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Sample: Get Right, Jennifer Lopez

Você gosta de funk?

Não, não tô falando daquele tipo de funk que rola nos bailes cariocas e que quando sampleado faz sucesso em músicas de M.I.A..

Tô falando daquele funk que é calcado em instrumentos de sopro e que teve a lenda James Brown como principal expoente. Tô falando daquele funk que faz com que mexamos os pés – quase que involuntariamente. Tô falando daquele funk swingado. Eu tô falando sobre o funk de raiz. E se você gosta de boa música e de música pop (quem disse que elas não podem andar juntas?), vai adorar o sample de hoje.

Quem conhece ou já escutou com um pouco mais de atenção o repertório de Jennifer Lopez, sabe que a gata curte incorporar em suas músicas trechos e bases de outras canções. On The Floor, seu último hit, aliás, causou certo furor por ter como sample Chorando se Foi, a clássica lambada do Kaoma. Mergulhando em gravações que passam longe da obviedade, como a supramencionada Chorando de Foi, ela resgata faixas que vão do jazz ao hip-hop gangsta e as transforma em musiquinhas pop super radio friendly de efeito efêmero que a gente curte e depois, puft, esquece.

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Trilha de Cinema: I’d Rather Go Blind, Beyoncé

Antes mesmo de ser lançado, Cadillac Records já era apontado como potencial favorito para encabeçar o topo das listinhas de melhores filmes do ano. No entanto, quando a produção chegou as telas em 2008, as coisas não foram bem assim.

Recebido de forma morna pela crítica – apesar de parágrafos elogiosos de uns jornais respeitáveis -, o filme dirigido e roteirizado pelo desconhecido Darnell Martin, recriava, com bastante competência, o nascimento da Chess Records – uma das principais gravadoras de black music dos anos 50.

Mais preocupado em capturar o cenário de uma época do que a história de pessoas, Darnell apostou no talento de seus conhecidos atores para mostrar sua visão sobre  os agitados anos 60. Sem focar exatamente em um personagem específico, Cadillac Records é um painel sobre uma época em que os excessos eram parte essêncial do show business.

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Beyoncé – 4

Se me dissessem que 4, o quarto álbum de Beyoncé, lançado oficialmente no Brasil no último dia 28 de junho, era o trabalho de alguma cantora dos anos 90, eu iria cair fácinho, fácinho.

Indo na contramão do pop radiofônico que domina as paradas de hoje, Beyoncé lança um disco que não lembra em (quase) nada o estilo que a consagrou. Mais arriscado do que qualquer outro álbum de sua carreira, 4 foi pensado para ser um disco cujo tema principal fosse o amor. Sendo visivelmente influenciada por Jackson 5 (Love On Top), Mariah Carey (1+1) e boa parte da Motown em sua fase de ouro (I Care, Rather Die Young e I Miss You), Beyoncé costura em 12 faixas um universo passional e particular.

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#MusicMonday: as brincadeiras cênicas de Paloma Faith

Paloma Faith é uma cantora britânica cujo som pode transitar facilmente pela mesma categoria daquele feito por Duffy, Miss Li ou Amy Winehouse (especialmente no primeiro disco). Se suas gravações podem ser comparadas dessa forma, a artista, por outro lado, possui uma excentricidade muito peculiar e assume uma postura bem diferente de suas talentosas parceiras no palco, transformando seus shows em pequenos espetáculos surreais e bem humorados.

Inspirada por nomes como Etta James, Ella Fitzgerald e Billie Holliday, ela lançou seu primeiro CD, “Do you want the truth or something beautiful?” no ano passado.  Ok, a semelhança com as divas citadas não é lá muito grande – o disquinho possui uma sonoridade retrô somente discreta – pop, mas com uma pitadinha jazz e um pouquinho de black music – que é bastante agradável e contagiante, como comprovado nas faixas “Romance Is Dead” ou no mais recente single, “Upside Down”.

Apesar de não trazer nada novo ou exclusivamente seu nesse aspecto, Faith compõe suas próprias canções e, como citado, possui um exagero característico e quase teatral em suas performances, ligado a sua paixão pelo universo burlesco dos cabarés de outrora. Muitas vezes, o visual da cantora parece pertencer a uma pin-up ou a alguma atriz do cinema clássico. Toda essa teatralidade tem divertido a maioria dos seus fãs, mas arrancado críticas da mídia britânica, que classifica suas brincadeiras como “desnecessárias” e “artificiais demais”. Pra tirar uma conclusão, veja abaixo uma de suas performances ao vivo, cantando a faixa “Broken Doll”, no ICA, em Londres.

