Até pouco tempo o talento do diretor Gus Van Sant foi bastante questionado. Dono de uma filmografia desprendida de gêneros, o cara já fez de tudo um pouco: filmes sobre tragédias juvenis (Elephant e Paranoid Park), refilmagem quadro a quadro de uma obra clássica (Psicose), um misto entre comédia-drama-suspense-mamãe-o-que-é-isso? (Um Sonho Sem Limites) e até dramas de caráter documental (como Last Days e super premiado Milk).
O desapego por narrativas convencionais somados ao notável desejo de transmitir sensações – por mais incomodas que elas possam ser – fazem com que o cinema de Gus tenha SEMPRE como foco a história que ele conta, de modo que todos os outros elementos (som-ausência-de-som-música-closes-movimentos-de-câmera-cores-fotografia-figurino-arte-etc-etc-etc)se tornem apenas ingredientes menores que só fazem sentido quando orquestrados em prol do roteiro.
Quantos comerciais você já não assistiu que mostravam um belo carro andando lindamente por um cenário vazio e bucólico?
Se você ligar sua televisão agora é bem provável que logo nos primeiros minutos você seja bombardeado por 1, 2, 3 ou 4 propagandas de carros desse jeito. Assim como acontece com a maioria dos comerciais de cerveja, os filmetes feitos para divulgar automóveis raramente fogem do modelo descrito acima e de tão comuns parecem ter sido produzidos pelas mesmas mentes (nada) criativas.
Mas, como em toda a regra, temos também exceções, como no caso do comercial acima. Produzido pela agência argentina Agulla y Bacetti, o filmete que mostra um garoto meio bobo repetindo incontáveis vezes a palavra “geropa” foi o grande vencedor do Festival de Cannes de 1999. Inusitado e divertido, o filme foi encomendado para divulgar o lançamento do Renault Clio MTV. Adaptada pela Lowe e exibida no Brasil entre 2001 e 2002, por aqui a propaganda ficou conhecida como “o comercial do ‘gerooopa!’ e levou em 2002 o Prêmio Multishow de melhor comercial do mês.
“Geropa!”, que na verdade é “Get On Up“, é o refrão de Sex Machine, um dos grandes clássicos da lenda chamada James Brown – indiscutivelmente uma das figuras mais fantásticas e importantes da história da música mundial. Cheia de gingado, Sex Machine foi gravada pela primeira vez em 1970 para o disco homônimo e regravada em 1975 para o álbum Sex Machine Today.
Mesmo após 40 anos do lançamento, Sex Machine conversa sua essência funk e faz bonito nas pistas e festinhas por onde passa. O mesmo ocorre com a propaganda, que mesmo já tendo mais de 10 anos, não envelheceu nada e ainda consegue arrancar sorrisos.
Hoje é um dia muito especial para Karla Nunes, nossa mais nova desmiolada, pois é seu aniversário! Então, gente, vamos mandar pensamentos de luz, luz, muita luz porque nesse momento ela deve estar curtindo um show do SandyeJuniorLima (versão solo e masculina -!- de Sandy e Junior). Por causa disso, eu fiquei encarregado do resumo da semana… E ele será um pouquinho diferente.
Separamos abaixo 3 momentos interessantes que foram marcantes nessa última semana e que, na próxima, ninguém mais vai lembrar.
Penélope Cruz, uma das mulheres mais seyxs e desejadas do planeta, casou-se com o ator do momento – o cara venceu melhor ator em Cannes esse ano e é o favorito ao Oscar do ano que vem por Biutiful -, Javier Bardem no início desse mês. A notícia, que foi confirmada na terça por Antonio Rubial, representante da atriz.
A falta de uma data precisa deve-se ao fato de que a cerimônia secreta, que aconteceu nas Bahamas, foi para poucos: apenas família e amigos estiveram presentes.
Infelizmente não pude ir, mas pelo que me disseram foi tudo muito lindo.
O RUIM
Vovó Naiá, a vovó mais queri, opa, esclerosada do Brasil, lançou seu primeiro disco no dia 13/07/2010 aqui em São Paulo. O cd, lançado em parceria com Edy Lopes (who?), chama-se Os Românticos e é recheado de pérolas como o clássico Não Se Vá, de Jane e Herondy.
Com grandes convidados na platéia, como seus netos e a ex-BBB Ana Carolina, Vovó Naiá botou para quebrar com um maravilhoso playbeckão.
