MIOLÃO • Alanis Morissette - Part 2
 

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Miolão Mixtape n.17

A nossa décima sétima mixtape chama Música de Amor. E eu não sei falar de amor. Só que hoje isso não é importante porque as músicas da nossa nova mixtape falam por si.

De alguma maneira elas tentam contar, cada qual a seu jeito, como é se sentir apaixonado. Algumas delas explicam, outras delas prometem, outras delas dizem o quanto querem bem ao outro. É isso aí.

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Cover: Over The Rainbow, Tori Amos

“Over The Rainbow” é uma canção clássica e atemporal, que ninguém jamais esqueceu. Escrita por E.Y. Harbug e interpretada originalmente por Judy Garland no ótimo filme “O Mágico de Oz”, (adaptação cinematográfica da história criada por L. Frank Baum) possui um otimismo comovente e puro que parece tocar até a mais dura das pessoas. A faixa funciona como a expressão perfeita das ambições de Dorothy, protagonista do longa – uma garotinha texana com sonhos de conhecer mais do que a vida simples que leva e viajar para terras distantes.

Interpretá-la não é pra qualquer um. Versões suas são feitas aos montes, mas poucas marcam de verdade. Tori Amos foi uma daquelas que conseguiram criar um cover de valor da mesma.

A cantora, uma das artistas femininas que marcaram a música confessional da década de 90, tornou-se conhecida por sua forma fresca e sincera de narrar episódios cotidianos, na mesma linha de Alanis Morissette e Fiona Apple. “Over The Rainbow” foi interpretada pela moça mais de uma vez ao vivo, e ela, como vemos no vídeo, parece extremamente familiarizada com a faixa. Para demonstrar sua grandeza, Tori não precisa de mais que sua voz um piano. Nesse clima intimista, ela evoca toda a magia contida na canção imortal. Antes, conta pequenas memórias da convivência com sua mãe, que contribuem ainda mais para o clima emocionante da apresentação. Veja:

Katy Perry – Teenage Dream

Existem discos que são lançados com um prazo de validade invisível estampado. Álbuns de fácil digestão, que emplacarão alguns hits nos meses que seguem seu lançamento, gravados por artistas algumas vezes realmente talentosos e outras vezes não. Depois de nos entreterem por um período de tempo, esses trabalhos são esquecidos, datados, limitados a uma única temporada – bem como seus donos, em certos casos.

Katy Perry, bem antes de estourar com o hit “I Kissed a Girl”, já percorria os caminhos da indústria fonográfica de forma discreta. Antes conhecida pela alcunha de Katy Hudson, a mocinha já havia gravado um disco de canções gospel e liberado uma ou outra musica aqui ou ali, como aquela que me fez conhecê-la, a adorável “Simple”, inserida na trilha sonora do subestimado “Quatro Amigas e Um Jeans Viajante”. Um bom tempo depois, lançou “One of The Boys”, produzido por nomes diversos, como Dr. Luke (Britney Spears, Ke$ha) e Glen Ballard (Alanis Morissette, Lissie) virando rainha das FMs e até um MTV Unplugged.

Foi lançado essa semana (depois de ter vazado na net, por sinal)  “Teenage Dream”, o sucessor de seu “debut em larga escala”, que, como todo segundo disco de inéditas que se preze, prova algumas coisas na carreira de um artista. Katy encontra-se naquele nicho de artistas do primeiro parágrafo, cujo trabalho é consumido facilmente. Espirituosa e esperta, ela arrisca em certos momentos, criando, além de animados convites à festas e momentos de descontração, algumas pequenas canções confessionais e mais íntimas onde mostra estar acima de algumas concorrentes. O novo compacto prova que Katy equilibra bem seu lado comercial e o outro, mais livre, inclinado a criações mais pessoais. Mas ainda falta alguma coisa.

A primeira metade do álbum é cheia de sucessos em potencial – músicas com gigantesco potencial para tornarem-se singles e serem executadas à exaustão: os dois singles lançados até o momento, por exemplo, estão entre as seis faixas iniciais. “California Gurls”, parceria com Snoop Dogg, já está tocando na rádio há um bom tempo e batendo recordes nas paradas de diversos países. Tido por alguns como uma cópia de “Tik Tok”, da sua colega Ke$ha, é uma homenagem às garotas da Califórnia, terra natal da cantora. Com o mesmo espírito celebrativo da faixa com a qual é comparada, é outro grande hit do ano: Katy personifica as características das moças de sua terra transitando entre a malícia e a ingenuidade.

