MIOLÃO • Aretha Franklin
 

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Joss Stone – LP1

Na última semana li um artigo muito interessante de Alexandre Matias a respeito do futuro do álbum. Em linhas gerais, o jornalista defendia que o cd, como conhecemos, ficou obsoleto por causa da revolução que o formato digital causou na forma em que consumimos música. Segundo o autor, o futuro do disco enquanto uma coletânea de canções que se convergem em um certo ponto – seja estético, temático ou sonoro – ficou no passado porque hoje em dia o que movimenta o mercado são canções avulsas. As evidências apresentadas por Alexandre soam bastante convincentes, mas não podem ser tomadas como verdades absolutas por um motivo bastante simples: alguns artistas – como ele mesmo reconhece – ainda focam seus esforços (e pessoalmente acredito que vão continuar focando) em combinar em 12 ou 15 faixas toda uma ideia de conceito para contar histórias. E esse é o caso de LP1, o quinto álbum de estúdio da inglesinha Joss Stone.

Para entender melhor o que o LP1 significa na discografica de Joss, é necessário fazer uma retrospectiva em sua obra.

A cantora, que de certa forma fez com que o mundo prestasse mais atenção no gênero soul, que há era tido como inexpressivo – comercialmente falando -, lançou seu debut há exatos oito anos. The Soul Sessions, como foi intitulado, era um conjunto com 10 belíssimas regravações de clássicos de blues e soul (com exceção da ousada – e deliciosa – versão de Fell in Love With a Girl dos White Stripes). A maturidade e segurança que transparecia em cada uma das faixas fez com que o disco arrancasse elogios e suspiros, consolidando o nome de Joss, que na época tinha 16 anos, como uma das grandes promessas para o futuro.

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Beyoncé – 4

Se me dissessem que 4, o quarto álbum de Beyoncé, lançado oficialmente no Brasil no último dia 28 de junho, era o trabalho de alguma cantora dos anos 90, eu iria cair fácinho, fácinho.

Indo na contramão do pop radiofônico que domina as paradas de hoje, Beyoncé lança um disco que não lembra em (quase) nada o estilo que a consagrou. Mais arriscado do que qualquer outro álbum de sua carreira, 4 foi pensado para ser um disco cujo tema principal fosse o amor. Sendo visivelmente influenciada por Jackson 5 (Love On Top), Mariah Carey (1+1) e boa parte da Motown em sua fase de ouro (I Care, Rather Die Young e I Miss You), Beyoncé costura em 12 faixas um universo passional e particular.

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Trilha de Cinema: I Say a Little Prayer, Rupert Everett

“O Casamento do Meu Melhor Amigo”, uma das comédias românticas mais marcantes dos anos 90, tem vários dos elementos essenciais pra um filme do gênero (e não só?). Vê se concorda: personagens carismáticos, elenco entrosado, equilíbrio bacana de humor e dramalhão, uma boa dose de imprevisibilidade e um elemento bem interessante: uma protagonista, vivida por Julia Roberts, que possui intenções nada gentis em arruinar o casamento do título e conquistar o noivo – contrária ao padrão “boa moça” da maioria das produções. Continue lendo →

Cover: Respect, Aretha Franklin

“All I’m asking is for a little respect when you come home…”
(Tudo que eu peço é um pouco de respeito quando você voltar pra casa…)

Uma voz como a de Aretha Franklin clamando por R-E-S-P-E-I-T-O foi o cover escolhido para homenagear nossas leitoras no Dia Internacional da Mulher. Forte e incisiva, a música, que é um verdadeiro hino feminista, faz parte do álbum de estreia de Aretha, o maravilhoso I Never Loved a Man The Way I Love You, lançado em 1967. Com pouco mais de 2 minutos, Aretha se impõe para o homem que ama mostrando seu valor e que merece respeito.  E nós, do Miolão, acreditamos que é que todas as mulheres realmente merecem.

