MIOLÃO • 2012 fevereiro
 

Archive for fevereiro, 2012

The Woman in Black

Dizer que A Mulher de Preto (The Woman in Black), novo longa de James Watkins, é uma homenagem ao que o cinema de terror produziu de mais clássico é uma observação tão perspicaz quanto falar que a água é molhada.

O filme, assim como as afirmações acima, é óbvio, mas bastante verdadeiro em suas intenções. Sem medo de parecer antiquado, o diretor se apropria do que o gênero tem de mais característico e demonstra uma preocupação latente em criar uma sólida tensão psicológica antes de distribuir sustos fáceis. Essa singularidade fica bastante evidente logo na abertura: abusando de close-ups em bonecas de porcelana e tendo como trilha uma música doce, porém macabra, o realizador choca ao mostrar três crianças que depois de verem “alguma coisa” se levantam em silêncio e pulam de uma janela. Sem mostrar a queda e nada grotesco, a angustia e surpresa que o expectador sente surge como resposta a inocência rompida das imagens que acabou de ver. A confirmação de que algo terrível aconteceu se dá graças ao grito visceral de uma mulher que é emitido enquanto os créditos passam.

A inteligência do uso do som (e da música) é bastante presente não só nessa cena como em diversos outros momentos: como se o diretor pontuasse sua orquestração tendo como marcação tudo o que ouvimos.

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Eu Falar Bonito Um Dia, David Sedaris

Se o humorista e escritor David Sedaris é bastante conhecido nos EUA, por aqui é mais lembrado graças à sua participação na edição 2008 da FLIP – a Feira Literária de Paraty – onde lançou “Eu falar bonito um dia”. Foram vários os comentários elogiosos a respeito da apresentação do cara no evento: nele, o autor – que possui outros títulos traduzidos em nosso país – explicou sobre o processo de criação desse apanhado de memórias particulares e contou pequenos casos que conquistaram a platéia pelo seu grande senso de humor.

Os registros da ocasião existentes no YouTube comprovam o seu carisma. Mas se Sedaris conquista fácil ao lidar diretamente com seu público e sua escrita parece fazer o mesmo, ela simplesmente não consegue manter nosso interesse.

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Comentando o Oscar 2012

… E aí que aconteceu ontem, em Los Angeles, a entrega do “principal prêmio de cinema do mundo”. Acho que todo mundo sabe – e se não sabem deveriam saber – que o tão aguardado, honrado e esperado prêmio da Academia de Artes Cinematográficas tem como objetivo fortalecer sua indústria. Dito isso, não é necessário repetir que ela não premia os melhores filmes e profissionais do ano. Na verdade, ela premia o mais forte. Então não adianta se lamuriar, chorar ou se indignar: o Oscar é o que é e, para aproveitar tudo da melhor forma possível, o jeito é se divertir.

E se querem saber, eu me diverti muito vendo tudo que rolou ontem. Bora prosear um pouco sobre tudo?

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Music Monday: Irma

Irma, a artista que ilustra nosso Music Monday de hoje, nasceu nos Camarões, se mudou pra França ainda criança, tem 23 anos e canta há 16. Em meados de 2007 ela postou alguns vídeos no Youtube cantando hits de do The Jackson 5, Yael Naim e Colbie Caillat. Não precisou de muito para que alguns anos depois ela fosse convidada para gravar seu primeiro álbum, Letters to the Lord. Autoral, o disco é uma viagem de influências que, embora não traga nada de novo ou grandioso, funciona como um belo cartão de visitas para a artista.

A verdade é que Irma é bastante comum. Aliás, tenho para mim que ela poderia ser “só-mais-uma-cantora-que-grava-vídeos-para-por-no-Youtube”. Poderia, se não fosse seu timbre.

A simplicidade presente na voz de Irma é algo raro. Enquanto grande parte das cantoras de seu tempo se refugiam à sombra de artistas do passado, a moça não tenta emular e nem forçar uma marca própria. E talvez esse seja seu grande mérito.

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Top 5: Roubaram meu Oscar!

Top 5 - Roubaram Meu Oscar!

Falar em injustiça no Oscar é, praticamente, chover no molhado.

