MIOLÃO • Filmes - Part 2
 

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The Avengers

Eu não consigo lembrar de um filme de super heróis – tirando o primeiro X-Men – que tenha me empolgado de verdade. Posso eventualmente assistir a algum deles, mas não é um universo que geralmente me envolve. Por isso, não é nenhuma surpresa se disser que eu não estava animado com a adaptação de “Os Vingadores” da Marvel.

Ainda assim, acabei indo vê-la para acompanhar amigos – esses sim, mais interados sobre o assunto do que eu. A sala estava lotadíssima, cheia de gente de todas as idades e muita euforia (vale reforçar a dica que todos conhecem: se você não gosta de gritaria e bagunça, fuja desses blockbusters em seus primeiros dias de exibição).

O fato é que eu me diverti imensamente com a produção, e posso atribuir isso a alguns pontos: as minhas baixas expectativas, que foram contrariadas de forma positiva; a empolgação generalizada do público, que aplaudia em cada cena de maior impacto e parecia engrandecer tudo o que era exibido na tela; ou pelo motivo que é o mais verdadeiro mesmo: “Os Vingadores” é um filme bom demais. E que mesmo tendo estreado em abril, já pode figurar como um dos melhores do ano, fácil.

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My Week With Marilyn

É difícil passar um dia da sua vida sem ver a imagem de Marilyn Monroe estampada em alguma coisa. Adolescentes carregam por aí bolsas com fotos da atriz em poses sensuais. Restaurantes que desejam evocar uma atmosfera retrô ostentam sua fotografia na parede. Sites de moda usam a moça em seus layouts. Enfim: Marilyn é um ícone. Apesar de eu me perguntar, constantemente, se as pessoas hoje em dia têm idéia da grandeza de Monroe, sempre que surge algo a respeito da moça, seja na TV ou no cinema, eu acabo conferindo. Com Sete Dias Com Marilyn não seria diferente.

Diferente mesmo foi a experiência, já que nunca conseguiram fazer nada tão encantador e charmoso sobre ela quanto esse filme. Mostrando mais do que a história de um mito de Hollywood, na medida em que não mostra só o impacto cultural que a atriz causou,  Sete Dias Com Marilyn conta um outro tipo de impacto, mais sutil, perceptível para aqueles que, em algum ponto da vida, conviveram com ela.

Baseado nas memórias de Colin Clark (Eddie Redmayne), Sete Dias Com Marilyn narra o período em que Marilyn Monroe (Michelle Williams) esteve na Inglaterra para filmar O Príncipe Encantado, filme que seria dirigido por Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh). Focado tanto na produção do longa e nas dificuldades da equipe em conciliar as gravações com a crise de sua atriz principal, quanto no relacionamento de Marilyn com Colin, o longa apresenta uma imagem diferente do que a maioria das pessoas tem de Monroe: se, para o grande público, ela era uma mulher sexy e que exalava confiança, em Sete Dias Com Marilyn isso é desmistificado. Até porque o compromisso do filme com a “verdade histórica” parece tão ter limites – o que é evidenciado também por suas ambientações, figurinos e fotografia, que recriam a década de 50 com precisão.

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Americano

O filme chama Americano. A produção é francesa. E a trama se desenvolve no México. Confuso? Nenhum pouco.

A segurança que Mathieu Demy (filho de Agnes Varda e Jacques Demy) exibe em seu longa de estreia é nítida e sua desenvoltura por trás das câmeras é suficientemente eficiente para situar o espectador no espaço geográfico sem que ocorra confusão. Isso porque o diretor, que também roteiriza e atua, respeita o tempo que a história precisa para se desenvolver.

Tudo começa quando um homem de quase quarenta anos (o próprio Mathieu) recebe  um telefonema avisando que sua mãe faleceu. Ele, que não a via desde sua infância, quando foi viver com o pai, viaja para os Estados Unidos a fim de resolver a questão do enterro – sua mãe queria ser enterrada na França – e também o que se refere a venda da casa dela. A aparente falta de emoção da personagem é substituída aos poucos por pequenos ataques de raiva e histeria. Ele diz não se lembrar de sua época de criança, mas sonha constantemente com ela. Enquanto anda pelo bairro em que cresceu relembra passagens agridoces de sua história. E é nesse ponto que percebemos o quanto a montagem funciona. Intercalando sequências do tempo presente com as memórias juvenis, Mathieu consegue ser cruel e melancolicamente doce ao mostrar, em uma cena, seu personagem jogando fora os pertences da mãe para, no instante seguinte, exibi-lo ainda criança comentando que encheria uma xícara gigante de lágrimas caso ela morresse.

