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The Iron Lady

Por mais que todas as críticas, resenhas e comentários que eu li falassem mal de A Dama de Ferro, quando entrei no cinema para assisti-lo, eu juro que esperei o melhor. Isso porque, até então, tudo o que eu tinha ouvido a respeito do longa era que ele tentava amenizar as ações de Margaret Thatcher e desperdiçava a oportunidade de contar de um jeito interessante a história de uma personagem odiada – e odiosa. Tá legal, tá legal, reconheço que a vida da verdadeira Margaret Thatcher, ex-Primeira Ministra do Reino Unido,  daria um ótimo filme se bem explorado, afinal, ela era uma figura controversa e interessante. Mas daí julgar o produto final como sendo um mau-filme apenas porque a história foi contada por um ponto de vista que não era o que você esperava é, no mínimo, uma atitude rasa.

Então lá fui eu, de coração aberto, pronto para discordar do que todo mundo dizia. Só que eu não consegui. Porque A Dama de Ferro é ruim. Muito muito muito ruim.

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We Need To Talk About Kevin

Há uns dias li alguém comentando em uma rede social que Precisamos Falar Sobre O Kevin era aquilo que o cinema sempre deveria ser.

A frase me acompanhou por um tempo até que consegui formular uma hipótese plausível para o pensamento da tal pessoa: o casamento entre linguagem cinematográfica e enredo é tão bem feito que, por vezes, os simbolismos adotados em determinadas partes do filme acabam por revelar aquilo que seu roteiro deixa suspenso.

Baseado no romance homônimo de Lionel Shriver, Precisamos Falar Sobre O Kevin conta, sob a perspectiva de Eva Khatchadourian (Tilda Swinton), a história de seu filho Kevin (vivido pelos atores Rock Duer, Ezra Miller e Jasper Newell), um garoto de 16 anos, autor de uma chacina que vitimou sete alunos, uma professora e um servente do colégio em que estudava, num subúrbio de Nova York. A temática, extensivamente abordada no cinema, por perspectivas diversas, aqui funciona como gatilho para a discussão de questões mais profundas e inquietantes. Kevin não narra apenas mais um pesadelo americano ou um massacre no estilo Columbine, mas antes constrói uma reflexão sobre a ambivalência de certas mulheres perante a maternidade e a responsabilidade que elas possuem na criação de um “monstro”.

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As Aventuras de Agamenon – O Repórter

Mesmo depois de produções como O Que É Isso Companheiro?, Central do Brasil, Cidade de Deus, Lisbela e O Prisioneiro, O Homem do Futuro e O Palhaço, ainda há quem diga que o cinema nacional não tem qualidade. Tenho pra mim que se essas pessoas vissem As Aventuras de Agamenon – O Repórter mudariam de ideia.

O filme, escrito por Hubert e Marcelo Madureira, conhecidos pelo humorístico televisivo Casseta e Planeta, é uma pequena pérola do nosso cinema. Bem escrito e coerente, o longa é dono de um humor inteligente e tiradas inspiradas que fazem o público ter síncopes de risos. Conseguindo a façanha de nos colocar em igual posição a grandes produções de Hollywood, como o esfuziante Norbit e o maravilhoso As Branquelas, As Aventuras de Agamenon – O Repórter é, além de um bom longa, um retrato político e social do nosso país.

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The Darkest Hour

Ao contrário do que o título do filme sugere, A Hora da Escuridão (The Darkest Hour, 2011) não é um filme de terror. O segundo longa de Chris Gorak, diretor do irregular O Procurado (até hoje não me conformo como um filme pode ter um início tão promissor e virar… aquilo!), A Hora da Escuridão se enquadra mais no gênero catástrofe-fim-do-mundo do que no suspense ou no horror propriamente dito.

Em econômicos 89 minutos, Gorak nos mostra Sean (Emile Hirsch) e Ben (Max Minghella), dois estadunidenses que viajam para Rússia a fim de vender uma espécie de “rede social”. As coisas não saem muito bem como o planejado e eles, frustrados, partem para curtir à noite da cidade e acabam encontrando duas turistas (Olivia Thirlby e Rachael Taylor). No entanto, o clima de flerte e azaração é cortado abruptamente quando todas as luzes do lugar se apagam. Assustados, os clientes da casa noturna saem e observam esferas de energia “caindo do céu”. Hipnotizados com a beleza das imagens eles logo voltam a realidade quando um policial, ao “encostar” em um desses núcleos de energia com um cassetete, tem seu corpo desintegrado diante de seus olhos. A partir daí a confusão, desordem e gritaria toma conta do ambiente e o caos se instaura.

