Comentamos recentemente aqui no Miolão a respeito do filme Frida. A partir desse post, surgiu a idéia de homenagear a sua trilha sonora, uma das mais bonitas e bem construídas que já ouvimos.
Fundindo instrumentos regionais com um piano clássico, Elliot Goldenthal, sem dúvidas, compõe uma trilha significativa e profunda, na medida em que os elementos mexicanos das músicas nos remetem a caracteres fortemente associados ao país de origem da pintora (e à própria personalidade da mesma), como a paixão e o drama, e o piano dá um tom classudo às faixas. É também através desses instrumentos que somos transportados para o universo de Frida, o que ocorre com a solidez necessária para traduzir Kahlo como uma mulher pioneira e corajosa, que lutou contra seus problemas físicos e uma série de convenções sociais.
Quando eu tinha doze, treze anos de idade, Nelly Furtado elevou a música pop a outro nível em meu imaginário, pirando minha cabeça de um jeito que nenhuma outra cantora do gênero havia feito até então. Eu não acreditava como “Whoa, Nelly!” – seu debut – poderia reunir tantos elementos sonoros bons em um só lugar e transmitir uma energia tão animada e autêntica.
Em suas faixas, Nelly brinca, canta, manda beijos, fala de suas vontades, lamenta-se por parceiros amorosos, questiona sua fé, seus desejos, cita sua vontade de ser maior que qualquer um poderia prever e se diz livre como um pássaro. É cheio de uma energia tão jovial que soa sem limites, libertador. Ainda é meu disco favorito da artista, mas não é dele que falarei. Continue lendo →
Então, gente, a partir de agora, toda sexta-feira vai ter uma mixtape linducha aqui no Miolão. Essa primeira tem um pouquinho de cada um dos integrantes do Miolão Team. Tem Metallica, Camera Obscura e até Zooey Deschanel. E se você conseguir adivinhar quem escolheu cada música, ganha um prêmio! Mentira. Não tem prêmio, mas a gente vai ficar feliz se você comentar. E se quiser sugerir um tema, tá valendo também.
1 - Eliza Doolittle - Moneybox
2 - The Libertines - Can’t Stand Me Now
3 - Miguel Bose & Julieta Venegas – Morena Mia
4 - Hurts - Wonderful Life
5 - Camera Obscura - My Maudlin Career
6 - Joe Strummer & The Mescaleros – Mondo Bongo
7 - Caetano Veloso – Não Enche
8 - Metallica – Die Die My Darling
9 - The Kooks - Do You Wanna
10 - Interpol - Barricade
11 - Eliza Doolittle – Police Car
12 - Zooey Deschanel – Sugar Town
Nos últimos dias a internet foi bombardeada com notícias sobre a separação de Angelina Jolie e Brad Pitt.
A assessoria de ambos não se manifestou a respeito e, por enquanto, tudo não passa de especulação.
Aliás, se tem uma coisa que a imprensa adora é especular e cobrir em todos os detalhes as separações dos famosos. E sendo bem sincero, a gente também adora acompanhar isso, mesmo que de vez em quando, certo? Pensando nisso, listamos abaixo 5 casos notáveis de separações, saca só:
Oriunda da cena musical paulista, a cantora Tiê foi uma das maiores revelações da música nacional no ano passado. A artista, que recebeu esse nome em homenagem à um pássaro canoro – como explica na canção “Passarinho”, presente no seu álbum de estréia, “Sweet Jardim” – esteve envolvida com a produção musical desde sua juventude. Dos primeiros festivais de música do colégio onde estou, em São Paulo, até a produção do disco debut, Tiê se apresentaria em todo o país e também no exterior, sozinha ou muito bem acompanhada: ex integrante da banda de apoio do músico Toquinho, a paulistana já realizou parcerias com Dudu Tsuda, membro da banda Trash Pour 4 e, mais recentemente, com o francês Chris Garneau (que você já conheceu aqui no Miolão) e o brasileiro Thiago Pethit, outro músico de sucesso no cenário independente.
