MIOLÃO • Cinema - Part 2
 

All posts in Cinema

Trilha de Cinema: Under Pressure, Queen & David Bowie

Lançado por aqui com o título bobinho de “Se Enlouquecer, Não se Apaixone” – que faz acreditar que ele é somente mais uma comédia romântica qualquer -, “It’s Kind of a Funny Story” é um filme muito mais espirituoso e bem sacado do que a impressão causada pela tradução ruim pode sugerir.

Seu roteiro retrata as mudanças no cotidiano de um garoto, Craig (vivido por Keir Gilchris), que numa crise de stress resolve se internar numa clínica que auxilia pessoas com problemas psicológicos. Em uma semana, ele terá a oportunidade de reavaliar todas as experiências que tem vivido, perceber que seus problemas não são o terror que parecem… ou que se incomodam, pelo menos dá pra tirar uma ou outra coisa proveitosa deles, e assim mudar o marasmo de sua vida.

Lidando com tipos estranhos e inconstantes, o rapaz vive situações insólitas e libertadoras, como o momento retratado em nosso Trilha de Cinema de hoje.

Continue lendo →

Shi

Quando assisti o trailer de “Shi” – ou “Poesia”, em português – pela primeira vez, senti um nó na garganta. Uma vontade de chorar que, sem exagero, não lembro ter sentido com nenhuma outra prévia de um filme. Se completo ele tivesse a mesma capacidade de imersão que seu trailer de 2 minutos possui, com certeza seria memorável.

E foi o que ele mostrou ser, embora eu só tenha percebido isso um tempinho após os créditos finais terminarem, quando o filme retornou a minha cabeça com insistência. Desenvolvendo sua trama sem nenhuma pressa, a produção, dirigida e roteirizada por Lee Changdong e vencedora do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes 2010, te envolve e conduz lentamente por caminhos nem sempre fáceis, até que as intenções que possui te acertem em cheio.

A história gira em torno de Mija, uma senhora de sessenta e poucos anos (interpretada por Yun Jeong-hie) que vive com um neto que pouco lhe dá atenção. Em seu tempo livre, ela trabalha como “babá” de um homem com algumas limitações físicas e vive uma rotina sem muitas surpresas, até que resolve ingressar num curso de poesia, onde os alunos são estimulados pelo professor a apresentarem suas criações. Empolgada com seu novo hobby, ela passa a observar o cotidiano com novos olhos e a empenhar-se com satisfação na tarefa de escrever um bom poema, que toque os ouvintes. Porém, Mija não terá muitos outros motivos para se alegrar: além de descobrir ser portadora de Alzheimer numa consulta médica de rotina, ela ainda se depara com a revelação de um segredo pesado que envolve seu neto e outros amigos.

Continue lendo →

Vem Aí: Seeking a Friend For The End of The World

Quando você ouve falar em filme sobre catástrofes e fim do mundo, imagina o que? Muita gritaria, explosões, cidades destruídas – ou algo que Lars Von Trier faria? Eu não tiro sua razão em nenhum dos casos, mas o filme que apresentamos hoje no Vem Aí lança um olhar um tanto diferente sobre o que poderia acontecer no cotidiano das pessoas se todos tivessem consciência da destruição iminente da terra.

“Seeking A Friend For the End Of The World” traz Steve Carrell como um tiozão de meia idade que é dispensado pela mulher e pior ainda, descobre que o mundo vai acabar dali três semanas. Angustiado e disposto à aproveitar o tempo que resta da melhor forma, ele toma algumas atitudes inusitadas e parte para procurar uma namorada dos tempos de escola. O personagem compromete-se ainda a ajudar sua vizinha, interpretada por Keira Knightley, a ver sua família pela última vez, e juntos eles caem na estrada.

Continue lendo →

3 Momentos: Christina Ricci

Filha de sereia. Amiga de fantasma. Caçadora de aventura. Menina que descobre o amor. Garota desfuncional. Adolescente manipuladora. Portadora de síndrome de Estocolmo. Drogada. Depressiva. Colegial. Bruxa. Dançarina. Prostituta. Mulher de negócios. Neurótica. Lésbica. Monstra. Ninfomaníaca. Piloto. Morta. Aeromoça.

Criança prodígio. Promessa. Atriz de sucesso. Ídolo do cinema independente. Produtora de cinema. Anoréxica. Decadente.

Christina Ricci já foi muita coisa, tanto na ficção, quanto na vida real. Sumindo dentro de cada personagem, a eterna Wednesday, de A Família Adamms, cresceu diante das câmeras e acumulou bons papéis, colecionou prêmios, trabalhou com diretores famosos e protagonizou verdadeiros sucessos – e fiascos – de bilheteria. Se hoje seu nome é pouco lembrado, até o primeiro quinquênio dos anos 00 ela era a bola da vez. Escolhendo sabiamente cada projeto (quantas atores-mirins conseguiram, depois de grandes, trabalhar com gente do naipe de Woody Allen, Ang Lee e Tim Burton?), Ricci provou para todo mundo que duvidou de seu talento que não era apenas uma criança de sorte.

