MIOLÃO • Discos - Christina Aguilera – Bionic
 

Christina Aguilera – Bionic


Lançado oficialmente há pouco mais de um mês, Bionic, novo disco de Christina Aguilera, é (quase que) completamente diferente do que se poderia esperar de Christina Aguilera.

Partindo desse ponto, há duas maneiras de analisar o disco: a primeira é entender o processo criativo e as motivações de Aguilera para então apreciar o resultado. A segunda é, simplesmente, ouvir o álbum, sem maiores intenções de profundidade (afinal, por mais inusitado que seja, Bionic ainda é um disco pop).

Voltando um pouco no tempo e parando direto no ano de 2006, Christina lançava Back To Basics, um disco que, em proposta, era uma homenagem a música soul, ao jazz e ao blues. O ousado projeto de Christina Aguilera ia, em teoria, contra tudo que era feito na época. E exatamente por isso todos queriam saber qual seria o próximo passo da cantora. Ainda em 2006, ela respondia essa questão afirmando que o próximo trabalho seria mais POP.

Eis que quatro anos depois o sucessor de Back To Basics chegou às lojas.

Durante todo o tempo em que esteve em recesso, Aguilera soltava vez ou outra notícias animadoras para seus fãs: o novo cd seria futurista, inspirado em pop-art, electro e, mais do que tudo, mais pop. As constantes alterações na data de lançamento do álbum e o time recrutado para a produção do disco (que, entre outros, incluíam nomes como Ladytron, Le Tigre, M.I.A. e Santigold) despertavam curiosidade e expectativa.

E Aguilera, alimentando tudo isso em entrevistas, matou o disco logo no lead-single lançando a mediana Not Myself Tonight, faixa produzida por Tricky Stewart. Com essa música, Christina destruiu toda e qualquer promessa de inovação, trazendo uma música pop agradável, porém insossa, não muito diferente do que vinha sendo feito por aí.

O entusiasmo dos fãs tomou novo fôlego quando trechos das outras canções vazaram na rede. A má impressão causada por Not Myself Tonight foi esquecida e deu lugar a mais expectativas (com ressalvas, mas ainda sim, expectativas).

E finalmente… Bionic.

Bionic, a faixa título, abre o álbum da melhor maneira possível. A bateria que remete a M.I.A. garantiu a Aguilera um refrão chiclete e divertido. Em sequência vem a já comentada Not Myself Tonight. Dentro do contexto do álbum, a música ganha força e os versos em que Aguilera afirma que não será a mesma garota servem de aviso para o que está por vir…

A excêntrica Woohoo tem a participação de Nicki Minaj e o autotune ligado no máximo: divertida, sexy e pegajosa, a música é um pancadão para ninguém botar defeito. Logo em sequência temos Elastic Love, a que talvez seja a melhor faixa do álbum. Com uma letra sensacional que traça um paralelo entre materiais de escritório (?) e um relacionamento (??), Elastic Love poderia ser facilmente confundida com uma música de M.I.A. tamanha sua desenvoltura. A parte instrumental da canção é tão inusitada que parece solidificar a ideia de “amor elástico“. A produção, como era de se esperar, é assinada pela própria M.I.A. Tinha como dar errado?

A partir daí o disco parte do electro-pop para o pop latino com a divertida Desnudate. Dá até pra imaginar a galera na balada, se acabando na poledance. Recuperando a compostura, Aguilera recita em Love & Glamour uma verdadeira declaração de amor a moda e faz com que a interlude se encaixe de modo perfeito como introdução de Glam, a elegante faixa de Trick Stewart. Encerrando o bloco “pancadão” do disco, há Primma Donna. A produção parece saída direto da turminha de Justin Timberlake e a letra, pra variar, traz uma Christina feminista e cheia de si.

Nesse momento, o disco sofre uma verdadeira queda: um bloco aterrador composto por 5 baladas (vejam bem, eu disse C I N C O!), quebra totalmente o ritmo do cd e causa sono à quem escuta o disco pela primeira vez. A impressão que fica é que se o disco acabasse ali, ninguém sentiria falta desse bloco. Não que as faixas sejam ruins, longe disso. I Am, inclusive, é uma das melhores do disco. O erro mesmo foi em mantê-las todas juntas.