Paloma, além de se divertir encarnando personagens no palco, já realizou algumas participações em séries de tevê e o mais recente projeto onde atua ainda irá estrear por aqui: ela interpretou Sally no longa “O Fantástico Mundo do Sr. Parnassus”, filme que conta com um elenco cheio de nomes de peso, como Johnny Depp, Jude Law e Heath Ledger - este, em seu último trabalho nas telonas. Se depender da cantora, por sinal (que já se declarou fã de Tim Burton e David Lynch) dá pra apostar que essa não será sua última empreitada no mundo cinematográfico.

Porém, sua prioridade no momento é mesmo a música: já foram lançados quatro singles de seu debut, entre eles a excelente, “Stone Cold Sober” e “New York”, faixa em que declara que seu parceiro a trocou não por outra pessoa, mas pela vida em uma das maiores cidades do mundo. Aprovando ou não, é impossível ficar alheio as cenas e passagens criadas por Paloma Faith. O Miolaoteam adora e indica!

Relembrando: Motown

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, é importante relembrar o selo que mais impulsionou a música negra em toda sua trajetória até hoje. A Motown, criada em 1959, é um patrimônio da música mundial.

Motown_West Grand Boulevard

Tudo começou com um projeto modesto do empresário, músico e compositor Berry Gordy Jr, que queria apenas um pequeno espaço para criar sua própria gravadora.  Ao comprar a casa nº 2648 na West Grand Boulevard em Detroit, ele não esperava que seu plano iria atingir dimensões tão grandes. Mesmo batizando o lugar de Hitsville U.S.A. – ou “Vila de Hits dos Estados Unidos”, em tradução livre – era difícil acreditar, naquela época, que as coisas podiam dar tão certo.

A Motown Records, gravadora que ele estabeleceu no endereço, chamava-se, no início, “Tamla” e era administrada por Berry, seus pais, irmãos e esposa – mudando posteriormente seu nome para aquele que se tornaria tão conhecido por todos. O produtor lançou, com o passar dos anos e numa época onde a segregação era gigantesca, alguns dos artistas mais influentes na história essencial da música negra americana e a Motown estabeleceu-se também como um “selo” bastante forte: não apenas os cantores e bandas lançados por ele ganhavam prestígio e reconhecimento, mas seu nome era associado a uma nova identidade nas vertentes da black music, cheia de qualidade e bastante consistente.

Os artistas que faziam parte do selo criaram o padrão do “Som da Motown”, com sua música e estética. Depois que a primeira banda produzida pela gravadora foi lançada, a “The Miracles”, a gravadora foi responsável por lançar artistas que estouraram mundialmente, como Stevie Wonder, Marvin Gaye, James Brown, Diana Ross, The Temptations, The Supremes e o Jackson Five, com o ainda inexperiente – mas já talentoso – jovem Michael Jackson.

Confira algumas performances de artistas da Motown: nesses vídeos, está presente um pouco da essência que renovou a música mundial e está marcada na história.

http://www.youtube.com/watch?v=z6xkT7FMyTc – Barret Strong – Money (That’s What I Want)

http://www.youtube.com/watch?v=-nuEY6fQgzk  – The Marvelettes – Please Mr. Postman

http://www.youtube.com/watch?v=ltRwmgYEUr8  - The Temptations – “My Girl”

http://www.youtube.com/watch?v=uznukXk4eEc – The Supremes – “Where did our love go”

http://www.youtube.com/watch?v=MYx3BR2aJA4 – Jackson 5 – “ABC”

http://www.youtube.com/watch?v=jzPA-FrVu3I – Marvin Gaye – “What’s Going On”

O endereço na West Grand Boulevard, é, hoje em dia, um museu aberto para visitações, essencial para os apaixonados pelo rico legado da gravadora. Não é incomum ouvir comentários dizendo que o trabalho de alguns bons artistas da soul music, do blues, jazz e funk contemporâneo relembra os tempos áureos da Motown. É, inquestionávelmente, um selo que influenciou e forneceu a “cartilha” para que muitos artistas posteriores aquela época aprendessem com aqueles que foram visionários em sua arte.

Capa de coletânea lançada esse ano com os maiores sucessos da Motown. Na imagem, alguns dos artistas que foram lançados pelo selo, como Stevie Wonder e The Supremes.

Capa de coletânea lançada esse ano com os maiores sucessos da Motown. Na imagem, alguns dos artistas que foram lançados pelo selo, como Stevie Wonder e The Supremes.

