Eu não entendi muito bem o que aconteceu com o Alphabeat. Quero dizer, em um período de um ano eles se reinventaram totalmente: abandonaram a estética colorida e deixaram para trás todas as referências sonoras sessentistas que os tornaram famosos.
A mudança, brusca e radical, chegou sem avisar e pegou muita gente de surpresa. Afinal, quem ia esperar que aqueles garotos, que pareciam se divertir tanto mergulhando num universo retrô e animado, aniquilariam todos os vestígios que os ligariam aos tempos de seus avós?
Mas eles fizeram. Flertando descaradamente com o exagero e a breguice do final dos anos 80 e do início dos anos 90, o Alphabeat chocou seus fãs com The Spell, o primeiro single de seu segundo disco, de 2010. A música, embora dançante e animada como todas as outras lançadas por eles até então, parecia uma revolução: sintética e artificial, ela funcionaria como uma cruza de todo o poperô que bombava na década retrasada com o dance europeu que, sei lá, Ace Of Base faria.
O mais surpreendente, no entanto, não foram as modificações sonoras. O mais surpreendente foi o resultado: o trem ficou muuuuuito bom! A empolgação que eles injetam no material é bastante visível: é como se eles realmente tivessem vivendo no tempo de teclados e bases carregadíssimas.
O que parece brincadeira de adolescente, na verdade foi fruto de muito estudo e pesquisa. The Spell não foi fruto do acaso. A base para a criação foi Get Serious, musiquinha de 1991, do Cut ‘N’ Move (queeeem?) que sintetiza tudo que os anos 90 tinham de (dependendo do ponto de vista) melhor: rimas fáceis, paletos de corte reto, tecladinhos marotíssimos e muita muita muita alegria:
Continuo sem entender direito a mudança que o Alphabeat promoveu na música que fazia. Mas ainda sim sigo amando.



















Eu simplesmente curto muito o Alphabeat e gosto muito dessa música, acho divertida, pra curtir, afinal eu não preciso ficar refletindo sempre…
Isso aí, Elda. Não há mal algum em dançar e dar risada. E o bom do Alphabeat é justamente isso: eles tem energia – e não tem vergonha – de fazer pop (e pop do bom!).