Problemas com sua gravadora e adiamentos diversos pareciam inviabilizar o lançamento do novo CD de Sophie Ellis-Bextor. Em alguns momentos, os fãs chegaram mesmo a achar que o disquinho, quarto na carreira da cantora, viraria lenda, mas mesmo com uma estratégia de lançamento um tanto questionável – o álbum chegou primeiro às lojas da Rússia, no último dia 18, será lançado no Reino Unido em 6 de junho e no resto do mundo, só Deus sabe – “Make a Scene” já pode ser ouvido.
O trabalho prova algumas coisas: se por motivos como a péssima divulgação provavelmente não fará o barulho necessário, Sophie continua apresentando faixas que mereciam muito mais atenção do que ganham, e aqui, define sua identidade sonora de forma bem completa. O disco, com muitos pontos altos e alguns baixos, é mais coerente do que o anterior, “Trip The Light Fantastic”, e mostra Ellis-Bextor explorando os sons de outras décadas, o eurodance e a música pop de forma muito mais redondinha.
Ela também evoluiu como compositora, e arrisca marcas bem pessoais e delicadas ao retratar a alegria de dançar e celebrar pelo simples prazer de fazê-lo, ou situações mais introspectivas – frequentemente disfarçadas de convites à pista. Além disso, a cantora possui um charme e elegância que permeiam não só sua imagem, mas também suas canções, cheias de um tom levemente imponente.
A primeira parte do álbum é um exemplo disso: abrindo com a bombástica “Revolution” – que traz até citação ao seu primeiro sucesso mundial, “Murder On The Dancefloor” – Sophie enfileira gravações consistentes e que não fazem feio se comparadas aos lançamentos mais comentados de outras artistas, como “Off & On” (anteriormente gravada pela também ótima Roisin Murphy, que a dispensou, e que parece muito mais impactante aos cuidados de Bextor), além de “Bittersweet” (abaixo), e as setentistas “Heartbreak (Make Me a Dancer)” e “Can’t Fight This Feeling”. Uma coisa, porém, é unânime: a energia que Sophie deposita em todas, mostrando que sabe conduzir muito bem canções pop espertas.
O que vem a seguir, na segunda metade de “Make a Scene”, é ainda melhor do que as músicas que o abrem, começando pela faixa título, um dos ápices do disco. Nela, Sophie canta, inicialmente, num tom mais grave e sombrio, que cresce cada vez mais, até que a faixa irrompe numa profusão de sons tão contagiante que a destaca de todas as outras que vieram anteriormente. Instrumentos de sopro, distorções, a voz da morena evocando todos os “reis e rainhas” a quebrarem as regras… É como se ela houvesse pegado a proposta do disco e unido inteiramente num único registro. Incrível.
“Magic” e a debochada “Dial My Number”, onde Sophie esnoba um cara que a liga incessantemente e com o qual só quer gastar um tempinho, não trazem a mesma genialidade, mas mantém o pique lá em cima. Na sequência, o divertido coro de crianças no refrão de “Homewrecker” arranca sorrisos. As duas últimas faixas, “Synchronised” e “Cut straight to the heart” mais intimistas, também conquistam, mas fazem o disco parecer extenso demais – e não conseguem fechá-lo com a energia que pedia, mesmo para canções mais tristonhas/românticas.
Esse fato reflete um problema de “Make a Scene”, talvez o mais prejudicial a ele: mesmo muito divertido, ele parece longo além da conta em alguns momentos, aspecto reforçado pela inclusão de algumas canções como “Starlight” – que, injustamente, virará single, segundo Sophie já divulgou – e “Under My Touch”, ambas perdidas em meio a outras de muito mais presença.
No fim das contas, os méritos do disco são bem maiores e o resultado final faz jus ao tempo de espera e a imprevisibilidade que os fãs de Sophie tiveram que engolir. Ela pode não ter entregado algo realmente marcante em longo prazo, mas deu um passo importante em sua carreira e reafirmou sua posição como uma artista de credibilidade e certa do que planeja lançar, o que é notável.
Make a Scene, Sophie Ellis-Bextor, 2011, 14 faixas, produzido por Greg Kurstin, Freemasons, Biffco, Calvin Harris, Armin van Buuren, Benno de Goeij, Junior Caldera, Richard X, Liam Howe, Metronomy, Future Cut, Fred Ball e Dimitri Tikovoi.



















Esse cd é muito bom, sabe algum site aqui do Brasil que o vende?