No Som

Seja clássica ou moderna, pop ou alternativa, a música move o mundo. E o MIOLÃO é redondo.

The Pretty Reckless – Light Me Up

03/09/2010 às 19:32 em No Som

Lançado oficialmente no dia 30 de agosto no Reino Unido, Light Me Up é o aguardado álbum de estréia de Jenny Humphrey, oops!, digo, de Taylor Momsen e sua gangue de amigos mais velhos e mais barbudos.

Taylor ainda estava em Gossip Girl quando começou a se apresentar com a banda no ano passado. O visual da artista foi ficando cada vez mais sujo, as entrevistas polêmicas e, mais do que tudo, as performances cada vez mais poderosas. Tudo isso sugeria que The Pretty Reckless fosse uma alternativa sincera, quase um tributo, ao bom e velho rock’n'roll.

Quando as primeiras músicas caíram na rede as comparações com Courtney Love foram quase que imediatas. Os vocais potentes e a postura de foda-se o mundo fazia com que Taylor soasse como a odiada/amada Love em seus tempos áureos. E exatamente por isso muita gente começou a torcer o nariz.

Faltando personalidade ou não, fato é que as músicas eram realmente boas e se a intenção era “copiar” o estilo de Courtney eles faziam com louvor e, mediante a isso, esperar pelo álbum era quase que uma obrigação.

E eis que semana passada finalmente caia na rede o disquinho. Para o desagrado dos fãs, a tracklist oficial deixou de fora a ótima Zombie e a ausência não foi só sentida como também não foi superada.

My Medicine abre o álbum da melhor maneira possível. Nela, a voz de Taylor muda a cada verso, cantando a princípio com sarcasmo e deboche, gritando para soar mais alto que os instrumentos e acabando num refrão desesperado e sincero.

A Since You’re Gone mantém o bom ritmo do disco, mas antes de chegar ao final começamos a ficar com a sensação de que… falta alguma coisa. Toda sensação de falta é esquecida quando começa a velha e boa Make Me Wanna Die, que de tão boa poderia facilmente ser confundida com alguma música do Hole. Vale lembrar que Make Me Wanna Die já tinha alcançado boas posições nas paradas de UK e que ela funcionara bem como um prelúdio do que a banda queria dizer. No disco, a canção se impõe, mesmo com uma letra boba e alguns riffs exagerados, e deixa o ouvinte com mais expectativa para o que vem a seguir.

E o que vem a seguir é um punhado de músicas bobas que parecem nunca chegar a seu ápice. Se a banda era acusada de falta de personalidade antes do disco, depois do disco esse detalhe ficou ainda mais evidente. As pretensões de fazer rock caem por terra quando tocam músicas que mais parecem do repertório de Avril Lavigne. É claro que há boas canções no meio do percurso – o que dizer da bonitinha You ou do hino adolescente de autoafirmação Miss Nothing? -, mas o saldo geral é de que faltou alguma coisa.

Imagem de Amostra do You Tube

É interessante perceber que até mesmo pela emblemática capa, divulgada semanas antes, The Pretty Reckless tentava se apropriar dos clichês do gênero rock – jaqueta de couro, isqueiro e cabelos desgrenhados -, mas tudo que conseguiram foi soar como a capa do disco: imaturos como uma criança.

Seja o primeiro a comentar

Cover: Try sleeping with a broken heart, Robyn

02/09/2010 às 17:09 em No Som

A canção foi lançada em meados de Novembro de 2009 e faz parte do quarto álbum de Alicia Keys, “The Element of Freedom”.

Originalmente, contém o toque do rithym ‘n blues de Miss Keys com seus agudos cheios de potência.

O cover do dia, fica por conta da sueca Robyn, que tempera a música com batidas e teclados característicos de seu electro-pop e sua voz de timbre delicado como o de uma criança.

Enjoy it!

Imagem de Amostra do You Tube
Seja o primeiro a comentar

Trilha Sonora: “All You Need Is Love” – Jim Sturgess & Dana Fuchs

01/09/2010 às 18:13 em No Som, Telinha & Telão

Beatles é, provavelmente, a banda que mais deixou material “reciclável” no universo lindo da música – e dos filmes.

