MIOLÃO • Adaptação - Part 2
 

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3 Momentos: Alice Braga

Ela fez sua estreia em um dos filmes que frequentemente aparece em listas dos melhores de todos os tempos. Em seu segundo trabalho, arrebatou prêmios e conquistou a crítica especializada. No ano de 2008 foi vista no cinema por mais de 2 milhões de pessoas na oitava maior bilheteria daquele ano. Nessa época, foi fotografada por Annie Leibovitz para a capa da Vanity Fair, aparecendo ao lado de Ellen Page, Amy Adams e Zoe Saldana como uma promessa de Hollywood. Ela já trabalhou com gente do naipe de David Mamet, Harrison Ford, Diego Luna, Fernando Meirelles, Anthony Hopkins, Julianne Moore e Jude Law.

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Trilha de Cinema: Jaan Pehechaan Ho, Mohammad Rafi

“Ghost World” é um dos longas sobre a transição da juventude para a vida adulta mais legais já feitos – e, hoje, dez anos depois de seu lançamento e ainda pouco conhecido pelo grande público, assumiu um status de cult contemporâneo. Adaptação dos quadrinhos homônimos de Daniel Clowes, é daquelas surpresas que, quando vemos pela primeira vez, pensamos, “caramba, como nunca tinha visto esse filme antes?”

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Nowhere Boy

Tem alguns projetos que despertam desconfiança logo que são anunciados. Na maioria das vezes, isso acontece quando os envolvidos não possuem um histórico cinematográfico muito favorável ou quando a obra é adaptada de algo muito cultuado. É o caso de Nowhere Boy. Embora ele tenha se livrado do primeiro estigma por trazer em seu elenco a sempre maravilhosa Kristin Scott-Thomas, o promissor Aaron Johnson e uma paradoxal e complexa Anne-Marie Duff, a apreensão em relação ao filme continua por ele ter o pretencioso objetivo de retratar a juventude de uma lenda.

Mas… o que seria da arte se ela temesse os desafios? Certamente ela seria muito menos interessante e nos pouparia de belíssimas produções como essa.

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Harry Potter and The Deathly Hallows Pt. 1

Desmiolados, antes de falar de Harry Potter, vou fazer uma pequena introdução sobre minha relação com o personagem e seu universo – prometo que vai ser breve. ;]

Comecei a ler Harry Potter aos 10 anos de idade, logo quando o livro foi lançado em sua edição nacional. Pirei pelo universo criado por J.K. Rowling, e posso dizer que, se me apaixonei definitivamente por livros, a obra da inglesa tem parte importante nesse processo. Meu amor pela série teve seu ápice nos primeiros anos: lia todos os volumes de forma quase religiosa. Chorava com passagens do livro, sentia arrepios na nuca em momentos cruciais. Era como se os personagens fossem amigos de verdade – cafona dizer isso, mas ainda verdadeiro, e no auge dos meus doze anos, era bem assim que me sentia.

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Scott Pilgrim Vs. The World

Não acompanhei a empolgação inicial ao redor de “Scott Pilgrim Contra o Mundo”; na verdade, o filme só me chamou a atenção quando o seu terceiro trailer oficial (e o primeiro que vi) foi disponibilizado na rede. Ao som de Invaders Must Die, do Prodigy, ele mostrava o nerd mor Michael Cera em meio a lutas mirabolantes, efeitos coloridíssimos que remetiam ao universo dos video-games 8bits e uma edição frenética: “épico”, como poderia ser definido no vocabulário de alguns personagens do filme. Foi difícil ficar imune.

Se o filme tivesse essa mesma energia, seria sensacional. Essa semana, eu pude conferir e ver se as duas horas do longa faziam jus aos dois minutos que me impressionaram tanto.

Assistir “Scott Pilgrim Contra o Mundo”, que estreou em nosso país depois de diversos adiamentos e, lamentavelmente, numa quantidade de salas limitadíssimas, é uma viagem que só pode ser encarada com desprendimento, para que a diversão seja maior. Esqueça as formalidades de alguns filmes de Hollywood, existentes tanto no conteúdo quanto na forma de contar uma história: a produção, baseada nos quadrinhos de Bryan Lee O’Malley, parece ter sido feita com toda a liberdade possível e inova nos recursos narrativos, unindo a linguagem cinematográfica, de quadrinhos e do mundo dos games de forma muito revigorante e original.

