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Só Garotos, Patti Smith

Eu pouco sabia sobre Patti Smith quando comecei a ler “Só Garotos”, sua autobiografia. Tinha alguma noção sobre a importância dela para a cena punk dos anos 60 pelo que havia lido em uma ou outra matéria, e tirando faixas esparsas, só escutei um único disco seu completo, o inventivo (e ótimo) “Horses”.

Porém, mais interessante do que ouvir os elogios sobre sua carreira é conhecer os bastidores da mesma. Caso você também não saiba muito sobre Smith, o livro em questão servirá para que conheça o imaginário da cantora/artista plástica/poeta/performer/etc de forma mais íntima e até como uma boa introdução ao seu trabalho.

Mas não apenas isso.

Fazendo jus aos comentários acalorados que recebeu e ao prêmio National Book Award 2010 na categoria Não Ficção que levou, a obra é muito mais abrangente do que muitas autobiografias geralmente são. Um dos maiores méritos do livro está em fugir do tom egocêntrico mostrado por alguns escritores ao falar de sua própria vida: dominando a escrita com aprumo e transbordando carinho e nostalgia por tudo que viveu, Patti Smith se põe como apenas um detalhe em “Só Garotos”, enaltecendo muito mais outros personagens, lugares e situações por onde passou do que si própria.

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Ilusões Pesadas, Sacha Sperling


Há um “gênero” bastante específico, tanto no cinema quanto na literatura, que visa contar histórias fantásticas de adolescentes que se desvirtuam em um mundo sedutor de sexo e drogas. Usando uma estrutura confessional onde se destaca pontos que beiram ao clichê para contornar os altos e baixos, esse tipo de romance, na maioria das vezes narrado em primeira pessoa, choca pelo contraste que buscam retratar e também por serem vendidos como “histórias reais”.

Podemos citar, só para ficar em alguns exemplos, obras como Hell Paris 75016, de Lolita Pille ou 100 Escovadas Antes de Ir Para Cama, de Melissa Panarello.

Ilusões Pesadas, de Sacha Sperling, à primeira vista parece só mais um livrinho desse tipo destinado a adolescentes que estão “descobrindo a vida”. No entanto, basta prestar atenção para notar que mesmo as intenções de Sacha sendo as mesmas das autoras citadas – publicar algo semi-biográfico para expurgar angústias e alertas os mais incautos -, o resultado final é bem diferente do alcançado por elas.

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Valente para Sempre, Vitor Cafaggi

“Valente para Sempre” é um daqueles livros que a gente lê numa única “sentada”, não apenas pelas suas poucas páginas, mas porque é tão simpático que largá-lo pela metade é algo difícil de acontecer.

Caso você nunca tenha ouvido falar dele, a gente introduz: criada pelo desenhista brasileiro Vitor Cafaggi, é composto por tirinhas originalmente publicadas no jornal O Globo, de 2010 a 2011. Em novembro passado, todas elas foram compiladas no volume único em questão. A estratégia é bem pensada: juntos, os acontecimentos na vida do personagem título ganham mais fluidez e criam um envolvimento muito maior com seu leitor.

Falando sobre amores juvenis, desapontamentos e a descoberta de paixões, Cafaggi opta por personagens um tanto inusitados, mas com emoções que conhecemos bem. Valente é um cão adolescente, que se apaixona por uma gata que encontra num ponto de ônibus. (!) Ingenuamente passional e ainda sem grandes vivências, o jovem se lança em relacionamentos repletos de sinais confusos e que marcarão uma fase de seu crescimento.

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Os Melhores Livros de 2011

Os Melhores Livros de 2011

A lista de Melhores Livros de 2011 do Miolão é um pouco mais abrangente que as outras: nesse caso, ignoramos o ano em que as obras selecionadas foram publicadas e nos permitimos considerar todas aquelas que lemos nos últimos meses como concorrentes.

A seguir, mostramos quais narrativas literárias nos surpreenderam, acompanharam e foram boas companhias em certas fases do ano. Se essa votação não teve critérios rígidos quando às características dos livros, os títulos escolhidos passaram os méritos que os tornam ótimas obras e criaram ligações pessoais com todos nós – como a literatura relevante sempre faz. E por isso merecem figurar aqui.

Veja o que selecionamos.

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Daytripper, Fábio Moon e Gabriel Bá

Eu tenho um amigo que é ávido leitor de quadrinhos, do tipo que vibra com títulos diversos, mas de quem eu nunca tinha ouvido um relato mais “comovido” quanto a HQs. Isso mudou quando ele chegou até mim dizendo que havia lido “Daytripper”, obra dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, e que ela o havia feito chorar em seu decorrer.

Não o vejo como alguém que se emociona dessa forma com muita freqüência; então, fiquei curioso pela tal carga emotiva que a criação prometia ter. Pra aumentar esse interesse, recebi indicações positivas também de outros amigos, sendo que um deles me emprestou o exemplar que havia adquirido pra que eu pudesse ler – e eu o fiz.

Lançada originalmente nos EUA em 10 volumes pela Vertigo (selo da DC Comics) e com edição única recém-chegada as lojas brasileiras, “Daytripper” traz no centro de sua trama Brás de Oliva Domingos, um escritor de obituários. Eu deveria te apresentar, nesse ponto, algumas peculiaridades sobre a vida do rapaz, mas acho que diante de uma trama tão completinha, seria bobagem colocar a existência do personagem em apenas uma categoria.

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O Estranho Caso do Cachorro Morto, Mark Haddon

Era uma vez um menino. E era uma vez um cachorro. Um dia o tal menino encontrou o tal cachorro. Morto. Com uma espécie de pá presa em seu corpo. A dona do animal, que era vizinha do menino, acha que foi o guri quem matou o bichinho e chama a polícia. O garoto, encurralado, bate num policial e vai preso. Na prisão ele decide investigar o estranho caso do cachorro morto.

A premissa é simples. Quase banal. Mas a complexidade que se esconde por entre os desdobramentos de O Estranho Caso do Cachorro Morto o torna raro.

Christopher Boone, o protagonista do livro, é um garoto de 15 anos que ama matemática, adora listas, detesta coisas de cor amarela e marrom, nunca mente, odeia ser tocado e carrega consigo traços da Síndrome de Asperger (uma forma de autismo).

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Um Dia, David Nicholls

“Você pode passar a vida inteira sem perceber que aquilo que procura está bem na sua frente”.

Esqueça esse trechinho que consta na contracapa de “Um Dia”, livro escrito por David Nicholls e sobre o qual iremos falar hoje. Melhor dizendo, não pense que ele define muito as motivações dessa história, que superam – bastante – os clichês de comédia romântica que a frase parece promover. Até porque a obra está longe de ser um conto de paixão redondinho ou uma história polida e inofensiva.

Sua trama central sugere que poderá enfileirar todos os elementos necessários pra que um dramalhão daqueles aconteça em seu decorrer: lançada em 2009, a obra conta a história de Emma Morley e Dexter Mayhew, um casal bastante díspare que se conhece (intimamente) na noite de formatura da universidade e, a partir daí, desenvolve uma amizade que se estende por anos adiante. A história trata de mostrar o que acontece com a dupla nos vinte anos que procedem aquele encontro, sempre na mesma data: 15 de julho.

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