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Nostalgia: Mulan

Quando nós do Miolaoteam estávamos decidindo sobre quais temas falariamos na Semana das Crianças, eu lembrei da minha vontade de comentar sobre um desenho animado que marcou minha infância da forma que nenhum outro – ou quase nenhum – conseguiu fazer. Trata-se de Mulan: lançado há doze anos, é uma daquelas produções que estão na minha lista de “posso-ver-mil-vezes-que-não-canso” e que trazem memórias incríveis de quando eu era criança.

Lembro de quando passei na frente de um cinema daqui da cidade, com meus sete ou oito anos, e vi o cartaz de Mulan: já envolvido pela divulgação massiva que a Disney estava fazendo sobre o filme na TV, fiquei empolgadíssimo para que meu pai me levasse ao cinema para assisti-lo. Acabei não vendo em tela grande, mas minha empolgação não diminuiu: comprei o VHS em seu primeiro dia nas lojas e me apaixonei pelo universo daquela jovem chinesa logo nessa ocasião.

O que me atraia naquela época era o que geralmente chama a atenção da maioria das crianças: o carisma dos protagonistas, a separação entre “lado bem x lado mal” que cria o clímax da trama, as situações engraçadinhas, o tom de musical que a história possui. Tudo com a marca do quase sempre impecável selo Walt Disney: Mulan pode ter sido uma das últimas películas 2D realmente relevantes produzidas pelo estúdio.

Com o passar do tempo, porém, o filme adquiriu diversas novas virtudes, conforme minha sensibilidade ia se expandindo. A história da moça comum que decide ir à guerra disfarçada de homem no lugar de seu pai idoso para honrar a família, inspirada num milenar poema chinês de autor desconhecido, intitulado “Ballad of Mulan”, quer dizer muito mais do que diversos outros longas de animação que chegam/chegaram aos cinemas.

O foco da trama reside na busca constante de Mulan por mostrar o seu valor: envolvida por uma sociedade conservadora e costumes antiquados, a moça não quer se casar, é ardilosa, esperta e acredita que sempre pode fazer as coisas de um jeito diferente. Com alguns conflitos internos e familiáres, ela não é uma princesa comum de contos de fadas. Ao longo de sua jornada, Mulan encontra diversas chances para descobrir coisas sobre si mesma, aproximar-se de seus parentes, aprender o significado da palavra companheirismo com seus parceiros de combate, arranjar um pretendente e, de quebra, derrotar um império maligno. (!)

No poema original, a personagem principal acaba morta: já na animação, direcionada ao publico infantil, o final é bem mais feliz. Apesar dos diversos “floreios”, isso não impede que “Mulan” seja um filme mais maduro do que parece e com uma enorme sensibilidade.

Para uma criança, qualquer um pode servir de modelo; não importa se você se refere a uma pessoa de verdade, alguém criado nas mãos de um desenhista, ou talvez na tela de um computador. A história da brava chinesinha foi inspiradora para mim: me fez criar uma enorme empatia pela protagonista, enxergar os personagens de desenhos animados de outra maneira e, talvez, me comover com uma produção desse gênero de forma significativa. E arrisco dizer mais: ela injeta um bem vindo otimismo para pessoas que estão na idade onde as influências que vem daquilo que ouvimos e assistimos são ainda maiores – como eu aos 8 anos – e também para o público mais velho, chegado numa produção inofensiva, mas cheia de vida.

Além das razões pessoais para gostar de Mulan, o título possui méritos técnicos inegáveis: a trilha sonora composta por Jerry Goldsmith é um deles, com uma qualidade semelhante à de outras assinadas pelo cara, incluindo outro clássico Disney, “Pocahontas”.  Sua música tema, “Reflection”, cantada por Christina Aguilera, ainda em começo de carreira (mas talentosa como sempre) é exemplo de canção que derrubou as barreiras do filme e tornou-se um sucesso também nas rádios ao redor do mundo, sendo posteriormente indicada ao Globo de Ouro de “Melhor Canção Original”. Além disso, conte também com cenas vibrantes e com um lindo visual, roteiro fluído e que não se rende aos manejos de desenhos infantis comuns e pronto: você tem em mãos um filme de grandes pretensões… mas que entrega exatamente o que promete.

