MIOLÃO • 90′s - Part 2
 

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EROTICA – Madonna e sua extravagância sexual: a maioridade 18 anos depois

Na mitologia é frequente a descrição de passagens em que deuses e deusas em um determinado momento de sua existência se deparam com a necessidade de confrontar o seu oposto. Tais episódios, geralmente ambientados nas profundezas do mundo inferior, narram a travessia pela qual a entidade em questão deve se despir de qualquer proteção ou ligação com o seu mundo para então confrontar seus medos e sentimentos mais íntimos e sombrios e renascer mais sábio e mais forte.

[“If you’re afraid, well rise above. I only hurt the ones I love.”]

“Justify My Love”, lançada em 1990, seria o primeiro passo de Madonna para uma era em que a sexualidade seria seu tema de trabalho e quase obsessão refletida no álbum “Erotica”, no livro “SEX”, no filme “Corpo em Evidência” e finalmente em sua turnê mundial “The Girlie Show” que se estenderia pelo ano de 1993. Utilizando estrategicamente todas as mídias e formas de marketing disponíveis na época, o álbum “Erotica” foi o primeiro disco da cantora a ser lançado pelo seu próprio selo: a Maverick Records. Dessa forma, Madonna conquistou e gozou seu período de maior exposição, causando controvérsia e levantando questionamentos sobre sua relevância no mundo da música.

Curiosamente foi a qualidade da música que forneceu o suporte essencial para a continuidade e aceitação dos seus projetos paralelos. Na época, críticas positivas para o álbum foram publicadas por diversas revistas especializadas. Segundo a Billboard “Erotica” é um álbum ambicioso que contem algumas das melhores músicas de Madonna. Opinião compartilhada pela Rolling Stone pela qual o álbum foi considerado brilhante. Já para a Blender, o álbum conceitual recebeu quatro estrelas sendo classificado como chocante e inspirador.

Através de uma mistura inteligente do pop e house produzidos por Shep Pettibone com os elementos de jazz e hip-hop incorporados por André Betts, as letras das músicas falam sobre relacionamentos e perdas, e algumas transmitem um teor político muito expressivo. “Erotica” foi definido pela própria Madonna como um disco “áspero” e “cru” já que a idéia foi não produzir as músicas demais e deixá-las o mais próximo possível de suas “demos” originais gravadas nas primeiras sessões, sem os caprichos de muito polimento e pós-produção, o que mais tarde seria brilhantemente explorado nas performances ao vivo da turnê de divulgação do álbum.

Com seis singles lançados: “Erotica”, “Deeper and Deeper”, “Bad Girl”, “Fever”, “Rain” e “Bye Bye Baby”, seus vídeos promocionais tiveram que competir pela atenção do público com a polêmica criada em torno do livro “SEX” com fotografias de Steven Meisel que retratam todas as formas de relacionamentos e as fantasias sexuais que permeiam este universo.

[“This book is about Sex. Sex is not Love. Love is not Sex. But the best of both worlds is created when they come together.”]

Apesar de esclarecer em quase todas as entrevistas que o livro era apenas uma ilustração das fantasias que todo ser humano tem em relação ao sexo, foi complicado convencer o público mais conservador a recebê-lo como arte, o que gerou um verdadeiro movimento de repressão e boicote à cantora.

“ The most important thing is that I say the things I want to say. In my music or whatever expression that may be. Wether that’s writing a book or writing songs or acting or whatever… the important thing is that I feel fulfilled as an artist and ultimately what the world gets out of it and what they chose to see.” Madonna – MTV Europe, Nov. 1992.

[“Why can't we learn to challenge the system without living in pain?”]