Eternizada no inconsciente coletivo, Respect foi reconhecida pela crítica como uma das melhores músicas já feitas pela Revista Rolling Stone, além de ter vencido dois prêmios Grammy em 1968 de Melhor Gravação de R&B e de Melhor Performance Vocal de R&B e Blues Solo Feminino.

Chega até ser irônico pensar que Respect, escrita e gravada originalmente por Otis Redding em 1965, tenha se tornado o que se tornou. Mais do que uma excelente gravação, Respect é um manifesto por diretos e também do que deveria ser direito. Parabéns, Aretha. Parabéns, mulheres por seu dia.

#Miolão Especial: Quando elas cantam…

Para o Dia Internacional da Mulher, o Miolão indica algumas canções que se encaixam perfeitamente na temática e valem ser ouvidas pelo conteúdo, pelo talento de suas criadoras – ou intérpretes – e por serem, além de tudo, marcantes. Confira abaixo e diga: qual é sua favorita?

Woman Left Lonely – Janis Joplin

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=klhK_4evO5c
A voz de Janis Joplin, que influenciou uma geração, aparece vigorosa como sempre nessa gravação: a trajetória da “mulher solitária” do título ganhou diversas versões, incluindo uma ótima com Cat Power nos vocais, mas o Miolaoteam opta, no caso, pela gravação original. Nada mais justo: Janis é uma das mulheres que mais contribuíram para a história da música e merece um lugar na lista.

Bobagem – Céu

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=zkc_oIwYwas
“Minha beleza não é efêmera como o que eu vejo em bancas por aí”, canta a carioca Céu, num sambinha cru e simpático lançado em seu primeiro CD, homônimo, de 2007. Ela declara em letra própria que sua essência reside mais do que somente na aparência. A música possui menos de três minutos e consegue deixar o seu recado: “ser mulher a vida inteira”, pontua.

Me and a Gun – Tori Amos

 

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=uKzCxi2yf5s
Aterradora. “Me and a Gun” é o relato real de uma tentativa de estupro pela qual Tori passou quando tinha ainda vinte e um anos. A música, que faz parte de “Little Earthquakes”, o disco que fez a cantora tornar-se conhecida mundo afora, é cantada à capela e causa arrepios pela naturalidade com que ela fala sobre o ocorrido, relatando os pensamentos que passaram por sua cabeça enquanto estava encurralada pelo homem em questão. Poética e chocante.

What It Feels Like for a Girl – Madonna

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=qYwgG2oyUbA
Com introdução da francesa Charlotte Gainsbourg, essa canção de Madonna fala sobre opressão e critica o papel submisso ao qual a mulher é submetida em alguns momentos de sua vida. O clipe da mesma, dirigido pelo seu ex-marido Guy Ritchie, foi censurado pela MTV e alguns outros canais de música por mostrar a cantora interpretando uma vítima de agressões físicas, que em um momento de fúria e acompanhada de uma simpática senhorinha começa a brincar de GTA na rua (?), atropelando os homens que encontra pelo caminho.

Travelling Woman – Bat for Lashes

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=a4XXkz4iFUM
Natasha Khan dirige o discurso de sua canção à uma mulher viajante e obstinada, dizendo que ela deve continuar trilhando seu caminho e ignorando as tentações do amor, que podem fazer seus planos irem por água abaixo. “Never fall in love with potential/cause you can’t see with your own eyes”, diz Natasha. O tom resignado e endurecido da canção, aliado aos arranjos precisos e a voz quase onírica de Natasha emociona.

Isobel – Dido

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=lpG4Pci6el8
Existem diversas teorias de fãs sobre o que a situação retratada na enigmática canção da inglesa Dido. Na letra da mesma, que é uma das melhores músicas do seu disco de estréia, “No Angel”, ela parece consolar uma amiga que perdeu seu filho, num aborto que não podemos entender claramente se foi espontâneo ou provocado. Isobel se sente ressentida pelo que aconteceu, enquanto Dido levanta questões sobre como teria sido a criança no futuro, caso tivesse nascido e tenta acalmá-la: “don’t punish yourself, live it well alone”. A cantora estabelece um diálogo marcante com a personagem, numa canção envolvente e misteriosa.

