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Era uma vez o bonde… o Bonde do Rolê!

No longínquo ano de 2005 o Brasil descobria a funkeira Tati Quebra Barraco. Depois de ter Boladona incluída na trilha da novela América, Tati conseguiu o feito de sair do nicho baile-funk-nas-favelas-do-Rio e “conquistou o Brasil” com suas letras diretas e extremamente sexuais.

Conquistou o Brasil entre aspas. À medida que sua música foi sendo descoberta as críticas cresceram ao redor de seu nome. Ao mesmo tempo em que Tati proclamava que a mulher também poderia sentir tesão e prazer, a sociedade via em seu discurso palavras que destruíam anos da luta feminista. Nesse clima de desaprovação e marginalização do funk, surgiu em Curitiba o Bonde do Rolê, um dos trios mais divertidos e irreverentes da última década. Com o aval do jornalista Lúcio Ribeiro, espécie de “bússola” dos moderninhos e cults da época, o Bonde ganhou rapidamente notoriedade e fãs ao redor do Brasil e do mundo, chamando atenção até de Diplo, o produtor e então namorado de M.I.A., que bombava na época com Bucky Gone Gun, música feita sob o Funk da Injeção de Deize Tigrona.

As letras extremamente sujas e bem humoradas encontravam na batida do funk carioca a combinação perfeita: a música do Bonde soava explosiva, bagunçada e ultra-divertida.  O sucesso parecia mesmo inevitável. Também pudera, o cenário controverso do país na época, versos no estilo de “minha florzinha você fuma/meu tabaco você rega/o que nunca vai fazer é tocar em minhas prega” (Melô do Tabaco) e mash-ups competentes do DJ Rodrigo Gorky era quase impossível passar despercebido.

Curiosamente as mesmas pessoas que abominavam o funk se renderam ao charme pornográfico e sem vergonha do Bonde, lotando suas apresentações. Pareceu mesmo que o problema com o funk não eram as letras e sim seus expoentes pobres. As performances ao vivo eram um show a parte: Pedro D’Eyrot, Rodrigo Gorky e Marina eram tão debochados e extremistas que tudo mais parecia um show de hard-core do que um baile funk.

Quase 2 anos depois de sua aparição, o Bonde do Rolê gravou seu primeiro disco, intitulado With Lasers. Com a produção assinada por Diplo e pelos supercools Radioclit, o disco fez tanto barulho que rendeu ao Bonde menção nas principais publicações internacionais e até um convite para tocar no famoso Coachella Music Festival.

No mesmo ano do lançamento do disco a banda anunciou que a vocalista Marina deixaria o projeto. Sem nenhuma justificativa oficial, o motivo da saída, de acordo com o que diziam na época, foi uma treta com os outros 2 membros. A saída de Marina pareceu não abalar o duo, que seguiu firme e forte se apresentando pelo mundo. Após uma bem sucedida parceria com a MTV Brasil eles elegeram Ana Bernardino e Laura Taylor como novas vocalistas.

O tempo provou que ficar no lugar de Marina era uma tarefa impossível.  Marina Ribatski, ou simplesmente Marina, foi a cara do Bonde do Rolê de 2005 até 2007. A garota, que na época cursava Letras na Universidade Federal do Paraná, teve coragem de gritar versos obscenos e duvidosos enquanto geral repudiava -e curiosamente adoravam M.I.A. e seu maravilhoso debut-. Quando Laura e Ana subiam no palco encaravam o estigma de cantar no lugar de uma das mais carismáticas e explosivas performers da cena underground. As críticas negativas em relação as apresentações permearam o grupo. Com o passar dos tempo o público foi perdendo o interesse e acabou saindo dos holofotes da grande mídia. A banda promete retomar seu lugar ao Sol ainda esse ano, com o lançamento de um novo disco, ainda sem título.  Mesmo sem Marina e com todos os desvios, o nome da banda ainda é forte o suficiente para despertar interesse.

Marina, por outro lado, caiu quase no anonimato. Seu perfil no Orkut, que em outrora já teve quase mil amigos, hoje sequer faz alusão ao Bonde.

Vivendo em Londres com Louis Hautemulle, seu esposo e produtor da Diesel:U:Music, a garota prepara um novo álbum a ser lançado ainda esse ano. Depois de ter contribuído com o Radioclit em uma das faixas de seu último disco, os caras vão “retribuir o favor” e assinar a produção de seu primeiro álbum solo. Marina, que já era parceira deles desde as sessões de gravação do With Lasers, promete um álbum pulsante e voltado ao rock, com influências noventistas como Smashing Pumpkins, Hole, L7, Pixies e Pavement.

Enquanto o disco não sai, vale ver Big Foots, última colaboração de Marina com a banda alemã Acidkids:

É, meus amigos, 2010 promete. Que venha o novo do Bonde e que Marina recupere seu reinado, provando de uma vez por todas que ela era mesmo a alma do grupo.

 

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