MIOLÃO • Cover - Top 5: Feelin’ Good
 

Top 5: Feelin’ Good

Essa é a primeira vez que o MiolãoTeam faz um Top 5 contando com versões da mesma canção.  Acho que a música em questão, por si só, serve como explicação para isso. Mas, caso não seja suficiente, lá vai: Feelin’ Good é tão boa que se eu cantar, não vou conseguir estragar. Todas as versões que já ouvi, de variados artistas, de vários gêneros musicais, são bonitas e têm algo de especial. Por isso, quando o tema foi sugerido pelo Hugo Avelar, não pensamos duas vezes antes de colocar a idéia do moço em prática.

Composta por Anthony Newley e Leslie Bricusse, Feelin’ Good foi escrita para o musical da Broadway The Roar Of The Greasepaint – The Smell Of The Crowd, onde era interpretada por Cy Grant. Porém, música se tornou conhecida na voz (e que voz!) de Nina Simone, sendo gravada pela cantora no mesmo ano que o musical foi levado aos palcos pela primeira vez.

O registro de Simone faz parte do belíssimo I Put A Spell On You (1965), álbum que conta com algumas de suas melhores canções. Acho seguro dizer que a música de Nina, de modo geral, é um gosto que se vai adquirindo. Com uma voz que oscila entre a paixão, a dor, a alegria e a vulgaridade, a cantora é dona de gravações com estilo próprio, que contam com uma bela orquestração, além de sua capacidade excepcional como pianista.

Feelin’ Good ilustra bem algumas dessas características. Com um começo acapella, intimista e quase sussurrado, a faixa é daquelas que vai crescendo aos poucos. E crescendo para culminar numa segunda parte que conta com o apoio de uma big band, típica dos registros de jazz, e explodir num scat tão incrível quanto a presença da banda e que ajuda a complementá-la, já que funciona praticamente como o acréscimo de outro instrumento musical à canção.

Ficou mais claro porque Feelin’ Good merece um Top 5? Porém, simplesmente fazer uma gravação com a mesma estrutura da versão de Nina Simone não é o suficiente. Priorizamos artistas que conseguiram se apoderar de uma gravação consagrada e clássica como essa, criar algo diferente e, ao mesmo tempo, não descaracterizá-la. Resumindo, essa lista com com versões de artistas que realmente entenderam o espírito de Feelin’ Good. Vamos à lista!

5º – Adam Lambert

Devo confessar que a carreira pós American Idol do Adam não me enche tanto os olhos. Porém, no programa, o rapaz era incrível. Dono do melhor repertório, com um carisma imenso e o timbre mais bonito e da 8ª temporada do reallity show, Adam merecia ter vencido. E, para mim, isso ficou claro quando o moço cantou Mad World, no top 8, e foi reafirmado pela sua belíssima versão de Feelin’ Good, no top 5.

Se distanciando da versão de Nina Simone, fato raro entre aspirantes a cantores que desejam comprovar sua capacidade vocal, Adam fez o bastante para que sua versão não pudesse ser comparada com a de nenhum outro artista. Embora se aproxime da versão do Muse, seu timbre e maneira de cantar são tão únicos que a comparação se torna desnecessária e até boba.

Cantando com emoção (e com o corpo!), sem contar com muitos artifícios e “lutando” com o tempo limitado para a performance, numa canção que, claramente, precisa ser construída aos poucos, Adam Lambert conseguiu fazer uma versão digna de nota e ganhou o 5º lugar desse Top 5.

Mesmo que você tenha preconceito com candidatos de reallity show ou com a carreira do moço, recomendo que ouça essa versão. É daquelas que fazem a gente repensar esse tipo de coisa. Assista.

4º – Rebecca Ferguson

Outra participante de reallity show que resolveu se arriscar com Feelin’ e fez bonito. A moça, assim como Adam Lambert, esteve na final do programa que participava, o X-Factor, e perdeu para alguém que não era tão bom quanto ela. Mas, para a nossa alegria, foi contratada por Simon Crowell e lançou um CD esse ano.

