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Cover: Just Like Honey, Keep Shelly In Athens

CD’s de covers, feitos aos montes, não são mais novidade pra ninguém. Se eles quase nem despertam alguma empolgação especial, o que dizer de álbuns que trazem diversas releituras distintas da mesma faixa? Podem escapar da monotonia e apresentar um resultado interessante?

O projeto “Just Like Honey” prova que sim. Idealizado por Bertie B, uma corredora de maratonas de Londres, ele não se trata de um disco físico, mas sim de uma compilação online exclusiva onde bandas e artistas independentes interpretam uma única canção: a bela “Just Like Honey”, do The Jesus and Mary Chain, que voltou à atenção do público ao ser usada na cena final de “Encontros e Desencontros” de Sofia Coppola.

Em seu site, Bertie pede uma quantia módica pelo download de cada canção, que será direcionada a Breast Cancer Care, instituição que auxilia no tratamento do câncer de mama. Se e se depender da qualidade dos registros, ela conseguirá alcançar a quantia que deseja: bandas relativamente desconhecidas, como Oh Minnow, We Are Enfant Terrible, Seapony e Kidcity, fazem um ótimo trabalho, mesmo quando se distanciam um pouco da atmosfera original da faixa.

Em nosso cover do dia, escolhemos a releitura de “Just Like Honey” feita pelos gregos do Keep Shelly In Athens, segunda faixa da compilação.

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Cover: Little Girl Blue, Janis Joplin

Caso Janis Joplin estivesse viva, completaria hoje 69 anos.

Se ela seria considerada a lenda que é hoje ou mesmo se ainda teria a mesma voz, são questões que não me preocupo em discutir ou mesmo em pensar. O que me interessa em Janis é o talento. A capacidade de transformar suas canções em algo inimitável. A voz áspera, densa, cheia de variações – que vai da mais absoluta tristeza a agressividade de um Jim Morrison em questão de segundos – e com uma facilidade que só confirma que, para ela, cantar era tão natural quanto o ato de respirar é para todos os seres humanos.

É isso o que eu gostaria de mostrar com o cover de hoje. Poderia ter escolhido Summertime, um clássico regravado milhões de vezes, mas optei por Little Girl Blue porque essa música é, até em seus menores detalhes, Janis Joplin.

Apesar de ter se popularizado na maravilhosa versão de Nina Simone, Little Girl Blue foi originalmente gravada por Gloria Grafton (infelizmente não encontrei nenhum vídeo no Youtube). Composta em 1935, por Richard Rodgers e Lorenz Hart, a faixa fala sobre infelicidade, tédio e desesperança. Sobre chegar a aquele ponto em que tudo o que se pode fazer é sentar e contar os pingos de chuva. E isso acontece de um modo tão simples e tão honesto que fez com que ela acabasse caindo no gosto de diversos cantores cujo estilo apontava, ainda que apenas em alguns momentos, para o confessional.

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Cover: Sleazy, Ben Folds

A vibe do repertório de Ke$ha não poderia ser melhor definida do que com uma frase contida no encarte de seu primeiro CD, “Animal”, escrita em letras cheias de glitter: “It’s party time!”. Noitadas, rapazes prepotentes e amigos loucos para festejar são temas recorrentes em suas letras, só pra citar alguns. Ela, que abusa do deboche e quase sempre pende para a vulgaridade, faz canções descartáveis, mas eficazes em seu propósito: divertir.

Mas o que acontece quando um artista totalmente oposto à figura bagaceira da moça resolve se aventurar pelas suas canções?

A resposta pode ser conferida em nosso cover de hoje: o cantor e produtor Ben Folds, cujo som difere muito do pop radiofônico da loira, resolveu fazer sua própria leitura de “Sleazy”, que compõe o EP “Cannibal”, lançado por K em 2010.

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Cover: Science Fiction/Double Feature, Joan Jett And The Blackhearts

Rocky Horror Picture Show e o punk têm muito mais em comum do que se pode imaginar. Por isso, a versão de Joan Jett And The Blackhearts para Science Fiction/Double Feature fecha perfeitamente com toda a proposta do filme.

