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Cover: Little Girl Blue, Janis Joplin

Caso Janis Joplin estivesse viva, completaria hoje 69 anos.

Se ela seria considerada a lenda que é hoje ou mesmo se ainda teria a mesma voz, são questões que não me preocupo em discutir ou mesmo em pensar. O que me interessa em Janis é o talento. A capacidade de transformar suas canções em algo inimitável. A voz áspera, densa, cheia de variações – que vai da mais absoluta tristeza a agressividade de um Jim Morrison em questão de segundos – e com uma facilidade que só confirma que, para ela, cantar era tão natural quanto o ato de respirar é para todos os seres humanos.

É isso o que eu gostaria de mostrar com o cover de hoje. Poderia ter escolhido Summertime, um clássico regravado milhões de vezes, mas optei por Little Girl Blue porque essa música é, até em seus menores detalhes, Janis Joplin.

Apesar de ter se popularizado na maravilhosa versão de Nina Simone, Little Girl Blue foi originalmente gravada por Gloria Grafton (infelizmente não encontrei nenhum vídeo no Youtube). Composta em 1935, por Richard Rodgers e Lorenz Hart, a faixa fala sobre infelicidade, tédio e desesperança. Sobre chegar a aquele ponto em que tudo o que se pode fazer é sentar e contar os pingos de chuva. E isso acontece de um modo tão simples e tão honesto que fez com que ela acabasse caindo no gosto de diversos cantores cujo estilo apontava, ainda que apenas em alguns momentos, para o confessional.

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Rachael Yamagata – Chesapeake

Em seu terceiro álbum, Chesapeake, Rachael Yamagata explora contornos de felicidade e otimismo – por mais estranha que essa frase soe para quem conhece o trabalho da moça. Se você pertence a esse grupo e ao ler isso um ponto de interrogação se formou em sua cabeça, eu explico: não significa que para esse disco ela abandonou por completo a aspereza e melancolia ostentada em momentos anteriores ou mesmo as baladas marcadas por piano. Elas ainda estão lá. Porém, Chesapeake parece permeado por positividade.

Quando se pára para pensar nos álbuns anteriores de Rachael, notamos que não é como se ela nunca tivesse demonstrado seu otimismo. Um exemplo claro disso é a fofa 1963, de Happenstance (2004), que no meio de tantas canções tristes, surge como um momento de alívio e esperança. Então, de certa forma, a luz sempre esteve ali, expressa em pequenos detalhes. Nós é que não prestamos a devida atenção. E é exatamente daí que vem o susto quando começamos a audição de seu novo trabalho.

Segundo essa entrevista aqui, a vontade de explorar esse lado mais ensolarado de sua personalidade estava ali há um bom tempo. Rachael disse que a natureza de suas canções do passado fez com que ela acabasse parecendo algo que não é e que os temas que explorou em seus dois primeiros álbuns – amargura, corações partidos e outras coisas que podem fazer um relacionamento, terminado ou não, doer tanto – não são exatamente partes de sua vida, apenas temas que a fascinavam. Então, ela escrevia sobre eles para tentar compreender e porque considerava que o tipo de melodia que gostava de produzir acomodaria melhor letras tristes. Porém, quando estava compondo as canções que integrariam Chesapeake , ela disse ter encontrado uma maneira de escrever músicas sobre temas menos sombrios, com melodias menos melancólicas e ainda soar como ela mesma e, então, resolveu se arriscar.

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Sample: Otis, Kanye West e Jay-Z

Quando Jay-Z e Kanye West anunciaram que lançariam um EP em conjunto todo mundo ficou curioso pra saber o que eles seriam capazes de produzir. Não era pra menos, afinal, Kanye West tinha encontrado a redenção no fantástico My Beautiful Dark Twisted Fantasy e Jay-Z tinha em suas costas o bem sucedido The Blueprint III.

