MIOLÃO • 2010 setembro
 

Archive for setembro, 2010

Cover: Use Somebody, VV Brown

Outro dia minha namorada comentou que estava virando moda artistas fodões fazerem covers de músicas-pop-toscas. Embora eu adore o resultado final de grande parte dessas investidas, não posso deixar de concordar: esse tipo de atitude virou uma constante. Tanto que a gente até se surpreende quando alguém super cool faz cover de alguém super cool.

É o caso da inglesinha VV Brown que causou na internet ano passado com seu disco de estreia, o super bom Travelling Like the Light. A moça, que normalmente investe em um som mais pop (com toques de soul, música sessentista e jazz), mostrou segurança e versatilidade a entoar uma das canções mais legais do ano retrasado – ou passado se você ouviu pela primeira vez na trilha de Caminho das Índias – e para isso não precisou mais do que sua (bela) voz e um violão:

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Music Monday: Soko

Fofa, com uma voz doce e melodiosa, cheia de estilo e francesa. Esse é um retrato superficial da mocinha que começou a cantar em 2006, depois de participar da trilha sonora de um filme em que atuou. Soko, a indie lindinha aí de cima, veio para o Brasil essa semana e fez shows em Recife, Salvador, São Paulo e Porto Alegre. Ela não tem nenhum CD gravado – só um EP, de cinco músicas que ela própria odeia, mas que os fãs adoram.

Not Sokutefoi lançado em 2007 e entre suas faixas está a mais famosa “I’ll Kill Her”. A música conta a história de uma moça apaixonada que poderia ter vivido uma grande história de amor, se o homem em questão não estivesse namorando uma “loira vadia”. E então a pobre garotinha dos primeiros versos vira uma assassina no refrão, jurando matar a “outra”. E assim são as outras canções de Soko: algumas fofinhas e românticas, outras mais raivosas, mas todas extremamente pessoais, como se tivessem sido arrancadas de um diário adolescente e sonhador da garota e magicamente transformadas em confissões que ela sussurra baixinho enquanto canta.

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O sucesso mesmo não está (ainda) na venda de álbuns, mas sim – believe me – nas músicas que correm mundo virtual afora. Myspace, youtube, torrents e demais meios de divulgação séc. XXI fizeram Soko ser conhecida em outros países que não França e EUA, onde vive hoje, em Los Angeles. Prova disso foi a rápida vinda da moça para o Brasil semana passada. Depois de duas apresentações (muito tensas, por sinal) no nordeste verde-amarelo, Soko chega em Porto Alegre, RS, e canta para a platéia “mais quieta desde que chegou no Brasil”. Ela sobe no palco com um chapéu de caubói e de cara começa a recitar suas melodias acompanhadas por acordes tranquilos e graciosos do violão. Ela fala com o público, em sua maioria adolescentes vestidos de um jeito alternativo e com menos de vinte anos. “Eu ia me apresentar para 3.000 pessoas, e eu nunca tinha feito isso antes. Estava tão, tão nervosa. Acontece que eles não sabiam direito o que eu ia tocar. Foram lá esperando ouvir música brasileira, que é animada e deixa todo mundo feliz. E aí minhas canções são mais calmas, pra baixo. Quer dizer, todas elas falam sobre a morte”, explica o triste incidente que havia acontecido nas últimas apresentações. E ela já está rindo, se atrapalhando com a guitarra azul e fazendo graça de si mesma. Soko toca bateria, canta, pede pra banda subir no palco e dá vida a sons IN-CRÍ-VEIS, somente com um violino, um contra-baixo, uma guitarra e sua voz doce. Pede pra plateia participar, fazer o back-vocal, entrar na brincadeira. Os garotos sentados do meu lado e as outras 190 pessoas suspiram e fazem “óuns” a cada minuto. Palmas, muitas palmas depois de cada faixa.

“Soko é uma Zooey Deschannel francesa”.

