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Emmy 2010: Justo?

30/08/2010 às 15:04 em Telinha & Telão

Se você estava nesse planeta nas últimas 24 horas, com certeza sabe que ontem à noite rolou a 62ª edição do Emmy (desculpem-me o chavão que escrevo a seguir): o Oscar da TV estadosunidense.

Começando MUITO bem com uma paródia pra lá de divertida de Glee, Jimmy Fallon (o ator de Táxi, da Gisele Bündchen) convocou atores de várias séries, levou raspadinha na cara (!!!) e virou o Bruce Springsteen cantando Born To Run com a galera.

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Em linhas gerais, a premiação (quase) não foi entediante e os vencedores foram bem variados. Segue abaixo a lista de indicados e premiados… E também uns comentáriozinhos de alguém que fez força pra ser neutro:

Melhor série drama
Mad Men
The Good Wife
Lost
Dexter
Breaking Bad
True Blood

Comentário: Eu queria True Blood! Eu queria True Blood! Eu queria True Blood! Fanatismos à parte, que Mad Men é ótima todo mundo sabe, mas custava democratizar o prêmio e dar para qualquer uma das outras séries? O que mais deu dó foi Lost, um verdadeiro marco, acabar assim, sem prêmio.

Melhor atriz drama
January Jones, Mad Men.
Julianna Margulies, The Good Wife.
Kyra Sedgwick, The Closer.
Mariska Hargitay, Law & Order: SVU.
Glenn Close, Damages.
Connie Britton, Friday Night Lights.

Comentário: Depois de anos e anos concorrendo, finalmente Kyra Sedgwick venceu. Não vou dizer que foi injusto porque não acompanho The Closer, mas Kyra tem todo meu amor desde que participou de Singles – Vida de Solteiro. A vitória da moça foi uma grande surpresa, já que era quase certo que a sempre ótima Julianna Margulies levaria…

Melhor ator drama
Jon Hamm, Mad Men.
Matthew Fox, Lost.
Michael C. Hall, Dexter.
Bryan Cranston, Breaking Bad.
Hugh Laurie, House.
Kyle Chandler, Friday Nigh Lights.

Comentário: Mais uma surpresa. E dessa vez uma ótima surpresa. Provavelmente a maioria das pessoas torceu o nariz pela vitória de Bryan (minha timeline que o diga!). O menos popular dos indicados e talvez um dos mais talentosos, Cranston fez bonito por Breaking Bad e MERECEU o prêmio. (Sim, gente. Eu também queria que o “Dexter” vencesse.)

Melhor série comédia
Glee
Modern Family
30 Rock
The Office
Nurse Jackie
Curb you Enthusiasm

Comentário: E não é bom quando a melhor comédia do ano vence a categoria de melhor comédia do ano? Acho ótimo. De verdade. (Y)

Melhor atriz comédia
Lea Michele, Glee.
Tina Fey, 30 Rock.
Edie Falco, Nurse Jackie.
Toni Collette, The United States of Tara.
Amy Poehler, Parks and Recreation.
Julia Louis Dreyfuss, New Adventures of Old Christine.

Comentário: Tina Fey, Toni Collette e Julia Louis Dreyfuss (que mesmo participando da pior comédia indicada se sobressai graças ao talento que possui). Uma das categorias mais acirradas fez justiça a Edie Falco que, de tão boa, pelo mesmo papel merecia levar melhor atriz drama.

Melhor ator comédia
Matthew Morrinson, Glee.
Alec Baldwin, 30 Rock.
Steve Carell, The Office.
Jim Parsons, The Big Bang Theory.
Larry David, Curb your Enthusiasm.
Tony Shalhoub, Monk.

Comentário: Por mim, Steve Carrel ganharia todo ano. E tenho dito.