Ela era, na verdade, uma atriz. Uma atriz de verdade.

Continue lendo →

Top 5: Filmes adolescentes dos anos 80

say-anything

Não, você não vai encontrar nessa lista nenhum – veja bem, eu disse nenhum – filme de John Hughes.

E antes que vocês apontem o dedo na nossa cara e nos chamem de injustos por excluir o cara que melhor entendeu o espírito dos jovens e que influenciou todos – veja bem, eu disse todos – os longas voltados para adolescentes que vieram depois dele, permita-me explicar algo: as obras-primas de Hughes (Curtindo A Vida Adoidado e Clube dos Cinco) não são filmes adolescentes. São filmes sobre adolescentes. Embora eles fossem voltados ao universo de quem já não era criança e ainda não era adulto, eles não se resumiam a alcunha “de” adolescentes. Eles eram, repito, “sobre” adolescentes. E isso, meus amigos, faz toda diferença. (Tanto faz que o nome dele já pode ser considerado eterno, né?).

O outro motivo que fez com que agente optasse pela não-inclusão do moço é mais óbvio: se o tivéssemos colocado em pauta, só daria ele. Hahaha! Pensando nisso, levantamos uma série de títulos que foram, cada qual a seu modo, hits entre os teenagers da época e que merecem ser revistos a qualquer tempo – independentemente da data.

Então, meus amigos, peço que encarem esse ranking como uma homenagem sincera a uma época em que tudo parecia permitido e que tudo tinha, de fato, gosto.

Continue lendo →

The Avengers

Eu não consigo lembrar de um filme de super heróis – tirando o primeiro X-Men – que tenha me empolgado de verdade. Posso eventualmente assistir a algum deles, mas não é um universo que geralmente me envolve. Por isso, não é nenhuma surpresa se disser que eu não estava animado com a adaptação de “Os Vingadores” da Marvel.

Ainda assim, acabei indo vê-la para acompanhar amigos – esses sim, mais interados sobre o assunto do que eu. A sala estava lotadíssima, cheia de gente de todas as idades e muita euforia (vale reforçar a dica que todos conhecem: se você não gosta de gritaria e bagunça, fuja desses blockbusters em seus primeiros dias de exibição).

O fato é que eu me diverti imensamente com a produção, e posso atribuir isso a alguns pontos: as minhas baixas expectativas, que foram contrariadas de forma positiva; a empolgação generalizada do público, que aplaudia em cada cena de maior impacto e parecia engrandecer tudo o que era exibido na tela; ou pelo motivo que é o mais verdadeiro mesmo: “Os Vingadores” é um filme bom demais. E que mesmo tendo estreado em abril, já pode figurar como um dos melhores do ano, fácil.

Continue lendo →

My Week With Marilyn

É difícil passar um dia da sua vida sem ver a imagem de Marilyn Monroe estampada em alguma coisa. Adolescentes carregam por aí bolsas com fotos da atriz em poses sensuais. Restaurantes que desejam evocar uma atmosfera retrô ostentam sua fotografia na parede. Sites de moda usam a moça em seus layouts. Enfim: Marilyn é um ícone. Apesar de eu me perguntar, constantemente, se as pessoas hoje em dia têm idéia da grandeza de Monroe, sempre que surge algo a respeito da moça, seja na TV ou no cinema, eu acabo conferindo. Com Sete Dias Com Marilyn não seria diferente.

Diferente mesmo foi a experiência, já que nunca conseguiram fazer nada tão encantador e charmoso sobre ela quanto esse filme. Mostrando mais do que a história de um mito de Hollywood, na medida em que não mostra só o impacto cultural que a atriz causou,  Sete Dias Com Marilyn conta um outro tipo de impacto, mais sutil, perceptível para aqueles que, em algum ponto da vida, conviveram com ela.

Baseado nas memórias de Colin Clark (Eddie Redmayne), Sete Dias Com Marilyn narra o período em que Marilyn Monroe (Michelle Williams) esteve na Inglaterra para filmar O Príncipe Encantado, filme que seria dirigido por Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh). Focado tanto na produção do longa e nas dificuldades da equipe em conciliar as gravações com a crise de sua atriz principal, quanto no relacionamento de Marilyn com Colin, o longa apresenta uma imagem diferente do que a maioria das pessoas tem de Monroe: se, para o grande público, ela era uma mulher sexy e que exalava confiança, em Sete Dias Com Marilyn isso é desmistificado. Até porque o compromisso do filme com a “verdade histórica” parece tão ter limites – o que é evidenciado também por suas ambientações, figurinos e fotografia, que recriam a década de 50 com precisão.

Continue lendo →

 

Features Stats Integration Plugin developed by YD

UA-11237259