MIOLÃO • Bridget Jones
 

All posts tagged Bridget Jones

As cenas e os temas (Parte 2)

O MIOLÃOTEAM apresenta hoje a segunda parte do especial “As cenas e os temas“, em que escolhe momentos do cinema – famosos ou não – onde as junções entre música e imagens não podiam ter sido melhores.

Em breve, a terceira e última parte estará no ar. Aguarde!

Um Beijo Roubado – The Story (Norah Jones)

Sim, as pessoas que disseram que esse é um dos beijos mais memoráveis do cinema recente não estavam erradas: Norah Jones interpreta em “My Blueberry Nights” (de Kar Wai Wong) uma garota comum que decide viajar e deixar tudo para trás depois de uma frustração amorosa. No caminho, ela conhece diversas figuras excêntricas enquanto um pretendente, dono de uma doceria freqüentada pela personagem e vivido por Jude Law morre de saudades da antiga freguesa. Depois de muito tempo distantes, o merecido reencontro, que resulta nessa cena poética e sensível: a canção tocando ao fundo é “The Story”, interpretada pela própria Norah. Seu ritmo lento e sensual apenas acentua como o acontecimento é sincero. Um beijo roubado nunca foi tão envolvente. Veja.

O Diário de Bridget Jones – All By Myself (Jamie O’Nell)

Curtir uma fossa num sábado à noite não é algo muito agradável, mas Reneé Zellweger transforma uma “sessão deprê” regada a cigarros e álcool numa experiência divertidíssima – pelo menos para o espectador. Dublando a canção “All By Myself” (na versão de Jamie O’Neal) a atriz arranca gargalhadas e mostra a cara de Bridget Jones, uma das personagens mais carismáticas das comédias românticas. Ouça.

Southland Tales – All These Things That I’ve Done (The Killers)

Ok. Richard Kelly, o diretor de Donnie Darko, patinou legal em uma de suas empreitadas – esse conto que nunca acerta ao abordar temas como dominação capitalista, fim do mundo e degradação da sociedade. A surpresa vai por conta dessa cena, uma das poucas coisas válidas do filme, que é meio picareta: nela, Justin Timberlake dubla a ótima e apoteótica “All These Things That I’ve Done” dos The Killers em meio à diversas mulheres que celebram pateticamente a suposta grandeza (cega) do sonho americano. Um momento que mesmo bem colocado não salva o filme do marasmo. Assista.

9 – A Salvação – Somewhere Over The Rainbow (Judy Garland)

“9 – A Salvação” foi uma grata surpresa entre as animações lançadas no ano passado. O filme, dirigido por Shane Acker e produzido por Tim Burton conta a história de bonecos de pano que possuem alma e procuram salvar o mundo, que futuro distante, tornou-se caótico e apocalíptico: é tudo o que pode ser dito para não estragar a história. A produção consegue emocionar ao confrontar o espectador com a freqüente idéia da esperança tentando sobreviver num universo onde claramente não existe brecha alguma (ou quase!) para que ela exista. A canção “Somewhere Over The Rainbow”, interpretada por Judy Garland, é executada em uma cena tocante; um momento de aparente tranqüilidade em que os protagonistas parecem próximos – mesmo que por poucos segundos – da tão almejada felicidade que buscam. Aperta o coração e deixa sem palavras.  Ouça.

Tudo Para Ficar com Ele – The Penis Song (Cameron Diaz, Selma Blair e Christina Applegate)

Vulgar? Hilária? Provocante? Independente da sua opinião, é impossível ficar alheio à parodia de “I’m Too Sexy” de Right Said Fred – que por sua vez, é inspirada numa canção de Jimi Hendrix – feita pelo elenco do filme “Tudo Para Ficar com Ele”: a música, um empolgado manifesto sobre a anatomia masculina (?) divide opiniões, mas é, com certeza, marcante para quem assiste, gostando ou não. O Miolaoteam se encaixa no primeiro caso. Assista.

Ellie Parker – Heart of Glass (Blondie)

Naomi Watts interpreta em “Ellie Parker” uma aspirante à atriz cuja vida parece cada vez mais fora dos eixos: tem uma melhor amiga que ignora seus desabafos, um namorado que não dá a mínima para o relacionamento, um empresário que não acredita no seu potencial e não é levada a sério em nenhuma entrevista de emprego. A cena em questão mostra Ellie preparando-se para um teste, onde poderá ganhar o papel de uma prostituta: ela veste o figurino e faz o seu próprio e – impagável – aquecimento, tendo como trilha sonora “Heart of Glass” do Blondie. O filme, que teve repercussão quase nula no circuito comercial é um achado que merece ser visto. Espirituoso, dramático na medida certa e nunca piegas, mostra o quanto Naomi Watts é talentosa – além de mostrar que alguns atores/atrizes são a melhor escolha para determinados papéis. Watts rouba cada cena e é delicioso vê-la atuando: você irá torcer muito pela “azarada” protagonista, pode acreditar. Assista.

p.s.: Vale reforçar que não disponibilizamos os links com os respectivos trechos em todos os casos pois nem todos eles foram encontrados na Internet. Assista os filmes na íntegra, porém: independente das cenas comentadas, eles são ótimos! :)

Deve Ler: Orgulho e Preconceito, Jane Austen

Jane Austen

Você provavelmente já deve ter tido contato com a história de “Orgulho e Preconceito”, da escritora britânica Jane Austen. Pode ter lido o livro, ou até assistido uma das adaptações da história que já foram filmadas. É difícil dizer qual obra da escritora é a mais famosa, mas é provável que “O&P” preencha essa vaga – ele, é um ótimo exemplo da literatura à frente do seu tempo que Jane produzia na época.