Smart Little Girl – Dionne Bromfield

dionne

A cena britânica tem surpreendido de verdade nos últimos anos. Uma porção de cantoras que eu gosto saíram desse cenário (Kate Nash, Norah Jones, Lily Allen, etc) e ele continua apresentando ao mundo novas e talentosas mulheres. A nova aposta da vez ainda está na puberdade (?) e mostra que, com metade da idade de muitas outras, tem potencial suficiente para competir com grandes nomes com o passar do tempo. Ela se chama Dionne Bromfield, citada na mídia como “a afilhada prodígio de Amy Winehouse”.

A cantora tem feito declarações públicas elogiando a garota e tem sido vista com ela com frequência, inclusive servindo de backing vocal para a mesma numa performance sua no reality show “Strictly Come Dancing”. Toda essa propaganda, é justificada, talvez, por mais do que apenas carinho e admiração familiar: seu primeiro CD, “Introducing Dionne Bromfield”, nas lojas desde o último dia 12, foi lançado pelo selo da Lioness Record, gravadora criada pela madrinha. Dionne é talentosa de verdade, mas devemos admitir que sua entrada profissional no mundo da música deve muito a cantora. Essa divulgação, independente das intenções porém, é merecida. Agradecemos a Amy por ter incentivado o lançamento de seu disco, que é uma boa surpresa – mas Dionne merece que sua carreira cresça cada vez mais independente de sua madrinha. Vamos aos fatos.

Imagem de Amostra do You Tube

Performance de Dione e Amy no Strictly Come Dancing 2009

A voz da garota é incrível. Quem escuta pela primeira vez não diz que se trata de alguém com apenas treze anos de idade. De fato, recorda um pouco a de sua mentora, mas o “conjunto” não soa como se fosse uma “versão mais jovem” de Amy Winehouse. Seria até bizarro uma cantora de treze anos possuir uma postura tão “junkie” quanto a Sra. Wino. Pelo contrário, Dionne é coerente com sua fase atual. Seu repertório, inteiramente de covers, é correto e por vezes bem inocente. O que surpreende é que, assim como a sua parente famosa, Dionne também tem uma queda pela música black. Ela regrava clássicos da Motown (gravadora de discos especializada em vertentes da música negra fundada em 1959), entre outras diversas canções clássicas .

Na faixa de abertura, a semelhança vocal com Amy Winehouse em “Tell Him” é um pouco mais evidente, mas se torna menos frequente no decorrer do álbum. “My Boy Lollipop”, gravada por Millie Small em meados de 1950 e entoada pelas Spice Girls em cena do filme “Spice World” (oi?) ganha uma versão tão meiga quanto a original. “Two Can Have a Party” é contagiante. Aquela sensação de “não pode ser uma garota de treze anos de idade cantando!” volta a surgir com a faixa “With a Child’s Heart”, elegante e uma das mais “retrô” do álbum. “Ain’t No Mountain High Enough”, que compete com “Amor Perfeito” de Roberto Carlos na categoria “Música mais regravada da história” (brinks!), ganha mais uma, vigorosa e que não decepciona. Além do restante das doze faixas, estão os singles “Mama Said” e a que te faz cantarolar o dia todo, “Foolish Little Girl”.

Em entrevista publicada no site oficial de Amy Winehouse, Dionne diz ser fã de Lady Gaga e Jonas Brothers (alegando, inclusive, estar ficando “um pouco cansada” do som dos irmãos virgens da Disney). É surpreendente (e ótimo) que tenha enveredado por um caminho tão diferente daqueles que as celebridades teen da sua idade optam – ou talvez sejam forçadas a seguirem. Essa atitude pode até levantar um questionamento pertinente: Dionne transita por esse estilo por vontade própria ou por influência familiar? O fato de não ter apostado em composições inéditas pode ser um expoente de que, como o título sugere, esse álbum é apenas uma amostra do que ela pode – e poderá oferecer. Ainda é cedo pra dizer o que Dionne pode se tornar no cenário musical. Pode ser que enverede por um caminho mais pop como Beyoncé (da qual também já se declarou fã) ou que continue com as “raízes” exploradas em seu primeiro CD. Pode ser que também acabe na rehab. Dionne precisa de tempo para se consolidar como uma voz realmente conhecida, mas já tem os créditos inicias necessários para que mereça nossa atenção. :)

Quer saber mais sobre a Dionne?

Entrevista com Dionne Bromfield: http://www.amywinehouse.com/news.php?item=3&ln=1

Canal de Dionne Bromfield no YouTube, inclui os clipes de “Mama Said” e “Foolish Little Girl”: http://www.youtube.com/user/DionneBromfield

 

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