MIOLÃO • 2011 - Part 2
 

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Cover: Video Games, The Young Professionals

Se “Born To Die”, o álbum de estreia de Lana Del Rey, é bastante irregular, não dá pra negar que quando ele é bom, é realmente MUITO bom. Um de seus melhores momentos já era velho conhecido do público bem antes do disquinho chegar às lojas.

Video Games”, faixa que fez todos os olhares se virarem para a moça que era o enigma da vez no segundo semestre do ano passado, é impecável. O lamento da artista – que canta sobre um parceiro que não a valoriza e o amor incondicional que ainda assim sente pelo rapaz – possui uma atmosfera retrô e um tanto cinematográfica irresistível. É daquelas gravações que geram uma impressão forte logo na primeira vez que você escuta.

Impressão tão marcante, por sinal, que logo a canção viralizou: não só o vídeo da mesma começou a receber milhares de acesso, mas diversas versões, paródias e “homenagens” pipocaram no YouTube. Releituras da música já serviram de desabafo para a princesa Peach, de Super Mario, Katniss, de “Jogos Vorazes” – em letras adaptadas para cada uma das garotas – embalaram a homenagem de um dono ao seu cachorro… e serviram pra que muita gente boa também mandasse bem ao fazer covers que fogem da zoeira.

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Precisamos Falar Sobre O Kevin, Lionel Shriver

Devo assumir para vocês que só fui procurar por Precisamos Falar Sobre O Kevin, o livro, devido à fantástica adaptação cinematográfica de Lynne Ramsay. Se eu ouvisse falar da obra em outro contexto, provavelmente ele não me despertaria o mesmo interesse, já que histórias sobre assassinos frios e de pouca idade existem aos montes, bem como romances sobre investigações de crimes sem motivos aparentes. Não me entendam errado: gosto bastante do gênero e tenho A Sangue Frio como um dos meus livros preferidos, mas vocês precisam concordar que depois de algumas leituras, a tendência é que essas histórias se tornem repetitivas e cansativas. Assim, o longa serviu para me mostrar que, apesar do tema extensivamente explorado, ainda é possível trazer algum frescor para esse tipo de narrativa.

O livro nos conta a história de Kevin, um garoto de 16 anos, autor de uma chacina que vitimou 7 pessoas no colégio em que estudava. Porém, ao invés de um narrador onisciente, Lionel Shriver optou por deixar a mãe do garoto, Eva, contar a história de seu filho. Isso acontece por meio de cartas enviadas ao ex-marido, Franklin, o pai de Kevin. Escrito em tom memorialístico e intimista, o livro não quer questionar as motivações do assassino ou traçar o seu perfil, mas levar seus leitores à questões mais interessantes e profundas do que essas.

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Young Adult

Eu não queria conhecer alguém como Mavis Gary (Charlize Theron, na melhor interpretação de sua carreira).

Aliás, talvez eu quisesse. Porque, pelo que dá pra entender, Mavis sempre foi um sucesso. Na época do colégio, ela era a garota mais linda. Namorou o astro do time de futebol, decidiu se mudar porque a vida no interior não era lá muito interessante, se tornou uma escritora de sucesso e, apesar de solteira (ela casou com um moço aí, mas não deu certo), se diverte saindo à noite – sem nunca se apegar a ninguém.  Podemos dizer que ela passa seu tempo muito bem sozinha, obrigado. E, vejam só,  Mavis possui até um cachorrinho! É, essa garota não foi um sucesso. Ela continua sendo.

Ou, pelo menos, é isso que ela acredita. Na verdade, a menina mais linda do colégio era também a mais odiosa (e talvez odiada). Talvez por ser bonita demais sempre acreditou que o mundo devesse alguma coisa a ela. E por confiar demais no seu taco, se mostrou arrogante e prepotente demais quando não deveria ser. Depois que deixou sua cidade natal tentou a vida como escritora, mas em vez de firmar seu nome no mercado editorial, o máximo que conseguiu foi se tornar uma ghostwriter de uma série (que há alguns anos foi mesmo um sucesso) voltada para “jovens adultos”  (ou, se vocês preferirem, adolescentes). No campo pessoal, seus planos também não deram muito certo. Quero dizer, a mulher não vive nenhum sonho, né? Acorda sozinha, toma Coca-Cola do gargalo, mora em um apartamento que nem parece seu de tão impessoal que é, tem um cachorrinho, é bem verdade, mas não se preocupa nenhum pouco com o bem-estar da criatura, e de noite em noite de sexo sem compromisso ela parece viver entediada e triste. Pensando bem, talvez não triste. Porque Mavis pensa que é um sucesso . Um sucesso… Ah.

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Sleeping Beauty

Beleza Adormecida, em teoria, é uma versão suja do conto de fadas dA Bela Adormecida. Repito: em teoria. Friso isso porque em nenhum dos 101 minutos do longa de estreia de Julia Leigh há algo que lembre, ao menos que de longe, a clássica história infantil; e também porque não há, de fato, sujeira.

