Toda vez que vejo algum programa de entrevista com atores rola aquela pergunta super clichê – quando a pessoa é interprete de um vilão então, vixi!, a questão parece torna-se obrigatória -: “você já foi confundido na rua com seu personagem?”. E aí a gente ouve aquela resposta (tão manjada quanto à pergunta): “ah, sempre acontece. Outro dia fui a um supermercado e uma velhinha disse ‘nome-do-personagem, você não pode ser tão má assim!” e blá blá blá. A coisa toda é tão forçada que são raras as vezes em que a história parece sincera.
Mas, pensando nisso, cheguei a conclusão de que talvez o problema seja eu, por ser desconfiado demais. Quero dizer, quantas vezes não ouvi amigos meus falarem “aquele filme, sabe? Com a Amélie Poulain”? Até eu já me peguei trocando ator por nome de personagem, veja só. Algumas vezes para fazer graça, outras porque o tal personagem era tão forte e emblemático que era meio que inevitável chamá-lo pelo nome ficcional.
Pensando nisso, decidi elaborar uma lista com atores que ficaram marcados por um papel a ponto de a gente substituir o nome deles pelo do próprio personagem ou filme. Que fique claro que não reduzo a carreira deles a um único personagem e que nem os acho ruins (para falar a verdade, todos que compõem a lista são ótimos atores). Bora lá?
Eliza Doolittle ainda é uma figura pouco conhecida na indústria fonográfica, mas se 2010 trouxe algumas revelações no meio, ela certamente é uma delas. Adotando o nome da personagem de Audrey Hepburn em “My Fair Lady”, a garota apresenta um repertório autoral, cheio de “feel good songs” levemente ácidas e sempre cativantes.
O Miolão indicou o som de Eliza Doolittle há um tempinho, num Music Monday passado, exaltando a “fofura” existente em suas canções. Na época, a moça tinha na praça apenas um EP com quatro adoráveis músicas, que deixavam um gostinho de promessa no ar: ela trabalhava em seu primeiro disco, o homônimo “Eliza Doolittle”, que foi lançado lá fora no último dia doze e estreou em 4º lugar no ITunes UK. Ele prova que sua dona tem todos os elementos neessários pra se destacar ainda mais num cenário musical feroz.
Eliza – cujo sobrenome real é Caird e adotou o Doolittle em homenagem à personagem de Audrey Hepburn em My Fair Lady – possui aquele estilo brincalhão, super colorido e quase infantil de algumas cantoras atuais: suas músicas trazem um duelo constante entre o ingênuo e o malicioso que a coloca na mesma categoria de nomes como Lily Allen e Kate Nash, como tantos críticos gostam de frisar. Um detalhe que alguns deles parecem ter esquecido é que Doolittle está ao lado delas, e não como uma substituta. Mesmo sem agregar nada de muito inovador ao estilo, a jovem – que participava de musicais de teatro durante a pré-adolescência – parece autêntica e segura do que faz.
Eu disse estilo? Bom, vamos “pluralizar” esse conceito, porque Eliza não mira em somente um gênero musical para criar suas canções. A capa do disquinho mostra a garota brincando com elementos diversos que, digamos assim, compõem seu imaginário. Encare a ilustração como uma metáfora (!) para sua sonoridade: ela junta pop, black music, r&b, toques sessentistas e outras pitadas agradáveis para compor um conjunto delicioso e bastante harmonioso.
Em entrevista, ela disse que esperava criar canções que tivessem uma boa vibe e deixassem o ouvinte pra cima – e de fato teve êxito nessa tarefa. Essa mistura toda e a inclinação à doçura evidente na moça formam um disco que disserta sobre as diversas boas surpresas das relações existentes em nossas vidas.
Das treze faixas que o compõem, algumas já eram conhecidas do público, como as primeiras do disco, na sequência: “Moneybox” é uma musiquinha grudenta que já foi desconstruída pelos caras da banda The xx num remix incômodo; “Rollerblades” tem cara de trilha sonora de comédia romântica e “Go Home” é discreta e possui um forte verniz retro, com direito a sonzinho um pouco “arranhado”, remetendo à gravações antigas. Curiosamente, elas prendem a atenção, mas Eliza deixou o melhor para ser ouvido em seu debut.
“Skinny Genes” foi lançada há alguns meses e foi o primeiro single do álbum. Ganhou um clipe gracioso, que apresentou a cantora de forma apropriada ao público. A canção é daquele tipo de música tão gostosa que você logo quer voltar pro começo e ouvir de novo. Assovios contagiantes embalam a faixa, onde Eliza fala das pequenas coisas que a irritam em seu parceiro e de como ele poderia ser mais do que mostra ser. Na sequência há “Mr. Medicine” , que é simpática e só. Vem coisa melhor pela frente.
“Missing”, apesar do trocadilho infame no início (“I am Doolittle/but I do a lot”) é uma boa reflexão bem sobre querer mostrar o seu melhor e destacar-se no meio da multidão, e traz um sampler de “Come Softly To Me”, do Fleetwood Mac. Na linda “Back to Front”, o mundo dos sonhos de Eliza está de trás pra frente, e ela tem vontade de recuperar as coisas do passado. Os assovios estão de volta aqui neste que é um dos melhores momentos do álbum.