Porém, não são muitos os artistas que conseguem incluir em sua obra um retrato tão fiel do contexto histórico no qual se encontra e ao mesmo tempo gerar um impacto tão relevante na cultura e sociedade. No inicio da década de 90 o mundo se encontrava em um confronto ideológico com a sexualidade e a epidemia da AIDS e, como a personificação de um adolescente, presenciava uma época de transição na sociedade em que o diálogo sobre a sexualidade se movia da total repressão para a liberdade de expressão e novas formas de explorar esse universo. Para entender o impacto de “Erotica” basta recorrer a outras mídias da mesma época, uma recomendação seria a sequência inicial de “Cães de Aluguel”, primeiro filme de Quentin Tarantino, em que um grupo de ladrões discute o significado e as mensagens implícitas nos grandes hits de Madonna da década de 80. No ano seguinte ao lançamento de “Erotica”, foi lançado o filme “Corpo em Evidência” estrelado por Madonna e Willem Dafoe. O filme foi extremamente criticado e certamente não recuperou nas bilheterias o investimento para a sua realização.

Neste mesmo ano, inspirada por um quadro de Edward Hopper, Madonna levou para a América, Europa, Ásia, e Oceania a turnê mundial “The Girlie Show”. Com referências ao Catolicismo, Fellini, Bob Fosse, Gene Kelly, Marlene Dietrich e a Berlim de Weimar, Cabaret, Carmen Miranda, Metropolis, Cirque De Soleil, entre outros, o show foi concebido e vendido como um “Circo do Sexo” em que os gêneros se confundiam e performances jamais antes vistas eram realizadas ao vivo no palco. Funcionou.

Com uma produção elegante e muito bem elaborada a turnê se tornou o espetáculo mais bem sucedido daquele ano, recebendo críticas positivas por onde passava.

[“Never before has a star of this magnitude trounced so many taboos and broached so many boundaries, seemingly obvious to the self-appointed arbritators of decency and decorum”]

Ainda que não tenha se recuperado totalmente do período de repressão e censura, Madonna foi capaz de demonstrar que suas habilidades como artista extrapolam o mundo da música, através de uma bricolagem única de referências ao teatro, à dança, ao circo e ao cinema. Dessa forma, Madonna voltou ao centro das atenções com a sua capacidade intrigante de se reinventar, reafirmando a sua postura e relevância como uma das maiores artistas da história.

“To me was like a growing process. She is growing up. And instead of growing at home with us… she is growing up with the world.” Silvio Cicccone

[“The deeper I go.”]

Assim como na mitologia, Madonna se despiu de qualquer preconceito e pré-julgamento e confrontou uma de suas (ou nossas) maiores obsessões: o sexo. E como deveria ser ela convidou o mundo para acompanhá-la nesse processo. Á frente de seu tempo foi difícil para o mundo seguir seus passos, já que nem todos estavam preparados. Porém, certamente todos estavam curiosos e como numa prática coletiva do voyeurismo o mundo se encontrou a espiar mesmo que à distância esse momento de descobertas e extravagância sexual proposto por Madonna.

[“The more that I know.”]

“This is not Madonna at her creative zenith. This is Madonna at her most important, at her most relevant.” Slant Magazine


O excelente texto acima que tenho a honra de publicar foi escrito a meu pedido por Thiago Soares Barbizan especialmente para ser postado aqui no MIOLÃO na semana do aniversário de 52 anos da Madonna.

Thiago é arquiteto e fã da Rainha do Pop há tempos. Infelizmente não possui conta no twitter. Mas se você gostou, discorda ou quer falar algo para ele, use os comentários. Tenho certeza que ele lerá.

A Volta do Hole

Parece que os anos 90 voltaram de vez! Depois de Alicia Silverstone, Smashing Pumpkins e Slash anunciarem novos trabalhos -?- chegou a vez de Courtney Love apresentar a nova formação do Hole.

Quando a cantora falou sobre voltar a tocar na banda que a lançou ao estrelato em julho do ano passado ninguém botou muita fé, mas para surpresa de todos os planos finalmente saíram do papel.

