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3 Momentos: Garbage

Reza a lenda que o trio de produtores Butch Vig, Steve Marker e Duke Erikson, em 1994, estavam num estúdio remixando uma faixa do Nine Inch Nails. Um amigo dos caras adentrou ao recinto e disse: “that sounds like garbage”. A simples frase foi o bastante para que a sonoridade suja, marcada guitarras distorcidas e agudas, se transformasse num outro projeto, batizado como Garbage, em homenagem a frase que o inspirou. Tudo o que faltava era alguém que compartilhasse do mesmo gosto que os caras para assumir os vocais.

Nessa mesma época, uma certa escocesa de cabelos vermelhos estava para lá de infeliz na sua banda, o Angelfish. Ela achava que os demais membros não levavam aquilo à sério. Então, quando Butch e cia entraram em contato, convidando-a para fazer parte do Garbage, Shirley Manson não pensou duas vezes.

E assim teve início uma das maiores bandas dos anos 90. E das mais originais. Porque apesar de ter nascido da costela do Nine Inch Nails, o Garbage não se assemelha em nada a eles, tamanha a peculiaridade de suas letras e melodias. Ao ouvirmos uma música do quarteto, temos a certeza que ela só poderia ter sido escrita, produzida e cantada por eles. Ora soando ferozes, ora melancólicos e, no meio disso, encontrando uma maneira de se mostrar vulneráveis, eles fizeram o suficiente para, mesmo nunca entrando em estúdio para produzir algo novo, sempre serem lembrados, queridos e, acima de tudo, esperados.

E é por tudo isso que o 3 Momentos de hoje é dedicado a eles. Bora conferir?

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Os Discos Mais Esperados de 2012 – Parte 1

jejeje

Faltam exatamente 361 dias para 2012 terminar.

Ele, que pode ser considerado um neném, nasceu há apenas cinco dias e – pelo menos pra mim – ainda não mostrou muito a que veio. Mas há tempo para isso. E se depender da promessa de alguns artistas, 2012 vai ser maravilhoso. Aliás, eu diria que 2012 tem altas chances de ser lembrado como “o ano em que houve uma porrada de lançamentos legais de gente mais legal ainda”.

Acha exagero? Listamos abaixo alguns disquinhos que serão lançados nos próximos meses. Te desafio a dar uma olhada e dizer se a gente tem ou não tem bons motivos para crer que o ano será, musicalmente falando, maravilhoso.

Vai vendo!

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Disco Essencial: Joni Mitchell, Blue

Meu primeiro contato com Joni Mitchell foi há muito tempo, pelos idos de 2000, através do filme Da Magia À Sedução. Em uma das cenas do longa, a personagem de Nicole Kidman canta, por cima da gravação original, um pedacinho de A Case Of You. Lembro de ter ficado completamente fascinada com a melodia e a voz de Joni. Acho desnecessário comentar que, na época, ainda não era tão fácil encontrar coisas na internet. Então, fiquei com a música na cabeça durante um tempo e, eventualmente, me esqueci dela.

Anos mais tarde, outro filme me fez reencontrar Joni Mitchell. Both Sides Now é tocada em uma das cenas mais bonitas de Simplesmente Amor e, como se podia esperar, me encantou também. Corri para a loja de CDs mais próxima e comprei a trilha sonora do filme. A poesia e a simplicidade presentes na letra de Both Sides Now, aliadas a sua melodia sombria, nunca perdiam o frescor para mim. Em cada vez que ouvia, parecia descobrir algo novo na música e isso me fazia querer saber mais a respeito da dona daquela voz tão profunda e tão triste. Então, voltei novamente à loja de CDs à procura de algum disco da Joni. Desnecessário dizer que não encontrei, já que pouquíssimos foram lançados no Brasil.

Só algum tempo depois, com o “boom” da Internet, fui conhecer mais da discografia de Mitchell. Descobri o nome de A Case Of You e dos dois discos que continham as faixas que eu já conhecia, que eram Blue e Both Sides Now (na verdade, a gravação original de Both Sides está no disco Clouds, mas a versão tocada em Simplesmente Amor está no supramencionado Both Sides Now).

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Música de Comercial: Fake Plastic Trees, Radiohead

Gosto muito de comerciais. Muito mesmo. Houve épocas em que eu aguardava com mais ansiedade os intervalos da tv do que os próprios programas.

Televisão, hoje em dia, quase não assisto.

Mas o impacto que alguns filmes publicitários causaram foi irreversível. Alguns deles, por exemplo, me remetem a boas lembranças até hoje. É o caso do “comercial do Carlinhos”.

Se você nasceu até o início dos anos 90 certamente partilha a mesma lembrança. Fake Plastic Trees, do então quase desconhecido – para os brasileiros – Radiohead, servia de fundo perfeito para imagens em preto e branco de 2 crianças, uma aparentemente saudável e outra portadora de Síndrome de Down, brincarem num carrossel.

