MIOLÃO • Deve Ler - Part 2
 

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Eu Falar Bonito Um Dia, David Sedaris

Se o humorista e escritor David Sedaris é bastante conhecido nos EUA, por aqui é mais lembrado graças à sua participação na edição 2008 da FLIP – a Feira Literária de Paraty – onde lançou “Eu falar bonito um dia”. Foram vários os comentários elogiosos a respeito da apresentação do cara no evento: nele, o autor – que possui outros títulos traduzidos em nosso país – explicou sobre o processo de criação desse apanhado de memórias particulares e contou pequenos casos que conquistaram a platéia pelo seu grande senso de humor.

Os registros da ocasião existentes no YouTube comprovam o seu carisma. Mas se Sedaris conquista fácil ao lidar diretamente com seu público e sua escrita parece fazer o mesmo, ela simplesmente não consegue manter nosso interesse.

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Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, Stieg Larsson

Dá para dizer com segurança que romances policiais são bem o meu lance. Leitora assídua de Agatha Christie desde a adolescência, devoro qualquer coisa que envolva a investigação de um grande mistério. Se for assassinato então, melhor ainda. E foi por esse motivo que Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, primeiro volume da trilogia best-seller Millennium, chegou às minhas mãos. Veio ainda acompanhado de todo aquele buzz em torno da adaptação de David Fincher e chamou minha atenção pela gritante diferença do título brasileiro para o título em inglês, The Girl With The Dragon Tattoo.

Logo de cara, já vou dizendo que Stieg Larsson sabia bem o que estava fazendo quando estruturou seu livro de forma que, apesar de inicialmente um pouco lento, o ritmo se acelera gradualmente até ficar quase impossível dar uma pausa na leitura. Talvez o mérito seja, em grande parte, dos personagens Lisbeth Salander, a melhor hacker EVER, e Mikael Blomkvist, o jornalista “mamãe-passou-açúcar-em-mim” (alguém mais conhece essa música?), que cumprem com excelência o papel de protagonistas extremamente cativantes. Seus backgrounds pessoais chegam até mesmo ao ponto de ofuscar a suposta trama principal em algumas partes da história – trama essa que se trata da união da dupla na investigação de um crime envolvendo uma poderosa família sueca. Pelo menos inicialmente.

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Só Garotos, Patti Smith

Eu pouco sabia sobre Patti Smith quando comecei a ler “Só Garotos”, sua autobiografia. Tinha alguma noção sobre a importância dela para a cena punk dos anos 60 pelo que havia lido em uma ou outra matéria, e tirando faixas esparsas, só escutei um único disco seu completo, o inventivo (e ótimo) “Horses”.

Porém, mais interessante do que ouvir os elogios sobre sua carreira é conhecer os bastidores da mesma. Caso você também não saiba muito sobre Smith, o livro em questão servirá para que conheça o imaginário da cantora/artista plástica/poeta/performer/etc de forma mais íntima e até como uma boa introdução ao seu trabalho.

Mas não apenas isso.

Fazendo jus aos comentários acalorados que recebeu e ao prêmio National Book Award 2010 na categoria Não Ficção que levou, a obra é muito mais abrangente do que muitas autobiografias geralmente são. Um dos maiores méritos do livro está em fugir do tom egocêntrico mostrado por alguns escritores ao falar de sua própria vida: dominando a escrita com aprumo e transbordando carinho e nostalgia por tudo que viveu, Patti Smith se põe como apenas um detalhe em “Só Garotos”, enaltecendo muito mais outros personagens, lugares e situações por onde passou do que si própria.

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Ilusões Pesadas, Sacha Sperling


Há um “gênero” bastante específico, tanto no cinema quanto na literatura, que visa contar histórias fantásticas de adolescentes que se desvirtuam em um mundo sedutor de sexo e drogas. Usando uma estrutura confessional onde se destaca pontos que beiram ao clichê para contornar os altos e baixos, esse tipo de romance, na maioria das vezes narrado em primeira pessoa, choca pelo contraste que buscam retratar e também por serem vendidos como “histórias reais”.

Podemos citar, só para ficar em alguns exemplos, obras como Hell Paris 75016, de Lolita Pille ou 100 Escovadas Antes de Ir Para Cama, de Melissa Panarello.

Ilusões Pesadas, de Sacha Sperling, à primeira vista parece só mais um livrinho desse tipo destinado a adolescentes que estão “descobrindo a vida”. No entanto, basta prestar atenção para notar que mesmo as intenções de Sacha sendo as mesmas das autoras citadas – publicar algo semi-biográfico para expurgar angústias e alertas os mais incautos -, o resultado final é bem diferente do alcançado por elas.

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Valente para Sempre, Vitor Cafaggi

“Valente para Sempre” é um daqueles livros que a gente lê numa única “sentada”, não apenas pelas suas poucas páginas, mas porque é tão simpático que largá-lo pela metade é algo difícil de acontecer.

Caso você nunca tenha ouvido falar dele, a gente introduz: criada pelo desenhista brasileiro Vitor Cafaggi, é composto por tirinhas originalmente publicadas no jornal O Globo, de 2010 a 2011. Em novembro passado, todas elas foram compiladas no volume único em questão. A estratégia é bem pensada: juntos, os acontecimentos na vida do personagem título ganham mais fluidez e criam um envolvimento muito maior com seu leitor.

Falando sobre amores juvenis, desapontamentos e a descoberta de paixões, Cafaggi opta por personagens um tanto inusitados, mas com emoções que conhecemos bem. Valente é um cão adolescente, que se apaixona por uma gata que encontra num ponto de ônibus. (!) Ingenuamente passional e ainda sem grandes vivências, o jovem se lança em relacionamentos repletos de sinais confusos e que marcarão uma fase de seu crescimento.

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Os Melhores Livros de 2011

Os Melhores Livros de 2011

A lista de Melhores Livros de 2011 do Miolão é um pouco mais abrangente que as outras: nesse caso, ignoramos o ano em que as obras selecionadas foram publicadas e nos permitimos considerar todas aquelas que lemos nos últimos meses como concorrentes.

A seguir, mostramos quais narrativas literárias nos surpreenderam, acompanharam e foram boas companhias em certas fases do ano. Se essa votação não teve critérios rígidos quando às características dos livros, os títulos escolhidos passaram os méritos que os tornam ótimas obras e criaram ligações pessoais com todos nós – como a literatura relevante sempre faz. E por isso merecem figurar aqui.

Veja o que selecionamos.

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Daytripper, Fábio Moon e Gabriel Bá

Eu tenho um amigo que é ávido leitor de quadrinhos, do tipo que vibra com títulos diversos, mas de quem eu nunca tinha ouvido um relato mais “comovido” quanto a HQs. Isso mudou quando ele chegou até mim dizendo que havia lido “Daytripper”, obra dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, e que ela o havia feito chorar em seu decorrer.

Não o vejo como alguém que se emociona dessa forma com muita freqüência; então, fiquei curioso pela tal carga emotiva que a criação prometia ter. Pra aumentar esse interesse, recebi indicações positivas também de outros amigos, sendo que um deles me emprestou o exemplar que havia adquirido pra que eu pudesse ler – e eu o fiz.

Lançada originalmente nos EUA em 10 volumes pela Vertigo (selo da DC Comics) e com edição única recém-chegada as lojas brasileiras, “Daytripper” traz no centro de sua trama Brás de Oliva Domingos, um escritor de obituários. Eu deveria te apresentar, nesse ponto, algumas peculiaridades sobre a vida do rapaz, mas acho que diante de uma trama tão completinha, seria bobagem colocar a existência do personagem em apenas uma categoria.

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