Fallin‘, o single que apresentou Alicia Keys ao mundo em 2001 (sim, você está velho: a música já tem uma década!), é daquele tipo de canção emblemática, que te pega de jeito e fica contigo por dias a fio. Vencedora do Grammy em 3 categorias – Melhor Canção do Ano, Canção de R&B e Melhor Performance Feminina – Fallin‘ talvez seja a faixa mais conhecida de Keys até hoje.
Narrando um confuso relacionamento, a letra, escrita por ela, é um movimento circular que desenha no ar os altos e baixos de um sentimento que de tão intenso machuca e convida, de novo e de novo, a se apaixonar. Indo e voltando, acompanhada por seu piano e por violinos, Alicia cria elipses sinceras e desesperadas sem rodeios.
“All I’m asking is for a little respect when you come home…” (Tudo que eu peço é um pouco de respeito quando você voltar pra casa…)
Uma voz como a de Aretha Franklin clamando por R-E-S-P-E-I-T-O foi o cover escolhido para homenagear nossas leitoras no Dia Internacional da Mulher. Forte e incisiva, a música, que é um verdadeiro hino feminista, faz parte do álbum de estreia de Aretha, o maravilhoso I Never Loved a Man The Way I Love You, lançado em 1967. Com pouco mais de 2 minutos, Aretha se impõe para o homem que ama mostrando seu valor e que merece respeito. E nós, do Miolão, acreditamos que é que todas as mulheres realmente merecem.
Eternizada no inconsciente coletivo, Respect foi reconhecida pela crítica como uma das melhores músicas já feitas pela Revista Rolling Stone, além de ter vencido dois prêmios Grammy em 1968 de Melhor Gravação de R&B e de Melhor Performance Vocal de R&B e Blues Solo Feminino.
Chega até ser irônico pensar que Respect, escrita e gravada originalmente por Otis Redding em 1965, tenha se tornado o que se tornou. Mais do que uma excelente gravação, Respect é um manifesto por diretos e também do que deveria ser direito. Parabéns, Aretha. Parabéns, mulheres por seu dia.
O novo videoclipe começar exatamente onde You Only Live Once, de 2006, acabou só mostra que a banda quer continuar de onde parou. É como se eles dissessem que nesse tempo de hiato nada de muito interessante aconteceu no mundo da música e que eles vão reassumir seu lugar na marra, continuando a mesma caminhada.
A questão é: será que nada de interessante aconteceu? Antes de responder um óbvio “Hey, dude, é claaaro que coisas interessantes aconteceram! Fingir que não é burrice!“, bora pensar nas bandas contemporâneas ao Strokes e ver o destino que elas tiveram? Talvez isso ajude a entender o que passou pela cabeça de Julian e companhia ao continuar em terreno seguro, sem arriscar novidades…
The Vines
O revival do garage rock não seria o mesmo sem The Vines. A banda australiana fazia questão de ser meio retardada e debochava quando a imprensa dizia que eles iam salvar o rock ou que eram o novo Nirvana. O entusiasmo do público e da crítica, no entanto, foi ficando cada vez mais morno a ponto de que Melodia, seu último álbum lançado, não recebesse a mínima bola.
A coisa foi tão feia que deixou eles meio traumatizados. Porque só isso explica eles terem gravado um disco inteirinho há cerca de 8 meses e o manterem em segredo até hoje. Se liga aí em Gimme Love, uma das faixas do novo trabalho que ainda não viu a luz do dia:
Menos pura que os outros singles do The Vines, Gimme Love parece ter vindo direto da década de 70. Ainda não se sabe as direções que eles vão apontar, mas se você curtiu e acha que vale a pena esperar, dizem que o disco vai sair finalmente em abril com o nome de Future Primitive. Será?
The Hives
Assim como aconteceu com The Vines, o The Hives viu sua popularidade diminuir junto ao público a cada lançamento. O que é revoltante visto que seus últimos trabalhos foram os melhores de sua carreira. Sem comodismo, a banda trabalhou até com o Pharrel Williams, do N*E*R*D, pra encontrar novas direções. Pena que os únicos que parecem terem percebido isso foram os críticos. Puft!
