Dizer que A Mulher de Preto (The Woman in Black), novo longa de James Watkins, é uma homenagem ao que o cinema de terror produziu de mais clássico é uma observação tão perspicaz quanto falar que a água é molhada.
O filme, assim como as afirmações acima, é óbvio, mas bastante verdadeiro em suas intenções. Sem medo de parecer antiquado, o diretor se apropria do que o gênero tem de mais característico e demonstra uma preocupação latente em criar uma sólida tensão psicológica antes de distribuir sustos fáceis. Essa singularidade fica bastante evidente logo na abertura: abusando de close-ups em bonecas de porcelana e tendo como trilha uma música doce, porém macabra, o realizador choca ao mostrar três crianças que depois de verem “alguma coisa” se levantam em silêncio e pulam de uma janela. Sem mostrar a queda e nada grotesco, a angustia e surpresa que o expectador sente surge como resposta a inocência rompida das imagens que acabou de ver. A confirmação de que algo terrível aconteceu se dá graças ao grito visceral de uma mulher que é emitido enquanto os créditos passam.
A inteligência do uso do som (e da música) é bastante presente não só nessa cena como em diversos outros momentos: como se o diretor pontuasse sua orquestração tendo como marcação tudo o que ouvimos.
