A apresentação em São Paulo vai ser dia 30 de setembro e quem tiver a oportunidade deve ir! Ela é linda, super simpática, tem uma voz toda amorzinho e, no fim do show, dá vontade de colocar no bolso e levar uma pra casa. Apaixonante.

Vem Aí: Easy A

Quem não adora um besteirol?

Nos anos 80, o cinema de John Hughes foi responsável por alcançar os adolescentes com o gênero e produzir verdadeiras pérolas como O Clube dos Cinco e Gatinhas e Gatões. Na década seguinte, tivemos o ótimo 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, Teenangers – As Apimentadas e Ela é Demais para representar a safra.

Nos anos 2000 a produção foi meio escassa – me recuso a acreditar que os filmes do Zac Efron se encaixam no cinema adolescente (tá mais para cinema-para-adolescentes-do-sexo-feminino-que-não-sabem-o-que-é-cinema) -, mas graças a um filme em especial manteve a tradição: Superbad – É Hoje, reinou absoluto como o melhor dos últimos anos.

Pra essa nova década já temos nosso novo candidato a favorito: A Mentira (ou Easy A, em seu título original) foi lançado nos EUA no último dia 17 e só chegará em nossos cinemas em 11 de fevereiro do ano que vem.

A ansiedade é muita, pois, ao que parece, todos os ingredientes que fizeram dos filmes citados anteriormente semi-clássicos estarão presentes: um bom elenco (Penn Badgley, Amanda Bynes, Thomas Haden Chruch, Patricia Clarkson, Lisa Kudrow, Malcolm McDowell e Stanley Tucci), uma história divertida e referência a um clássico da literatura (A Letra Escarlate) e uma trilha sonora bacaninha pra lá de bacaninha (Joan Jett, Natasha Bedingfield, Lady GaGa e Sweet Thing) temperam a historieta.

O trailer, engraçadíssimo, nos apresenta Olive (interpretada por Emma Stone, de Zumbilândia), uma garota “invisível” que topa ajudar um amigo fingindo ter feito sexo com ele e espalhando esse boato. A fama de Olive cresce pela escola e ela aproveita isso muito bem até que, como era de se esperar, começam a lhe surgir problemas…

O final a gente pode até imaginar, contudo, pela execução perfeita do trailer, a gente aguarda ansiosamente mesmo assim pra conferir com nossos próprios olhos nos cinemas.

Nos vemos lá? ;]

Música de Comercial: Forever Young, Alphaville

Imagem de Amostra do You Tube

Imprescindível nas baladas da década de 80, “Forever Young” é uma daquelas músicas românticas, que grudam no cérebro da gente e fazem o pessoal oldschool morrer de nostalgia. No comercial da agência Africa quem aparece cantando não é a banda pop alemã, mas sim (inicialmente) algumas pessoas desconhecidas com o rosto sujo de lama. Lama! Quer dizer, alguém aqui já tinha pensado em LAMA ao ouvir Alphaville?

E então, antes que o espectador possa fazer muitas sinapses tentando entender do que trata exatamente o comercial – seria uma nova linha de cosméticos da Natura? um instituto que luta contra o câncer? sabão em pó? – o refrão suave e bonitinho muda de melodia, entra uma batida punk, guitarras, uma voz rouca e uma Pajero fazendo RALI e sujando tudo com muito barro!!!

Comercial lindo, vocês não acham?

Cover: Since U Been Gone, Florence + The Machine

Não dá pra negar que Kelly Clarkson é um achado: fofa e com voz cheia de presença, a moça rompeu completamente o estigma de ex-participante de show de talentos e construiu uma carreira de respeito. “Since U Been Gone”, um dos singles extraídos de seu segundo disco, “Breakaway”, foi um grande sucesso: grudenta e cheia de uma fúria adolescente genérica, é daquelas músicas que não fazem feio nas FM’s. Ok, não é o suficiente pra se tornar marcante, mas isso é outra história…

O fato é que, em nosso Cover do Dia, Florence Welch, ou se preferir, Florence + The Machine dá uma nova cara para a faixa quase sem alterar sua forma: acompanhada de Mark Ronson (ele está em toda parte!?), a cantora apresenta sua releitura numa jam session entre amigos: sai a produção impecável de um hit redondinho e entra a crueza da ruiva, que grita, agita o ambiente e oferece a versão inusitada de uma música que agora já está convenhamos, mais do que saturada.