Melhor atriz coadjuvante drama
Elisabeth Moss, como Peggy Olson em Mad Men
Christina Hendricks, como Joan Harris em Mad Men
Archie Panjabi, como Kalinda Sharma em The Good Wife
Christine Baranski, como Diane Lockhart em The Good Wife
Rose Byrne, como Ellen Parsons em Damages
Sharon Gless, como Madeline Westen em Burn Notice

Comentário: Julianna não levou mas Archie representou The Good Wife. Pessoalmente gostaria que Christina Hendricks vencesse… mas a vitória de “Kalinda” tá de bom tamanho. ;]

Melhor ator coadjuvante drama
John Slattery, como Roger Sterling em Mad Men
Martin Short, como Leonard Winstone em Damages
Michael Emerson, em Ben Linus em Lost
Terry O’Quinn, como John Locke em Lost
Aaron Paul, como Jesse Pinkman em Breaking Bad
Andre Braugher, como Owen em Men of a Certain Age

Comentário: John Locke era foda? Era. Mas poxa… como ficar com raiva do talentoso Aaron Paul ter vencido?

Melhor atriz coadjuvante comédia
Julie Bowen, como Claire Dunphy em Modern Family
Sofia Vergara, como Gloria Delgado-Pritchett em Modern Family
Jane Lynch, como Sue em Glee
Jane Krakowski, como Jenna Maroney em 30 Rock
Holland Taylor, como Evelyn Harper em Two and a Half Men
Kristen Wiig de Saturday Night Live

Comentário: Sofia Vergara, sua linda, eu torci por você. Mas vamos ser francos… O prêmio tinha MESMO que ir pra Jane Lynch. Quem sabe ano que vem?

Melhor ator coadjuvante comédia
Ty Burrell, como Phil Dunphy em Modern Family
Jesse Tyler Ferguson, como Mitchell em Modern Family
Eric Stonestreet, como Cameron em Modern Family
Chris Colfer, como Kurt Hummel em Glee
Neil Patrick Harris, como Barney Stinson em How I Met your Mother
Jon Cryer, como Alan Harper em Two and a Half Men

Comentário: Uhul! Poderia ser melhor? Não, não poderia. Prêmio acertadíssimo.

Melhor filme para TV
You don’t know Jack
Moonshot
Masterpiece Daybreak
Georgia O’Keeffe
Temple Grandin
The Special Relationship

Comentário: Ainda não vi nenhum então quem sou eu pra opinar. MÃS… pqp, que feliz o filme da Claire Danes ter ganhado e mais feliz ainda ela, que é uma das melhores e mais subestimadas atrizes de sua geração, ter sido reconhecida com o prêmio de melhor atriz! (:

Como qualquer premiação que se preze, o Emmy desse ano dividiu opiniões e piririri. No fim, a vida continua, a noite acabou e vamos todos morrer mesmo. Tomara que não tão cedo, porque o ano que vem promete!

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Bienal do Livro 2010

12/08/2010 às 10:28 em Aleatoriedades, Deve Ler

Começou hoje em São São Paulo a Bienal do Livro. Aliás, começou naquelas, né… Hoje a entrada será restrita para profissionais do setor. O tradicional evento só será aberto ao público amanhã de manhã, a partir das 10h00.

Para começar em grande estilo, as pessoas que forem caracterizadas de seus personagens favoritos não pagarão entrada. Na prática isso significa que se você tirar aquele suéter vermelho e branco do armário, por uma toquinha listrada na cabeça, vestir um jeans e óculos de grau vai, além de pagar mico, encarnar o Wally e entrar na faixa, uhul! Se você não ligar muito pro frio, pode ainda tirar a camisa e falar que tá “vestido” de Jacob, da Saga Crepúsculo. Ou então, você menina, pode ir de jeans e camiseta e falar que está vestida de Bella: o truque é abrir um pouquinho a boca e apertar os olhos como se você não estivesse enxergando direito (na dúvida, assista/veja qualquer coisa da Kristen Stewart)… Mas ó, a parada só vai valer se você levar uma foto de seu personagem favorito, tá?

Pena que trabalho amanhã… imagina o tanto de gente jovem reunida vestida de Harry Potter, de vampirinhos ou de, sei lá, Emília?

Se você assim como eu não puder comparecer amanhã, o evento vai rolar até o dia 22/08/2010, no Pavilhão de Exposições do Anhembi. A entrada custa R$10,00, estudantes pagam R$5,00 e idosos acima dos 60 não pagam ingresso. Menores de 12 anos também não. Tá esperando o que pra colar lá?