Porém, fazer esse Top 5, exatamente no dia em que acontece a 84ª edição da premiação, foi absolutamente irresistível. Porque, como vocês devem ter percebido por esse post aqui, a distância entre o que nós consideramos justo e gostaríamos que acontecesse e aquilo que realmente vai acontecer, é gigantesca. E, em alguns casos, o “pedido” não chega nem perto do absurdo, como em todos os casos citados na nossa lista de hoje. Era só uma questão de bom senso.

Optamos por falar de edições do Oscar da década de 90 para cá e somente das categorias de Melhor Atriz e Melhor Ator. Ou seria impossível tratar do assunto em apenas uma lista. Esse Top 5 teria que se transformar num especial divido em, pelo menos, 10 partes. Pois não teria como deixar de apontar o erro de não premiar Bette Davis por O Que Terá Acontecido A Baby Jane? ou Shirley McLaine por Se Meu Apartamento Falasse. Ou mesmo Philip Glass pela maravilhosa trilha sonora de As Horas. Ou ainda o fato de Alfred Hitchcock nunca ter recebido um prêmio…

Preparados para se indignar novamente? Continue lendo →

Sample: The Spell, Alphabeat

Eu não entendi muito bem o que aconteceu com o Alphabeat. Quero dizer, em um período de um ano eles se reinventaram totalmente: abandonaram a estética colorida e deixaram para trás todas as referências sonoras sessentistas que  os tornaram famosos.

A mudança, brusca e radical, chegou sem avisar e pegou muita gente de surpresa. Afinal, quem ia esperar que aqueles garotos, que pareciam se divertir tanto mergulhando num universo retrô e animado, aniquilariam todos os vestígios que os ligariam aos tempos de seus avós?

Mas eles fizeram. Flertando descaradamente com o exagero e a breguice do final dos anos 80 e do início dos anos 90, o Alphabeat chocou seus fãs com The Spell, o primeiro single de seu segundo disco, de 2010. A música, embora dançante e animada como todas as outras lançadas por eles até então, parecia uma revolução: sintética e artificial, ela funcionaria como uma cruza de todo o poperô que bombava na década retrasada com o dance europeu que, sei lá, Ace Of Base faria.

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E o Oscar vai para…

E o Oscar vai para...

Acho que todo mundo que gosta de cinema fica extremamente empolgado nos primeiros meses do ano. Nessa época, premiações como o Globo de Ouro e o SAG entregam suas estatuetas aos atores e filmes considerados os melhores do ano e, de um modo ou de outro,  fucionam como uma espécie de prévia para a maior premiação cinematográfica: o Oscar. E quando a lista dos indicados a ele vê a luz do dia o buzz, as apostas e os questionamentos (“porque fulno, que merecia tanto figurar entre os indicados, não foi lembrado?” ou “como eles puderam indicar o filme x e ignorar o y?”) pipocam, servindo para aumentar a ansiedade para o dia da cerimônia. Porque mesmo que ela seja longa demais e entediante demais, a expectativa de ver os nossos favoritos recebendo o devido reconhecimento faz valer a pena o festival de piadas ruins e vestidos cafonas.

Isso quando os nossos favoritos levam para casa o tal homenzinho dourado. Ou são lembrados. Porque o Oscar nem sempre corresponde às nossas expectativas – e, em alguns casos, elas beiram o óbvio (como, por exemplo, ver a ótima Tilda Swinton concorrendo a estatueta de Melhor Atriz por seu desempenho soberbo em Precisamos Falar Sobre O Kevin. Ou Ryan Gosling indicado, fosse por Tudo Pelo Poder ou Drive). Assim, nós, do MiolãoTeam, que nunca conseguimos ficar indiferentes a esse tipo de coisa, resolvemos contar para vocês o que gostaríamos que acontecesse durante a cerimônia e o que achamos que vai acontecer. Devido as opiniões diversificadas, separamos a de cada um dos membros da equipe.

E vocês? Estão empolgados para o Oscar? Confiram a nossa lista e sintam-se livres para discordar, concordar e opinar sobre. Afinal, boa parte da graça dessa época está em “conspirar” com outros amantes do cinema a respeito do que irá se desenrolar no Kodak Theather no dia 26 de fevereiro.

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