já comandou as câmeras. Ao longo dos anos, Felicity venceu o Globo de Ouro de melhor série dramática e foi indicada a alguns prêmios Emmy…

Há quem diga que após o término da segunda temporada, a série perdeu um pouco do charme original. A baixa audiência na época fez com que ela fosse quase cancelada. Para sorte de todos os envolvidos, Felicity continuou até o final, ou, se preferir, até a formatura.

Teve quem dissesse que a série se dissociou de sua essência, mas particularmente eu acho que não. Vai ver ela ficou mais leve porque, assim como a gente, aprendeu com os anos que a vida não deve ser levada tão a sério. Vai ver ela só cresceu, assim como o público.

Felicity, J.J. Abrams e Matt Reeves, 1998-2002.

Felicity. Com: Keri Russell, Janeane Garofalo, Scott Speedman, Scott Foley, Amy Jo Johnson, Tangi Miller, Amanda Foreman, Ian Gomez, Greg Grunberg, Rob Benedict e Donald Faison.

Bordados, de Marjane Satrapi

Se você viu a capa desse livro e imediatamente lembrou de um outro, que inclusive já falamos aqui, você está absolutamente certo: Bordados foi escrito e ilustrado por Marjane Satrapi, mesma autora do incrível Persépolis.

Em Bordados, Marjane – que além de autora é personagem – participa de uma roda de chá formada por mulheres de sua família e por amigas, jogando conversa fora de uma maneira casual, cotidiana e interessante. O assunto, quase sempre, é o relacionamento romântico – ou nem tanto – e todos seus desdobramentos – inclusive sexo.

Através dos relatos daquelas mulheres, nós, como espectadores, conseguimos entender um pouco mais de uma cultura que aos olhos do Ocidente parece ser repressora e, porque não dizer, opressiva.

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Liz Phair – Funstyle

Antes de introduzir o disco da semana, farei um pequeno resumo sobre a artista em questão. Analisar os caminhos que Liz Phair escolhe para sua carreira é algo bastante curioso. A cantora, que surgiu nos anos 90 como um dos grandes nomes do rock confessional feminino, lançou um dos discos independentes de maior peso na década citada, o ótimo “Exile In Guyville” e construiu um repertório autoral digno de colocá-la ao lado das grandes artistas da música surgidas no mesmo contexto, como Alanis Morissette ou PJ Harvey. Relacionamentos amorosos, frustrações de seu cotidiano, experiências sexuais, questões pessoais, eram alguns dos temas abordados pela moça, que o fazia de forma bem humorada, criativa e pungente. Colhia elogios a cada novo lançamento.

Nos anos 2000, tornou-se, digamos, mais “flexível” com as músicas que compunha: depois de um período afastada dos estúdios, retornou em 2003 com um disco homônimo muito divertido, mas composto por canções mais pop e acessíveis do que jamais havia gravado, sendo esmagada por público e crítica, que decepcionou-se com aquilo que Liz oferecia. O sucesso “Why Can’t I?”, que estourou na trilha do filme “De Repente 30” é dessa época. Na sequência, o morno “Somebody’s Miracle” foi ainda menos bem recebido e Liz, dispensada pelo selo “Capitol”, que lançava seus discos, vive agora num quase ostracismo, reconhecida somente por seus CDs mais antigos e com atenção quase nula direcionada aos lançamentos.

Entender esse pequeno processo é importante para compreender um pouco sobre “Funstyle”, seu novo trabalho que está na praça. Geralmente, quem tem pouco a perder tem duas alternativas: arriscar menos, com medo de chegar num nível ainda mais baixo, ou arriscar ainda mais, pois sabe que não pode ficar muito pior do que está. Em seu site oficial Liz Phair comenta sobre o lançamento – tão inesperado que nenhum fã imaginava que já havia um disco novo na praça: “você não deveria ouvir essas canções. Elas me fizeram perder meu empresário, meu contrato e várias noites de sono”. Diz ainda que elas não podem ser encaradas como mais do que louca jornada pessoal; decididamente, a moça resolveu “ligar o foda-se”: e essa atitude não podia ter sido mais surpreendente.

Em onze novas faixas, Liz não poupa ninguém: satiriza a industria fonográfica, ela própria, brinca com sua voz de forma nunca antes ouvida, arrisca sonoridades diferentes daquelas que já havia experimentado. Consegue criar uma ou outra canção “séria” consistente, que pode não ser uma obra prima super original, mas merece ser ouvida, sem ser previamente massacradas pelo gosto público como aconteceu com seus lançamentos anteriores. Tudo soa, porém, tão despretensioso que a gente não questiona que a cantora esteja fazendo exatamente aquilo que deseja.