Dezenas de editoras estarão presentes e gente do naipe de Lygia Fagundes Telles estará no evento.

Imperdível, né?

Para maiores informações acesse o site oficial do evento:  http://www.bienaldolivrosp.com.br/

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Inception

07/08/2010 às 21:31 em Telinha & Telão

De Christopher Nolan, diretor do ótimo The Dark Knight, Inception chegou ontem às salas de cinema do Brasil com muito menos glamour que seu irmão morcego. Um título misterioso – A Origem –, um pôster nada extravagante e um dos trailers mais instigantes do sec. XXI: essa foi a composição para a estreia do que pode vir a ser – e, por que não, já é – o melhor filme de ação/sci-fi norte-americano desse século.

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Só a lista do elenco já é um motivo mais do que suficiente para ir até a telona: Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe, Cillian Murphy… O enredo, no mínimo, desperta curiosidade. Quer dizer, é sobre um mundo – o nosso mundo, aliás – onde a tecnologia é usada para invadir sonhos alheios e roubar segredos. Se isso não for o suficiente, bom, Inception tem, simplesmente, algumas das cenas mais incríveis que a tecnologia de set pode nos proporcionar – isso porque o diretor quase não usou efeitos digitais. A cena da batalha com gravidade zero foi produzida em um cenário giratório.

A história é longa para os padrões atuais, mas prende o espectador a cada segundo, sem ser chata ou repetitiva. As peças do suspense bem construído, inicialmente com muitas questões confusas, vão se encaixando ao longo do filme, sem deixar brechas nem falhas. Às vezes a informação cai na tela meio mastigada demais – um close-up desnecessário ou um personagem formulando respostas em voz alta – mas esses detalhes não conseguem prejudicar o ótimo andamento do filme.

DiCaprio não está tão piegas como é o comum, a Ellen Page é uma Linda e Miss. Piaf está FA-BU-LO-SA. Aliás, as referências e os trocadilhos de Nolan discretamente inseridos entre um plano e outro chegam a criar mais um suspense para o espectador, um mistério minimalista da mente do diretor a ser desvendado pela plateia mais atenta; ou ninguém sentiu que já conhecia a música usada como sedativo? As “inspirações” de Nolan estão todas ali, nos cenários, nos personagens: M.C. Escher, os irmãos Wachowski… Por que vocês sabem, meus lindos, no cinema é como na física: nada se cria, tudo se copia. Hehe.

Além da ótima história, de todas as cenas incríveis, dos atores espetaculares e de uma direção de mestre, Inception ainda conta com uma trilha musical de Hans Zimmer, vestindo a cascata de imagens com o som perfeito. Christopher Nolan não fez somente uma obra-prima: com Inception, provou que, quando Hollywood quer, sabe fazer um grande filme – em todos os sentidos.


E, se alguém tiver interesse, agora eu tenho uma nova cena preferida. Quem deixar um comentário adivinhando qual é ganha um doce.

Inception, Christopher Nolan, 2010

A Origem. Com: Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ken Watanabe, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt e Cillian Murphy.  

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3 Momentos: Amanda Seyfried

03/08/2010 às 15:40 em Telinha & Telão

Em 2004 chegava aos cinemas Meninas Malvadas, um teen-movie que brincava com os clichês do genêro e encontrava boas saídas para as situações propostas pelo roteiro – escrito por Tina Fey. Encabeçando o elenco havia um rostinho cheio de sardas que seria muito falado nos anos seguintes. Na trama, Lindsay Lohan era uma adolescente que iria para a escola pela primeira vez depois de ser educada durante toda a vida em casa e descobria que o colegial poderia ser mais selvagem que a savana africana. Os comentários em relação a Meninas Malvadas foram tão positivos que elevaram Lindsay Lohan ao posto de the next best superstar: protagonista de filmes de sucesso e adorada pelo público, Lindsay Lohan era uma verdadeira promessa. Apostavam tanto nela que em 2003 a garota posou ao lado de Meryl Streep para Rolling Stone e a revista pintava Lohan como sucessora natural de Streep. Ao mesmo passo, os altos executivos da Universal acharam que ela se daria bem também no mercado fonográfico e fizeram com que a moça lançasse 2 discos. No entanto, más escolhas – tanto na vida quanto na carreira, fizeram de Lilo apenas uma promessa.

