MIOLÃO • Música
 

All posts in Música

Lana Del Rey – Born To Die

Tempos atrás, quando falei de Lana Del Rey em uma antiga postagem do Miolão, disse que a aura enigmática da moça era um de seus maiores atrativos. Na ocasião, a cantora despontava como uma nova promessa e tudo parecia mesmo muito intrigante: sua persona (incluindo o caso Lizzy Grant x Lana Del Rey), suas canções, a ausência de lives e entrevistas que a aproximassem do público.

Agora, Lana já nem parece esse mistério todo. Os últimos meses comprovaram que por trás de toda aquela pose sedutora, existe uma menina bastante tímida, que não se sente tão à vontade em cantar ao vivo, se expressa de forma contida junto à mídia e nem faz mais questão de esconder seu passado como Lizzy, afirmando inclusive que o seu álbum sob essa alcunha será lançado em breve por uma grande gravadora.

Se a artista surge agora muito mais revelada, o que dizer de sua música? “Born To Die”, o seu primeiro disco oficial, chegou às lojas gringas semana passada. Ainda que bastante esperado, seu conteúdo já era, em grande parte, conhecido pelos fãs: das doze faixas que o compõem, mais da metade já havia vazado ou rodava pela web em versão demo. Embora não seja um disco temático, o álbum circunda o mesmo ponto em quase todas as suas canções: as lamentações de Lana sobre seu coração partido, amantes cruéis e sobre como se sente sem grande valor ou atrativos, tudo sob um verniz retrô, cinematográfico e por vezes, de uma seriedade pomposa. A intérprete veste com propriedade a fantasia de beauty queen fracassada e a sustenta até a última faixa, mas a questão é que é difícil não sentir-se enjoado de seu “mundinho” rápido demais. As gravações lançadas anteriormente, agora agrupadas, perdem muito de sua força, o que torna a audição do compacto repleta de altos e baixos.

Continue lendo →

Cover: Little Girl Blue, Janis Joplin

Caso Janis Joplin estivesse viva, completaria hoje 69 anos.

Se ela seria considerada a lenda que é hoje ou mesmo se ainda teria a mesma voz, são questões que não me preocupo em discutir ou mesmo em pensar. O que me interessa em Janis é o talento. A capacidade de transformar suas canções em algo inimitável. A voz áspera, densa, cheia de variações – que vai da mais absoluta tristeza a agressividade de um Jim Morrison em questão de segundos – e com uma facilidade que só confirma que, para ela, cantar era tão natural quanto o ato de respirar é para todos os seres humanos.

É isso o que eu gostaria de mostrar com o cover de hoje. Poderia ter escolhido Summertime, um clássico regravado milhões de vezes, mas optei por Little Girl Blue porque essa música é, até em seus menores detalhes, Janis Joplin.

Apesar de ter se popularizado na maravilhosa versão de Nina Simone, Little Girl Blue foi originalmente gravada por Gloria Grafton (infelizmente não encontrei nenhum vídeo no Youtube). Composta em 1935, por Richard Rodgers e Lorenz Hart, a faixa fala sobre infelicidade, tédio e desesperança. Sobre chegar a aquele ponto em que tudo o que se pode fazer é sentar e contar os pingos de chuva. E isso acontece de um modo tão simples e tão honesto que fez com que ela acabasse caindo no gosto de diversos cantores cujo estilo apontava, ainda que apenas em alguns momentos, para o confessional.

Continue lendo →

Rachael Yamagata – Chesapeake

Em seu terceiro álbum, Chesapeake, Rachael Yamagata explora contornos de felicidade e otimismo – por mais estranha que essa frase soe para quem conhece o trabalho da moça. Se você pertence a esse grupo e ao ler isso um ponto de interrogação se formou em sua cabeça, eu explico: não significa que para esse disco ela abandonou por completo a aspereza e melancolia ostentada em momentos anteriores ou mesmo as baladas marcadas por piano. Elas ainda estão lá. Porém, Chesapeake parece permeado por positividade.

Quando se pára para pensar nos álbuns anteriores de Rachael, notamos que não é como se ela nunca tivesse demonstrado seu otimismo. Um exemplo claro disso é a fofa 1963, de Happenstance (2004), que no meio de tantas canções tristes, surge como um momento de alívio e esperança. Então, de certa forma, a luz sempre esteve ali, expressa em pequenos detalhes. Nós é que não prestamos a devida atenção. E é exatamente daí que vem o susto quando começamos a audição de seu novo trabalho.

Segundo essa entrevista aqui, a vontade de explorar esse lado mais ensolarado de sua personalidade estava ali há um bom tempo. Rachael disse que a natureza de suas canções do passado fez com que ela acabasse parecendo algo que não é e que os temas que explorou em seus dois primeiros álbuns – amargura, corações partidos e outras coisas que podem fazer um relacionamento, terminado ou não, doer tanto – não são exatamente partes de sua vida, apenas temas que a fascinavam. Então, ela escrevia sobre eles para tentar compreender e porque considerava que o tipo de melodia que gostava de produzir acomodaria melhor letras tristes. Porém, quando estava compondo as canções que integrariam Chesapeake , ela disse ter encontrado uma maneira de escrever músicas sobre temas menos sombrios, com melodias menos melancólicas e ainda soar como ela mesma e, então, resolveu se arriscar.