Vale pela despretensão e porque é sempre bom ver Florence se descabelar em suas ótimas performances. :)

Discos Essenciais: Back to Black, Amy Winehouse

É interessante ver como Amy Winehouse, em tão pouco tempo, se tornou inegavelmente – e merecidamente – um ícone da música contemporânea . Há alguns anos, Amy era somente mais uma cantora “promessa” que despontava na cena britânica, mas um título desses seria pouco para descrever essa personalidade, que deixou sua marca não apenas pelo reconhecido talento, mas pela sentimento que transmite em seus trabalho e por uma grande transparência. O Disco Essencial da vez no Miolão é “Back to Black”, o segundo álbum da carreira ainda curta, mas intensa, da moça que trouxe o bom gosto e a consistência da sonoridade de outrora para os holofotes outra vez.

É impossível analisar o trabalho de Amy sem deparar-se com aspectos de sua agitada vida pessoal. Tudo o que a cantora produz é intrínseco ao que vive e sente, e esse é um dos aspectos que tornam seus trabalhos tão admiráveis: seus pensamentos e reflexões são esmiuçados em desabafos honestíssimos, sem firulas, meias palavras ou auto-piedade.  Artistas que trazem esse desprendimento ao retratarem suas experiências são cada vez menos frequentes no mainstream e Amy provou que é possível injentar uma grande carga de realidade – e estilo próprio – às paradas de sucesso.

E também aos tablóides, claro. É um preço que se paga por ser um livro aberto: milimetricamente examinada pela mídia, nossa “heroína” aparece constantemente envolvida em embates públicos, situações fora do comum e escândalos relacionados a drogas e bebidas. A questão é que com Amy Winehouse, nada disso parece um simples artifício para permanecer sob o olhar do público e dos jornalistas – ela pouco está interessada nisso. A inglesa é verdadeiramente rock’n roll, fazendo tudo o que dá vontade e vivendo desesperadamente, como se fosse a última “selvagem” do showbuziness.

Sob  o olhar da maioria, tornou-se motivo de riso acima de qualquer outra coisa, injustamente. Esquecem que por trás de tantas excentricidades (nada forçadas) existe uma artista ávida por encontrar um escape e que somente opta pelas saídas mais prejudiciais a ela própria – mas que quando foca na sua própria arte, mostra que não tem pra ninguém.

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Cover: Tik Tok, Doll and The Kicks

Tik Tok, da Ke$ha, é, sem dúvida, uma das músicas mais viciantes dos últimos anos.

A voz carregada de auto-tune, as batidas aceleradas e um “woah-oh oh oh” super característicos conferiram a canção uma aura despretensiosa e pegajosa. O curioso é perceber que tudo que a gente adora ou adorou na música, além de serem qualidades, são também seus principais defeitos: Tik Tok é inorgânica, irritante e enjoada.

Analisando friamente, é possível chegar a conclusão que ela foi o que nasceu para ser – uma música divertida e descartável.

… Mas ao ouvir a versão da banda inglesa Doll And The Kicks toda e qualquer teoria inútil a cerca da canção é completamente diluída. Os sintetizadores de Ke$ha foram substituídos por cordas e percussões reais e os vocais, desprovidos de efeito, engataram um ritmo preciso para um refrão que parece prestes a explodir a qualquer momento.

A banda tem moral de sobra: em 2008 abriu shows do Morrissey a convite do próprio – sim, gente, o Morrissey, dos Smiths! -.

Potencial. A gente vê por aqui.

 

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