Quando Across the Universe (o filme) foi lançado em 2008, a primeira coisa que pensei foi: GE-NI-AL! E, logo em seguida, pensei: COMO NINGUÉM TEVE ESSA IDEIA ANTES? Os próprios Beatles, em seus tempos áureos, haviam estrelado alguns filmes e um musical. Como demorou tanto tempo para que alguém gastasse muito dinheiro e fizesse uma mega produção com esse tema? Talvez  burocracias autorais. A questão é que, quando Julie Taymor resolve contar uma história usando as letras da banda pop (pop!) mais famosa ever, e faz isso bem feito, temos um filme lindo e a difícil tarefa de escolher somente uma música do repertório espetacular.

A tentação já vem desde a primeira cena, quando um Jude interpretado pelo (lindinho) Jim Sturgess nos recepciona recitando um verso de “Girl”, a voz cheia de sofrimento e é fundido à Dana Fuchs destruindo o vocal na que eu considero a melhor interpretação do filme: “Helter Skelter”. Ela vai voltar depois, em um “bis” e cantando, entre outras, “Don’t Let Me Down”.

Imagem de Amostra do You Tube

Se alguém disser que não ficou com uma vontade imensa de sair dançando e estalando os dedos quando Evan Rachel Wood começa a cantar e pular freneticamente ao som de “It Won’t Be Long” e, logo em seguida, “I’ve Just Seen A Face”, dessa vez com o apaixonado Jim Sturgess que canta, dança e joga boliche tudoaomesmotempo!

Entrando no lado negro do filme as dancinhas super divertidas e cantarolantes vão se esvaindo aos poucos, dando lugar para guitarras pesadas, percussão grave e vocais raivosos. Conforme as canções vão ficando mais tensas, o mesmo vai acontecendo com os personagens e com o cenário. Estamos em 1960, no meio de uma odiosa Guerra do Vietnã, acompanhados por “Come Together” e “I Want You (She’s So Heavy)”, essa última com imagens que dão um significado completamente único e assombroso aos versos de Lennon/McCartney.

As guitarras e a voz gritante de Dana Fuchs voltam ao decorrer do filme – desculpem-me os outros, mas ela é perfeita. “Oh! Darling” vira um dueto – que é, na verdade, um duelo – com acordes distorcidos e fora de compasso. McCoy, uma espécie de Jimi Hendrix de Across The Universe, faz mágica com “While My Guitar Gently Weeps, tocando com tanto sentimento que chega a doer em nós.

De bolachinha-brinde ainda temos o sempre carismático (q?) Sr. Bono Vox! Agraciando todos nós com seu talento para usar óculos escuros, interpreta as psicodélicas “I Am The Walrus” e, já nos créditos finais, “Lucy In The Sky With Diamonds”. Como não sou uma pessoa muito narcisista, abri mão de eleger para esse post a música que leva meu nome, restringindo qualquer comentário pessoal.

Imagem de Amostra do You Tube

A versão mais incrível, tem-se que admitir, é “Let It Be”. No início, cantada à capela por um garoto em meio à guerra e, em seguida, interpretada por todo um coral de igreja, no melhor estilo do blues norte-americano, é de arrepiar qualquer um.

Acontece, minha gente, que eu sou uma pessoa clichê. Sendo assim, não poderia escolher outra música para fechar o post que não fosse “All You Need Is Love”. Provavelmente a canção dos Beatles mais tocada e regravada, um mito dos comerciais com apelo emocional. Mesmo assim é a mais perfeita. O cenário, a performance, a sinceridade. Tudo está na medida certa! Ela é inacreditável, mas ao mesmo tempo tão crível que chegar a dar vontade de ter estado lá, de pé, em frente à sede da Apple Records.

 Imagem de Amostra do You Tube

Across The Universe é o panorama de uma banda e de uma geração e “All You Need Is Love” é a melhor mensagem que poderiam ter deixado pra esse hoje.