A trama (com ressalvas, bem semelhante a HQ) retrata os conflitos do personagem título, um jovem de vinte e dois anos, integrante de uma banda, que se vê às voltas com os problemas típicos de pessoas de sua idade: crises de auto-estima, a instabilidade do estilo de vida que leva e, claro, relacionamentos amorosos imprevisíveis, o aspecto que, no final das contas, motiva toda a trama. O rapaz se apaixona por Ramona Flowers, uma bela moça que muda a cor de seu cabelo toda semana e seus pensamentos num espaço de tempo ainda menor.

Antes de arriscar um relacionamento com Pilgrim, ela procurou o amor em outros lugares, e o passado corre atrás do casal de forma inusitada: para ficar com a garota, Scott terá que combater seus sete ex-namorados, dotados de personalidades e atributos diferentes, que transformarão a rotina do garoto numa disputa ferrenha pelo coração de sua musa juvenil.

“Scott Pilgrim” é um admirável trabalho de equipe. Tudo é tão bacana que não dá pra colocar os méritos só nas mãos do diretor Edgar Wright, um entusiasta da obra original, ou do roteirista Michael Bacall, que encheu a película de sacadas que nos fazem manter um sorrisinho no rosto o tempo todo:  a edição velocíssima (que pode confundir os mais desacostumado)s, os efeitos visuais e a trilha sonora original constante (essa, com faixas assinadas pelo cantor Beck) enchem os olhos e ouvidos, e tudo reunido cria uma pontinha de vontade de que todas aquelas cores, vozes em off e sons de chipmusic fossem realmente palpáveis em nosso cotidiano.

Se você alguma vez já gostou tanto de uma obra de ficção que desejou poder viver um pouco daquele mundo na realidade – tenha ele surgido de um livro, um game, um quadrinho, filme ou o que for – também irá adorar “Scott Pilgrim”. Essa vontade quase infantil é levada às últimas conseqüências na película, através da ótica do delicioso anti-herói, cujo maior encanto é o fato de parecer um garoto que poderia mora ao lado de nossa casa, ou daqueles com quem cruzamos todos os dias e nem sempre reparamos. Michael Cera foi a escolha perfeita para viver o desajeitado porém charmoso personagem, e todo o restante do elenco cativa, destacando a fofa Ellen Wong (Knives), Kieran Culkin (deliciosamente sarcástico na pele do Wallace, melhor amigo gay de Pilgrim) e Mary Elizabeth Winstead, que certamente virará musa de outros filmes depois de sua Ramona.  Vale citar ainda as participações menores, mas notáveis de nomes como Alison Pill, Jason Schartzman, Anna Kendrick e Chris Evans, que dão o brilho necessário aos seus personagens.

A fantasia de encarnar o protagonista de um jogo de ação pode soar um pouco infantil, mas a película em questão, longe de ser boba, agrada também o público mais velho por evocar uma dose de nostalgia: apesar de esperto e contemporâneo (como se não pudesse ter sido lançada há mais de 5 anos), “Scott Pilgrim” é permeado por um tom de diversão inocente, que em muito lembra as referências que o pessoal dos anos 80 e 90 absorvia culturalmente. A produção é cheia de homenagens à cultura pop e referências que tornam a tarefa de assisti-la ainda mais prazerosa.

O filme corresponde ao entusiasmo gerado ao seu redor, e é cedo demais para dizer se ela se tornará clássico ou referência em algum quesito para os anos seguintes. Fato é que pode não ser uma revolução, mas é sem dúvidas inovador e o mais importante, um dos filmes mais divertidos do ano. A vontade que dá quanto terminamos de vê-lo é poder ter um joystick na mão para apertar “continue”.

Scott Pilgrim Vs. The World. Edgar Wright, 2010.
Scott Pilgrim Contra o Mundo. Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Alison Pill, Ellen Wong, Chris Evans, Jason Schartzman, Anna Kendrick.

Eat Pray Love

Vou confessar: “Comer Rezar Amar” é um dos meus grandes guilty pleasures. Sabe quando você gosta de algo, nem sempre admite por causa de algum de seus aspectos, mas se entrega à suas delícias mesmo assim?