“Sweet Jardim” foi produzido depois de um processo bastante traumático na vida da cantora: ela permaneceu afastada dos palcos há poucos anos por um certo período, ao descobrir que possuía um tumor – felizmente, benigno – no pulmão. Se existe uma frase famosa que diz que “só quem experimentou o caos pode dar origem à uma estrela bailarina”, ela mostra fazer jus a realidade nesse caso: depois do período de recolhimento, cheia de dúvidas constantes sobre sua saúde e carreira e de uma recuperação de êxito, Tiê passou a trabalhar novamente com o mesmo foco de antes, inspirada pelas recentes experiências, e, claro, pela bagagem gigante que já carregava consigo. E dessa fase, surgiu um dos melhores trabalhos nacionais lançados em 2009.
Lançado de forma quase independente e produzido por Plínio Profeta, “Sweet Jardim” é um disco bastante cativante. Tiê não precisa de grandes produções para contar suas histórias – no caso dela basta a sua voz, um violão, um pianinho e talvez uma ou outra participação especial eventualmente. O foco no som de Tiê está também no tom confessional de suas letras, como se tivessem transformado em canção as correspondências secretas enviadas à alguém ou mesmo o diário de uma jovem, com questionamentos nem sempre fáceis de serem respondidos e sinceros, como se não houvesse ninguém para censurar esses pensamentos.
O disco começa com “Assinado Eu” (acima), a linda e dolorida faixa de abertura – que ganhou um videoclipe charmoso. Nela, Tiê cria coragem para contar a um caso amoroso sobre o peso que sente ocasionado por um relacionamento mal sucedido, dizendo que ainda deseja estar ao seu lado, mesmo que somente como amiga. “Dois”, ironicamente (ou não!) a segunda faixa do álbum, fala sobre a empolgação originada pelo surgimento de um novo amor e da vontade de se abrir completamente a ele. Dependo do seu humor, é impossível não sentir um certo nó na garganta com “Quinto Andar”, onde a cantora lamenta à um estranho sobre alguém que a deixou de lado. “Amor, por que eu te chamo assim, se com certeza você nem lembra de mim?”, ela diz. No caso, o “estranho” da letra é também todos nós, que nos compadecemos com o seu clamor.
Todas as músicas da cantora são autobiográficas e remetem a algo que vivenciou. Em entrevista para a Rolling Stone, Tiê disse que suas influências surgem por motivos diversos, desde o cheiro de charuto do vizinho, até algo que comeu, o filme que viu ou o seu gato de estimação, Jackson. (?) “Passarinho” e “Chá Verde” são duas das faixas onde isso parece mais evidente: a primeira, fala sobre a origem do seu nome e sobre suas ambições de vida, enquanto “Chá Verde” é o retrato mais fiel da fase de tratamento médico, para curar seu tumor – a bebida do título era indicada pelo seu acupunturista, um chinês que esteve envolvido em sua recuperação. A música, apesar de aparentemente triste, é bastante otimista, e fala dos planos que ecoam em sua cabeça e superam a doença e as chateações do momento.
Tiê flerta com outras línguas em algumas faixas do disco, como na atrapalhada lição de como falar outro idioma de “Aula de Francês” (abaixo) e “Stranger But Mine”, onde mostra, numa letra completamente desenvolvida em inglês o interesse por um semi-conhecido e sua vontade de fazê-lo subir para outro patamar. Ainda resta espaço em “Sweet Jardim” para a candura de “Te Valorizo”, para a história de amor quase angustiante e surreal de “A Bailarina e o Astronauta”, que fala de uma atração inevitável ocasionada por um acontecimento trágico, e a fantástica faixa-título, que conta com a participação de Toquinho e passa uma sensação de paz e esperança, ainda assim com uma pitada de tristeza que arrebata o ouvinte. Uma ótima forma de finalizar o charmoso álbum.