1 Comentário

Cover: Use Somebody, Bat for Lashes

01/09/2010 às 00:05 em No Som

Lançada no final de 2008, “Use Somebody”, faixa do quarto disco da banda “Kings of Leon” é uma balada rock que soa desesperadamente romântica sem ser nem de longe piegas. Os vocais rasgados de Caleb Followill acentuam o tom urgente da faixa, uma espécie de relato sobre a necessidade de “alimentar-se” de alguém para compreender melhor o mundo ao redor, que é desprezado pelo rapaz.

Natasha Khan, a talentosa Bat For Lashes, resolveu gravar sua versão da música para a BBC 1 Radio. A moça, que envolve suas canções próprias com um ar onírico faz o mesmo com o hit do grupo: ele aparece mais sereno, igualmente envolvente e com um tom quase místico. A voz super característica de Khan também é um destaque por si só.

Ouça e relembre essa ótima interpretação no Cover do Dia. ;)
Imagem de Amostra do You Tube

3 Comentários

3 Momentos: Yeah Yeah Yeahs

31/08/2010 às 10:51 em No Som


De todas as bandas que vieram salvar o rock nos idos de 2000 o Yeah Yeah Yeahs talvez seja a que escolheu os caminhos mais interessantes. Fugindo do óbvio e sendo criativos como poucos, eles eram a aposta menos segura de uma legião de críticos que pareciam mais eleger heróis do que criticar de fato os músicos daquela época.

Mesmo que não carregassem o título de “salvadores” – e desde quando o rock precisou ser salvo? -, a banda chamava a atenção de todos por transpirar rock’n'roll e fazer bonito em qualquer área em que atacasse.

Com quase uma década de estrada, separamos 3 Momentos para entender o que o Yeah Yeah Yeahs foi, o que o Yeah Yeah Yeahs é e o que o Yeah Yeah Yeahs pode ser.

O início: Maps, 2004

O trio, oriundo de Nova York, estreou com um EP em 2001 sem fazer muito barulho. Anos depois, em 2003, lançaram um aclamado debut recheado de uma fúria dilacerante alternando momentos de libertinagem, sujeira e… amor.

Maps, terceiro single do disco, caiu no gosto dos alternativinhos de plantão: o belíssimo clipe correu as tv do mundo e foi indicado a prêmios importantes como Melhor Direção de Arte, Melhor Edição e Melhor Fotografia do VMA de 2004.

Tão bonito e onírico quanto o vídeo foi a apresentação da canção pela banda no MTV Movie Awards de 2004:

Imagem de Amostra do You Tube

De tirar o fôlego.

O meio: Gold Lion, 2006


As guitarras continuavam lá. A voz e a presença de Karen O também. Mas alguma coisa tinha mudado. Dividindo opiniões, Show Your Bones, segundo disco da banda, de 2006, trouxe um Yeah Yeah Yeahs renovado. No repertório não havia nenhuma canção furiosa como Pin ou graciosa como Maps, mas o lead-single comprovava que a banda ainda dava conta do recado.

Imagem de Amostra do You Tube

O vídeo, dirigido por Patrick Daughters, é até hoje um verdadeiro deleite estético e uma unanimidade entre os fãs. Também pudera, há clipe mais legal e refrão mais pegajoso?

O recomeço: Zero, 2009


Quem se atreveu a declarar a morte da banda após o segundo disco engoliu palavra por palavra com o lançamento de Zero, primeiro single de It’s Blitz!

Zero marcou uma nova fase no som da banda. Mais maduros e interessantes do que nunca, o Yeah Yeah Yeahs ousou ao deixar as guitarras - sua marca registrada – de lado e apostar num som repleto de sintetizadores e efeitos.

Imagem de Amostra do You Tube

Paradoxalmente ao que se poderia supor, o resultado obtido em Zero foi incrível: a música cresce a cada audição e contagia, fazendo com que a gente “reaja” instantaneamente.

Não à toa, foi considerada uma das melhores faixas do ano pelas principais publicações do mundo.

Acompanhar a evolução do Yeah Yeah Yeahs é ao mesmo tempo atrativo e difícil. Difícil porque olhar todas as mudanças de longe, sem se envolver, é tarefas das mais impossíveis. E é atrativo justamente por isso. Que venha o futuro.

Seja o primeiro a comentar