Eu pouco sabia sobre Patti Smith quando comecei a ler “Só Garotos”, sua autobiografia. Tinha alguma noção sobre a importância dela para a cena punk dos anos 60 pelo que havia lido em uma ou outra matéria, e tirando faixas esparsas, só escutei um único disco seu completo, o inventivo (e ótimo) “Horses”.
Porém, mais interessante do que ouvir os elogios sobre sua carreira é conhecer os bastidores da mesma. Caso você também não saiba muito sobre Smith, o livro em questão servirá para que conheça o imaginário da cantora/artista plástica/poeta/performer/etc de forma mais íntima e até como uma boa introdução ao seu trabalho.
Mas não apenas isso.
Fazendo jus aos comentários acalorados que recebeu e ao prêmio National Book Award 2010 na categoria Não Ficção que levou, a obra é muito mais abrangente do que muitas autobiografias geralmente são. Um dos maiores méritos do livro está em fugir do tom egocêntrico mostrado por alguns escritores ao falar de sua própria vida: dominando a escrita com aprumo e transbordando carinho e nostalgia por tudo que viveu, Patti Smith se põe como apenas um detalhe em “Só Garotos”, enaltecendo muito mais outros personagens, lugares e situações por onde passou do que si própria.






