Pois é: peguei o livro pra ler há tempos e embora não tenha terminado porque dei prioridade à outros, adorei o pouco que li. É um tipo de literatura agradável, confessional e envolvente, embora repleta de clichês meio “auto ajuda” e passagens melosas.  Não demorou pra que tivessem a idéia de adaptar a obra, um sucesso gigantesco do mercado editorial recente, para os cinemas: aqui no Brasil, ele estreou na última sexta-feira, mais de um mês após seu lançamento no exterior.

Pra quem não conhece a trama, um resuminho: trata-se da história real de Elizabeth Gilbert, jornalista/escritora insatisfeita com seu casamento que decide terminar tudo e, após o cansativo processo de separação, viaja para diferentes locais em busca de novos sentidos e rumos para a vida. Em sua jornada, ela se entrega aos prazeres gastronômicos da Itália, busca restaurar a sua fé na Índia e procura respostas para o crescimento interior em Bali, onde ainda arranja tempo para uns pretendentes…

Ok, é o tipo de “jornada pessoal” com todos os elementos que Hollywood adora, mais manjados do que cantar “Olhos Coloridos” da Sandra de Sá em eliminatória do “Ídolos”. Fiquei com um pé atrás nos 10 primeiros minutos de exibição, com receio de que houvessem emprestado um tom ainda maior de “chororô” para a história na tela grande. Esse medo, porém, se dissipou dez minutos após o inicio da projeção: é o suficiente pra você perceber que nas próximas duas horas, assistirá um filme que transita de forma leve (e previsível) pelas passagens descritas na sinopse. Deixei a desconfiança pra lá e me entreguei (de novo!) ao guilty pleasure.

Dirigido por Ryan Murphy (o cara por trás de Glee), “Eat Pray Love” é uma “dramédia” romântica competente, com um ótimo ritmo (apesar de perder o fôlego próximo do final) e que apela para o emocional de forma menos descarada do que eu imaginei que faria. Consegue equilibrar doses de humor charmoso com aquelas cenas onde são apresentadas situações que nos fazem questionar o que faríamos no lugar de Liz. Pode ser que na vida real os acontecimentos na vida de Gilbert não tenham rolado, convenhamos, de forma tão empolgante quanto vista aqui, mas a gente abstrai e, assistindo o filme, torce para que as coisas finalmente se tornem mais claras na cabeça da moça.

É também um pouco moralista em certos aspectos, mas analisar as mensagens pregadas por ele se torna uma tarefa dificil, considerando que na vida, cada um deve procurar aquilo que lhe traz satisfação da forma que achar melhor. Vish, isso pareceu muito “auto ajuda”? Vou tentar explicar melhor: você pode concordar com o que é mostrado na tela ou não, mas é fato que nada contido no filme pode ser considerado como “a resposta definitiva para todos os problemas que existem”. “Comer Rezar Amar” pode ser tratado como sendo até “inspirador”, mas acreditar que ele irá mudar sua vida – como alguns fãs, inclusive ilustres, tem dito sobre a obra original – penso, é forçar demais.

Outros pontos que merecem destaque são as suas lindíssimas e vivas locações, a bela fotografia e o elenco, onde cada um cumpre bem seu papel. Tenho um certo “travamento” com a Julia Roberts: era super seu fã antigamente, até perceber que ela sempre me deixa querendo algo mais. Manda bem, mas por vezes parece distante, didática demais em cena, tipo “vou fazer direitinho, mas sem grande envolvimento”. Javier Bardem é uma presença agradável: carismático, rouba a cena como o affair brasileiro de Elizabeth. Outro que merece destaque é Richard Jenkins, interpretando o sarcástico Richard que cruza o caminho da personagem com um segredo pessoal sombrio e buscando redenção. A ótima Viola Davis não teve chance de mostrar o quanto é boa, presa num papel que não lhe oferecia muitas possibilidades.

Aproveite que é domingo, renda-se a um “guilty pleasure” de fim de semana e assista “Comer Rezar Amar”, sem grandes pretensões. Tenha em mente o que irá encontrar na telona e você terá, no mínimo, alguns bons momentos de diversão. :)

ps. Antes de assistí-lo, almoce/jante bem. Senão vai “sofrer” muito com as cenas da Itália. Ok, é tudo tão tentador que você pode sofrer mesmo bem alimentado.

ps2: Diretores, produtores, amigos… música brasileira não é só “Samba da Benção”, ok? E ninguém aqui considera super comum ficar beijando os pais na boca. (!)

