MIOLÃO • A Origem
 

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3 Momentos: Cillian Murphy

Acho que é o rosto. É, deve ser isso. O rosto de Cillian Murphy foi moldado pro cinema.

Quando o vejo em cena, a impressão que tenho é de que suas feições podem assumir qualquer humor com a mesma intensidade e capacidade de convencimento. Tenho a sensação de que ele pode se tornar louco, apaixonado, determinado, histérico ou sofrido quase sem fazer esforço. Só que por mais que sua expressividade funcione, parece que ele não se contenta. E aí, meus amigos, percebemos que ele atua não só com o rosto, mas com o corpo inteiro.

Modificando sua postura, seu jeito de andar, criando sotaques, se perdendo em meio a figurinos exóticos e por vezes emulando até uma respiração diferente da sua, o irlandês de 35 anos é um Ator com “A” maiúsculo. Mal dá pra acreditar que ele, por pouco, muito pouco, quase se graduou em direito. Ainda na universidade, Murphy demonstrava uma queda pelo mundo das artes. Com alguns amigos, ele tinha uma banda chamada Sons of Mr. Greeneges. Sua aptidão para música garantiu a ele um papel de destaque numa peça chamada Disco Pigs. Foi o tiro certeiro. Resoluto de sua verdadeira vocação depois de sair em turnê com a peça, Cillian largou a faculdade e pouco tempo depois foi parar no cinema numa adaptação daquele texto.

Bastante reservado quando o assunto é sua vida pessoal, ele mantém sua família (além de casado, o cara é pai de duas meninas!) longe dos holofotes. É visível que Cillian não está nessa pela fama. Ele faz cinema porque sabe fazer.

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3 Momentos: Ellen Page

Não é de hoje que queremos fazer um 3 Momentos em homenagem a Ellen Page. O motivo que nos levou a adiar – e cogitar nunca escrever nada a respeito – foi um só: a dificuldade em apontar (apenas) três momentos relevantes de sua carreira. Canadense, Ellen tem 24 anos de idade, rostinho de 17 e um talento tão grande e gritante que faz inveja a muita veterana.

Ela, que atua desde criancinha em seriados e pequenos filmes, ganhou notoriedade ao interpretar a personagem título de MeninaMá.Com (Hard Candy, 2005) com precisão e complexidade e foi alçada ao posto de uma das melhores interpretes de sua geração pelo fofíssimo Juno (2007) que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz (perdendo para Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino ao Amor).

Depois do enorme sucesso de Juno, Page corria o risco de ter seu rosto estigmatizado como o da adolescente atrevida e espertinha que amava punk-rock. Mas esse, definitivamente, não foi o caso.

Escolhendo a dedo seus projetos, a garota demonstrou maturidade e ousadia ao trilhar um caminho pouco comum e nada óbvio. Participando de blockbusters (X-Men: O Confronto Final, A Origem) e filmes menores (Garota Fantástica, Face Oculta) com o mesmo afinco e desenvoltura, Page não se preocupou em “enterrar” a personagem que lhe rendeu fama. Ao contrário, ela evoluiu o suficiente para ser dissociada e reconhecida por seu – imenso – talento. E é isso que a gente vê agora.

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MTV Movie Awards 2011

Qual a credibilidade de uma premiação de cinema que concede seu prêmio de Melhor Atriz para Kristen Stewart por seu papel em Eclipse e esnoba Natalie Portman por sua performance em Cisne Negro?

Se você respondeu “zero”, meu amigo, junte-se ao clube.

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E ontem teve o Oscar… Puft!

Quando acontece algum desastre natural, quando há guerras vãs, acidentes estúpidos ou premiações como a do Oscar de ontem à noite a gente reafirma uma certeza: o mundo é mesmo um lugar injusto.

Vocês já devem saber que O Discurso do Rei levou pra casa os prêmios de Melhor Filme, Direção, Roteiro Original e Ator – e, se assistiu a esse filme e algum dos outros indicados, deve saber também que a única vitória que não foi absurda foi a de Colin Firth. Não entendam mal. O Discurso… nem é um filme ruim. É bonito de ver, tecnicamente bem acabado e trás ótimas atuações… mas é um filme chato. Sem ousadia. Cheio de pretensão de dar lições de superação. Cheio de eco. Todo oco. Embora o elenco saia ileso, é difícil demais admitir que esse filme represente o melhor do ano. Pena.