A expectativa cresceu quando eles disseram que o tal EP tinha se transformado em disco. E quando eles soltaram na rede Otis, o segundo single de Watch The Throne, o aguardado álbum, não se falou em outra coisa. A faixa era indefectível.

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Cover: Last Nite, Adele

Adele tem um dom. Ela transforma mágoas em músicas bonitas. Dona de um delicioso repertório autoral que tende ao blues, ela lançou no início do ano 21, um dos melhores álbuns dos últimos tempos. Mas isso, com certeza, você já sabe.

O que talvez você não saiba é que além de gostar de jazz, blues e soul, a mocinha também é vidrada no bom e velho rock’n'roll.

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Joss Stone – LP1

Na última semana li um artigo muito interessante de Alexandre Matias a respeito do futuro do álbum. Em linhas gerais, o jornalista defendia que o cd, como conhecemos, ficou obsoleto por causa da revolução que o formato digital causou na forma em que consumimos música. Segundo o autor, o futuro do disco enquanto uma coletânea de canções que se convergem em um certo ponto – seja estético, temático ou sonoro – ficou no passado porque hoje em dia o que movimenta o mercado são canções avulsas. As evidências apresentadas por Alexandre soam bastante convincentes, mas não podem ser tomadas como verdades absolutas por um motivo bastante simples: alguns artistas – como ele mesmo reconhece – ainda focam seus esforços (e pessoalmente acredito que vão continuar focando) em combinar em 12 ou 15 faixas toda uma ideia de conceito para contar histórias. E esse é o caso de LP1, o quinto álbum de estúdio da inglesinha Joss Stone.

Para entender melhor o que o LP1 significa na discografica de Joss, é necessário fazer uma retrospectiva em sua obra.

A cantora, que de certa forma fez com que o mundo prestasse mais atenção no gênero soul, que há era tido como inexpressivo – comercialmente falando -, lançou seu debut há exatos oito anos. The Soul Sessions, como foi intitulado, era um conjunto com 10 belíssimas regravações de clássicos de blues e soul (com exceção da ousada – e deliciosa – versão de Fell in Love With a Girl dos White Stripes). A maturidade e segurança que transparecia em cada uma das faixas fez com que o disco arrancasse elogios e suspiros, consolidando o nome de Joss, que na época tinha 16 anos, como uma das grandes promessas para o futuro.

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Trilha de Cinema: I’d Rather Go Blind, Beyoncé

Antes mesmo de ser lançado, Cadillac Records já era apontado como potencial favorito para encabeçar o topo das listinhas de melhores filmes do ano. No entanto, quando a produção chegou as telas em 2008, as coisas não foram bem assim.

Recebido de forma morna pela crítica – apesar de parágrafos elogiosos de uns jornais respeitáveis -, o filme dirigido e roteirizado pelo desconhecido Darnell Martin, recriava, com bastante competência, o nascimento da Chess Records – uma das principais gravadoras de black music dos anos 50.

Mais preocupado em capturar o cenário de uma época do que a história de pessoas, Darnell apostou no talento de seus conhecidos atores para mostrar sua visão sobre  os agitados anos 60. Sem focar exatamente em um personagem específico, Cadillac Records é um painel sobre uma época em que os excessos eram parte essêncial do show business.

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Sample: Fallin’, Alicia Keys

Fallin‘, o single que apresentou Alicia Keys ao mundo em 2001 (sim, você está velho: a música já tem uma década!), é daquele tipo de canção emblemática, que te pega de jeito e fica contigo por dias a fio. Vencedora do Grammy em 3 categorias – Melhor Canção do Ano, Canção de R&B e Melhor Performance Feminina – Fallin‘ talvez seja a faixa mais conhecida de Keys até hoje.

Narrando um confuso relacionamento, a letra, escrita por ela, é um movimento circular que desenha no ar os altos e baixos de um sentimento que de tão intenso machuca e convida, de novo e de novo, a se apaixonar. Indo e voltando, acompanhada por seu piano  e por violinos, Alicia cria elipses sinceras e desesperadas sem rodeios.

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