Continue lendo →

3 Momentos: Garbage

Reza a lenda que o trio de produtores Butch Vig, Steve Marker e Duke Erikson, em 1994, estavam num estúdio remixando uma faixa do Nine Inch Nails. Um amigo dos caras adentrou ao recinto e disse: “that sounds like garbage”. A simples frase foi o bastante para que a sonoridade suja, marcada guitarras distorcidas e agudas, se transformasse num outro projeto, batizado como Garbage, em homenagem a frase que o inspirou. Tudo o que faltava era alguém que compartilhasse do mesmo gosto que os caras para assumir os vocais.

Nessa mesma época, uma certa escocesa de cabelos vermelhos estava para lá de infeliz na sua banda, o Angelfish. Ela achava que os demais membros não levavam aquilo à sério. Então, quando Butch e cia entraram em contato, convidando-a para fazer parte do Garbage, Shirley Manson não pensou duas vezes.

E assim teve início uma das maiores bandas dos anos 90. E das mais originais. Porque apesar de ter nascido da costela do Nine Inch Nails, o Garbage não se assemelha em nada a eles, tamanha a peculiaridade de suas letras e melodias. Ao ouvirmos uma música do quarteto, temos a certeza que ela só poderia ter sido escrita, produzida e cantada por eles. Ora soando ferozes, ora melancólicos e, no meio disso, encontrando uma maneira de se mostrar vulneráveis, eles fizeram o suficiente para, mesmo nunca entrando em estúdio para produzir algo novo, sempre serem lembrados, queridos e, acima de tudo, esperados.

E é por tudo isso que o 3 Momentos de hoje é dedicado a eles. Bora conferir?

Continue lendo →

Music Monday: Alice Gold

Você conhece a Alice Gold?

Seven Rainbows, o disco de estreia da moça, foi produzido por Dan Carey – que já trabalhou com os caras do Franz Ferdinand e com a fofa da Lily Allen – e foi lançado em julho do ano passado.

… Mas eu só fiquei sabendo dele (e da existência da moça) no sábado. Coloquei pra tocar, assim, como quem não quer nada, e me surpreendi. Fiquei de cara com o potencial vocal de Alice, com a pegada rock das músicas e com o apelo pop dos refrões. E aí, meus amigos, não quis saber de outra coisa. Deixei o disquinho no repeat por horas. No domingo eu já cantarolava todas as melodias. E hoje eu não queria saber de ouvir outra coisa.

Continue lendo →

A Banda Mais Bonita da Cidade – A Banda Mais Bonita da Cidade

O clipe de Oração, a primeira musiqueta dA Banda Mais Bonita da Cidade, hoje acumula quase nove milhões de views no YouTube. Embora esteja abaixo da maioria dos filhotes de labrador que aparecem em vídeos caseiros fazendo o que todo cachorro faz, os números são bastante impressionantes. A meia dúzia de versos encaixou de um jeito único com o vídeo, e o resultado foi apenas delicioso. O videoclipe de Oração, gravado em plano sequência com uma porção de gente sorridente, é o que todo comercial de margarina sempre sonhou ser.

Formada por Uyara Torrente, uma menina com uma delícia de voz e os rapazes Vinícius Nisi, Rodrigo Lemos, Diego Placa e Luís Bourscheidt, o grupo é bastante jovem. Através de crowndfunding, a banda conseguiu juntar alguns milhares de reais para a produção do primeiro disquinho. Muita gente ajudou e o álbum saiu ainda em 2011, carregando o mesmo nome da banda. E aí vieram as críticas.

Continue lendo →

Feist – Metals

“Metals (Metais) podem ser encontrados brutos e crus, derretidos no centro da Terra, mas também podem ser altamente refinados e transformados em pequenas jóias”

A frase acima foi dita pela própria Feist em uma entrevista que antecedeu o lançamento de seu novo álbum, Metals. E não consigo ver uma maneira melhor de descrever o novo trabalho da cantora. E tampouco para começar esse texto.

Num tempo em que Last Friday Night, da Katy Perry, extrapola os limites do sucesso e se torna quase um retrato da música pop produzida na atualidade, cujo foco parece ser retratar festas, relacionamentos efêmeros e outras coisas corriqueiras, encontrar uma artista que permaneça fiel a seu legado, mesmo quando poderia ter caído na tentação do sucesso fácil, é algo raro.

Porque sim, Feist poderia ter “se vendido”. Mushaboom, do álbum Let It Die (2004), por exemplo, foi veiculada num comercial da Lacoste e atingiu certo êxito. O mesmo aconteceu com 1234, integrante do ótimo The Reminder, canção essencialmente pop e bastante executada em seu ano de lançamento. Mas, ela escolheu outras direções. Direções mais interessantes, eu diria.

Não estou dizendo que Metals seja um disco obscuro, influenciado por estilos obscuros. Isso seria mentir. É um álbum que se matém fiel às influências dos seus anteriores, como o pop adulto produzido nos anos 80, mas, ao mesmo tempo, entre os trabalhos da cantora é o mais difícil de digerir, já que mesmo se mantendo fiel, ele se diferencia bastante de Let It Die e The Reminder. Principalmente por possuir unidade.

Continue lendo →

 

Features Stats Integration Plugin developed by YD

UA-11237259