A beleza plástica de cada plano, acentuada por enquadramentos perfeitos e uma direção de arte meticulosamente asséptica, faz com que o filme mantenha sempre um distanciamento de sua personagem principal. É complicado entender as motivações da protagonista – vivida aqui por uma irrepreensível Emily Browning (Sucker Punch – Mundo Surreal), visto que a personalidade da garota nunca é explorada. A gente vê onde ela vive, o que ela faz, com o que ela trabalha e tem mais ou menos uma ideia de um relacionamento peculiar que a consome, mas ainda sim não entendemos porquê ela se sujeita a certas coisas, assim como não compreendemos a razão por trás de ela queimar dinheiro (acreditem, ela o faz) ou por adotar atitudes questionáveis. Seria fácil demais dizer que ela é autodestrutiva. Só que a dúvida que surge é tão grande e complexa que parece não aceitar uma solução tão simples. (Aliás, abro um parenteses para dizer que a apatia nervosa e até a indiferença da guria são atitudes mais do que justificadas por conta do mistério que a envolve.)

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The Woman in Black

Dizer que A Mulher de Preto (The Woman in Black), novo longa de James Watkins, é uma homenagem ao que o cinema de terror produziu de mais clássico é uma observação tão perspicaz quanto falar que a água é molhada.

O filme, assim como as afirmações acima, é óbvio, mas bastante verdadeiro em suas intenções. Sem medo de parecer antiquado, o diretor se apropria do que o gênero tem de mais característico e demonstra uma preocupação latente em criar uma sólida tensão psicológica antes de distribuir sustos fáceis. Essa singularidade fica bastante evidente logo na abertura: abusando de close-ups em bonecas de porcelana e tendo como trilha uma música doce, porém macabra, o realizador choca ao mostrar três crianças que depois de verem “alguma coisa” se levantam em silêncio e pulam de uma janela. Sem mostrar a queda e nada grotesco, a angustia e surpresa que o expectador sente surge como resposta a inocência rompida das imagens que acabou de ver. A confirmação de que algo terrível aconteceu se dá graças ao grito visceral de uma mulher que é emitido enquanto os créditos passam.

A inteligência do uso do som (e da música) é bastante presente não só nessa cena como em diversos outros momentos: como se o diretor pontuasse sua orquestração tendo como marcação tudo o que ouvimos.

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Extremely Loud & Incredibly Close

Quando falamos sobre Tão Forte e Tão Perto numa postagem antiga do Miolão, destacamos algumas de nossas inseguranças quanto ao filme. No topo da lista, sem dúvidas, estava a sua temática, uma vez que produções tratando do 11/09, há algum tempo, deixaram de ser novidade. Outro ponto apresentado, foi que narrativas a respeito de jornadas tortuosas, mas que levam as personagens a algum tipo de descoberta transcendental, também já estão batidas e, dependendo da abordagem adotada, se tornam um tanto insossas. O que mantinha o nosso otimismo, além do belíssimo trailer, era quem estava a frente do projeto: Stephen Daldry.

Com uma carreira curtinha, mas sólida e que conta com excelentes títulos, como As Horas e Billy Elliott, Daldry demonstra uma sensibilidade aguçada e peculiar, que se deixa ver pelos planos adotados em seus longas, pelas cores, pela maneira como apresenta suas personagens (aqui devo lembrar da cena de abertura de As Horas, que exemplifica isso da melhor maneira possível). Enfim, pelo cuidado, carinho e proximidade que demonstra ter com o seu material. E é exatamente nas pequenas sutilezas, tão caras ao diretor, que Tão Forte e Tão Perto se distancia do drama barato e nos apresenta um enredo encantador.

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The Iron Lady

Por mais que todas as críticas, resenhas e comentários que eu li falassem mal de A Dama de Ferro, quando entrei no cinema para assisti-lo, eu juro que esperei o melhor. Isso porque, até então, tudo o que eu tinha ouvido a respeito do longa era que ele tentava amenizar as ações de Margaret Thatcher e desperdiçava a oportunidade de contar de um jeito interessante a história de uma personagem odiada – e odiosa. Tá legal, tá legal, reconheço que a vida da verdadeira Margaret Thatcher, ex-Primeira Ministra do Reino Unido,  daria um ótimo filme se bem explorado, afinal, ela era uma figura controversa e interessante. Mas daí julgar o produto final como sendo um mau-filme apenas porque a história foi contada por um ponto de vista que não era o que você esperava é, no mínimo, uma atitude rasa.

Então lá fui eu, de coração aberto, pronto para discordar do que todo mundo dizia. Só que eu não consegui. Porque A Dama de Ferro é ruim. Muito muito muito ruim.

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