Dona de uma voz bastante diferente, fácil de ouvir e gostar, e de uma postura de diva, Rebecca estava visivelmente nervosa durante a performance de Feelin’ Good. E nem isso foi capaz de comprometer o bom andamento da coisa: ela cantou tão bem que foi considerada a melhor da noite.

Embora sua versão conte com uma estrutura parecida com a da versão original, o que a moça faz com a voz é o suficiente para diferenciá-la: Rebecca sabe exatamente quando soar explosiva e quando se retrair. Por explorar sua capacidade vocal da melhor maneira possível e conseguir vencer sua evidente timidez, ela fica com o 4º lugar na nossa lista. Veja aqui.

3º – Asa

Conheci essa versão através do Hugo, o moço que sugeriu o tema para o Top 5, e não deu pra deixar de fora. Entre todas, é a que mais foge do que se esperaria de uma versão de Feelin’ Good.

Asa (ou Asha) é uma cantora nigeriana, cuja carreira ainda é bastante curta, contando com apenas dois álbuns, um lançado em 2007 e o outro em 2010. A moça incorpora elementos do soul, do pop, do raggae e do R&B em sua música de uma maneira bastante interessante. Porque todos eles, por mais distintos que sejam, parecem compor um novo e peculiar estilo musical.

Todos esses elementos, ainda que em menores proporções, estão presentes em sua versão para Feelin’. Contando apenas com um violão, primeiramente tímido, e sua voz intensa, a moça consegue fazer tudo isso funcionar maravilhosamente em uma música onde não parecia possível, devido a seu histórico com jazz bands e guitarras distorcidas.

Merecem destaque o “scat” seguido deu ma maneira de cantar popular em gravações de raggae. Por conseguir imprimir sua personalidade, tão diferente do que Feelin’ Good pede, mas parecer compreender verdadeiramente o espírito da música, o 3º lugar fica com Asa! Assista.

2º – Jennifer Hudson

Todo mundo sabe que a voz de Jennifer Hudson é imbatível para baladas. Está tudo ali, registrado na participação da moça no American Idol, na trilha sonora de Dreamgirls, em seus álbuns… Acho que ninguém questionaria os méritos da moça cantando canções mais intimistas. Por isso, quando soube que Feelin’ Good integraria a tracklist do álbum I Remember Me tive certeza de que viria coisa boa por aí. E ainda assim fui surpreendida.

Apostando numa versão mais alegre e R&B, mas mantendo uma estrutura semelhante a original, J Hud reinventou um clássico sem descaracterizá-lo. Ela parece ter compreendido que ao mesmo tempo em que Feelin’ Good clama por uma atmosfera intimista, a música fala sobre se sentir bem. Sobre um novo começo. E, por isso, não há problema nenhum em fazer uma versão que permita que o ouvinte dance.

Por conseguir perceber um lado alegre numa música que conta com tantas versões desesperadoras e tristes, Jennifer Hudson fica com o segundo lugar dessa lista. Veja.

1º – Muse

O primeiro lugar não tinha mesmo como ir para outra versão. Feelin’ Good com o Muse foi considerado o melhor cover já feito, segundo a revista New Musical Express. E mesmo que o resultado da enquete fosse outro, é a versão que mais merece o posto.

Sombria e temperamental, essa canção combina tanto com o restante do disco Origin Of Symmetry que parece ter sido escrita especialmente para ele. Segundo Matt Bellamy, o vocalista do Muse, a razão para terem escolhido gravar essa música foi a letra, que fala sobre como se tornar você mesmo, se livrar do seu passado e trilhar novos caminhos. Tudo isso de forma tão simples que quase soa boba.

Assim como a versão original, a Feelin’ Good do Muse explode após uma introdução contida. Mas em guitarras e bateria. Para depois se retrair, numa voz sussurada, quase abafada e, novamente explodir – dessa vez, nos agudos afinadíssimos e inimitáveis de Bellamy, que funcionam como o scat dessa versão. Feelin’ na voz de Matt adquire ares de algo catártico. É como se você não tivesse outra escolha além de se libertar após ouvir a sua versão.