O disco fez com que as atenções da mídia se virassem, com justiça, para Tiê, que, entre outros feitos, concorreu ao VMB de Melhor Artista Independente no ano passado. Atualmente, a cantora está grávida de seu primeiro filho com o diretor e produtor Leandro HBL, e depois de um show no Centro Cultural São Paulo, em Dezembro, anunciou que entraria em férias dos palcos por essa razão. Paralelamente, trabalha na produção de novas canções para o seu segundo disco, com previsão de lançamento para ainda esse ano. Caetano Veloso, fã confesso da artista, fez uma lista das “pessoas que tornam São Paulo interessante” e não pôde deixar de inseri-la na mesma. O MIOLAOTEAM concorda, e recomenda o som dessa promissora artista paulista no dia do aniversário da cidade.
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=t2aE-mnNZJ4
As versões que Lady Gaga faz de algumas músicas são inconfundíveis, assim como essa. É até bacana, mas tirou totalmente o ar “épico” e a empolgação crescente da gravação original. Adoro a cantora, mas lá pela metade, a versão de Gaga já começa a enjoar.
Fiona Apple: Across The Universe (Beatles)
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=8gLWTtlMwo4&feature=fvw
Um daqueles casos em que a regravação é melhor do que a versão original. A dos Beatles é ótima, mas a tristeza envolvente que Fiona Apple emprestou a esse cover é de arrepiar.
Nelly Furtado: Sozinho (Caetano Veloso)
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=oSgTC6WXv7w
Nunca gostei muito de nenhuma das versões dessa música, mas o sotaque lusitado de Nelly Furtado deixou-a, no mínimo, um pouco mais cativante.
The Killers: Girls Just Wanna Have Fun (Cyndi Lauper)
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=-RrRSPjLvWI
Inspirados pela dance music em seu último álbum, pode ser que os garotos do The Killers tenham se empolgado o suficiente pra fazer um cover do clássico de Cyndi Lauper. Brandon sempre se solta nas dancinhas!
St Vincent – These Days (Nico)
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=1vxQs84FMWQ
A voz de St. Vincent soa frágil e indefesa nessa versão da música composta e gravada por Jackson Browne e posteriormente pela ex-vocalista do Velvet Underground, Nico. A letra da música é linda, um lamento. E cada pessoa que a interpretou mostra nuances completamente diferentes – ora a canção soa mais otimista, algumas vezes totalmente desesperançosa. Annie Clark, a.k.a St Vincent, por sinal, é uma ótima cantora, que pode vir a se tornar mais conhecida por uma música sua inserida na trilha sonora de “Lua Nova”. Conheçam a banda, mas não precisam ir ver o filme no cinema, tá?
One Republic: Mercy (Duffy)
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=fD8sLsvn9qQ
A banda, que ficou famosa ao gravar “Apologize” com Timbaland, regrava a música da cantora Duffy, que ficou impregnada na cabeça de muita gente no ano passado. Boa para aqueles que simpatizam com a canção, mas detestam os agudinhos da artista. Até eu que gosto, admito: de vez em quando é difícil ouví-la por períodos prolongados sem querer dar um soco no rádio. (?)
Johnny Cash: Hurt (Nine Inch Nails)
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=o22eIJDtKho
Johnny Cash se apropriou da música, com sua voz de mágoa e naturalmente melancólica. Outra no mesmo nível da versão original.
Florence And The Machine: Halo (Beyoncé)
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=0_ohj99qeBA
Depois do susto que levei com a cara da Florence Welch , a.k.a. Florence + The Machine na foto do vídeo, me atentei a versão curiosa de Halo que ela fez. Gosto da artista, mas não posso dizer que essa versão seria hit no meu mp3. (?) O resultado é estranho.
Ida Maria: Sweet About Me (Gabriella Cilmi)
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=aBITg73bYw8
Sabe a música do comercial do Rexona, com a mocinha de cabeça pra baixo? Ganhou uma versão menos “arrumadinha” da roqueira Ida Maria. Ficou ótima!
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=64mdCi95ySs
Ignore a má qualidade de gravação: Regina Spektor transformou um dos singles do álbum “American Life” em uma de suas músicas impecáveis tocadas no piano.
Elvis Costello: Beautiful (Christina Aguilera)
Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=Gkd4rq0hRyY
Versão de “Beautiful”, música escrita por Linda Perry e interpretada por Elvis Costello que certamente marcou para os fãs da série House M.D!