Se você sobreviver à sucessão de gritos e sussurros, você chegará ao ato final do disco. As ótimas I Hate Boys e My Girls soam como manifestos feministas despretensiosos. Ambas produzidas pelo Le Tigre, as canções possuem refrões grudentos e uma força absurda. Destaque especial para My Girls e a participação pra lá de especial de Peaches.

Encerrando o disco temos Vanity; uma canção absurda tanto em letra quanto em melodia. Debochada e egocêntrica, Aguilera declara logo no início que não é convencida: ela apenas se ama, bitch! Impossível não esboçar ao menos um sorriso ao ouvir Aguilera reivindicando seu lugar – mais que merecido – na realeza do pop.

Bionic, o disco, possui excelentes canções, mas, por algum motivo, não funciona como álbum. Mas tanto faz. No fim das contas, o pop permanece pop e deve ser apreciado sem que seja levado muito a sério.

E Christina, sabendo disso, merece todos os méritos por ter assumido o risco, mais uma vez.

Postagens relacionadas

Publicitário, paulista e paulistano, 23 anos. Gosta de filmes, de música, de livros e de dizer coisas óbvias, como por exemplo falar que gosta de filmes, de música e de livros.

8 Comments on "Christina Aguilera – Bionic"

  1. Joaozittoo disse:

    Oops! esqueci de dizer…
    ADOREI o seu Post!!! bom mesmo!
    ahh e Xtina pode mesmo Linda, perfeita, Gata e
    Voz maravilhosa!!!

  2. Joaozittoo disse:

    Minha Opinião, este Album é OTIMO eu curti de mais ele, o anterior “Back To Basics” foi bom mas bionic… Uauuu!
    minha versão de Bionic tem 24 Faixas!!!
    depois de Vanity ( Bitch, amo isso!!! hehehe ) vem…
    19 Monday Morning (Bonus) …..esta é muito dançante
    20 Bobblehead (Bonus) …..batidas muito fortes
    21 Birds of Prey (Bonus) …..um tipo de dance lento
    22 Stronger than Ever (Bonus) …..depressiva me faz chorar
    23 I Am (Stripped) (Bonus) …..quase igual a outra versao
    24 Little Dreamer (bonus) ….bem bobinha mas é boa!

  3. Gui Pinho disse:

    Achei otima a review.
    Baixei o album, e ele é tudo isso que vc disse e um pouqinho mais!
    Aguilera é digna de apreciaçao!
    Vou comprar o CD. Ela precisa permanecer no mundo artistico!

  4. Vinicius disse:

    Gostei muito do CD mas acho que as baladas equilibram-o e que realmente nao deveriam vir todas seguidas, deveriam ser espalhadas entre as batidas.

    Mas a Aguilera poooooode!!!!!

  5. cazeh disse:

    FODA. amei a review e esse cd é foda demais!

  6. Michel Felix disse:

    Acho o disco muito autentico e diferente assim. Mesmo havendo várias mudanças de estilo dentro de um mesmo album, são faixas que soam elegante aos ouvidos e a qualidade vocal de Aguilera, mesmo em músicas computadorizadas, se torna forte e muito bem expressiva.
    Concordo com o erro de Not myself, Bionic lançaria o album melhor…
    You lost me é uma balada bonita, entretanto o album detem tantos outros sons bons que emplacaria, como desnutade ou ate mesmo |I’am, torço para que vire single e AS PESSOAS PAREM DE COMPARAR AGUILERA COM QUALQUER OUTRO ARTISTA, POIS SUA CRIAÇÃO, ATITUDE E VOZ, SÃO PARA POUCOS ARTISTAS DO MEIO POP ATUAL.

    #FOREVER BRITNEY AND AGUILERA.

Trackbacks for this post

  1. MIOLÃO • Sample - Sample: I Hate Boys, Christina Aguilera
  2. MIOLÃO • Mixtape - Miolão Mixtape n. 11

Tem algo a dizer? Então diga!

 

Features Stats Integration Plugin developed by YD

UA-11237259