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Feist – Metals

“Metals (Metais) podem ser encontrados brutos e crus, derretidos no centro da Terra, mas também podem ser altamente refinados e transformados em pequenas jóias”

A frase acima foi dita pela própria Feist em uma entrevista que antecedeu o lançamento de seu novo álbum, Metals. E não consigo ver uma maneira melhor de descrever o novo trabalho da cantora. E tampouco para começar esse texto.

Num tempo em que Last Friday Night, da Katy Perry, extrapola os limites do sucesso e se torna quase um retrato da música pop produzida na atualidade, cujo foco parece ser retratar festas, relacionamentos efêmeros e outras coisas corriqueiras, encontrar uma artista que permaneça fiel a seu legado, mesmo quando poderia ter caído na tentação do sucesso fácil, é algo raro.

Porque sim, Feist poderia ter “se vendido”. Mushaboom, do álbum Let It Die (2004), por exemplo, foi veiculada num comercial da Lacoste e atingiu certo êxito. O mesmo aconteceu com 1234, integrante do ótimo The Reminder, canção essencialmente pop e bastante executada em seu ano de lançamento. Mas, ela escolheu outras direções. Direções mais interessantes, eu diria.

Não estou dizendo que Metals seja um disco obscuro, influenciado por estilos obscuros. Isso seria mentir. É um álbum que se matém fiel às influências dos seus anteriores, como o pop adulto produzido nos anos 80, mas, ao mesmo tempo, entre os trabalhos da cantora é o mais difícil de digerir, já que mesmo se mantendo fiel, ele se diferencia bastante de Let It Die e The Reminder. Principalmente por possuir unidade.

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Trilha Sonora: “All You Need Is Love” – Jim Sturgess & Dana Fuchs

Beatles é, provavelmente, a banda que mais deixou material “reciclável” no universo lindo da música – e dos filmes.

Quando Across the Universe (o filme) foi lançado em 2008, a primeira coisa que pensei foi: GE-NI-AL! E, logo em seguida, pensei: COMO NINGUÉM TEVE ESSA IDEIA ANTES? Os próprios Beatles, em seus tempos áureos, haviam estrelado alguns filmes e um musical. Como demorou tanto tempo para que alguém gastasse muito dinheiro e fizesse uma mega produção com esse tema? Talvez  burocracias autorais. A questão é que, quando Julie Taymor resolve contar uma história usando as letras da banda pop (pop!) mais famosa ever, e faz isso bem feito, temos um filme lindo e a difícil tarefa de escolher somente uma música do repertório espetacular.

A tentação já vem desde a primeira cena, quando um Jude interpretado pelo (lindinho) Jim Sturgess nos recepciona recitando um verso de “Girl”, a voz cheia de sofrimento e é fundido à Dana Fuchs destruindo o vocal na que eu considero a melhor interpretação do filme: “Helter Skelter”. Ela vai voltar depois, em um “bis” e cantando, entre outras, “Don’t Let Me Down”.

Imagem de Amostra do You Tube

Se alguém disser que não ficou com uma vontade imensa de sair dançando e estalando os dedos quando Evan Rachel Wood começa a cantar e pular freneticamente ao som de “It Won’t Be Long” e, logo em seguida, “I’ve Just Seen A Face”, dessa vez com o apaixonado Jim Sturgess que canta, dança e joga boliche tudoaomesmotempo!

Entrando no lado negro do filme as dancinhas super divertidas e cantarolantes vão se esvaindo aos poucos, dando lugar para guitarras pesadas, percussão grave e vocais raivosos. Conforme as canções vão ficando mais tensas, o mesmo vai acontecendo com os personagens e com o cenário. Estamos em 1960, no meio de uma odiosa Guerra do Vietnã, acompanhados por “Come Together” e “I Want You (She’s So Heavy)”, essa última com imagens que dão um significado completamente único e assombroso aos versos de Lennon/McCartney.

As guitarras e a voz gritante de Dana Fuchs voltam ao decorrer do filme – desculpem-me os outros, mas ela é perfeita. “Oh! Darling” vira um dueto – que é, na verdade, um duelo – com acordes distorcidos e fora de compasso. McCoy, uma espécie de Jimi Hendrix de Across The Universe, faz mágica com “While My Guitar Gently Weeps, tocando com tanto sentimento que chega a doer em nós.

De bolachinha-brinde ainda temos o sempre carismático (q?) Sr. Bono Vox! Agraciando todos nós com seu talento para usar óculos escuros, interpreta as psicodélicas “I Am The Walrus” e, já nos créditos finais, “Lucy In The Sky With Diamonds”. Como não sou uma pessoa muito narcisista, abri mão de eleger para esse post a música que leva meu nome, restringindo qualquer comentário pessoal.

Imagem de Amostra do You Tube

A versão mais incrível, tem-se que admitir, é “Let It Be”. No início, cantada à capela por um garoto em meio à guerra e, em seguida, interpretada por todo um coral de igreja, no melhor estilo do blues norte-americano, é de arrepiar qualquer um.

Acontece, minha gente, que eu sou uma pessoa clichê. Sendo assim, não poderia escolher outra música para fechar o post que não fosse “All You Need Is Love”. Provavelmente a canção dos Beatles mais tocada e regravada, um mito dos comerciais com apelo emocional. Mesmo assim é a mais perfeita. O cenário, a performance, a sinceridade. Tudo está na medida certa! Ela é inacreditável, mas ao mesmo tempo tão crível que chegar a dar vontade de ter estado lá, de pé, em frente à sede da Apple Records.

 Imagem de Amostra do You Tube

Across The Universe é o panorama de uma banda e de uma geração e “All You Need Is Love” é a melhor mensagem que poderiam ter deixado pra esse hoje.

 

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