Depois de uma sequência eletrizante, com o perdão do trocadilho, nossos quatro heróis e uma personagem que se assemelha a um vilão (Joel Kinnaman) ficam presos por uma semana dentro de um “cômodo secreto” da danceteria, numa espécie de bunker. Quando saem, puft, descobrem que, aparentemente, são os últimos sobreviventes. Perdidos e longe de casa, eles decidem ir a embaixada estadunidense para procurar ajuda. Todavia, como era de se esperar, a tarefa se mostra insólita e eles acabam enfrentando obstáculos inimagináveis…

A história não é das mais originais. A gente já viu isso outras vezes. No entanto, a execução é bastante… Interessante.

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Sherlock Holmes: A Game Of Shadows

É só um chute, mas tenho para mim que se você ficar na porta de um cinema após a exibição de Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game Of Shadows, 2011) e perguntar para as pessoas que estão saindo se elas gostaram do filme, aposto que 9 entre cada dez vão dizer que adoraram o que viram e que o longa é maravilhoso. Eu, pelo menos, diria isso.

Rasgaria elogios a essa sequência porque o produto que Guy Ritchie entrega é tão extasiante, vibrante e cheio de paixão que eu não teria forças para me render. Pelo menos não enquanto os créditos finais estivessem passando.

Isso aconteceria porque a quantidade de informações que o diretor de Snatch – Porcos e Diamantes joga na tela durante os 129 minutos de projeção é muito grande. Não há tempo para pensar, de fato, sobre o que se vê. O cuidado que Ritchie emprega para preencher cada segundo de seu filme com uma cena de ação, piada, efeito sonoro ou explicações ultra didáticas, é tamanho que não sobra espaço para que a gente “participe”. A única alternativa é assistir sem questionar. Somos espectadores no sentido mais amplo da palavra. E olha que o argumento apresentado pelos roteiristas Michele Mulroney e Kieran Mulroney não é nada “difícil”.

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Tinker Tailor Sailor Spy

No cartaz de O Espião Que Sabia Demais (Tinker Tailor Sailor Spy, 2011) há uma frase bastante interessante: “O clássico que redefiniu o gênero”. Fiquei (mais) instigado. Não era muito exagero dizer que um filme, que mal chegou aos cinemas (oficialmente ele só estreará amanhã, dia 13/01/2011), já é um “clássico”? E de que diabos de gênero eles estavam falando? Filmes de espionagem? Depois percebi que a tal frase se referia ao livro de John Le Carré, que serviu como base para o roteiro da produção. E após ver o filme tive certeza de uma coisa: se o filme não for abraçado como sendo um clássico instantâneo, com o tempo ele será.

O roteiro escrito por Bridget O’Connor e Peter Straughan nos apresenta a história de alguns agentes da inteligência britânica. Logo na cena de abertura, vemos a personagem de um soberbo John Hurt (O Homem Elefante) pedindo a personagem de Mark Strong (que pela primeira vez em muito tempo encara um papel que não seja o do gangsta-árabe) que vá ao encontro de um informante e descubra quem é o espião que está infiltrado entre os seus. O encontro não sai bem como o esperado (contar o que acontece é matar parte da graça do filme) e, com o insucesso da missão, o “poder” absoluto de Hurt é contestado e ele é demitido. Juntamente, sai também um moço – nem tão moço assim – chamado George Smiley (Gay Oldman). Tudo ficaria por isso se o boato de que havia um traidor ali não tivesse se espalhado. Rapidamente o governo reintegra Smiley e lhe dá a missão de descobrir quem é o agente duplo. Ah! E sabe do mais bacana? Tudo isso acontece nos primeiros 5 ou 10 minutos.

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Tomboy

Tomboy, o segundo filme de Céline Sciamma, a maravilhosa diretora do igualmente maravilhoso Lírios D’Água (Naissance des Pieuvres, 2007), tem uma história bastante… Curiosa.

Tudo começa quando Laura, uma garota de 10 anos, se muda para o subúrbio de Paris e é confundida com um menino. Para se sentir aceita pelos novos vizinhos, ela sustenta o engano. Com o passar do tempo o sentimento de “fazer parte de um grupo” acaba sendo substituído por outro: Laura se sente muito mais à vontade quando finge ser Michael e, na pele de Michael, experimenta sensações e descobertas típicas da (pré) adolescência.

Com uma sensibilidade ímpar, Celine se esquiva dos clichês e filma com uma naturalidade impressionante. O interesse que ela nutre por sua personagem é tão sincero que a condição de confusão de gênero da protagonista acaba ficando em segundo plano para dar lugar a uma história de amadurecimento pessoal. Sem recorrer a subterfúgios furtivos ou firulas visuais a câmera se torna confidente de Laura e estabelece uma relação de cumplicidade. Em nenhum momento Celine se propõe a apresentar uma protagonista emblemática que pareça símbolo de uma causa. O que vemos, na verdade, é o desenvolvimento de uma criança.

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