MIOLÃO • Música - Part 2
 

All posts in Música

Michael Kiwanuka – Home Again

Acordei e era noite. Fiquei com um tanto de raiva quando percebi que ainda faltava um par de horas para o dia. Fazia frio. E eu não tinha sono. “Droga!”. Decidi ouvir música. Busquei, ainda no escuro, meus fones de ouvido. Dei play.

Foi assim, no nada. Se despertei meio frustrado, ao escutar Home Again, esqueci de tudo quando Michael Kiwanuka começou a cantar. Em questão de segundos fui transportado a outro mundo. Um lugar seguro. Acolhedor. Sereno. E bonito. Muito, muito, muito bonito.

Regido pela força de seu interprete, Home Again, o disco de estreia de Michael Kiwanuka, é um trabalho primorosamente bem acabado e executado. Cantando sobre a sensação de querer encontrar seu lugar, Kiwanuka, apoiado em algumas cordas, flautas, saxofones e, às vezes, um piano, criou músicas que com vida própria que são fortes o suficiente para permanecerem na memória por dias a fio. E, além de dar vida as canções, ele deu alma. Não satisfeito em expressar todas as emoções contidas nas palavras, o cantor ugandense traduziu com a voz conceitos abstratos e subjetivos como compaixão (Worry Walks Beside Me), carinho (Always Waiting) e liberdade (Tell Me a Tale).

Continue lendo →

Marina and The Diamonds – Electra Heart

Marina Diamandis, aka. Marina and The Diamonds, apareceu em 2010 com um disquinho cheio de frescor: sarcástico, selvagem e excêntrico, “The Family Jewels” trazia a moça debochando de forma bem humorada dos estereótipos do american way of life, criticando a mídia e os excessos da fama, dando voz a personagens de contos infantis e contando alguns casos mais particulares.

O álbum, uma das melhores peças pop lançadas naquele ano, apresentava um lado da identidade musical da galesa, mas ainda não comportava todas as suas ambições criativas. Ao que parece, o tiro certeiro é representado por seu novo compacto, “Electra Heart”, que chegou às lojas no último dia 30.

Para começar a analisá-lo, vale dizer que além de muito ambicioso, o CD é bastante destemido: ele traz, em seu conteúdo, um nível de delírio muito maior que o anterior e sonoramente, é tão grandioso quanto “The Family Jewels”. Mas talvez os adjetivos devam ser direcionados à própria cantora: Marina resolveu mostrar que não está para brincadeira e, deixando para trás o deboche e as experimentações do compacto passado, construiu uma obra vertiginosa que reflete sobre o desapego dos relacionamentos contemporâneos, a busca generalizada (e cega) por atenção e sucesso, os desapontamentos da auto descoberta, além de outros assuntos que já tratava anteriormente – trazidos aqui de forma bem mais grave e intimidante.

Continue lendo →

Cover: Paranoid Android, Sia

Falar de Radiohead é uma coisa que sempre me faz relutar. E a culpa nem é dos caras ou de alguma espécie de medo de não corresponder à genialidade da banda. É fan-base deles. E acho que não preciso falar mais nada para vocês entenderem, não é?

Mas, quando ouvi a Sia cantando Paranoid Android, eu resolvi ignorar tudo isso a falar a respeito de Thom York e sua trupe – ainda que de maneira indireta, já que estarei mesmo falando a respeito da Sia. E sim, eu resolvi ignorar o meu medo com uma das faixas mais bem trabalhadas, complexas e adoradas do Radiohead.

Paranoid é simplesmente incrível. Pronto, agora ninguém mais pode me atirar pedras por não ter sido justa. Ironias e alfinetadas a parte, a canção é dona de uma letra poética, que permite múltiplas interpretações, e de uma estrutura, no mínimo, fascinante – na qual pode-se perceber influência de duas obras primas do rock, Happiness Is A Warm Gun, dos Beatles e Bohemian Rapsody, do Queen.

Continue lendo →

Best Coast – The Only Place

Há menos de dois anos, quando o Best Coast lançou seu primeiro disco, o irresistível “Crazy For You”, apresentava uma sonoridade que misturava a nostalgia da surf music das antigas com uma energia “rock de garagem” mais atual. O compacto transitava muito bem entre o passado e o presente, e abordava temas que pareciam ter saído do diário de uma pré-adolescente romântica e impulsiva: relacionamentos amorosos, paixões platônicas, dias de tristeza e ócio gastos em casa sem fazer nada, baseados compartilhados e alguns rompantes de raiva. Tudo envolvido por uma aura de sol, estrada, praia e euforia jovem.

Embora esse tom escancaradamente juvenil tenha feito alguns torcerem o nariz, foi ao mesmo tempo o maior mérito da banda, liderada por Bethany Cosentino. Defendendo esse mundinho sem nenhuma inibição e intenção de soar mais sério do que demonstrava ser, o Best Coast conquistou pela sinceridade, ingenuidade – e claro, pelas canções deliciosas. Era difícil não torcer para que continuasse com a mesma despretensão do compacto em questão no trabalho seguinte.

Mas será que seus integrantes conseguiriam segurar mais um álbum que divagasse sobre os mesmos temas, evocasse atmosfera semelhante e tudo isso soar como um grande repeteco?

A resposta pra essa pergunta retoma a ideia do diário: assim como alguém pode escrever vários deles e adotar, com o tempo, um tom mais maduro para falar dos temas condizentes à sua vida, “The Only Place” (que vazou essa semana e chega às lojas em 15 de maio) é a continuação mais apropriada e natural do caderninho que era “Crazy for You”. Com a diferença que, agora, sua dona prossegue em outras páginas, percebendo novas nuances de tudo que tem vivido e buscando outras formas de compartilhar todas as experiências – no caso, não apenas com palavras. Lembrando aquela frase um pouco batida, o Best Coast “está igual, só que diferente”.

Continue lendo →

No Som: Leftover Cuties

“Some things are eternal. Love songs. California sunsets…”

Eu precisei apenas dessa frase – a primeira do texto de apresentação do Leftover Cuties no site oficial da banda – para ter minha curiosidade acerca do trabalho deles aguçada. Não sei para vocês, mas para mim essa frase foi daquelas que faz sorrir e suspirar – bem como o restante do texto de apresentação da banda. E, como eu andava mesmo a procura de vocais doces, resolvi dar uma olhada no trabalho do Leftover.

A primeira parada, como sempre, foi o YouTube. Lá me deparei com 3 covers extremamente bem feitos e que deixavam entrever a personalidade dos membros da banda, bem como a atmosfera que evocariam em seu primeiro (e único) álbum de estúdio, Places To Go, lançado em 2011.

Continue lendo →

Sample: Bucky Done Gun, M.I.A

O funk carioca é um gênero musical estimagtizado. E fazer esse comentário chega a ser bobo, já que todos vocês sabem disso.

A exceção de casos isolados, como Tati Quebra-Barraco, nenhum artista teve seu trabalho utilizado em trilha de novela ou minimamente reconhecido. Não estou aqui para provar a qualidade das faixas desse gênero ou levantar qualquer bandeira, mas para destacar um caso onde o funk é utilizado como base para algo estrangeiro e cai no gosto das mesmas pessoas que têm contato com ele todos os dias e o julgam inferior.

Para dar nome aos bois, estou falando a respeito de Bucky Done Gun, o primeiro sucesso mundial de M.IA (porque Galang já havia estourado na Europa antes). A base para essa canção foi tirada de Injeção, da Deize Tigrona (que, pasmem, tem até uma carreira internacional!).

Continue lendo →

 

Features Stats Integration Plugin developed by YD

UA-11237259