Parafraseando Geraldo Vandré: ‘para não dizer que não falei das flores’, houve sim lapsos de justiça. Toy Story 3 venceu na categoria de Animação. E mesmo não tendo a canção favorita, Randy Newman levou o prêmio pra casa. Christian Bale e Melissa Leo, excelentes coadjuvantes – e favoritos! – de O Vencedor, levaram para casa cada um seu prêmio, honrando o filme de David O. Russel. A Origem ficou com uma soma de 4 estatuetas: Efeitos Visuais, Fotografia, Mixagem de Som e Edição de Som. Todos prêmios técnicos. Falando nisso, você sabia que Matrix também venceu quatro Oscars (todos técnicos)? É, esse é meu ponto. A Rede Social representou muito bem as categorias em que saiu vitoriosa: Roteiro Adaptado, Trilha Original e Edição. Traduzindo: diálogos dinâmicos, trilha esperta e edição funcional. Uhul!

E, finalmente, Natalie Portman. Aposto grana que vão falar um moooonte de abobrinha sobre a vitória da moça. De coisas que irão de “eu já sabia” até “que previsível”.  Tsc, tsc. A essa galerinha, vamos deixar claro uma coisa: ela realmente foi a melhor. E se todo mundo já sabia que o prêmio ia parar nas mãos dela, é porque Natalie provou merecer desde o princípio. Papel da vida.

… Se formos contar nos dedos o que foi justo e injusto,  dá pra dizer que até que o mundo (do cinema) não é um lugar tão vil assim. Natalie. Toy Story 3. Trent Reznor e Atticus Ross. Christian Bale.

E… O Discurso do Rei. Argh. Retiro o que eu disse. Há injustiça sim. E das grandes. Porque tanto em quantidade quanto em peso, o pior venceu. Não, não dá pra engolir essa.

Se tiver saco, veja aqui a lista completa dos vencedores.

Morreu na praia: quem deveria ter sido indicado ao Oscar 2011 e não foi

Há pouco mais de um mês, para ser preciso em 25 de janeiro desse ano, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou os indicados ao prêmio mais cobiçado do cinema. Engana-se quem pensa que a tal “corrida do Oscar” só começou neste dia. Muito antes disso, as distribuidoras começaram campanhas para que seus filmes e estrelas ganhassem uma indicação.

A gigante Warner Bros. lançou em dezembro do ano passado o site For Your Consideration que visava aumentar o buzz dos filmes em que eles acreditavam merecerem uma atenção especial. A prática do “for your consideration” é bastante comum na terra do Tio Sam. As revistas especializadas em cinema recebem dúzias de anúncios desse tipo – inclusive, nesse ano, houve uma polêmica das grossas quando Melissa Leo tirou do bolso uma grana para colocar em prática sua campanha (mas isso é outra história). O fato é que os reclames por consideração são uma prática comum, mas, outra vez, vale dizer que as campanhas em torno dos filmes são começadas bem antes. Muito antes.

As produções fazem seus nomes nos grandes festivais, com estreias luxuosas, tapetes vermelhos e muita expectativa. Se um filme for mal no circuito Berlim – Veneza – Cannes – Sundance ele dificilmente terá chance no Globo de Ouro ou no Oscar. Só que às vezes mesmo os filmes com melhor recepção e/ou grandes expectativas acabam ficando de fora da disputa. Querem exemplos? Lá vai!

Clint Eastwood, por Além da Vida.

Pode perguntar para qualquer cinéfilo que ele vai confirmar: em ano que Dirty Harry lança filme, ele é uma aposta certeira (e normalmente segura) para figurar entre os favoritos do Oscar. E, como era de se esperar, o burburinho em torno de Hereafter começou instantaneamente. Lidando com um tema obscuro e atual (vida após a morte) e contando com um elenco de peso (Matt Damon, cada vez mais respeitado e Bryce Dallas Howard, a eterna promessa que não se cumpriu) era meio óbvio que ele fosse apontado como um forte candidato ainda em sua pré-produção. Só que no fim das contas a crítica se dividiu e o tema espiritualizado foi completamente desprezado – aliás, quase que completamente: a única indicação do filme na cerimônia desse ano é a de Melhor Efeitos Visuais.

Christopher Nolan, A Origem.