No primeiro contato que se tem com essa versão, ela soa desesperadora, especialmente pela voz de Matt Bellamy. Mas, a medida que se convive com ela, percebe-se que se trata de algo muito mais positivo do que negativo. Ela faz crescer em você aquilo que a banda deseja atingir com a gravação: a vontade de se libertar.

Aliás, é exatamente por isso que o Muse ficou com a primeira posição dessa lista: para mim, Feelin’ Good é uma música a respeito de libertação. Sobre deixar o que quer que seja para traz e se sentir bem com isso. E entre todas as versões que ouvi, somente a deles cumpre esse papel. Então, a primeira posição não poderia pertencer a outro registro.  Assista o vídeo aqui.

Postagens relacionadas

Insatisfeita crônica, mais canceriana do que gostaria de admitir, groupie de meio mundo e pau no cu o bastante pra falar de si mesma na terceira pessoa.

9 Comments on "Top 5: Feelin’ Good"

  1. Daniel Guichard disse:

    Excelente post, mas me ganhou de graça já na foto da Nina.
    Única e visceral essa mulher.

  2. luiz disse:

    Esqueceram do Michael Bublé que trouxe aquela voz limpa de Sinatra a uma música tão respeitada.

  3. Thiago disse:

    Ouvi a da Asa e a do Adam, que eu não conhecia. Meu deus, tô apaixonado pela Asa. Senhor Hugo, acho que serei eternamente grato por ter me apresentado a essa moça. E Amanda, sobre o Adam… fiquei muito impressionado com o final da apresentação, mas, no geral, nem achei tudo isso. Seu texto foi MUITO melhor do que a apresentação, haha.

  4. Fabi disse:

    Eu AMO Nina. Feeling good realmente é uma das músicas mais lindas que existe, mas ainda não é a favorita. E pior: não sei o título da música que eu gosto pq foi um cd gravada sem os títulos. Vivo correndo atrás, mas não acho. Paciência.

    Enfim, adorei o post! Só conhecia a versão do Muse (que não tem como negar: é perfeita!) e tinha ouvido uma vez um menino inglês cantar numa dessas competições. E entre os outros quatro, gostei mais da versão da Asa. Voz maravilhosa e ela deu um um toque bem calmo e sonhador à música.

  5. Thiago disse:

    GENTE ODEIO GEORGE ODEIO ADAM mas fiquei tao curioso pra ouvir a versao de adam. texto muito muito muito bom. e hugo, valeu por ter escrito/sugerido! (e já te disse no e-mail, mas repito: essa também é minha música preferida. uhul!)

  6. Hugo Avelar disse:

    Feelin’ good acho que é de longe a minha música predileta e justamente por isso sugeri o post.
    Adorei que vocês curtiram, me sinto lisonjeado. Hehehehe
    O post ficou ótimo, Amanda! Parabéns! Tá, que eu tiraria o Adam Lambert dali e botaria o George Michael, mas não xingarei muito no Twitter, prometo. Hahahaha

    • Amanda disse:

      ô hugo, eu tenho todo um apego com o adam! rs e eu acho a versão do george muito “igual” a original, sabe? amo a voz dele e tal, mas essa coisa de ser mto parecida me incomoda.

      e brigada pelo elogio! e claro que a gente amou o tema. sempre que tiver idéias, pode mandar pra cá que se eu tiver competência pra executar, tô executando. rs e o que eu não tiver, ctz que o jão tem.

Trackbacks for this post

  1. MIOLÃO • Cover - Cover: Little Girl Blue, Janis Joplin
  2. MIOLÃO • Música - Os Discos Mais Esperados de 2012 – Parte 2

Tem algo a dizer? Então diga!

 

Features Stats Integration Plugin developed by YD

UA-11237259