“Teenage Dream”, a segunda música de trabalho, já está mostrando presença: mais doce do que açúcar, tem tudo o que precisa para tornar-se a canção romântica (e saturada) da temporada. É realmente uma graça, mas que surge somente grudenta e não inovadora. Ganhou um clipe utópico, que reforça a idéia de amor perfeito que a letra passa. Katy aparece nos braços do modelo Josh Kloss na praia, na cama, na estrada e em todo lugar, divertindo-se como se não houvesse amanhã ao seu lado e junto de diversas outras pessoas, num ar de bagunça controlada. Todos lindos, afim de uma agitação e com cara de que não peidam. Veja abaixo:

“Last Friday Night” é daquelas músicas que tem o poder de te trazer sorrisos legítimos quando você escuta. O retrato de uma sexta-feira incerta que ficou marcada na memória da cantora é perfeito para ser ouvido antes de uma noite que promete, típica canção para esvaziar a cabeça e sentir com o corpo, de preferência em grupo e com liberdade pra dançar. É como uma “I Gotta Feeling”, não por semelhança, mas pelas sensações que te desperta. Destaque para instrumentos de sopro frenéticos que surgem de surpresa e os histéricos gritinhos de “T.G.I.F” – em inglês, “Thanks God It’s Friday!”. Irresistível.

“Firework” é apoteótica e esperançosa. Apesar de clichê – com direito a frases batidas como “After a hurricane comes a rainbow”, consegue soar sincera e eficaz em sua missão de elevar o astral do ouvinte. Já tá valendo. “Peacock” é uma faixa nada sutil sobre a vontade de Perry em ver o…er, “pavão” (!) do rapaz por quem está afim. É o momento debochado do álbum, que a gente também não vai levar muito à sério. Lembra muito a clássica “Mickey”, de Toni Basil, hino farofa e com ares “cheerleader” dos anos 80.

A partir daí, Katy arrisca reflexões sobre sua própria condição, experiências passadas e aspectos da vida amorosa de modo mais particular. “Circle The Drain” é ácida ao tratar de um relacionamento onde um dos parceiros tem tendências evidentes à auto-destruição: “I’m not sticking around to watch you go down”, canta, categorica. “The One That Got Away” remete à algum capítulo de sua adolescência, algum ponto onde não retribuiu os sentimentos de um rapaz – o seu Johnny Cash particular – e se arrependeu amargamente depois. Parece tão à vontade contando as peculiaridades da relação, permeada por canções do Radiohead que você se sente familiarizado com a história mesmo sem nunca ter ouvido antes. Cativante.

“E.T.” narra a paixão da moça por um homem que parece um alienígena (não fisicamente, tomara!) e faz com que ela sinta coisas que nunca havia vivenciado antes. O conflito presente na letra (could you be the devil/could you be an angel?) não apresenta nada novo, mas a música é envolvente e tem sua força.  A dramática “What Am I Living For?”,  que traz vocais rasgados e um questionamento intenso sobre pressões e cargas difíceis de serem suportadas.

“Pearl” e “Hummingbird Heartbeat” formam um interessante contraponto: numa, Katy repele um parceiro que a fez fechar-se em seu próprio mundo, enquanto na segunda, ela fala sobre um amante que expande sua percepção sobre si própria, energias do amor (?) e sobre a química existente entre os dois. Sobra para a simples e bela “Not Like The Movies” fechar a tracklist – uma música sobre a eterna busca por uma relação amorosa satisfatória, que parece nunca surgir. É uma das melhores faixas do disco e merece ser saboreada com atenção.

“Teenage Dream” fortalece ainda mais o nome de Katy Perry nos charts, mas não representa nenhuma nova tentativa em sua carreira. Apesar disso, ela consegue imprimir sua estampa ao que lança. Nada essencial ou com potencial pra durar muito mais tempo do que uma estação, porém. Não que seja um problema: o disco pode ser efêmero como um sonho adolescente ou derreter tão rápido quanto algodão doce na boca, mas quem disse que isso não é, de vez em quando bom?

Cover: Blowin In The Wind, Alanis Morissette

“Blowin In The Wind”, lançada por Bob Dylan em 1963, é um hino na história da humanidade: a música, que mais parece um texto literário musicado de tão bela, surgiu numa década repleta de conflitos como uma reflexão sincera e poética de um artista que, ainda jovem, mostrava uma absurda maturidade ao falar sobre necessárias atitudes de paz que o homem prefere ignorar por pura intolerância.

