MIOLÃO • Cannes - Part 2
 

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Vem Aí: Restless

Até pouco tempo o talento do diretor Gus Van Sant foi bastante questionado. Dono de uma filmografia desprendida de gêneros, o cara já fez de tudo um pouco: filmes sobre tragédias juvenis  (Elephant e Paranoid Park), refilmagem quadro a quadro de uma obra clássica (Psicose), um misto entre comédia-drama-suspense-mamãe-o-que-é-isso? (Um Sonho Sem Limites) e até dramas de caráter documental (como Last Days e super premiado Milk).

O desapego por narrativas convencionais somados ao notável desejo de transmitir sensações – por mais incomodas que elas possam ser – fazem com que o cinema de Gus tenha SEMPRE como foco a história que ele conta, de modo que todos os outros elementos (som-ausência-de-som-música-closes-movimentos-de-câmera-cores-fotografia-figurino-arte-etc-etc-etc)se tornem apenas ingredientes menores que só fazem sentido quando orquestrados em prol do roteiro.

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Música de Comercial: Sex Machine, James Brown

Quantos comerciais você já não assistiu que mostravam um belo carro andando lindamente por um cenário vazio e bucólico?

Se você ligar sua televisão agora é bem provável que logo nos primeiros minutos você seja bombardeado por 1, 2, 3 ou 4 propagandas de carros desse jeito. Assim como acontece com a maioria dos comerciais de cerveja, os filmetes feitos para divulgar automóveis raramente fogem do modelo descrito acima e de tão comuns parecem ter sido produzidos pelas mesmas mentes (nada) criativas.

Mas, como em toda a regra, temos também exceções, como no caso do comercial acima. Produzido pela agência argentina Agulla y Bacetti, o filmete que mostra um garoto meio bobo repetindo incontáveis vezes a palavra “geropa” foi o grande vencedor do Festival de Cannes de 1999. Inusitado e divertido, o filme foi encomendado para divulgar o lançamento do Renault Clio MTV. Adaptada pela Lowe e exibida no Brasil entre 2001 e 2002, por aqui a propaganda ficou conhecida como “o comercial do ‘gerooopa!’ e levou em 2002 o Prêmio Multishow de melhor comercial do mês.

Geropa!”, que na verdade é “Get On Up“, é o refrão de Sex Machine, um dos grandes clássicos da lenda chamada James Brown – indiscutivelmente uma das figuras mais fantásticas e importantes da história da música mundial. Cheia de gingado, Sex Machine foi gravada pela primeira vez em 1970 para o disco homônimo e regravada em 1975 para o álbum Sex Machine Today.

Mesmo após 40 anos do lançamento, Sex Machine conversa sua essência funk e faz bonito nas pistas e festinhas por onde passa. O mesmo ocorre com a propaganda, que mesmo já tendo mais de 10 anos, não envelheceu nada e ainda consegue arrancar sorrisos.

Gerooooopa! ;]

Resumo da Semana: O Bom, o Mau e Feio

Hoje é um dia muito especial para Karla Nunes, nossa mais nova desmiolada, pois é seu aniversário! Então, gente, vamos mandar pensamentos de luz, luz, muita luz porque nesse momento ela deve estar curtindo um show do SandyeJuniorLima (versão solo e masculina -!- de Sandy e Junior). Por causa disso, eu fiquei encarregado do resumo da semana… E ele será um pouquinho diferente.

Separamos abaixo 3 momentos interessantes que foram marcantes nessa última semana e que, na próxima, ninguém mais vai lembrar.

Então vem comigo!

O BOM

Ahhhhhhhhh, o amor! Como diria Valesca Popozuda, o amor é lindo!

Penélope Cruz, uma das mulheres mais seyxs e desejadas do planeta, casou-se com o ator do momento – o cara venceu melhor ator em Cannes esse ano e é o favorito ao Oscar do ano que vem por Biutiful -, Javier Bardem no início desse mês. A notícia, que foi confirmada na terça por Antonio Rubial, representante da atriz.

A falta de uma data precisa deve-se ao fato de que a cerimônia secreta, que aconteceu nas Bahamas, foi para poucos: apenas família e amigos estiveram presentes.

Infelizmente não pude ir, mas pelo que me disseram foi tudo muito lindo.

O RUIM

Vovó Naiá, a vovó mais queri, opa, esclerosada do Brasil, lançou seu primeiro disco no dia 13/07/2010 aqui em São Paulo. O cd, lançado em parceria com Edy Lopes (who?), chama-se Os Românticos e é recheado de pérolas como o clássico Não Se Vá, de Jane e Herondy.

Com grandes convidados na platéia, como seus netos e a ex-BBB Ana Carolina, Vovó Naiá botou para quebrar com um maravilhoso playbeckão.