Ano passado eles lançaram Tarred and Feathered, um ep de covers do qual saiu a música que você ouve aí embaixo:
Depois disso, eles lançaram um single de Natal e sumiram do mapa. Dizem que eles estão em estúdio. Tomara que seja verdade.
The White Stripes
O que aconteceu com essa dupla vocês já estão cansados de saber, né? O fim prematuro de um dos grupos mais legais das últimas décadas fez com que muitos fãs (e eu me incluo nessa) ficassem órfãos. O legado deixado por Meg e Jack incluem 6 álbuns de estúdio que passeiam entre o rock, o blues, o folk, o garage rock e o punk. Reflexo de mentes inquietas que não quiseram se acomodar.
Acima, vemos o sensacional vídeo de Conquest, regravação de Patti Page.
Strokes
E, finalmente, voltamos aos Strokes. Sem a força dos grupos que emergiram junto com eles em meados dos anos 2000, eles são mais ou menos como a resistência, como “o que sobrou”. Eles, que um dia foram iludidos com a promessa de que salvariam o rock (que nunca precisou ser salvo), não caíram na real ainda de que são apenas uma banda de rock que em outros tempos tiveram o ego inflado pela crítica. Que venha o disco. Por mais que eles sejam subestimados, ainda são uma ótima banda de rock.
“Redemption Day”, música que faz parte do segundo disco de inéditas da carreira de Sheryl Crow é um suplicio denso, onde a moça reflete sobre a jornada da humanidade em busca da “redenção” sugerida pelo título. Soa quase sem esperanças e, no cover do dia, foi regravada por uma voz que reforçou ainda mais o tom da canção.
Johnny Cash, responsável por alguns dos registros de country/blues mais marcantes da história se apropria da faixa completamente. A voz incomparável do cantor nos silencia e a letra parece fazer ainda mais sentido quando entoada por ele – um artista de vida atribulada, mas que no final dela, superando todos os conflitos que enfrentou, nos deixou um legado sensacional que vale ser revisitado.
Sua versão de “Redemption Day” foi inserida no álbum póstumo “American VI: Ain’t No Grave”. Ouça:
Já ouviu falar de Miss Li? Ela é uma cantora sueca que iniciou sua carreira profissional em 2006 com seu primeiro álbum, “Late Night Heartbroken Blues”. Nesse curto espaço, já foram quatro álbuns lançados no total e uma coletânea (!) com suas músicas. Miss Li, cujo nome real é Linda Carlsson, é excêntrica: sua música explora o jazz e o blues de maneira debochada e cheia de energia. Esse bom humor é notável também em suas letras – em uma de suas canções, que leva o seu próprio nome, a cantora se define como uma garota “que luta contra seu próprio ego gigante, é malvada – mas paga aos amigos pra dizer que é um amor – tem a cabeça cheia de porcarias e não dá a mínima”. Tem como não gostar dela? Confira a baixo “Oh Boy” e “Miss Li”:
Já Chris Garneau, cantor nascido em Boston e criado em Paris, deve agradar os fãs de um pop adulto e mais dramático. O artista esteve duas vezes no Brasil – em 2008 e esse ano – em diferentes momentos de sua carreira. No primeiro, o foco principal era o seu primeiro disco, “Music For Tourists” e o EP “C-Sides”, enquanto no segundo, o maior destaque foram as canções do seu novo disco, “El Radio”, lançado em Julho de 2009. Seus trabalhos são delicados, doloridos e extremamente confessionais. O tempo que passou aprendendo a tocar piano durante a infância trouxe resultados: Chris toca o instrumento maravilhosamente, além de compor e cantar tão bem quanto, alternando momentos de inconformismo com uma fragilidade emocionante. É o tipo de música que preenche um ambiente quando toca e chama a atenção pelas suas nuances e beleza. Música de fossa, sim, mas pra sofrer com classe. =)
Clipe de “Relief” (Music For Tourists)
Clipe de “Fireflies” (El Radio)
ps: Uma curiosidade? Os dois artistas já estiveram na trilha sonora da mesma série, “Grey’s Anatomy” – por sinal, programa que revela bandas/cantores incríveis, vale prestar atenção!
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