Alanis Morissette – a nova mamãe do mundo da música – interpreta o cover de hoje. Com sua voz poderosa e habilidade com a gaita, a canadense consegue fazer uma singela homenagem ao clássico atemporal citado. Fã declarada de Dylan, cantou a faixa num evento que prestava tributo a ele, o UK Music Hall of Fame 2005. Veja:

Liz Phair – Funstyle

Antes de introduzir o disco da semana, farei um pequeno resumo sobre a artista em questão. Analisar os caminhos que Liz Phair escolhe para sua carreira é algo bastante curioso. A cantora, que surgiu nos anos 90 como um dos grandes nomes do rock confessional feminino, lançou um dos discos independentes de maior peso na década citada, o ótimo “Exile In Guyville” e construiu um repertório autoral digno de colocá-la ao lado das grandes artistas da música surgidas no mesmo contexto, como Alanis Morissette ou PJ Harvey. Relacionamentos amorosos, frustrações de seu cotidiano, experiências sexuais, questões pessoais, eram alguns dos temas abordados pela moça, que o fazia de forma bem humorada, criativa e pungente. Colhia elogios a cada novo lançamento.

Nos anos 2000, tornou-se, digamos, mais “flexível” com as músicas que compunha: depois de um período afastada dos estúdios, retornou em 2003 com um disco homônimo muito divertido, mas composto por canções mais pop e acessíveis do que jamais havia gravado, sendo esmagada por público e crítica, que decepcionou-se com aquilo que Liz oferecia. O sucesso “Why Can’t I?”, que estourou na trilha do filme “De Repente 30” é dessa época. Na sequência, o morno “Somebody’s Miracle” foi ainda menos bem recebido e Liz, dispensada pelo selo “Capitol”, que lançava seus discos, vive agora num quase ostracismo, reconhecida somente por seus CDs mais antigos e com atenção quase nula direcionada aos lançamentos.

Entender esse pequeno processo é importante para compreender um pouco sobre “Funstyle”, seu novo trabalho que está na praça. Geralmente, quem tem pouco a perder tem duas alternativas: arriscar menos, com medo de chegar num nível ainda mais baixo, ou arriscar ainda mais, pois sabe que não pode ficar muito pior do que está. Em seu site oficial Liz Phair comenta sobre o lançamento – tão inesperado que nenhum fã imaginava que já havia um disco novo na praça: “você não deveria ouvir essas canções. Elas me fizeram perder meu empresário, meu contrato e várias noites de sono”. Diz ainda que elas não podem ser encaradas como mais do que louca jornada pessoal; decididamente, a moça resolveu “ligar o foda-se”: e essa atitude não podia ter sido mais surpreendente.

Em onze novas faixas, Liz não poupa ninguém: satiriza a industria fonográfica, ela própria, brinca com sua voz de forma nunca antes ouvida, arrisca sonoridades diferentes daquelas que já havia experimentado. Consegue criar uma ou outra canção “séria” consistente, que pode não ser uma obra prima super original, mas merece ser ouvida, sem ser previamente massacradas pelo gosto público como aconteceu com seus lançamentos anteriores. Tudo soa, porém, tão despretensioso que a gente não questiona que a cantora esteja fazendo exatamente aquilo que deseja.

O disco abre com a breve canção introdutória “Smoke”, onde Liz dialoga com a voz de sua consciência, pronta para dizer à artista que seu disco não será lançado e que ela está prestes a “cometer suicídio” na carreira, com um segurança intransigente e um executivo oco que mais parece um cão ganindo. É difícil não rir. “Bollywood”, primeiro single, mantém o mesmo tom da faixa anterior. Numa espécie de rap indiano, Phair fala sobre propostas de emprego frustradas, péssimos salários, o peso da idade chegando e a dificuldade para arranjar boas oportunidades no meio artístico – tudo isso numa base contagiante e frenética. É uma pequena loucura, e dá vontade de ouvir de novo quando chega ao fim.

“You Should Know Me” e “Miss September” colocam seus pés no chão novamente, com Liz assumindo um tom mais contido. Ambas são canções de amor básicas, comuns e sem grandes atrativos: a primeira sobre procurar saídas para melhorar um relacionamento a dois e a segunda, cheia de pensamentos sobre arranjar forças para sustentar um relacionamento onde os fatores externos só atrapalham. Clichês na abordagem, mas ainda assim boas.

“My, My” em que clama ser uma menina malvada, é sexy, com ares de “road music”. Nessa e em “Oh, Bangladesh”, soa como Sheryl Crow, de mãos dadas com seu lado pop blues.  “Bang! Bang!” é um experimento bem vindo, com toques eletrônicos, ecos e um tom meio sufocante. “Beat Is Up” é outra faixa onde a moça libera seus bom humor e parece mais solta do que nunca. A canção traz trechos do discurso de um suposto “guru”, dizendo que as pessoas devem agir positivamente e outros diversos conselhos para uma suposta vida melhor: em contraponto, Liz encarna diversas personagens que possuem pontos de vista peculiares sobre diversas questões da vida, nem sempre politicamente corretas.