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American Reunion

Depois de American Pie: O Casamento, terceiro volume da franquia que foi iniciada em 1999, o destino da cine-série estava mais ou menos traçado: na época do lançamento, os comentários a cerca de uma nova continuação diziam que o próximo filme seria sobre o divórcio dos protagonistas. No entanto, o rumo da série foi trágico: tendo o nome arrastado a lama e abandonando todos os personagens originais, com exceção do “pai do Jim” (Eugene Levy), American Pie ganhou sequências lançadas diretamente em vídeo que em nada honravam a trilogia original. Para felicidade geral da nação, os eventos que aconteceram nos filmes lançados diretamente em vídeo foram completamente ignorados em American Pie: O Reencontro. E o foco, pela primeira vez desde o segundo filme, voltou a ser a turma original. A desculpa para reunir todas as personagens – incluindo os que foram deixados de lado em American Pie: O Casamento -, foi uma (óbvia) “reunião de escola”.

O clima de nostalgia reina absoluto nesse novo capítulo, e é possível sentir isso até mesmo no pôster, que, não por acaso, coloca os atores na mesma posição do cartaz do primeiro filme – com, é claro, algumas sutis diferenças. A gente percebe, só de olhar para a imagem, que Jim, Michelle, Kevin, Vicky, Oz e companhia cresceram: agora eles estão mais velhos, Jim está vestido (!), a flauta de Michelle foi substituída por uma mamadeira e a famosa torta, antes “furada”, agora foi quase que completamente devorada. O suposto amadurecimento das personagens é notável também na hilária sequência de abertura que faz alusão direta a primeira cena, do primeiro filme.

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Eu Receberia As Piores Notícias Dos Seus Lindos Lábios

Um título. Não precisei de mais do que isso para querer ver Eu Receberia As Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios. Imaginei comigo que uma obra com um nome desses não poderia ser ruim.

Então, para me preservar, evitei ler qualquer coisa sobre o longa. Até mesmo sinopse. O que eu não sabia é que tanto faria ter lido ou não, uma vez que a história de Eu Receberia As Piores Notícias de Seus Lindos Lábios é o que menos importa no filme. Não, não estou dizendo que ela não existe. Ela está lá. O que eu afirmo é que o subtexto e a relação com as imagens é o que dá peso e substância ao longa.

Renovando a parceria feita em O Invasor, os diretores Beto Brant e Renato Ciasca, desenvolvem, com base no livro homônimo de Marçal Aquino, uma trama sobre uma traição que se desdobra em consequências trágicas para os envolvidos. Na história, Lavínia (Camila Pitanga), esposa de uma espécie de pastor (Zé Carlos Machado), se envolve romanticamente com um fotografo (Gustavo Machado). Mas, mais do que abordar a “traição”, o foco da história não é o que acontece, mas sim o que se passa no interior de suas personagens.

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The Rum Diary

Para mim, pior do que um filme que não cumpre as expectativas que se cria pra ele, é um filme que te deixa com cara de ponto de interrogação no final. Sabe quando algo não te provoca sensação nenhuma – seja desconforto, raiva, tempo perdido ou mesmo algo bom? Foi exatamente o que aconteceu comigo quando terminei de assistir Diário De Um Jornalista Bêbado.

Baseado no romance de estréia de Hunter S. Thompson, que foi escrito na década de 50 e publicado somente em 1998, o longa conta a história de Paul Kemp (Johnny Depp), um jornalista que após destruir o seu nome em Nova York e em toda a América, viaja para a ilha de Porto Rico para trabalhar num jornal decadente. Paul é um bêbado inveterado, um pessimista nato e um escritor brilhante. Porém, a parte que aprecia a bebida acaba prevalecendo – especialmente quando ele conhece seus novos colegas de trabalho, Ben Sala (Michael Rispoli) e Moberg (Giovani Ribisi), que compartilham do seu gosto pelo álcool, as coisas acabam saindo um pouco de controle. Em paralelo a isso, Kemp acaba por se envolver com um esquema de grilagem de terras liderado por Hal Sanderson (Aaron Eckhart) e se vê diante de uma escolha: usar sua habilidade como escritor para ajudar os empresários corruptos do local ou usá-la para derrubá-los. Ah, eu mencionei que no meio de tudo isso ele ainda fica completamente caído pela noiva de Sanderson, Chenault (Amber Heard)? Pois é.

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Shame

Não sei quanto a vocês, mas o estardalhaço feito em torno do nu frontal de Michael Fassbender acabou por me fazer imaginar Shame como um filme completamente diferente do que ele realmente é. Todos os comentários que eu li a respeito dele, faziam questão de destacar a nudez do ator, de modo que eu acabei pensando que ela fosse primordial para o longa e que durasse bem mais tempo do que verdadeiramente dura. Pessoalmente, eu não consigo entender o barulho. Michael não foi o primeiro ator a mostrar suas partes em um longa. Então, qual é exatamente o propósito de reduzir um filme tão interessante e rico de discussões quanto esse a um órgão genital – ainda que seja o órgão genital do Michael Fassbender?

Posso assegurar a você que mesmo que sua intenção seja apenas dar uma olhadinha no Fassmember (apesar de infame, foi o melhor trocadilho do tipo que já li), quando subirem os créditos finais de Shame, você já vai estar completamente envolvido pelo temor sutil da personagem principal, pelo desempenho de cortar o coração de Michael e pela direção segura, envolvente e hipnótica de Steve McQueen. Para dizer o mínimo – porque, até agora, esse é o meu filme preferido do ano.

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