“A Smokey Room” é um momento “cante junto” curtinho, que quebra o romantismo, recuperado logo em seguida com “So High” – música que poderia facilmente entrar no repertório de Corinne Bailey Rae. Em “Nobody”, Eliza contradiz a mensagem de “Missing”: nessa, ela diz que não há problema nenhum em desejar não ser ninguém, se isso significar poder ser ela mesma. “Police Car” é a melhor faixa do álbum, na minha modesta opinião. Ela é a quarta canção que integrava seu antigo EP e me conquistou desde aquela época. Dona de um ritmo bem trabalhado, minimalista e muito eficaz, a voz de Eliza está linda e muito bem encaixada, quase intrínseca à canção. Adorável – você precisa ouvir.
“Empty Hand” é a faixa que encerra o disco. Parece uma canção de ninar, ou parte de um musical infantill. Serena e limpa, ela fecha a tracklist com ares de “foi tudo um sonho… hora de ir pra cama pra acordar e brincar de novo no dia seguinte.”
Ah, tem uma faixa que eu não comentei: “Pack Up”, seu novo single. Sampleando a clássica “Pack Up Your Troubles In Your Old Kit Bag”, de George Henry, a música traz o groove dos anos 40 de volta e merece bombar. Daquelas pra sorrir – bem como todo o CD. Escute num dia de profundo mau humor e permita-se compartilhar do imaginário de Eliza Doolittle . Se você logo começar a cantarolar… ela te conquistou. :)
O cinema não seria o mesmo se não fosse a força característica das mulheres. Ao longo de mais de um século, as mulheres ganharam cada vez mais importância na tela e alguns de seus personagens foram eternizados com grandes performances. Segue nosso Top 5 das melhores delas:
Fazia tempo que não rolava um Music Monday por aqui, né? Depois de eras finalmente a sessão retorna e retorna em grande estilo!
Senhoras e senhores, apresento à vocês Eliza Doolittle! A garota que desperta simpatia logo de cara, tem o mesmo nome da personagem de Audrey Hepburn em “My Fair Lady“. Nascida em Londres, Inglaterra, a jovem Eliza ainda não lançou nenhum álbum oficialmente, somente um EP homônimo com 4 faixas. Mesmo com pouco material divulgado, dá pra notar que a garota é digna de atenção.
Tocando músicas extremamente fofas, seu som remete à primeira vista artistas como Kate Nash, Lily Allen e Marina and the Dimonds. As melodias são doces e fáceis e grudam na cabeça em pouco tempo, fazendo com a gente assovie sem perceber.
Em seu MySpace, Eliza declara que suas influências vão de Beatles à Destiny’s Child e de Joni Mitchell à Arctic Monkeys. Essa mistura toda é encarada com naturalidade pela cantora. Ela descreve sua música como uma equação culinária, onde os principais ingredientes são o soul, o pop old-school, um pouco de frutas, nozes, especiarias e muito açúcar. O resultado dessa receita pode ser visto abaixo na gostosa faixa Skinny Genes (que conta com um clipe tão fofo quanto a música):
Se você se interessou e quer saber mais, acesse sua página oficial no My Space clicando aqui. Lá, é possível ouvir seu primeiro EP na íntegra e ver alguns vídeos bacanas. De quebra, no site oficial da mocinha, é possível baixar grátis a faixa A Smokey Room. Tá esperando o quê?
Que Audrey Hepburn é um ícone do cinema, isso ninguém questiona. Além dos cinéfilos e amantes do cinema clássico, a artista é também uma forte referência usada pelos “fashionistas” quando se trata de “alguém com estilo”.
No dia 8 de Dezembro, será realizado em Londres um leilão com as roupas da atriz. Roupas de estilistas famosos como Givenchy e Valentino estarão entre os trinta e cinco modelos que serão leiloados no evento promovido pela especialista em moda Kerry Taylor, que recebeu há anos atrás de uma das melhores amigas de Audrey roupas que a atriz havia deixado com ela antes de falecer. O evento será promovido pela casa de leilões Sotheby’s, em Londres.
Ele acontecerá num momento propício. Se estivesse viva, a atriz completaria, em 2009, oitenta anos de idade. Ok, é difícil participar de um leilão em Londres, mas os fãs brasileiros da atriz terão chances de homenageá-la no ano que vem: a exposição “Timeless Audrey”, idealizada pelo filho da atriz, Sean Hepburn, estará em São Paulo entre os meses de Abril e Maio – provavelmente no Shopping Iguatemi. Além de roupas e objetos usados pela artista, os espectadores poderão ter acesso à vídeos que contam mais sobre sua vida e obra.
Imperdível para conhecer mais sobre uma mulher que inspirou gerações com sua elegância e seu estilo único. Hoje em dia, a cultura pop é frequentemente influenciada pelo trabalho da atriz e por obras em que seu nome esteve envolvido. Depois de seu falecimento em 1993 em decorrência de um câncer, as marcas de Audrey estiveram espalhadas em referências em filmes, comerciais, séries de TV, na literatura e muito mais.
Há alguns anos, Hepburn foi garota-propaganda de um comercial da grife de roupas GAP, numa nova versão de uma cena do filme “Cinderela em Paris”. No vídeo, a atriz dança ao som de “Back In Black”, do AC/DC:
A personagem Blair Waldorf de Gossip Girl, por exemplo, é fã de um dos filmes da atriz, “Bonequinha de Luxo” tanto no livro quanto na série de TV. Por essa razão, rolou um mini-remake de uma das clássicas cenas do filme em um dos episódios. Vale relembrar. Confira, no vídeo abaixo, um pouco dos dois momentos:
Essas são só algumas das diversas homenagens feitas à atriz. Sem muito esforço, você pode encontrar diversas releituras do “estilo Audrey”, sempre buscando transmitir um pouco da graça que lhe era única. Algumas conseguem, outras…