Talvez você se pergunte porque diabos estou falando tanto dessa ruivinha que sequer é o tema do texto. Tudo bem, eu respondo: tudo que disseram sobre o futuro de Lindsay era, na realidade, uma previsão torta para outro membro do elenco de Meninas Malvadas.

Amanda Seyfried, que nunca chegou a ser promessa, está acontecendo. A moça, de apenas 24 anos, só nos últimos 2 anos participou de 6 filmes e ainda arrumou tempo de fazer – e continuar fazendo – parte do elenco fixo da série Big Love.

Separamos abaixo 3 Momentos da carreira curta – e interessantíssima – de Amanda Seyfried:

Questão de Vida, Rodrigo García, 2006.

Pessimamente traduzido, Questão de Vida (no original Nine Lives) foi o filme de estréia Rodrigo García Borcha, filho do (maravilhoso) escritor Gabriel García Marquez.

O nome de Rodrigo, por motivos óbvios,  despertou o interesse da crítica logo que foi anunciado. Com um elenco estrelar, Questão de Vida contava a história de 9 mulheres “presas” em redomas invisíveis de sofrimentos e angustias. Falar sobre detalhes das história seria um verdadeiro crime. No entanto, vale destacar que Amanda Seyfried é dona de um dos melhores seguimentos do filme, revelando-se uma atriz sensível e cheia de nuances que, nem de longe, lembra o papel que a tornou conhecida em Meninas Malvadas. Vale ainda ressaltar que fazer bonito e se sobressair em meio a um elenco com gente como Glen Close, Sissy Spacek, Robin Wright Penn, Dakota Fanning e Holly Hunter é tarefa para poucos.

Mamma Mia!, Phyllida Lloyd, 2008.

Dividindo a crítica, Mamma Mia! foi um sucesso absoluto de público. O audacioso projeto foi baseado numa peça da Broadway, que por sua vez era baseada em músicas do ABBA. Contando a história de Sophie, uma adolescente grega, filha de uma ex-hippie (Meryl Streep), que às vésperas de seu casamento queria descobrir a identidade do pai e para isso convidava para o casório os 3 possíveis ‘candidatos’, o filme foi um verdadeiro marco na carreira de Seyfried. Saindo-se muito bem nos momentos dramáticos e emprestando sua bela voz para as canções do longa, Amanda mandou tão bem que saiu ilesa as críticas do filme.

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Para quem foi pego de surpresa com o desempenho vocal de Seyfried, vale dizer que a garota era cantora de ópera quando tinha 15 anos.

Voltando ao filme, o desfecho, bemmm longe de ser bom, pode até ter decepcionado muita gente, mas, se você ainda não viu, assista. A produção vale pelo menos uma espiada pelos ótimos 2 primeiros terços de filme, pela trilha sonora caprichada, por ter Meryl Streep e, é claro, por Amanda. ;]

Ah! E um fato curioso sobre o longa é que além de ele ser responsável por dar uma guinada na carreira de Amanda, foi graças ao filme que ela conheceu seu noivo Dominic Cooper, que fez par romântico com ela.

O Preço da Traição, Atom Egoyan, 2010.

Refilmagem do filme francês Nathalie-X, O Preço da Traição (Chloe, no original) é um ensaio sobre confiança. Chloe, a personagem título, é uma prostituta de luxo contratada por Catherine (Julianne Moore) para “testar” a fidelidade de David (Liam Neeson) seu esposo. O que se inicia como uma oportunidade de negócios se desdobra num leque de possibilidades complexo, instigante e absolutamente sexy.

Eu disse “absolutamente”? Quis dizer acima de tudo sexy.

Totalmente a vontade na pele de Chloe, Amanda apresenta uma personagem multifacetada que consegue despertar os mais variados tipos de emoção.

