Em seu terceiro álbum, Chesapeake, Rachael Yamagata explora contornos de felicidade e otimismo – por mais estranha que essa frase soe para quem conhece o trabalho da moça. Se você pertence a esse grupo e ao ler isso um ponto de interrogação se formou em sua cabeça, eu explico: não significa que para esse disco ela abandonou por completo a aspereza e melancolia ostentada em momentos anteriores ou mesmo as baladas marcadas por piano. Elas ainda estão lá. Porém, Chesapeake parece permeado por positividade.
Quando se pára para pensar nos álbuns anteriores de Rachael, notamos que não é como se ela nunca tivesse demonstrado seu otimismo. Um exemplo claro disso é a fofa 1963, de Happenstance (2004), que no meio de tantas canções tristes, surge como um momento de alívio e esperança. Então, de certa forma, a luz sempre esteve ali, expressa em pequenos detalhes. Nós é que não prestamos a devida atenção. E é exatamente daí que vem o susto quando começamos a audição de seu novo trabalho.
Segundo essa entrevista aqui, a vontade de explorar esse lado mais ensolarado de sua personalidade estava ali há um bom tempo. Rachael disse que a natureza de suas canções do passado fez com que ela acabasse parecendo algo que não é e que os temas que explorou em seus dois primeiros álbuns – amargura, corações partidos e outras coisas que podem fazer um relacionamento, terminado ou não, doer tanto – não são exatamente partes de sua vida, apenas temas que a fascinavam. Então, ela escrevia sobre eles para tentar compreender e porque considerava que o tipo de melodia que gostava de produzir acomodaria melhor letras tristes. Porém, quando estava compondo as canções que integrariam Chesapeake , ela disse ter encontrado uma maneira de escrever músicas sobre temas menos sombrios, com melodias menos melancólicas e ainda soar como ela mesma e, então, resolveu se arriscar.






