O disco abre com a breve canção introdutória “Smoke”, onde Liz dialoga com a voz de sua consciência, pronta para dizer à artista que seu disco não será lançado e que ela está prestes a “cometer suicídio” na carreira, com um segurança intransigente e um executivo oco que mais parece um cão ganindo. É difícil não rir. “Bollywood”, primeiro single, mantém o mesmo tom da faixa anterior. Numa espécie de rap indiano, Phair fala sobre propostas de emprego frustradas, péssimos salários, o peso da idade chegando e a dificuldade para arranjar boas oportunidades no meio artístico – tudo isso numa base contagiante e frenética. É uma pequena loucura, e dá vontade de ouvir de novo quando chega ao fim.

“You Should Know Me” e “Miss September” colocam seus pés no chão novamente, com Liz assumindo um tom mais contido. Ambas são canções de amor básicas, comuns e sem grandes atrativos: a primeira sobre procurar saídas para melhorar um relacionamento a dois e a segunda, cheia de pensamentos sobre arranjar forças para sustentar um relacionamento onde os fatores externos só atrapalham. Clichês na abordagem, mas ainda assim boas.

“My, My” em que clama ser uma menina malvada, é sexy, com ares de “road music”. Nessa e em “Oh, Bangladesh”, soa como Sheryl Crow, de mãos dadas com seu lado pop blues.  “Bang! Bang!” é um experimento bem vindo, com toques eletrônicos, ecos e um tom meio sufocante. “Beat Is Up” é outra faixa onde a moça libera seus bom humor e parece mais solta do que nunca. A canção traz trechos do discurso de um suposto “guru”, dizendo que as pessoas devem agir positivamente e outros diversos conselhos para uma suposta vida melhor: em contraponto, Liz encarna diversas personagens que possuem pontos de vista peculiares sobre diversas questões da vida, nem sempre politicamente corretas.

“And He Slayed Her” sugere lembranças da vida da artista: ela relembra tempos onde todos em sua cidade a classificavam de alguma forma e de como expurgou suas mágoas através da música. É um bom momento, sincero e onde a banda de apoio se faz notar. “Satisfied” é aquela que mais possui vocação pra hit e de mais fácil digestão. Antes de terminar “Funstyle”, Liz permite-se brincar um pouco mais: debochando, diz em “U Hate It” que é uma “gênia”, mostrando grande empolgação com o resultado final que seus fãs irão ouvir – a faixa é até interrompida por um falso discurso seu, como se estivesse ganhando um prêmio de música pelo seu novo disco. Enquanto isso, vozes no fundo (inclusive um coro puxado por ela própria) dizem o quanto ele “fede” e é detestável. O resultado é cômico!

Liz Phair entregou um álbum pessoal, mas diferente do que poderíamos esperar dessa categoria. Ele possui uma grande dose de desprendimento, que só agrega à tal “jornada sonora” da loira, onde compartilha suas dores e delícias com o público. Está longe de ser o melhor disco de sua discografia, mas é um dos mais corajosos; a ousadia demonstrada por Phair ao satirizar impiedosamente seu próprio universo é coisa rara, e surpreende num momento em que muitos dizem que sua “bagagem” criativa está gasta.

Prova que o limite, nesse caso, é sempre um pouco maior, e mesmo em tempos de pouco reconhecimento, sempre vale prestar atenção no que ela tem a dizer.

ps. Mas Liz… print screens não rendem boas capas de discos, ok?

Cover: I Want You Back, KT Tunstall

Quando KT Tunstall despontou pro mundo, muito se falou sobre sua presença de palco. Na contramão de pseudo-cantoras que não sabem cantar ao vivo, KT mostrou que dominava essa arte e que sabia o que estava fazendo. Em cima do palco, Miss Tunstall recriava suas próprias canções de uma maneira mais legal ainda que as gravações dos cds.

A menina manda tão bem ao vivo que até sem nenhum instrumento de apoio ela conseguiu imprimir sua personalidade em I Want You Back do Jackson 5:

A deliciosa gravação original, presente no disco Diana Ross Presents The Jackson 5, com Michael Jackson nos vocais, fez sucesso e foi parar no topo da Billboard em 1969.

3 Momentos: Drica Moraes

Adriana Moraes Rego Reis, ou simplesmente Drica Moraes, é uma das maiores – e melhores – atrizes de sua geração. Seu rosto é facilmente lembrado por personagens cômicas, mas a moça possui talentos que vão além da comédia, como o público e a crítica puderam perceber quando ela interpretou Vânia, na mini-série Queridos Amigos.

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Dancers Among Us

O fotógrafo Jordan Matter congela os melhores bailarinos de Nova York entre pessoas comuns.
O cotidiano fica bem mais interessante sob este patamar que a série Dancers Among Us nos mostra.

Os lugares são os mais variados, desde museus, como o Museum of Natural History, até lugares como a Apple Store, Grand Central Station e a Catedral de Saint Patrick.

Confira o trabalho interessantíssimo do fotógrafo:

Veja mais na íntegra: Jordan Matter

 

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