Acordei e era noite. Fiquei com um tanto de raiva quando percebi que ainda faltava um par de horas para o dia. Fazia frio. E eu não tinha sono. “Droga!”. Decidi ouvir música. Busquei, ainda no escuro, meus fones de ouvido. Dei play.
Foi assim, no nada. Se despertei meio frustrado, ao escutar Home Again, esqueci de tudo quando Michael Kiwanuka começou a cantar. Em questão de segundos fui transportado a outro mundo. Um lugar seguro. Acolhedor. Sereno. E bonito. Muito, muito, muito bonito.
Regido pela força de seu interprete, Home Again, o disco de estreia de Michael Kiwanuka, é um trabalho primorosamente bem acabado e executado. Cantando sobre a sensação de querer encontrar seu lugar, Kiwanuka, apoiado em algumas cordas, flautas, saxofones e, às vezes, um piano, criou músicas que com vida própria que são fortes o suficiente para permanecerem na memória por dias a fio. E, além de dar vida as canções, ele deu alma. Não satisfeito em expressar todas as emoções contidas nas palavras, o cantor ugandense traduziu com a voz conceitos abstratos e subjetivos como compaixão (Worry Walks Beside Me), carinho (Always Waiting) e liberdade (Tell Me a Tale).
