Nolan é outro que bateu na trave. Mas na trave MESMO. O diretor que conseguiu a façanha de equilibrar num mesmo filme a adoração do público e da crítica foi esquecido (eu diria até desprezado) por aquele que muitos acreditam que é sua obra-prima. E a sua indicação era bem mais certa que a de Eastwood, uma vez que ele era não só um candidato em potencial, mas também um dos favoritos ao prêmio que sobreviveu a crítica. O curioso é que o filme em questão recebeu OITO indicações, incluindo Melhor Filme. Vai entender… acho que pensam que A Origem se dirigiu sozinho, sei lá.

Leonardo DiCaprio, A Origem/Ilha do Medo.

E o que dizer de Leonardo DiCaprio? Entregando duas das melhores interpretações do ano o ator não foi lembrado nem no Globo de Ouro (que normalmente o ama!). Mas tudo bem, a gente não pode nem reclamar… Afinal, os 5 indicados finais mandaram muito bem. Certo?

Robert Duvall, Get Low.

O veterano Robert Duvval é outro que tinha tudo para emplacar sua indicação: é adorado pelos colegas de profissão e colheu algumas das melhores críticas do ano por seu desempenho… Só que, vocês sabem, performance não é a única coisa a ser avaliada, né? O tipo de filme em que o ator está inserido também conta pontos. E como Get Low não tinha chance em nenhuma outra categoria, o cara ficou a ver navios…

Halle Berry, Frankie & Alice.

Foi mais ou menos o que aconteceu com Duvall que ocorreu com Halle Berry: a atriz foi prejudicada pelo filme. A produção de pequeno orçamento foi meio criticada por parecer um filme televisivo e Berry pareceu o único elemento a sair ileso dos comentários negativos. A moça, que via sua carreira decair cada vez mais depois de receber a estatueta dourada por A Última Ceia, enxergou nos papéis títulos de seu último filme a chance que precisava para voltar aos holofotes. Ela acreditava tanto na indicação que segurou a estreia do filme por mais de um ano só para ele poder concorrer ao Oscar de 2011. O erro de Halle foi lançar o filme em um dos anos mais competitivos dos últimos tempos. Pra não dizer que todo esforço foi pelo ralo, a mocinha conseguiu ao menos uma indicaçãozinha ao Globo de Ouro… Já é alguma coisa, certo?

Naomi Watts, Jogos de Poder.

Se o motivo da “desclassificação” de Halle é fácil de ser apontado, o mesmo não ocorre com Naomi. Fair Game tinha tudo para ir bem em todas as categorias: elenco famoso e competente, roteiro atual (bastidores da guerra do Oriente Médio) e uma boa recepção (no Meta Critic tá com 69 pontos). Dá até raiva ver Watts morrendo na praia de novo! Tão competente a atriz…

Hilary Swank, Conviction.

O boom em torno do nome de Hilary foi diminuindo cada vez mais a medida que o buzz das concorrentes crescia. Quando a atriz pareceu ser quase carta fora do baralho, eis que o jogo muda e ela volta a ter chances: a indicação ao prêmio de melhor atriz no Screen Guild Actors foi o suficiente para que voltassem as atenções ao trabalho da moça, mas não o suficiente para manter seu nome entre as 5 finalistas… Acho que, no fim das contas, cansaram do embate Swank x Benning. Hahaha!

Mila Kunis, Cisne Negro.

Saindo um pouco da categoria principal, vamos falar da ausência que deixou todo mundo chocado: Mila Kunis. A garota, que fez fama na TV e participou de produções duvidosas, compôs com maestria a antagonista de Natalie Portman em Cisne Negro. Sexy e vibrante, a performance de Mila preenchia cada cena em que aparecia e sua indicação era certeira – a ponto de fazer com que a veterana Barbara Hershey fosse ofuscada. Então por que nada de Mila no Oscar? Eu explico. Os acadêmicos, muito espertos, emplacaram a indicação de  Hailee Steinfeld, PROTAGONISTA de Bravura Indômita, como coadjuvante – porque só assim uma novata de 14 anos seria indicada em um ano tão competitivo. O resultado disso foi Mila perder a vaga. Ai, ai… duvido que ela tenha outra chance assim.

Andrew Garfield, A Rede Social.

Outra ausência que ninguém entendeu foi Andrew Garfield, quase perfeito na composição de sua personagem em A Rede Social. O ator que é a bola da vez em Hollywood era o favorito para VENCER o prêmio. O novo Homem-Aranha perdeu sua vaga. Culpem John Hawkes por sua indicação por Inverno na Alma.