Na última sexta-feira Courtney se apresentou com a nova formação da banda – que possui quase todos os integrantes originais, excetuando Eric Erlandson, co- fundador da banda e Melissa Auf de Maur, ex-baixista, que agora alça vôos solos – no programa de Jonathan Ross, na BBC. O curioso é que além de apresentar a “nova” banda, Courtney fez questão de tocar Samantha, uma canção inédita. Assista a baixo:

Só eu que não sabia que Courtney era brasileira? Porque assim, ela não desiste MESMO, né?

Ainda bem! Porque a música, mesmo sendo farofa, é ótima!

UPDATE: Leitores, fui informado por Lipe nos comentários que o Hole voltou, mas Courtney é a única integrante da banda original. Confundi total as bolas e peço desculpas por isso! Na verdade, os planos da banda retornar com os membros originais foi feito ano passado, mas algo aconteceu no meio tempo… O que é uma pena!

Outro ponto que Lipe apontou é que na foto não é a Courtney. Mas essa parte eu já sabia, hahaha!

Top 5: Diretores e Seus Queridinhos

De vez em quando algumas parcerias entre diretores e atores dão tão certo que eles repetem a dose. E mais de vez em quando ainda o repeteco se estende por mais filmes e mais filmes, como se o diretor esquecesse que há outros atores no mundo.

Se você duvida, dá uma olhada em nosso Top 5:

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A Volta dos Que Não Foram

Se você nasceu na última década talvez não entenda o que Alicia Silverstone significou para os anos 90.

Revelada em 1993 no interessante Paixão Sem Limites, Alicia logo chamou a atenção do público por sua beleza e por seu talento. A boquinha torta, o charme natural e seu jeitinho de eterna adolescente a fizeram participar de alguns dos clipes mais emblemáticos do Aerosmith (Crazy, Cryin e Amazing) e de alguns filmes divertidos e outras porcariazinhas.

Mas só foi em seu quarto trabalho para o cinema que Alicia recebeu – com todo o mérito – o status de estrela. As Patrícinhas de Beverly Hills foi um divisor de águas, tanto na carreira de Alicia quanto na de Amy Heckerling, diretora do filme. Sucesso de crítica e amado por toda uma geração, o longa foi livremente inspirado em Emma, de Jane Austen, e responsável por revelar outros nomes ao grande público como a saudosa Brittany Murphy e o carismático Paul Rudd.

Depois do filme, Alicia protagonizou um ou dois trabalhos interessantes e após algumas escolhas erradas (Batman & Robin, dizem oi!) praticamente caiu no ostracismo.

A diretora Amy Heckerling por outro lado conseguiu realizar mais 2 filmes: O Otário, que quase passou desapercebido no mundo e foi lançado diretamente em vídeo aqui no Brasil, e o simpático – e irregular – Nunca é Tarde Para Amar, que marcou a volta de Michelle Pfeiffer as telas em 2007. De lá pra cá ela estave reclusa até essa última semana, quando seu nome voltou a gerar buzz.

O novo projeto de Amy se chamará Vamps e tem sua estréia prevista para 2011. Ainda em pré-produção, pouco se sabe da história, mas pelas informações divulgadas até agora, o filme retratará vampiras – sério? – que se apaixonam por mortais e que terão que fazer escolhas sérias, colocando sua imortalidade em jogo.

Ah! Mas a melhor notícia nem é o novo tema ou o filme em si… O mais legal disso tudo é que Vamps tem presença confirmada de Alicia Silverstone encabeçando o elenco.

Talvez o clima de romance, vampiros e dilemas façam algumas pessoas pensarem na febre de Crepúsculo. E talvez a produção de Vamps não passe de uma jogada para elevar o nome de Amy Heckerling e Alicia Silverstone novamente ao topo.

Tanto faz os motivos. Eu quero mesmo é assistir o filme e tirar minhas próprias conclusões. Se for tão divertido quanto o “clássico” de 1995, de antemão digo que aí vem um dos melhores guilty pleasures do ano! Quem viver verá. :D

 

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