Apesar de ter conhecimento de que Fernanda Takai possuía um livro em seu “currículo”, nunca havia procurado por ele, mesmo nutrindo um certo interesse. Ter um pouco mais de dinheiro no bolso e uma banquinha com itens do Pato Fu sendo vendidos em um dos shows da banda me motivaram a levá-lo para casa. Não esperava nada específico da obra que possui o bem-humorado nome de “Nunca subestime uma mulherzinha”, exceto, talvez, um pouco da doçura que a cantora imprime em suas performances ao vivo.
Foi exatamente isso que encontrei: o livro, composto por um apanhado de crônicas escritas por ela para dois periódicos distintos, o Estado de Minas e Correio Braziliense, transborda singeleza. Li por inteiro durante o feriado de carnaval, e foi uma grata companhia para o tédio que se instala esses dias – quando você não gosta da festividade, que é meu caso, e quando você não tem nenhum outro plano pra data…como, er…foi meu caso.
Não espere nenhuma revolução dessa compilação: o título pode soar levemente ácido, mas Takai, na maioria das vezes, descreve pequenas histórias do cotidiano de maneira quase ingênua e com uma simplicidade que pode incomodar os mais carrancudos. É tudo contado de forma tão direta que a narrativa passa por “pobre” em certos momentos, mas Fernanda tem um jeito especial de conduzir seus textos, com grande envolvimento e muito sentimento – daqueles que nos aquecem, sabe? Não é tão ruim e, no caso, nem meloso como parece. Ela sabe, inclusive, ser incisiva na hora certa: seu otimismo não é cego, e por isso é tão agradável.
Sabe aquelas conversas que você tem com alguém, e no começo não te prendem tanto, mas com o passar do tempo te envolvem e torna-se um prazer ouvir a pessoa? Esse é exatamente o efeito que as crônicas de Takai geram: de início, parece tudo bem bobinho, até você querer “papear” mais e mais. Uma dica: não termine o livro rapidamente, como eu fiz. Leia os relatos da artista de forma dosada, umas três historietas por dia. Depois que ele chega ao fim, acabamos sentindo falta da opinião da moça sobre as coisas mais aleatórias, como tardes de chuva, viagens frustradas, o peso de Juliette Binoche ou suas preferências musicais, e também de suas histórias mais confessionais, onde descreve a saudade que sente pelo seu avô, a experiência de ser mãe e um pouco da vida na estrada.
“Nunca subestime uma mulherzinha” vai ser um escape delicioso no seu dia-a-dia, caso você tenha contato com ele. Extremamente gentil, mostra outra faceta de uma artista que também manda muito bem ao se aproximar do público através da literatura. Cativa por ser acessível, mas não ordinário, e falar do jeito mais amistoso possível sobre tudo que é pertinente as pessoas – sejam elas mulherzinhas ou não.


















