Samplear funk carioca, chacoalhar o verão Europeu de 2005, ser indicada ao Oscar e a 2 prêmios Grammy além de ter seus 2 primeiros álbuns presentes em publicações respeitáveis sendo citados como alguns dos melhores da década parece que não foi o bastante para M.I.A. se acomodar.
Lançado oficialmente hoje no Japão, /\/\/\Y/\, novo disco da cantora, é a maior prova disso: totalmente diferente de tudo que rola por aí, o álbum é politizado, diferente, cru e extremamente sujo.
Vale lembrar que quando Born Free ganhou a rede, há mais ou menos 2 meses atrás, M.I.A. dava sinais que deixaria em segundo plano o som cosmopolita de Kala, seu último disco, para dar espaço a uma música mais violenta e visceral. O belíssimo clipe (até agora o melhor do ano) que falava de segregação de uma maneira bem peculiar não mediu esforços para chocar e chamar a atenção. E se temos uma boa notícia no meio disso tudo é de que o disco segue o mesmo caminho.
Começando muito bem e não poupando ninguém de suas críticas, M.I.A. dispara que está antenada com o que acontece no mundo e que ninguém é inocente. The Message, a faixa de abertura, indica-nos exatamente o que esperar: barulhos e ruídos incômodos combinados com letras igualmente fortes.
Daí pro resto do disco é um pulo. Com apenas 12 faixas, sem firulas e sem melodias fáceis, o álbum soa quase indigesto e ensurdecedor. Pancada após pancada, M.I.A. constrói faixa a faixa uma verdadeira viagem sonora.
A instigante (e ótima) Steppin’ Up, que entre outras coisas possui barulhos de furadeiras (?!) e máquinas, já foi confirmada como segundo single oficial do álbum. A escolha não poderia ser melhor. Cheia de raiva, Steppin’ Up parece mais uma guerra do que qualquer outra coisa.
Em seguida, temos XXXO, uma música tão deliciosamente pop que poderia ser gravada por Britney Spears. Se bem que, enquanto Britney gemeria (gimme gimme gimme more!), M.I.A. lança um intimado a seu amado e impõe respeito, dizendo que não mudará quem é só porque ele quer. É interessante notar que a letra de XXXO, além de referências espertinhas a ícones da cultura pop, consegue falar de sexo abertamente e ainda sim colocar a mulher em uma condição de respeito. Coisa fina.
A psicodelia louca de M.I.A. ganha vez em Teqkilla. Com seus mais de 6 minutos de duração, a faixa é um verdadeiro desafio: tão forte e diferente, ela é capaz de te deixar em transe. Ou te fazer desistir do disco e não ouvir o álbum nunca mais. Se seguir a primeira opção, você encontrará a sarcástica e divertida Lovalot. Alguém aí duvida que M.I.A. não está pra brincadeira?
Há ainda espaço para o quase-reggae de It Takes a Muscle e também para Story To Be Told, uma música tão rica em melodia que poderia facilmente entrar na tracklist do Kala. Outras faixas que merecem destaque são as ótimas Tell Me Why (tão grudenda que parece ser o novo Jimmy) e a bagunça esquizofrênica dos riffs bagunçados de Meds and Feds, que talvez seja a melhor do álbum.
Cumprindo o papel de fechar o disco com chave de ouro, Space (lembra quando falamos dela aqui?) encerra a jornada de uma forma serena.
A coerência política e musical do disco é algo notável e mostra que M.I.A. pode ser tudo; menos acomodada. Se de outra cantora o disco fosse, certamente diriam que M.I.A. arriscou alto com seu /\/\/\Y/\; mas como falamos dessa mocinha, sabemos que ela não arriscou nada, pois pra isso, era preciso se importar primeiro. E M.I.A., como sabemos, tem muito mais a se preocupar, né? Sorte a nossa. Grande disco.



















O disco realmente é bom, mas é difícil de escutar de primeira é “sujo” bastante “sujo”. Mas quando você pega pra escutar com calma, reparar letras, sons (barulhos diversos) e principalmente o conteúdo você vê que ela é diferente.
Bom disco, difícil de ver algo parecido.
Agora fiquei curioso para ouvir o disco rs
M.I.A realmente é uma cantora de personalidade. Coisa difícil de se ver (e ouvir) hoje em dia.
Bom dia, Raphael!
E aí, conseguiu ouvir o disco? Curtiu? Pelo sim, pelo não, volte e deixe sua opinião! ;]
Thiago Dantas,
MIOLÃOTEAM.
Agora fiquei curioso para ouvir o disco rs
M.I.A realmente é uma cantora de personalidade. Coisa difícil de se ver (e ouvir) hoje em dia.