Primeiramente, você precisa saber que Rocky Horror é um midnight movie. Esse termo, nos anos 50, era utilizado para apontar produções que fugiam dos padrões adequados para a sociedade da época e, por isso, só eram exibidas pela TV americana após a meia-noite. Nos anos 70, o termo passou a ser associado a filmes alternativos, produzidos pelas pessoas que estavam envolvidas com o movimento de contracultura. Em linhas gerais, os midnight movies são marcados pelo trash, devido a seu baixo custo e “má qualidade” (intencional) geral; pela exploração exagerada de determinado aspecto – visando nada mais do que o sensacionalismo -; e também pela ironia e o mau gosto. É como se os produtores de tais longas desejassem mesmo conseguir um produto final pedestre, que parecesse precário.

Aí você pode começar a se perguntar: “e isso fez sucesso?”. Dentro de um nicho específico, sim. E, em partes, isso se deve ao contexto do período: com o assassinato do presidente Kennedy, a falência do movimento hippie e a manutenção das tropas no Vietnã, o consumo de obras niilistas, experimentais, cínicas, que contassem com uma alta carga de humor aumento consideravelmente. E o cinema, tal como outras formas artísticas, foi a válvula de escape perfeita para tudo isso.

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Cover: I Wanna Be Your Lover, Corinne Bailey Rae

Após o lançamento de um álbum envolvido pelo luto, o introspectivo “The Sea”, a cantora Corinne Bailey Rae resolveu voltar um pouco ao som mais leve e romântico de seu debut: para isso, apresentou o EP “The Love”, de 2011, que como sugere o título, é repleto de canções de amor com uma vibe levemente sensual.

Sensualidade, por sinal, é algo que quando aparece nos registros da moça sempre possui um tom comedido. Ou quase: o cover de hoje, na contramão, é uma das gravações mais sugestivas em sua discografia. Pudera: o artista homenageado com a releitura é Prince, que já lançou diversas canções com uma temática um tanto mais “quente” e sabe criar atmosferas assim com classe e sem pender para a vulgaridade.

Corinne escolheu regravar “I Wanna Be Your Lover”, faixa do segundo disco de Prince e um dos maiores hits na carreira do artista.

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Cover: Blue Christmas, A Fine Frenzy

Não é novidade que regravações natalinas são feitas aos montes nessa época do mundo. Estamos tão habituados a isso que compilações com músicas do gênero são, por vezes, vistas com maus olhos. Com razão: alguns cantores se lançam na zona de conforto e não trazem nada de novo. O resultado final é requentado, mela cueca e beeem cansativo.

Alguns nomes, porém, conseguem mostrar com singeleza que é possível escapar de tanta pieguice. Alison Sudol, conhecida como A Fine Frenzy, representa bem essa categoria. Em 2009, a mocinha lançou um EP intitulado “Oh, Blue Christmas”, com seis canções – três inéditas e três covers – bem interpretadas e sem excessos.

Uma das faixas que a ruiva escolheu é “Blue Christmas”, composta por Billy Hayes e Jay W. Johnson e originalmente gravada por Doye O’Dell. Revisitada também por nomes como Elvis Presley, Billy Idol, Celine Dion e, recentemente, pelos fofos do She and Him, a gravação traz o apelo de alguém que deseja ver uma pessoa especial na noite de Natal, mas sabe que isso não acontecerá. Assim, se limita a dizer que estará triste como nunca na ocasião.

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Cover: Venus in Furs, The Kills

Alison Mosshart e Jamie Hotel Hince sempre enfatizaram em entrevistas que o Velvet Underground foi a banda com maior peso e influência no som do The Kills.

Os reverenciando com bastante amor e devoção, a dupla se igualava a nós, fãs e mortais, ao expressar o quanto curtiam o conjunto de Lou Reed: sem poupar elogios, chegaram a dizer que gostariam de soar como eles.

E eles tentaram. Os riffs sujos e displicentes e a frequente alusão ao segundo disco do Velvet Underground permearam os primeiros trabalhos do The Kills. Com o tempo, o som da banda se distanciou mais e mais da música de seus ídolos e foi ganhando corpo e personalidade.

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