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Cover: Corcovado, Nara Leão

Mais do que exportar belas modelos, jogadores de futebol e soja, o Brasil também é conhecido por ser apresentar ao mundo boa música. Dono de ritmos próprios e únicos, como o samba e o funk carioca, o país de bandeira verde e amarela criou nos anos 50 a bossa nova; uma música com um jeitinho todo próprio de se cantar, quase que num sussurro, meio que pintando aquarelas amenas com os sons. Continue lendo →

Music Monday: Misselânea K.

Que o Rio Grande do Sul é o estado mais barrista desse Brasil e que todos os gaúchos adoram se gabar de sua música regional, bom, isso não é novidade pra ninguém. Falar de uma banda relativamente jovem, alternativa e, ainda por cima, componente do cenário sulista, é uma tarefa árdua e a ser cumprida vencendo muitos preconceitos. Misselânea K. é tudo isso. É também um daqueles achados musicais, tão bons de se ouvir que a gente fica feliz pelo simples fato de ter descoberto sua existência.

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Maquiagem, música do primeiro CD, começa mais ou menos assim: “quero ficar no teu corpo feito maquiagem pra seguir viagem quando a noite vai”. Qualquer semelhança com Chico Buarque não é mera coincidência! Com uma sacada genial e cheia de poesia, a letra escrita e cantada por Alexandre Missél faz bonito e fica à altura do “embrião” de Chico. Preenchendo as palavras de Missél estão outros três músicos, também de Porto Alegre. Aliás, simples músicos não: todos estudaram e se formaram em música nas universidades das bandas de acá. Assim, o que ouvimos em cada música não é simplesmente um som agradável e contagiante – embora seja isso também. O que ouvimos é lindo.

A Dobra é o primeiro álbum do conjunto e foi lançado no final de 2009. Passa por ritmos e temas variados. Canta o carnaval e o Brasil pão-e-circo ao som da melhor batida de samba e das guitarras inusitadas em Brasileirisse. Fala de temas do cotidiano e de como é quando a gente gosta de alguém em versos que chegam a doer de tão verdadeiros. Coração nas costas é cheia de versos recitados, num estilo que lembra um pouquinho O Teatro Mágico – outra banda alternativa, só que no sudeste – com as rimas inteligentes e sonoras. De um jeito autêntico, eles também exploram um pouco do rap, do rock estilo “Los Hermanos” e solos de saxofone.

Imagem de Amostra do You Tube

O álbum é curtinho, tem só 8 faixas, mas é grandioso em cada uma delas. A Dobra, música que batiza o CD, é sorridente e dançante, com pandeiros gostosos de se ouvir mesmo por quem não suporta esse tipo de coisa. Cheia de certeza do seu objetivo – assim como todo o CD – fecha a composição com primazia. Misselânea K. participou de festivais pelo Brasil e foi indicada ao Prêmio Açorianos de Musica 2009 na categoria de melhor compositor.

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Dia do Índio

Todo dia era dia de índio. Todo dia era dia de índio. Curumim, Cunhatã. Cunhatã, Curumim.

Antes que o homem aqui chegasse, as terras brasileiras eram habitadas e amadas por mais de 3 milhões de índios. Proprietários felizes, da Terra Brasilis. Pois todo dia era dia de índio. Todo dia era dia de índio. Mas agora eles só tem… O dia 19 de abril.”

Jorge Ben Jor.

Há cerca de quase 70 anos , para ser mais preciso, em 1943, o dia 19 de abril virou oficialmente o Dia do Índio.

A escolha da data foi baseada no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano: o primeiro grande evento voltado a entender e valorizar a cultura e contribuição indígena para a sociedade. O evento realizado no México em 1940 estava predestinado a ser um desastre. Nos primeiros dias do congresso nenhum índio apareceu. Quando questionados pelo motivo, os índios admitiram terem ficado temerosos e preocupados em relação ao evento. Não era para menos. Séculos e séculos de perseguições, agressões e dizimações não seriam simplesmente deixados para trás. Depois de recusas e recusas da parte dos índios, finalmente eles resolveram participar das reuniões de uma forma mais efetiva. E o dia de tão importante encontro foi em 19 de abril.

Hoje em dia pouco se ouve falar deles. O último caso de grande repercussão que envolveu um índio foi quando em 1997, cinco jovens de classe média queimaram vivo o pataxó Galdino Jesus dos Santos, enquanto ele dormia em um ponto de ônibus. Quatro anos depois do atentado, os rapazes foram condenados a 14 anos de reclusão em regime fechado. Pelo menos 3 deles, visto que um, na época, era menor de idade e ficaria de 1 a 3 anos preso. O que se viu foi que o tal garoto menor cumpriu apenas 3 meses de pena e saiu em liberdade naquele mesmo ano. Os outros, desde agosto de 2004, já estavam livres.

Isso é Brasil. Hoje é dia de índio. Amanhã também.