Todas as Mulheres do Mundo – Rita Lee

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=T1_z9ZKneAM
Rita Lee evoca todas as Xuxas, Madonnas, Dianas, Leilas Diniz e Evitas do mundo para mostrar, numa divertida canção de seu repertório, que as mulheres do mundo querem mesmo é poder. Sem duplo sentido, ok?

(You Make Me Feel Like) A Natural Woman – Aretha Franklin

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=-DSYZAiM-20
A canção clássica de Aretha Franklin foi regravada por nomes como Carole King e Celine Dion, que mandaram bem, mas não conseguiram superar a versão original e a emoção evidente da diva da black music, que canta sobre uma mulher que se sente plena devido a um novo amor que tomou conta de sua vida. Daquelas músicas que merecem ser relembradas diversas vezes.

Resposta – Maysa

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=z-AIc7yTJi8
Escrita pela cantora como um revide às criticas feitas em relação a sua vida profissional e particular, essa canção sintetiza toda a angústia e raiva reprimida que Maysa sentia por ter sua vida esmiuçada pelo público/mídia na época. “Se alguém não quiser entender e falar, pois que fale”, desabafa. Maysa teve uma vida breve, mas intensa. Uma canção marcante, que continua atual e pertinente nos dias de hoje, criada por uma das artistas mais expressivas de nossa música.

Girls Just Wanna Have Fun – Cyndi Lauper

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=x0cJnVeiMrw
Porque mesmo depois de quase 30 anos, as garotas ainda querem se divertir.

I’m a Lady – Santigold

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=PpL8odTN2_c
Nessa simpática faixa de seu debut, Santigold (ex-Santogold), conta vantagem por ser uma “dama”: decidida, que quebra corações e que provavelmente será  martirizada um dia por essa postura. A música é levemente sarcástica e cativa - talvez não no início, mas certamente depois de algumas audições. Vale ouvir.

Mary Jane – Alanis Morissette

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=IxBAuIuFGCk
Misto de homenagem a uma amiga e canção autobiográfica, a saga de Mary Jane, “a última grande inocente”, segundo as palavras de Alanis, é narrada de forma dramática e lindíssima. Impossível não se arrepiar com a letra fantástica e os diversos tons da cantora. Mary é, no fim das contas, igual a muitas mulheres, homens e muitos de nosso cotidiano.

Zé – Vanessa da Mata

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=JD1jX-qidBQ
Um relato delicado sobre um romance cheio de elementos antigos: tudo é descrito com tantos detalhes que quase dá pra sentir os tais cheiros de “hortelã, alecrim e jasmim”. Vanessa da Mata captou a ternura do ponto de vista feminino com maestria.

Ramblin’ (Wo)Man – Cat Power

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=jD6HceVd5Y8
Nessa versão do blues das antigas de Hank Williams, Cat Power declara o amor que sente por um homem, mas também que sua paixão pela liberdade da vida é ainda maior: ela sabe que poderá machucá-lo por isso, mas é simplesmente o seu jeito e não pode evitar.

E você? Que outra canção colocaria na lista?

Covers que valem a pena conhecer! (Parte 1)

Alguns cantores ou bandas, por vezes, se arriscam a fazer regravações de músicas de artistas diferentes, e os resultados são os mais variados e inusitados possíveis. Confira abaixo algumas versões feitas por artistas da música que merecem ser ouvidas, por serem boas, agradáveis, ou mesmo curiosas.

The Maccabees: Boom Boom Pow (The Black Eyed Peas) maccabees_press_shot376

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=0hA-6Y-K8V0
The Maccabees desconstroem o pancadão do Black Eyed Peas, numa versão rocker e com um ar um pouco nerd. Não dá pra levar a sério quando você os garotos cantando versos como “i’m so 3008, you’re so 2000 and late”. Despretenciosa, parece uma brincadeira, muito bem executada por sinal.