No centro da história está Elizabeth Bennet, segunda mais velha numa família de cinco irmãs, que vive com seus pais e um relativo conforto no ano de 1797, na Inglaterra. A heroína do livro não se encaixa nos padrões que as moças da época deveriam seguir e recusa-se a correr atrás de pretendentes, como desejava a matriarca da família, a Sra. Bennet, que queria à todo custo, ver suas filhas casadas e de preferência, com um marido de alto poder aquisitivo. Os acontecimentos centrais do livro começam quando Liz conhece Mr. Darcy, cidadão influente que acompanha seu amigo, Mr. Bingsley, em sua estadia pelo condado onde habitam os Bennet. Devido a algumas situações constrangedoras, ele desperta a antipatia de Lizzy, que começa a odiá-lo quase imediatamente. Mas nada garante que esse sentimento não possa mudar…

Orgulho e Preconceito”, dito assim, parece ser um romance comum, no melhor (melhor?) estilo “Sabrina”, mas engana-se quem pensa assim! Jane Austen criou uma fórmula que muitos autores posteriores tentariam seguir. A maioria deles não teve êxito, pois, talvez não captaram a essência do livro: além do embate amoroso central, existe também uma forte crítica aos costumes da época, coisa que pouquíssimos escritores desenvolviam naquele tempo. A personagem Elizabeth não é uma versão “fictícia” da autora, como em “A Redoma de Vidro” de Sylvia Plath – comentado anteriormente aqui no Miolão – mas possui muito em comum com ela. As duas, na vida e na ficção, buscavam lutar contra a realidade “acomodada” que vivenciavam, reclamando das futilidades que eram tão freqüentes e dos hábitos opressores.

Cena de "Orgulho e Preconceito" (2005)

Cena da adaptação para o cinema de "Orgulho e Preconceito" (2005), com Keira Knightley e Matthew MacFadyen.

Jane sabia bem do que estava falando: nascida numa família consideravelmente influente na época, cresceu numa fase em que a sociedade britânica correspondia à aquela que mostrava em seus livros. Produzia textos desde pequena e, embora vanguardista, destacava-se apenas pelo seu dom fascinante com a escrita. Foi a forma mais eficaz que encontrou para expressar, do seu jeito, suas indignações, frustrações, divertimentos e vontades – esses, limitados pelo meio em que vivia. Possuiu uma vida frutífera no campo das artes, mas despida de muitos encantos no âmbito pessoal. “Orgulho e Preconceito” foi publicado enquanto ainda estava viva: Jane faleceria em 1817, deixando diversas obras que seriam lançadas postumamente. Sua vida foi adaptada às telonas com “Amor e Inocência”, estrelado por Anne Hathaway e James McAvoy – filme agradável, mas que como muitas adaptações, conta apenas metade da realidade, exagerando em muitas outras.

A leitura do livro é bastante lenta, e a narrativa é cheia de detalhes: cenários, emoções e pensamentos são esmiuçados de forma incisiva e também espirituosa. Jane Austen é irônica, firme mas sensível e é difícil não adorar a protagonista do livro e não torcer pelo casal. Dá dó quando acaba: você sente que conhece aqueles personagens tão bem que gostaria de acompanhar o que acontece na vida deles depois daquele último ponto final. “Orgulho e Preconceito” já teve diversas adaptações, sendo as mais famosas o especial de TV produzido pela BBC em 1995, que trazia Colin Firth como Mr. Darcy e, mais recentemente, em 2005, o filme estrelado por Keira Knightley, que concorreu ao Oscar de melhor atriz pela sua interpretação como Elizabeth. Embora mais focado no romance do que nos diversos outros aspectos que a história oferece para reflexão, o filme é ótimo e possui a essência do universo que Jane criou – ou apenas reproduziu com fidelidade, quem sabe?

Ah, uma curiosidade: sabia que “O Diário de Bridget Jones” é uma versão contemporânea do clássico de Austen? A autora do livro, Helen Fielding comentou, na época que o filme foi lançado: “As tramas de Jane Austen são muito boas e têm sido exploradas durante os séculos. Então, eu decidi simplesmente roubar uma delas.” Tanto é que até o par romântico de Bridget possui o mesmo nome do herói original (Mr. Darcy) e é interpretado por Colin Firth, exatamente pelo fascínio da autora na interpretação do ator realizada no especial da BBC que comentei. Sim, de fato muitos se inspiraram no humor e nas criações de Jane Austen e é por esse motivo e outros que sua obra deve ser sempre redescoberta. Siga a dica do post e leia “Orgulho e Preconceito”, mas não limite-se apenas à ele, toda obra de Jane vale a pena ser descoberta. Vai ver que o conselho é válido!

Capa de uma das diversas edições nacionais de "Orgulho e Preconceito".

Capa de uma das diversas edições nacionais de "Orgulho e Preconceito".

 

Features Stats Integration Plugin developed by YD

UA-11237259