Eat Pray Love, Ryan Murphy, 2010.
Comer Rezar Amar. Com Julia Roberts, Javier Bardem, Viola Davis, James Franco, Richard Jenkins.

A Solidão dos Números Primos, Paolo Giordano

O primeiro livro de Paolo Giordano é uma obra diferente, a começar pelo próprio escritor: italiano, 25 anos, doutorando em física, estreia no meio literário com esse romance extremamente incomum. Já na contracapa nos é dada uma pequena informação matemática, com um toque de poesia: “(…) entre os números primos existem alguns ainda mais especiais. Os matemáticos os chamam de primos gêmeos: são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase vizinhos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente.” E é assim, de um jeito nada convencional, que somos apresentados aos protagonsitas da história.

Alice e Mattia são dois jovens diferentes, até, de certo modo, anormais. Dividido em partes, o livro nos conta vida desses dois jovens, revelando aos poucos seus segredos, desejos, medos e frustrações. A premissa pode soar dramática demais: Mattia tem uma irmã gêmea que sofre com problemas psicológicos e da qual sente vergonha. Alice é pressionada pelo pai para ser uma grande atleta, custe o que custar.  E então, ao decorrer dos capítulos, entramos lentamente na infância desses personagens e assistimos de uma distância incômoda sua vida encaminhando-se para situações irreversíveis. Ao mesmo tempo que estamos perto o bastante para sentir os temores e anseios deles, estamos longe demais para interferir na história. E é assim que, logo nas primeiras 20 páginas, somos cativados por Alice e Mattia de um jeito tão intenso que sentimos simpatia, carinho, medo e nojo por esses personagens, tudo ao mesmo tempo.

Se o temor de que a história caia para o lado do drama apelativo existe, ele é logo dissipado. Giordano conduz a vida e os sentimentos dos personagens por uma linha frágil e ao mesmo tempo cheia de vida que consegue abordar temas difíceis com um olhar que de tão franco chega a ser desumano. Passamos por temas como homossexualidade, bullying, violência, anorexia, impossibilidade de comunicação e, principalmente, a falta de compreensão entre filhos e pais. Tudo isso sem jamais ser piegas ou moralista.

Conforme o livro cresce, os personagens crescem juntos. Acompanhamos sua adolescência e sua vida adulta em um mergulho cada vez mais profundo, decifrando cada pedaço deles e, de um jeito espantoso, nos identificando pelo menos um pouquinho com seus sentimentos e atitudes. Encontramos outros personagens no meio do caminho. Todos eles muito sinceros e bem construídos, por mais coadjuvantes que possam parecer. Nenhuma história é sem importância.

“A Solidão dos Números Primos”, embora fácil de ler, é difícil de digerir. É um soco no estômago com aquela força que só as palavras intercaladas por vírgulas conseguem carregar. Alice e Mattia são intensos, são difíceis e problemáticos, inseridos em uma sociedade que, como a nossa, não tem tempo de compreender pessoas diferentes. São, contudo, tão universais como cada um de nós e – mesmo que no início seja difícil de admitir – acabamos por sentir uma empatia enlouquecedora com essas duas personalidades. A história, de algum modo, flui além das páginas e quanto mais queremos ficar longe desses dois jovens, mais próximos ficamos. Ficamos tão próximos que quase nos tocamos.

Então, como se já tivéssemos sido avisados no princípio, sempre haverá um número par. Não é somente Alice e Mattia que são primos gêmeos. Nós, leitores, também somos. E por essa sensação “La Solitudine dei Numeri Primi” vale a pena ser lida.

E MIOLÃO informa: os direitos autorais já foram comprados e em breve sairá nos cinemas a adaptação dirigida pelo também italiano Saverio Costanzo.

A SOLIDÃO DOS NÚMEROS PRIMOS

Autor: Giordano, Paolo.
Tradutor: Y. A. Figueiredo.
Editora: Rocco.
Ano de lançamento: 2009

 

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