Atom Egoyan, o brilhante cineasta por trás de O Doce Amanhã, capta com maestria todos os atributos de Seyfried e entende que tão sexy quanto a cena de sexo protagonizada por ela e por Moore são as cenas em que Amanda simplesmente narra suas aventuras.

Assim como aconteceu em Mamma Mia!, mais uma vez, o final compromete o bom desenrolar da história. No entanto, graças as boas performances de todo o filme se esquiva de ser um desastre completo.

Bônus: Little House

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A aptidão para a música que Amanda esboçou em Mamma Mia! pode ser conferida também nesse vídeo pra lá de bonitinho.

… Lembrar da promessa que Lindsay  Lohan foi há uns anos e comparar com tudo que Amanda é, é uma tarefa, no mínimo, irônica: em pouco tempo a menina loira de olhos esbugalhados foi as vias de fato; roubando a cena de estrelinhas do momento, atuando de igual para igual com – e parecendo, porque não dizer, a sucessora natural de – Meryl Streep, cantando e protagonizando sucessos de bilheteria.

E se você acha que o sucesso é passageiro, prepare-se: ano que vem a menina lanaçará mais 4 filmes.

Mas isso já é assunto pra outros posts, já que o que estamos destacando hoje é o presente – pra lá de iluminado – de uma artista que não precisou ser promessa para acontecer.

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Bordados, de Marjane Satrapi

29/07/2010 às 07:27 em Aleatoriedades

Se você viu a capa desse livro e imediatamente lembrou de um outro, que inclusive já falamos aqui, você está absolutamente certo: Bordados foi escrito e ilustrado por Marjane Satrapi, mesma autora do incrível Persépolis.

Em Bordados, Marjane – que além de autora é personagem – participa de uma roda de chá formada por mulheres de sua família e por amigas, jogando conversa fora de uma maneira casual, cotidiana e interessante. O assunto, quase sempre, é o relacionamento romântico – ou nem tanto – e todos seus desdobramentos – inclusive sexo.

Através dos relatos daquelas mulheres, nós, como espectadores, conseguimos entender um pouco mais de uma cultura que aos olhos do Ocidente parece ser repressora e, porque não dizer, opressiva.

Dentro da sala de chá da avó de Satrapi somos como penetras. Ouvimos as confissões mais íntimas e conseguimos rir, entender e apreciar seus pontos de vista. O tom assumido pela autora ao longo dos quadrinhos é quase sempre cômico. O humor se faz presente nos momentos mais dramáticos das historinhas.

A avó de Marjane, que já tinha aparecido em Persépolis, mostra-se ainda mais encantadora e divertida. Fofoqueira que só, ela nos brinda com uma pequena pérola: sua amiga amiga, apaixonada por um jovem e prometida a casar com outro homem, fica aflita pois perdeu a virgindade antes de seu casamento. A avó, muito fofa, sugere que na noite de núpcias ela leve uma gilete e corte um pouquinho sua coxa para sangrar. Mas a amiga, tomada por ansiedade, acaba cortando os testículos do esposo. Em meio a risos e gargalhadas, uma das participantes da conversa diz que essa amiga poderia ter feito um “bordado”. Pelas palavras de Marjane, somos logos situados a entender que bordado é o nome dado a cirurgia de himenoplastia, aquela mesma que ficou famosa em nossa terrinha quando Ângela Bismarki foi a TV dizer que iria voltar a ser virgem.

Entender o cenário sociocultural de Marjane é fundamental para que não haja julgamentos das personagens. As mulheres do livro sentem desejo, lutam pelo que querem e,  ao seu modo, conduzem suas vidas. A surpresa no entanto cabe a perceber que as barreiras religiosas e culturais não nos separam tanto assim daquelas mulheres pois acima de qualquer coisa são gente como a gente.

Interessante, atual e super engraçado, Bordados brinca com tabus, diverte e emociona na medida exata. Imperdível.

BORDADOS.
Autora: Satrapi, Marjane.
Tradutor: Werneck, Paulo.
Editora: Quadrinhos das Letras.
Ano de lançamento: 2010.

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