Os recentes lançamentos da cantora Robyn devem estar deixando seus fãs muito felizes, por alguns motivos em especial. Primeiro, a sueca realmente está cumprindo o prometido: lançar seu novo projeto “Body Talk”, composto por três álbuns diferentes, em curtos intervalos. A cantora, andava meio afastada concentrando suas energias no novo trabalho, mas está sempre trazendo alguma novidade em 2010 – mesmo que somente uma apresentação ao vivo em algum programa, o que é excelente. Segundo e indiscutível: suas novas faixas são algumas das peças de dance-pop mais consistentes lançadas esse ano, e não se encaixam somente nessa categoria. Robyn explora ritmos, sonoridades, nuances e tem brincado com a liberdade que possui num selo independente. O terceiro motivo é quase egoísta, mas não deixa de ser bacana para os seus adoradores: seu discos sempre vazam antes da hora, fazendo a alegria do pessoal que não agüenta esperar por faixas fresquinhas.
Nos últimos dias, caiu na rede “Body Talk PT 2”, pouco mais de dois meses depois do lançamento oficial da primeira parte. Na anterior, Robyn encarna uma robô feminina, brincando com conceitos futurísticos: em oito faixas, ela alterna entre canções minimalistas e angustiadas, e outras despretensiosas e contagiantes. Para o sucessor, a moça injetou uma urgência ainda maior à forma como as músicas são conectadas: o disco, que possui a mesma quantidade de faixas do seu “irmão” não é nem “melhor ou pior” que ele: é diferente, apesar de parecido. Uma baita confusão, mas você vai entender! :)
Abrindo o disco, temos “In Your Eyes”; Robyn troca o desabafo frenético que iniciava “Body Talk PT 1” por um discurso mais otimista e barulhento, pregando que “o sol irá brilhar para todos”. É uma daquelas que possuem maior presença na tracklist e cumpre a função de abrir o álbum. “Include Me Out” é uma música de essência doce, quase melosa (“And if your world should fall apart/ I still got room inside my heart) e que possui um rap aceleradinho próximo do final; estranhamente, precisa de um algo mais para empolgar de verdade, que não aparece.
“Hang With Me”, o primeiro single do disco, foi apresentada ao público numa versão acústica no “Body Talk PT 1”. Ganhou nova roupagem, mais agitada, mas não o suficiente pra te fazer dançar loucamente: graciosa, resume um relacionamento que deve permanecer somente na amizade e não algo mais. Em seu clipe oficial, vemos bastidores da lotada agenda de shows da loira. Clipes nesse estilo geralmente são bem enfadonhos, mas o de Robyn, bastante simpático e até alto astral não se encaixa nessa categoria. Veja abaixo:
“Love Kills” é uma faixa que nasceu nos anos 90, vagou pelo tempo e caiu nos dias de hoje. “We Dance to The Beat”, cheia de quebras, invade sua mente quando você menos espera. Precisa ser ouvida mais de uma vez para que perceba o quanto ela é envolvente e grudenta: enumera uma porção de situações que parecem fazer o ser humano andar em retrocesso, como a falta de evolução de nossas mentes e falhas de comunicação.
Na sequência, vem “Criminal Intent”, a melhor faixa do álbum: Robyn está sendo julgada por agir de forma ofensiva na pista de dança, e defende-se dizendo que “um pouco de sujeira não machuca ninguém”. Sirenes e a voz de um homem num estilo quase “rádio-patrulha” juntam-se ao vocal acelerado da moça e resultam numa faixa perfeitinha e viciante. Podia ser single e ganhar um ótimo clipe, como muitos que a sueca tem em sua videografia.
Se em “Body Talk PT1” Robyn realiza parcerias com Diplo e o duo Royksopp, o destaque aqui é o prometido dueto com o rapper Snoop Dogg, “U Should Know Better”. É um duelo veloz, onde parece que nem ele nem a moça almejam perder. Na letra, ambos contam histórias sobre feitos mirabolantes que mostram o quanto são “durões”, no melhor estilo “histórias de pescador”: desafiam o Vaticano, a CIA, os russos e até o diabo. (?) A notícia da parceria entre a cantora e Dogg foi recebida com receio, mas o resultado provou que ele não era necessário – superou as expectativas.
Robyn opta por uma faixa despida de sons eletrônicos para finalizar o álbum: com um belo arranjo de cordas, a acústica “Indestructible” é um panorama sobre o amor na ótica da cantora: ela confessa sobre os enganos sofridos em relacionamentos passados e diz que está pronta para, agora, amar com todas as forças. Sua voz aparece também mais pura sem os arranjos “carregados” das outras faixas. O disco, que começa muito bem, também tem um final à altura.
No início do texto, quando eu disse que as duas partes lançadas por Robyn até o momento são “parecidas, mas diferentes” quis dizer que elas são semelhantes por se tratarem de gravações da mesma artista – essa, que consegue por sinal estampar em suas gravações uma identidade só sua – mas distintas pela impressão de que trafegam por ares completamente diferentes: cada parte do projeto “Body Talk” lançada até agora parece mesmo diretamente ligada uma a outra, mas sem que sua dona tenha que se repetir por causa disso. Pra mim, “PT 2” não supera o anterior, mas ele é excelente ainda assim. Escute, tire suas conclusões e faça como os fãs: fique ansioso novamente, agora pela terceira parte da tríade.
