Yael Naim: Toxic (Britney Spears)

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Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=j5pP55u9s10
Toxic virou uma canção de ninar sensual e um pouco angustiante sob a voz de Yael Naim. Incrível como a forma que a música é cantada dá um significado totalmente diferente a letra da música, que, convenhamos, é bastante rasa. Até os “Britney haters” vão gostar dessa versão!

The Bird and the Bee: Don’t Stop The Music (Rihanna)

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Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=1tgLHLFxLBY
A dupla “The Bird and The Bee” fez o hit cheio de energia de Rihanna virar uma baladinha intimista e delicada. / ps. Aí, se vocês gostarem da versão, espero que se empolguem e resolvam escutar os dois CD’s da banda, que são ótimos. :)

Jack Johnson: Holiday (Madonna)

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Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=isL73Icg94o
O feriado de Jack Johnson remete à praia, água de coco e sossego. “Dançar pra celebrar o feriado? Deixa isso pra Madonna”, deve ter pensado Jack. Um reggaezinho simpático e cativante.

Mika: Poker face (Lady GaGa)

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Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=xMrPNuxob_I
Mika dá um ar um pouco “Broadway” para a música de Lady Gaga. Particularmente, achei bastante parecida com as versões da música feitas pela própria cantora no piano. Os trejeitos de interpretação de Mika, irritantes pra alguns, são sempre um show à parte.

Joe Cocker: With A Little Help From My Friends (Beatles)

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Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=-Ob59hsRaFU
Joe Cocker transforma o hino à amizade dos Beatles em uma música lenta e dramática, com um coro forte no refrão e levada completamente diferente da original. Thiago, do MIOLAOTEAM, ainda frisa “que é impossível não se lembrar da abertura de “Anos Incríveis” ao ouví-la”.

Aretha Franklin: Touch My Body (Mariah Carey)

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Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=YVawmqtn818
Esse vídeo é ótimo, começando pela animação da platéia, que fica um pouco incrédula ao ver Aretha cantar uma música tão… er… voluptuosa. (?) De qualquer forma, a versão ficou muito divertida e Aretha Franklin é Aretha Franklin, dispensa comentários. Muito corpo pra tocar, por sinal.        #brinks

Jeff Buckley: Hallelujah (Leonard Cohen)

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Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=AratTMGrHaQ
Essa música, gravada nos anos 80, é frequentemene regravada por muitos. Entre aqueles que já interpretaram a canção, estão Rufus Wainwright e a cantora Alexandra Burkle, que ganhou projeção esse ano com uma versão dela. “Hallelujah”, porém, não é uma música facilmente interpretada por qualquer um. A versão de Jeff Buckley é dolorida como muitas de suas canções e o cantor “acerta o tom” perfeitamente. Não é pra qualquer um.

Kate Nash: Fluorescent Adolescent (Arctic Monkeys)

kate nash

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=mvN0O7jkbQI
Adoro a capacidade que Kate Nash tem de dar sua cara para as covers que canta – e ela adora regravações – como fez com Irreplaceable, de Beyoncé. Fluorescente Adolescent, do Arctic Monkeys, virou mais uma brincadeira da cantora, com suas estripulias vocais e sua peculiar energia.

Pomplamoose: Single Ladies (Beyoncé)

pomplamoose

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=oIr8-f2OWhs
Falando em Beyoncé, esse cover é provavelmente o melhor feito pro hit que fez todo mundo dançar esse ano. Quase impossível não gostar logo de cara. A dupla transformou uma das melodias mais irresistíveis do ano em outra bastante diferente e suave; isso não significa, porém, que não dê vontade de cantar junto, estalar os dedos ou ao menos mexer o pé seguindo o ritmo! É viciante.

 

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