Dizem as más línguas que o bar foi interditado e teve sua licença caçada.

E O FEIO

Ver o vídeo do garoto Dilmaboy (pegou a redundância?) foi demais para minha cabeça. Sério, gente, é preocupante. se os pré-adolescentes de hoje curtem ouvir a banda do Toba, opa, Koba (alô família Restart!); os jovens de hoje estão mais interessados em política.

Mas não se engane: nada de pintar a cara ou ir as ruas. Isso é muito anos 90! O jovem de hoje para mostrar que é antenado pega mesmo um hit da Lady GaGa e transforma em hino político.

Paulo Reis, de 27 anos, eu disse VIN-TE-E-SE-TE-A-NOS, pegou Telephone, de GaGa, e fez uma letra muito… curiosa, em homenagem a Dilma Rousseff, candidata a presidência do PT.

E o que eu tenho a dizer sobre isso? Poxa, marketeiros do PT, golpe baixo, hein?! Tá na cara que isso é um viral. Qua qua qua pra nós, que caímos feito patinhos. Quero dizer, até eu tô divulgando essa budega. Coisa feia!

Top 5: Diretores e Seus Queridinhos

De vez em quando algumas parcerias entre diretores e atores dão tão certo que eles repetem a dose. E mais de vez em quando ainda o repeteco se estende por mais filmes e mais filmes, como se o diretor esquecesse que há outros atores no mundo.

Se você duvida, dá uma olhada em nosso Top 5:

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Los Abrazos Rotos

Los Abrazos Rotos

O novo filme de Pedro Almodóvar, que estreiou em circuito comercial na última sexta-feira, basea-se em Harry Caine (Lluís Homar, de Má Educação) um roteirista de cinema cego que vive sozinho, contando apenas com o auxílio de sua produtora/amiga Judit (Blanca Portillo, de Volver) e o filho dela (Tamar Novas).

Aos poucos a trama se revela em nuances suaves, mais complexas do que se poderia supor.

Harry Caine é, antes de tudo, um homem que se converteu em personagem. E o filme é, antes de qualquer coisa, uma declaração de amor.

Harry é o pseudônimo de Mateo Blanco, famoso diretor de filmes. Ele enterra seu verdadeiro nome, sua carreira e toda sua vida para se ver livre do passado. Mas tudo muda quando Ray-X (Rubén Ochandiano), um jovem inquieto, bate em sua porta propondo parceria para um filme. A entrada do rapaz reaviva lembranças que não cicatrizaram e a partir daí a película ganha contornos mais densos, indo e voltando no tempo com uma leveza absurda. A construção da personagem de Mateo/Harry é tão bem elaborada que ficamos fascinados por sua vida.

No entanto, todo fascínio é roubado quando Lena, interpretada magistralmente por Penélope Cruz, entra em cena. Lena é um ser quase fantástico; uma mulher com traços absurdamente reais e ao mesmo tempo idealizados. Os problemas que Lena enfrenta com sua família, seu desejo em ser atriz e os encalços de sua vida, resultam numa personagem única e apaixonante. Embora nosso protagonista seja Harry, Lena é, sem dúvida, a alma do filme. É o amor e a obsessão que ela desperta que acaba unindo todas as pequenas tramas, culminando num final surpreendente e totalmente satisfatório.

Se Abraços Partidos fosse um filme mudo ele seria simplesmente genial. É notável e digno de aplausos a maneira com que Almodóvar filma: os planos elegantes, a paixão por Penélope, as cores vivas, a falta de cores e os closes contribuem para que o espectador não apenas veja o filme, mas o sinta em todos os sentidos. Cenas como a de que Lena chora sobre os tomates ou aquela em que Lena “dubla” a sí mesma enquanto seu marido a assiste são de um apuro estético que transcendem qualquer barreira de linguagem.

Mas nem só de imagens se faz um filme. É divertido perceber como em dados momentos as histórias são colocadas em segundo plano para que a beleza das cenas se sobressaia. Assim como é incomodo notar que às vezes há sequências inteiras sem razão e nem por que. Talvez tenha sido esses pequenos luxos que Pedro se permitiu que fizeram que seu filme fosse esnobado em Cannes. Tanto faz. No fim das contas, a sensação que fica é de que todo deslize é pouco importante: Abraços Partidos é cinema em seu estado mais bruto.

Los Abrazos Rotos, Pedro Almodóvar, 2009.

Abraços Partidos. Com Lluís Homar, Penélope Cruz, Blanca Portillo, Tamar Novas, Rubén Ochandiano, José Luis Gómez, Lola Dueñas e Ángela Molina.

 

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