Esses dias, comprei uma das edições do DVD de Mulan, dando “tchau” ao meu pobre VHS, que não possui quase serventia alguma. Se ele está agora obsoleto, a minha adoração por esse marco da minha infância não pode ser considerado similar: torço pra que essa fábula sobre determinação, manter-se fiel às suas esperanças e “tornar-se flor em meio às adversidades” continue dialogando diretamente com algumas coisas que passam em minha cabeça e fascinando novos públicos.

Nostalgia? Sim, mas não só. ;)

Gake No Ue No Ponyo

Semana passada, falamos aqui neste espaço sobre À Prova de Morte, o penúltimo filme de Tarantino que demorou 3 anos para chegar aos cinemas. Coincidência ou não, a melhor estreia nas telonas dessa semana (e talvez da próxima, já que “oficialmente” o filme entra em cartaz no dia 30/07/2010) também chega as salas do país com um atraso considerável: Ponyo – Uma Amizade Que Veio do Mar, filme do mestre Hayao Miyazaki, foi lançado originalmente em 2008.

Assisti ao filme hoje. E a pergunta que fiz quando recuperei o prumo – porque o filme me deixou desnorteado – foi: por que pouparam as pessoas todo esse tempo de ver essa obra-prima?

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Toy Story 3

Antes de começar a falar qualquer coisa sobre Toy Story 3, quero contar à vocês minha relação com os primeiros filmes e com os personagens.

Eu deveria ter uns 6 ou 7 anos quando o primeiro título foi lançado nos cinemas. E desde aquela época eu adorava ver filmes, principalmente filmes da Disney.

Naquele tempo ir ao cinema era um verdadeiro acontecimento. E para ser bem sincero, com Toy Story isso acabou não acontecendo. Assisti em VHS. Lembro-me bem de ter achado o filme dos brinquedos falantes uma das coisas mais chatas que já tinha visto até então. A sensação que tive durante todo tempo era que o tempo não passava e que o filme não iria terminar nunca. Por fim terminou e eu, como ficou claro aqui, detestei o filme.

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UP

Fazia tempo que um filme de animação não me tocava da forma como “Up” fez quando o assisti pela segunda vez, essa semana. Na primeira, a situação não contribuiu pra que eu prestasse a atenção apropriada ao filme, e, por esse motivo, decidi assisti-lo novamente, com o olhar que uma obra da Pixar – que parece não ter limites quando se trata de bons filmes – merece.

“Up!” conta a história de Carl Fredricksen, um vendedor de balões de 78 anos viúvo que, prestes a perder a casa onde mora para construtores e ir parar em um asilo, resolve partir para longe  daquele bairro… levando sua moradia junto. Sua esposa, que ele conhecera ainda na infância, tinha o sonho de morar ao lado da “Paradise Falls”, catarata existente na América do Sul, e esse é o destino pretendido pelo rabugento senhor, que mesmo após a morte de sua mulher, continua amando-a incondicionalmente e procura honrar sua memória e suas vontades. Devido à uma “falha” no plano, um obstinado escoteiro de oito anos de idade, obcecado pela idéia de “ajudar de qualquer forma” acaba embarcando na viagem junto com o protagonista da história.

Russel, o garotinho, também possui suas próprias ambições: ele procura, das formas mais desajeitadas possíveis ajudar Carl a cumprir seu objetivo, apenas para ganhar uma insígnia de “ajuda aos idosos”, a única que lhe falta. Ele possui a inocência condizente a uma criança, e a vontade de arriscar novas coisas que não condiz com a nostalgia e o jeito sistemático que seu acidental parceiro de viagem possui. Os aspectos mais evidentes de suas personalidades acabam colocando-os em situações impagáveis que fazem nossos rostos doerem de rir.

Nem precisamos dizer que esse embate irá gerar também situações desconfortáveis, mas oferecerá a eles a chance de abrir uma porta para a amizade genuína e talvez para, de certa forma, a “redenção”, caso seus desejos sejam alcançados. Só isso é o suficiente pra entender o mote da trama: as outras situações, personagens e afins vão surgindo e se desenrolando durante uma hora e meia, tempo que parece passar em 10 minutos.

Além da dupla de protagonistas, o filme também conta com coajuvantes de peso, como o cachorro (falante?) Dug, que entra fácil na mesma galeria de personagens animados adoráveis que roubam a cena em que se encontram (como por exemplo a Dory, de “Procurando Nemo”), e Kevin, a espalhafatosa ave que é objeto de cobiça dos vilões do filme.

