MIOLÃO • 2004
 

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Rachael Yamagata – Chesapeake

Em seu terceiro álbum, Chesapeake, Rachael Yamagata explora contornos de felicidade e otimismo – por mais estranha que essa frase soe para quem conhece o trabalho da moça. Se você pertence a esse grupo e ao ler isso um ponto de interrogação se formou em sua cabeça, eu explico: não significa que para esse disco ela abandonou por completo a aspereza e melancolia ostentada em momentos anteriores ou mesmo as baladas marcadas por piano. Elas ainda estão lá. Porém, Chesapeake parece permeado por positividade.

Quando se pára para pensar nos álbuns anteriores de Rachael, notamos que não é como se ela nunca tivesse demonstrado seu otimismo. Um exemplo claro disso é a fofa 1963, de Happenstance (2004), que no meio de tantas canções tristes, surge como um momento de alívio e esperança. Então, de certa forma, a luz sempre esteve ali, expressa em pequenos detalhes. Nós é que não prestamos a devida atenção. E é exatamente daí que vem o susto quando começamos a audição de seu novo trabalho.

Segundo essa entrevista aqui, a vontade de explorar esse lado mais ensolarado de sua personalidade estava ali há um bom tempo. Rachael disse que a natureza de suas canções do passado fez com que ela acabasse parecendo algo que não é e que os temas que explorou em seus dois primeiros álbuns – amargura, corações partidos e outras coisas que podem fazer um relacionamento, terminado ou não, doer tanto – não são exatamente partes de sua vida, apenas temas que a fascinavam. Então, ela escrevia sobre eles para tentar compreender e porque considerava que o tipo de melodia que gostava de produzir acomodaria melhor letras tristes. Porém, quando estava compondo as canções que integrariam Chesapeake , ela disse ter encontrado uma maneira de escrever músicas sobre temas menos sombrios, com melodias menos melancólicas e ainda soar como ela mesma e, então, resolveu se arriscar.

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Sample: Long Way To Go, Gwen Stefani e André 3000

Desde que iniciamos a seção de Sample aqui no Miolão já mostramos que a incorporação de trechos de músicas em outras músicas não se restringe a nenhum gênero em específico: do pop ao rock ou do ska ao trip-hop quase todo mundo sampleia.

A música tema do texto de hoje se distância de todas as outras porque ela não sampleou uma música. Ela sampleou um discurso. Aliás, não foi “um discurso”. Foi “O” discurso. Long Way To Go, a última faixa do maravilhoso Love. Angel. Music. Baby., de primeiro disco solo de Gwen Stefani, de 2004, se apropria do discurso mais famoso de Martin Luther King Jr.: I Have a Dream.

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Sample: Toxic, Britney Spears

Toxic, uma das melhores músicas do repertório de Britney Spears, é tão bem feitinha que até quem detesta a moça reconhece seus méritos.

Vencedora do Grammy de Melhor Gravação Dance em 2005, a faixa, produzida pelos então desconhecidos Bloodshy & Avant, foi o segundo single de In The Zone, quarto álbum de estúdio de Spears.

Com uma introdução marcante e um potente refrão, a musiquinha repleta de sintetizadores foi executada a exaustão na época de seu lançamento e se tornou um dos maiores hits de Britney. No clipe, Britney encarnava uma garota que viajava pelo mundo, motivada pela vingança, sob múltiplos disfarces para cometer o crime perfeito: envenenar seu ex-namorado:

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Cover: Sweetest Thing, No Doubt

Confesso: tenho uma certa birra com o U2.

Embora a banda tenha bons discos e uma porção de ótimas músicas, eles nunca me agradaram totalmente. E a coisa piorou com o lançamento de How to Dismantle an Atomic Bomb, em 2004, quando eles acreditaram na ladainha da imprensa e passaram a ostentar o título de “maior (e melhor) banda do mundo”. A arrogância presente nas entrevistas e a quase-obrigação que a midia impôs para que nós gostassemos deles – como não curtir uma banda que faz, de fato, algo pelos outros? – me afastaram quase que de vez de seu respertório.

Ao contrário de minha conturbada relação com o U2 (haha!), sempre gostei do No Doubt. Com eles o relacionamento sempre fluiu bem: nunca houve cobranças, ciúmes ou intriga. Eles eram a namorada perfeita. O som, empolgante e diferente, combinado com as letras consistentes e super sinceras, foi o que me atraiu a princípio. Com o tempo, percebi que além da música eu também admirava aquelas pessoas que passaram por tanta coisa juntos e que mesmo assim permaneceram unidas. Quando dei por mim já estava apaixonado.

E foi assim, apaixonado, que ouvi a versão do No Doubt para Sweetest Thing, uma das músicas mais bonitas do repertório do U2.

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Cover: Everybody’s Gotta Learn Sometime, Beck

Conheci Everybody’s Gotta Learn Sometime por causa de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Na época eu tinha uns 15 ou 16 anos. Lembro de ter pensado que aquela música (e que aquele filme) era a música (e o filme) mais bonita (bonito) do mundo.

Originalmente composta nos anos 80 por James Warren, do The Korgis, Everybody’s Got To Learn Sometime tinha uma base menos “monótona” do que a gravação de Beck. A repetição da frase-título combinada com a melodia mais fácil intuía que a música seria um hit – e ela foi: atingindo a quinta colocação na parada de UK e a décima oitava na Billboard, a canção se tornou o maior sucesso da banda e foi revisitada inúmeras vezes ao longo dos anos por outros artistas e pela própria banda em reprises desnecessárias.

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Especial HP: Harry Potter and the Prisoner of Azkaban

Dando sequência a nosso Especial Harry Potter, abordaremos hoje Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban – o melhor filme da série (até agora).

Dirigido pelo talentoso Alfonso Cuarón, o terceiro filme de Harry Potter se distância dos demais por se preocupar em explorar à fundo as relações humanas de seus personagens.  Tecnicamente falando, a direção de arte e fotografia são deslumbrantes – como na maioria dos filmes de Cuarón -, e o roteiro, que ignora e reduz fatos importantes do livro, se mostra bastante ágil, focando no que realmente importa.

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3 Momentos: Daniel Brühl

Daniel Brühl tem um rosto comum. E ao mesmo tempo uma coisa que é só dele. Jeito de moleque bravo, face expressiva. Cara de bom ator, de quem nasceu pra coisa. Do tipo de artista que quando atua convence a gente de que é gente. E parece que ele sabe disso. Ao escolher personagens humanos e interessantes, ele, que completa 33 anos hoje, evidencia seu talento e se mostra capaz de interpretar tipos cotidianos com características bem singulares e distintas.

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