“And He Slayed Her” sugere lembranças da vida da artista: ela relembra tempos onde todos em sua cidade a classificavam de alguma forma e de como expurgou suas mágoas através da música. É um bom momento, sincero e onde a banda de apoio se faz notar. “Satisfied” é aquela que mais possui vocação pra hit e de mais fácil digestão. Antes de terminar “Funstyle”, Liz permite-se brincar um pouco mais: debochando, diz em “U Hate It” que é uma “gênia”, mostrando grande empolgação com o resultado final que seus fãs irão ouvir – a faixa é até interrompida por um falso discurso seu, como se estivesse ganhando um prêmio de música pelo seu novo disco. Enquanto isso, vozes no fundo (inclusive um coro puxado por ela própria) dizem o quanto ele “fede” e é detestável. O resultado é cômico!

Liz Phair entregou um álbum pessoal, mas diferente do que poderíamos esperar dessa categoria. Ele possui uma grande dose de desprendimento, que só agrega à tal “jornada sonora” da loira, onde compartilha suas dores e delícias com o público. Está longe de ser o melhor disco de sua discografia, mas é um dos mais corajosos; a ousadia demonstrada por Phair ao satirizar impiedosamente seu próprio universo é coisa rara, e surpreende num momento em que muitos dizem que sua “bagagem” criativa está gasta.

Prova que o limite, nesse caso, é sempre um pouco maior, e mesmo em tempos de pouco reconhecimento, sempre vale prestar atenção no que ela tem a dizer.

ps. Mas Liz… print screens não rendem boas capas de discos, ok?

Parabéns, Alanis!

Hoje, 1º de junho, é aniversário de uma das mais importantes artistas que saíram da frutífera cena musical da década de 90: ainda hoje, a moça aí da foto é tida como uma das cantoras mais genuínas em atividade. Sincera, low-profile e talentosa, Alanis Morissette conquistou o mundo nesse período, expondo pensamentos sobre sua vida, cotidiano, a condição humana, e arrebatando uma legião de fãs que encontraram nela mais do que apenas um novo ícone da música confessional, mas também profunda identificação.

Desde 1995, com seu debut “oficial” – o premiado e sensacional Jagged Little Pill – Alanis oferece ao público verdadeiras pérolas da música, com seu talento mais do que comprovado estampado em cada uma delas. Durante todos esses anos, a cantora esteve no olho do furacão e no recolhimento quase total: hoje, sem tantas fanfarras, continua produzindo seus trabalhos chamando atenção moderada da mídia, mas com a notável consistência de sempre.

Para nós, seguidores que acompanham sua trajetória desde o começo – ou que a conheceram depois de um certo tempo – sua importância é gigantesca. Sua ferocidade, sua ternura, sua voz e composições arrepiantes, seus recentes cortes de cabelo horrendos e seus bunda-lelês, seu bom humor… Alanis tem estado conosco dizendo palavras que nem sempre sabemos expressar, representando nossas inquietações e questionamentos e nos incentivando a colocá-las pra fora.

Na ocasião, tentei fugir de um tributo que parecesse muito – ou mesmo só um pouco – piegas. Mas sabe como é: difícil agir assim quando a admiração é grande. :)

Parabéns, Alanis!

Lissie canta Bad Romance

Primeiro foi o Alphabeat fazendo um puta cover, aí tivemos Cláudia Leitte nos matando de vergonha, depois teve Hayley Williams , vocalista do Paramore, torturando-nos com a introdução da música e quaaaase acertando no final… agora temos Lissie matando a pau e apresentando simplesmente o melhor cover de Bad Romance:

A garota loira que começou a tocar depois de ser expulsa do colégio se apropria da canção de GaGa de tal forma que por um breve momento a gente até esquece da irresistível embalagem pop de GaGa.

Se você gostou, vale a pena conhecer o trabalho de Lissie. Até agora ela possui apenas 2 EPs e uma porção de faixas soltas por aí. A música dela é uma mistura consciente de folk, trip hop, rock e country. Escute abaixo On My Chest, música presente em Lisse, seu primeiro EP, lançado ano passado:

Curtiu? Saiba que Lissie está preparando seu primeiro álbum e a produção será de ninguém menos que Glen Ballard, o responsável por Jagged Little Pill, de Alanis Morissette e Slow Motion Addict, de Carina Round.

Alguém aí duvida que a menina promete?

 

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