Dizer que “Up” é mais um filme infantil seria uma injustiça tremenda. O desenho possui nuances que uma criança dificilmente compreenderia plenamente, e é nelas que reside um dos encantos do filme: como dito, ele te faz rir, e muito. Mas te emociona com a mesma força. Cada nova ação, cada nova cena te faz gargalhar, soltar lágrimas espontâneas com um gesto ou uma frase dita pelos personagens. Momentos como a apresentação da vida do casal Carl & Ellie, até a morte da personagem, logo nos primeiros dez minutos, e o momento em que a casa alada faz o seu primeiro vôo entram, fácil, fácil, entre as cenas mais memoráveis dos filmes de animação até hoje – e me arrepiam só de pensar nelas enquanto escrevo esse texto.

De essência bastante simples, “Up” é uma pequena celebração à coragem de mudar e de buscar o que falta em sua vida – mesmo que aos trancos e barrancos, no caso, literalmente!  -, cheia de metáforas delicadas e dona de uma alma autêntica. Tudo é absurdamente vivo e colorido no universo do filme, e não se espante nem um pouco se ele trouxer de volta à você alguma sensação antiga que não era sentida a muito tempo, ou acabar abrindo seus olhos para o brilho existente em coisas pequenas, que nós podemos provar sozinhos ou em companhia de outras pessoas. Você vai torcer por esses incríveis personagens como se eles fossem pessoas reais: de vez em quando, parece mesmo que são. Ao chegar no final da exibição, você pensa – mesmo que por alguns instantes – que as coisas podem funcionar de forma tão mágica quanto num desenho animado.

Up! concorre em cinco categorias no Oscar 2010: “Melhor Filme de Animação”, “Melhor Filme” – feito inusitado para uma película de animação, considerando que um representante da categoria só havia concorrido ao prêmio principal uma vez, em 1991, com “A Bela e a Fera” – “Melhor Edição de Som”, “Melhor Trilha Sonora Original” (incrível e certeira, por sinal) e “Melhor Roteiro Original”. O MIOLAOTEAM está na torcida!

Up, Pete Doctor e Bob Peterson, 2009.

Up – Altas Aventuras. Com vozes de: Edward Asner, Christopher Plummer, Jordan Nagai, Bob Peterson, Delroy Lindo, Jerome Ranft, John Ratzeberger, David Kayer

De volta às origens?

A Princesa e o Sapo

Fazia tempo que a Disney não investia numa animação 2D de tanto porte – aliás, eles haviam anunciado que a última produção desse estilo seria o “Nem que a Vaca Tussa”, de 2004. Pelo jeito voltaram atrás e, de certa forma, “A Princesa e o Sapo”, novo desenho do estúdio que será lançado no Brasil no dia 11 de Dezembro, resgata um pouco da magia das antigas produções clássicas Disney. Baseada num conto de E.D. Baker, a história se passa na Nova Orleans dos anos 20, e pelo trailer,  tem um clima super “jazzy”. A protagonista, Tiana, é uma jovem que mora no lugar e se depara com um príncipe transformado em sapo, aí…

Confira o trailer do filme abaixo:

As titias também vão adorar uma novidade: o sapo Naveen será dublado na versão nacional por Rodrigo Lombardi, galã global que esteve na última novela das oito, “Caminho das Índias”. O filme é idealizado por John Musker e Ron Clements, mesmos criadores de “Aladdin” e “A Pequena Sereia”, e a trilha sonora é assinada por Randy Newman, de Monstros S.A.

“A Princesa e o Sapo” também traz na trilha, como outros filmes do estúdio, uma música cantada por um nome de peso no universo pop atual. No caso, Ne-Yo (de peso?) e a atriz que empresta a voz a personagem principal, Tiana,  Anika Rose (lembra dela? É uma das três Dreamgirls no filme com Beyoncé e Jennifer Hudson.) Veja o clipe da música “Never Knew I Needed” abaixo:

Ah, e por falar em Disney, vale lembrar:

Novos cartazes de "Alice no País das Maravilhas"

Vazaram novos pôsters de “Alice no País das Maravilhas”, filme produzido pelo estúdio e dirigido por Tim Burton, com estréia prevista para Maio do ano que vêm. Nem sei o que dizer – é um dos filmes que eu mais tô esperando pra ver nos últimos tempos. O universo que Lewis Carroll criou já é interessante por si só e um pouco sombrio; quando juntamos com Tim Burton, então… acho que não tem como dar errado! :)

 

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