Dizem as más línguas que o bar foi interditado e teve sua licença caçada.
E O FEIO
Ver o vídeo do garoto Dilmaboy (pegou a redundância?) foi demais para minha cabeça. Sério, gente, é preocupante. se os pré-adolescentes de hoje curtem ouvir a banda do Toba, opa, Koba (alô família Restart!); os jovens de hoje estão mais interessados em política.
Mas não se engane: nada de pintar a cara ou ir as ruas. Isso é muito anos 90! O jovem de hoje para mostrar que é antenado pega mesmo um hit da Lady GaGa e transforma em hino político.
Paulo Reis, de 27 anos, eu disse VIN-TE-E-SE-TE-A-NOS, pegou Telephone, de GaGa, e fez uma letra muito… curiosa, em homenagem a Dilma Rousseff, candidata a presidência do PT.
E o que eu tenho a dizer sobre isso? Poxa, marketeiros do PT, golpe baixo, hein?! Tá na cara que isso é um viral. Qua qua qua pra nós, que caímos feito patinhos. Quero dizer, até eu tô divulgando essa budega. Coisa feia!
De vez em quando algumas parcerias entre diretores e atores dão tão certo que eles repetem a dose. E mais de vez em quando ainda o repeteco se estende por mais filmes e mais filmes, como se o diretor esquecesse que há outros atores no mundo.
O novo filme de Pedro Almodóvar, que estreiou em circuito comercial na última sexta-feira, basea-se em Harry Caine (Lluís Homar, de Má Educação) um roteirista de cinema cego que vive sozinho, contando apenas com o auxílio de sua produtora/amiga Judit (Blanca Portillo, de Volver) e o filho dela (Tamar Novas).
Aos poucos a trama se revela em nuances suaves, mais complexas do que se poderia supor.
Harry Caine é, antes de tudo, um homem que se converteu em personagem. E o filme é, antes de qualquer coisa, uma declaração de amor.
Harry é o pseudônimo de Mateo Blanco, famoso diretor de filmes. Ele enterra seu verdadeiro nome, sua carreira e toda sua vida para se ver livre do passado. Mas tudo muda quando Ray-X (Rubén Ochandiano), um jovem inquieto, bate em sua porta propondo parceria para um filme. A entrada do rapaz reaviva lembranças que não cicatrizaram e a partir daí a película ganha contornos mais densos, indo e voltando no tempo com uma leveza absurda. A construção da personagem de Mateo/Harry é tão bem elaborada que ficamos fascinados por sua vida.
No entanto, todo fascínio é roubado quando Lena, interpretada magistralmente por Penélope Cruz, entra em cena. Lena é um ser quase fantástico; uma mulher com traços absurdamente reais e ao mesmo tempo idealizados. Os problemas que Lena enfrenta com sua família, seu desejo em ser atriz e os encalços de sua vida, resultam numa personagem única e apaixonante. Embora nosso protagonista seja Harry, Lena é, sem dúvida, a alma do filme. É o amor e a obsessão que ela desperta que acaba unindo todas as pequenas tramas, culminando num final surpreendente e totalmente satisfatório.
Se Abraços Partidos fosse um filme mudo ele seria simplesmente genial. É notável e digno de aplausos a maneira com que Almodóvar filma: os planos elegantes, a paixão por Penélope, as cores vivas, a falta de cores e os closes contribuem para que o espectador não apenas veja o filme, mas o sinta em todos os sentidos. Cenas como a de que Lena chora sobre os tomates ou aquela em que Lena “dubla” a sí mesma enquanto seu marido a assiste são de um apuro estético que transcendem qualquer barreira de linguagem.
Mas nem só de imagens se faz um filme. É divertido perceber como em dados momentos as histórias são colocadas em segundo plano para que a beleza das cenas se sobressaia. Assim como é incomodo notar que às vezes há sequências inteiras sem razão e nem por que. Talvez tenha sido esses pequenos luxos que Pedro se permitiu que fizeram que seu filme fosse esnobado em Cannes. Tanto faz. No fim das contas, a sensação que fica é de que todo deslize é pouco importante: Abraços Partidos é cinema em seu estado mais bruto.
Los Abrazos Rotos, Pedro Almodóvar, 2009.
Abraços Partidos. Com Lluís Homar, Penélope Cruz, Blanca Portillo, Tamar Novas, Rubén Ochandiano, José Luis Gómez, Lola Dueñas e Ángela Molina.
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