Olimpíadas? AF! (Parte 1)

"Ai, gente, é que pensar sobre essas coisas me dá uma tristeza...  :( "
“Ai, gente, é que pensar sobre essas coisas me dá uma tristeza… “

 

Eu não sou um brasileiro praticante. Não sei se já ouvi esse termo auto-explicativo em algum lugar, mas acho que ele é bem apropriado pra falar da minha relação com a minha pátria-mãe. (?) Não é que eu nunca tenha tentado, de verdade. Gosto de muitos aspectos da nossa cultura, que é absurdamente rica, mas não consigo me empolgar com a maioria das coisas que os brasileiros adoram. O futebol é um exemplo.

Acho o fanatismo exagerado por um clube péssimo, os transtornos que a gente vê nos estádios em determinadas partidas – e o caos que se estende pelas ruas – só pra citar alguns dos problemas.

(obs: Odeio também quando as pessoas me olham como se eu fosse uma aberração quando eu digo que não torço pra time nenhum, mas essa é outra história.)

Talvez o único momento em que eu me empolgo – ao menos um pouco! – com esse esporte aqui no nosso país, seja em Copas do Mundo. Pra falar a verdade, acho que isso não acontece exatamente pelo fato de que irei acompanhar todos os jogos religiosamente, porque não o farei mesmo, mas sim porque durante esses episódios, a euforia da população se torna bem mais positiva e contagiante demais. E eu compartilho dela. Me sinto um pouco mais praticante nesses casos.

Com as Olimpíadas, é um pouco diferente. Posso não ter paciência pra assistir as diversas provas, mas acho muito legal ver tanta gente empenhada, disposta a quebrar seus próprios limites, dar tudo de si para vencer e todas aquelas expressões que a gente ouve nas chamadas daqueles filmes com um “q” de auto ajuda que passam na Sessão da Tarde. Por que se o clichê do filme cansar, nas Olimpiadas temos a vantagem de que – na maioria das vezes – esse esforço é real mesmo.

(E tá, confesso, tem muita gente bonita competindo e as vezes é um prazer assistir certas provas só por esse fator, mas não vem ao caso!)

De qualquer forma, é incrível saber que as pessoas podem ficar mais unidas por causa de uma motivação em comum, e isso é evidente durante o período dos jogos. Brasileiros são naturalmente assim, e essa é uma característica que admiro. Foi exatamente essa razão que me fez ficar feliz quando o Rio foi escolhido como sede das Olimpíadas de 2016. Horas antes do anúncio, eu estava esnobando a transmissão. Conforme o momento de anunciar o país selecionado se aproximava, eu ficava mais nervoso/tenso/empolgado – ainda mais quando via as imagens da população reunida na praia de Copacabana. O Rio não foi eliminado e ainda fez o requisito: fomos selecionados. Quando o envelope foi aberto, eu fiquei feliz de imediato.

Tinhamos muitos pontos positivos ao nosso lado, como o fato da América do Sul nunca ter sido escolhida para sediar o evento, por exemplo. Era um forte argumento para nos escolherem, certo? O continente asiático, por exemplo, estava concorrendo novamente como hóspede, dessa vez com Tóquio – fala sério, deixem um pouco pra gente!

E além deles, Fernando Meirelles. Sim, o cineasta fez um trabalho incrível com aquele vídeo curtinho mas muito eficaz. Eu não cheguei a ver nem trinta segundos dele e pra terem noção, senti arrepios até em lugares que não exponho publicamente. (!) De verdade, me emocionou. Temos que admitir que aquele clima de união é… er… um pouco forçado, mas acho que é assim que uma produção com essa função deve ter, de qualquer maneira. Não condiz com a realidade, claro – se eu ou qualquer um saísse dançando pela rua naquele estilo “Mama África” (que foi? Me lembrou o clipe do Chico César mesmo, e daí?), em qualquer lugar do país que fosse e não só no Rio, seria um pouco… bizarro, pra dizer o mínimo.

Se bem que observando a alegria de alguns membros da confederação brasileira momentos antes, não duvidaria se todos eles levantassem de repente, na hora de abrir o envelope e começassem a cantar “We Are The World”, com uma emoção que faria até Michael Jackson levantar do túmulo. Quando a câmera passou rapidamente pelos seus rostos, eles não conseguiram se conter: a cantoria se manifestou na forma de tchauzinhos eufóricos e braços elevados ao ar, fazendo sinais de “já ganhou!”. Foi engraçado e quase bobo ver aqueles caras barbados (sem menção direta ao presidente Lula, claro – mas incluindo-o nesse meio) agindo como criancinhas de cinco anos de idade prontas para abrir um video-game novo. Aparentemente tosco, mas pensei que, se tratando de nós, não poderia ser diferente, e acho que isso não é ruim.

Passada a euforia inicial, alguns pontos que eu tinha em mente sobre o acontecimento voltaram um segundo depois pra minha cabeça e eu pensei, epa!

jadebarbosa2

"Ai, não venha me falar de problemas!?"

(continua)

 

 

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