Outras injustiças além dos citados foram Aaron Eckhart e Ryan Gosling ficarem de fora – respectivamente por Reencontrando a Felicidade e Namorados Para Sempre -: vamos admitir que o desempenho de Nicole Kidman e Michelle Williams não seriam os mesmos sem contrapontos masculinos tão talentosos. E, claro, Wagner Moura ser ignorado na categoria de ator principal não foi nenhuma surpresa… mas o sentimento de que alguma coisa esteve errado foi grande, visto que o ator esteve indefectível em Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro –mas nesse caso, nem vamos falar muito, ele não tinha a mínima chance porque ninguém lá de fora viu o filme…

Não Me Abandone Jamais não ser mencionado em NENHUMA categoria (nem mesmo a de trilha sonora e roteiro adaptado!) foi chocante.

Bom, depois de tanta bola fora antes mesmo da cerimônia acontecer, vamos ver logo mais à noite se eles vão ser, pelo menos, justos com os que foram indicados. ;]

Os Pôsteres Não Mentem

Quantas vezes você já não foi ludibriado por um pôster de cinema do caralho que propagava um filme meia boca? Às vezes a obra em questão nem é ruim, mas eles vendem uma outra ideia que não tem nada a ver com as histórias. É ou não é?
Pensando nisso, o site The Shiznit confeccionou cartazes bem divertidos sobre os 10 filmes indicados ao Oscar. Se liga só:

127 Horas (127 Hours)
“Você terá que esperar 85 minutos para a cena em que ele corta seu próprio braço.” Continue lendo →

Inception

De Christopher Nolan, diretor do ótimo The Dark Knight, Inception chegou ontem às salas de cinema do Brasil com muito menos glamour que seu irmão morcego. Um título misterioso – A Origem –, um pôster nada extravagante e um dos trailers mais instigantes do sec. XXI: essa foi a composição para a estreia do que pode vir a ser – e, por que não, já é – o melhor filme de ação/sci-fi norte-americano desse século.

Imagem de Amostra do You Tube

Só a lista do elenco já é um motivo mais do que suficiente para ir até a telona: Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe, Cillian Murphy… O enredo, no mínimo, desperta curiosidade. Quer dizer, é sobre um mundo – o nosso mundo, aliás – onde a tecnologia é usada para invadir sonhos alheios e roubar segredos. Se isso não for o suficiente, bom, Inception tem, simplesmente, algumas das cenas mais incríveis que a tecnologia de set pode nos proporcionar – isso porque o diretor quase não usou efeitos digitais. A cena da batalha com gravidade zero foi produzida em um cenário giratório.

A história é longa para os padrões atuais, mas prende o espectador a cada segundo, sem ser chata ou repetitiva. As peças do suspense bem construído, inicialmente com muitas questões confusas, vão se encaixando ao longo do filme, sem deixar brechas nem falhas. Às vezes a informação cai na tela meio mastigada demais – um close-up desnecessário ou um personagem formulando respostas em voz alta – mas esses detalhes não conseguem prejudicar o ótimo andamento do filme.

DiCaprio não está tão piegas como é o comum, a Ellen Page é uma Linda e Miss. Piaf está FA-BU-LO-SA. Aliás, as referências e os trocadilhos de Nolan discretamente inseridos entre um plano e outro chegam a criar mais um suspense para o espectador, um mistério minimalista da mente do diretor a ser desvendado pela plateia mais atenta; ou ninguém sentiu que já conhecia a música usada como sedativo? As “inspirações” de Nolan estão todas ali, nos cenários, nos personagens: M.C. Escher, os irmãos Wachowski… Por que vocês sabem, meus lindos, no cinema é como na física: nada se cria, tudo se copia. Hehe.

Além da ótima história, de todas as cenas incríveis, dos atores espetaculares e de uma direção de mestre, Inception ainda conta com uma trilha musical de Hans Zimmer, vestindo a cascata de imagens com o som perfeito. Christopher Nolan não fez somente uma obra-prima: com Inception, provou que, quando Hollywood quer, sabe fazer um grande filme – em todos os sentidos.


E, se alguém tiver interesse, agora eu tenho uma nova cena preferida. Quem deixar um comentário adivinhando qual é ganha um doce.

Inception, Christopher Nolan, 2010

A Origem. Com: Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ken Watanabe, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt e Cillian Murphy.  

 

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