Considerada um marco na publicidade brasileira, o filme, veiculado no fim da década de 90, foi produzido pela DM9 e venceu os principais prêmios da propaganda mundial.

E ainda tem gente que acha que publicidade se limita a venda de produtos… Tsc, tsc.


Música de Comercial é a nova sessão do Miolão. Toda semana resgataremos pérolas e publicaremos aqui. Porque afinal, publicidade também pode ser interessante.

EROTICA – Madonna e sua extravagância sexual: a maioridade 18 anos depois

Na mitologia é frequente a descrição de passagens em que deuses e deusas em um determinado momento de sua existência se deparam com a necessidade de confrontar o seu oposto. Tais episódios, geralmente ambientados nas profundezas do mundo inferior, narram a travessia pela qual a entidade em questão deve se despir de qualquer proteção ou ligação com o seu mundo para então confrontar seus medos e sentimentos mais íntimos e sombrios e renascer mais sábio e mais forte.

[“If you’re afraid, well rise above. I only hurt the ones I love.”]

“Justify My Love”, lançada em 1990, seria o primeiro passo de Madonna para uma era em que a sexualidade seria seu tema de trabalho e quase obsessão refletida no álbum “Erotica”, no livro “SEX”, no filme “Corpo em Evidência” e finalmente em sua turnê mundial “The Girlie Show” que se estenderia pelo ano de 1993. Utilizando estrategicamente todas as mídias e formas de marketing disponíveis na época, o álbum “Erotica” foi o primeiro disco da cantora a ser lançado pelo seu próprio selo: a Maverick Records. Dessa forma, Madonna conquistou e gozou seu período de maior exposição, causando controvérsia e levantando questionamentos sobre sua relevância no mundo da música.

Curiosamente foi a qualidade da música que forneceu o suporte essencial para a continuidade e aceitação dos seus projetos paralelos. Na época, críticas positivas para o álbum foram publicadas por diversas revistas especializadas. Segundo a Billboard “Erotica” é um álbum ambicioso que contem algumas das melhores músicas de Madonna. Opinião compartilhada pela Rolling Stone pela qual o álbum foi considerado brilhante. Já para a Blender, o álbum conceitual recebeu quatro estrelas sendo classificado como chocante e inspirador.

Através de uma mistura inteligente do pop e house produzidos por Shep Pettibone com os elementos de jazz e hip-hop incorporados por André Betts, as letras das músicas falam sobre relacionamentos e perdas, e algumas transmitem um teor político muito expressivo. “Erotica” foi definido pela própria Madonna como um disco “áspero” e “cru” já que a idéia foi não produzir as músicas demais e deixá-las o mais próximo possível de suas “demos” originais gravadas nas primeiras sessões, sem os caprichos de muito polimento e pós-produção, o que mais tarde seria brilhantemente explorado nas performances ao vivo da turnê de divulgação do álbum.

Com seis singles lançados: “Erotica”, “Deeper and Deeper”, “Bad Girl”, “Fever”, “Rain” e “Bye Bye Baby”, seus vídeos promocionais tiveram que competir pela atenção do público com a polêmica criada em torno do livro “SEX” com fotografias de Steven Meisel que retratam todas as formas de relacionamentos e as fantasias sexuais que permeiam este universo.

[“This book is about Sex. Sex is not Love. Love is not Sex. But the best of both worlds is created when they come together.”]

Apesar de esclarecer em quase todas as entrevistas que o livro era apenas uma ilustração das fantasias que todo ser humano tem em relação ao sexo, foi complicado convencer o público mais conservador a recebê-lo como arte, o que gerou um verdadeiro movimento de repressão e boicote à cantora.

“ The most important thing is that I say the things I want to say. In my music or whatever expression that may be. Wether that’s writing a book or writing songs or acting or whatever… the important thing is that I feel fulfilled as an artist and ultimately what the world gets out of it and what they chose to see.” Madonna – MTV Europe, Nov. 1992.

[“Why can't we learn to challenge the system without living in pain?”]

Porém, não são muitos os artistas que conseguem incluir em sua obra um retrato tão fiel do contexto histórico no qual se encontra e ao mesmo tempo gerar um impacto tão relevante na cultura e sociedade. No inicio da década de 90 o mundo se encontrava em um confronto ideológico com a sexualidade e a epidemia da AIDS e, como a personificação de um adolescente, presenciava uma época de transição na sociedade em que o diálogo sobre a sexualidade se movia da total repressão para a liberdade de expressão e novas formas de explorar esse universo. Para entender o impacto de “Erotica” basta recorrer a outras mídias da mesma época, uma recomendação seria a sequência inicial de “Cães de Aluguel”, primeiro filme de Quentin Tarantino, em que um grupo de ladrões discute o significado e as mensagens implícitas nos grandes hits de Madonna da década de 80. No ano seguinte ao lançamento de “Erotica”, foi lançado o filme “Corpo em Evidência” estrelado por Madonna e Willem Dafoe. O filme foi extremamente criticado e certamente não recuperou nas bilheterias o investimento para a sua realização.

Neste mesmo ano, inspirada por um quadro de Edward Hopper, Madonna levou para a América, Europa, Ásia, e Oceania a turnê mundial “The Girlie Show”. Com referências ao Catolicismo, Fellini, Bob Fosse, Gene Kelly, Marlene Dietrich e a Berlim de Weimar, Cabaret, Carmen Miranda, Metropolis, Cirque De Soleil, entre outros, o show foi concebido e vendido como um “Circo do Sexo” em que os gêneros se confundiam e performances jamais antes vistas eram realizadas ao vivo no palco. Funcionou.

Com uma produção elegante e muito bem elaborada a turnê se tornou o espetáculo mais bem sucedido daquele ano, recebendo críticas positivas por onde passava.

[“Never before has a star of this magnitude trounced so many taboos and broached so many boundaries, seemingly obvious to the self-appointed arbritators of decency and decorum”]

Ainda que não tenha se recuperado totalmente do período de repressão e censura, Madonna foi capaz de demonstrar que suas habilidades como artista extrapolam o mundo da música, através de uma bricolagem única de referências ao teatro, à dança, ao circo e ao cinema. Dessa forma, Madonna voltou ao centro das atenções com a sua capacidade intrigante de se reinventar, reafirmando a sua postura e relevância como uma das maiores artistas da história.

“To me was like a growing process. She is growing up. And instead of growing at home with us… she is growing up with the world.” Silvio Cicccone

[“The deeper I go.”]

Assim como na mitologia, Madonna se despiu de qualquer preconceito e pré-julgamento e confrontou uma de suas (ou nossas) maiores obsessões: o sexo. E como deveria ser ela convidou o mundo para acompanhá-la nesse processo. Á frente de seu tempo foi difícil para o mundo seguir seus passos, já que nem todos estavam preparados. Porém, certamente todos estavam curiosos e como numa prática coletiva do voyeurismo o mundo se encontrou a espiar mesmo que à distância esse momento de descobertas e extravagância sexual proposto por Madonna.

[“The more that I know.”]

“This is not Madonna at her creative zenith. This is Madonna at her most important, at her most relevant.” Slant Magazine


O excelente texto acima que tenho a honra de publicar foi escrito a meu pedido por Thiago Soares Barbizan especialmente para ser postado aqui no MIOLÃO na semana do aniversário de 52 anos da Madonna.

Thiago é arquiteto e fã da Rainha do Pop há tempos. Infelizmente não possui conta no twitter. Mas se você gostou, discorda ou quer falar algo para ele, use os comentários. Tenho certeza que ele lerá.

A Volta do Hole

Parece que os anos 90 voltaram de vez! Depois de Alicia Silverstone, Smashing Pumpkins e Slash anunciarem novos trabalhos -?- chegou a vez de Courtney Love apresentar a nova formação do Hole.

Quando a cantora falou sobre voltar a tocar na banda que a lançou ao estrelato em julho do ano passado ninguém botou muita fé, mas para surpresa de todos os planos finalmente saíram do papel.

Na última sexta-feira Courtney se apresentou com a nova formação da banda – que possui quase todos os integrantes originais, excetuando Eric Erlandson, co- fundador da banda e Melissa Auf de Maur, ex-baixista, que agora alça vôos solos – no programa de Jonathan Ross, na BBC. O curioso é que além de apresentar a “nova” banda, Courtney fez questão de tocar Samantha, uma canção inédita. Assista a baixo:

Só eu que não sabia que Courtney era brasileira? Porque assim, ela não desiste MESMO, né?

Ainda bem! Porque a música, mesmo sendo farofa, é ótima!

UPDATE: Leitores, fui informado por Lipe nos comentários que o Hole voltou, mas Courtney é a única integrante da banda original. Confundi total as bolas e peço desculpas por isso! Na verdade, os planos da banda retornar com os membros originais foi feito ano passado, mas algo aconteceu no meio tempo… O que é uma pena!

Outro ponto que Lipe apontou é que na foto não é a Courtney. Mas essa parte eu já sabia, hahaha!

Top 5: Diretores e Seus Queridinhos

De vez em quando algumas parcerias entre diretores e atores dão tão certo que eles repetem a dose. E mais de vez em quando ainda o repeteco se estende por mais filmes e mais filmes, como se o diretor esquecesse que há outros atores no mundo.

Se você duvida, dá uma olhada em nosso Top 5:

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