Semana passada a gente disse categoricamente que 2012 seria “O” ano no que se referia a lançamentos de grandes artistas. Debuts aguardados como o de Lana Del Rey e a volta da Rainha do Pop eram alguns dos títulos que encabeçavam nossa listinha. E no final a gente se despediu dizendo que teria mais…
Pois bem, eis que estamos de volta. Dando prosseguimento a lista, apresentamos aqui a segunda parte de Os Discos Mais Aguardados de 2012. Se o pop e a música indie mais introspectiva dominaram a primeira seleção, nessa o rock se faz presente com gente da velha guarda, gente da nova guarda e gente que a gente simplesmente adora.
Vem com a gente e comece a salivar, porque, meus amigos, vem coisa boa por aí!
Há exatos dois anos entrava no ar o primeiro post do Miolão. Lembro como se fosse ontem de toda expectativa que dividi com meus amigos. A ideia de partilhar um bom conteúdo e falar de coisas divertidas era bastante entusiasmante. Aliás, era não. É.
Hoje, depois de 766 posts, 2.402 comentários e cerca de 409.00 acessos, o Miolão continua firme e forte – ultimamente com uma frequência de posts não tão regular, admito (mas não pensem que é por falta de vontade, hein! Acontece que os compromissos da vida real, também conhecidos como trabalho e faculdade, tem consumido por demais o nosso tempo…) – em seu propósito de dividir com vocês coisas legais.
E foi pensando nisso, em partilhar, que surgiu o tema de nossa 21ª Mixtape. Selecionamos o que de melhor apareceu em nosso Music Monday e montamos um disquinho com 19 músicas indefectíveis. A seleção é tão boa que arrisco dizer que dentre todas as mixtapes essa é, disparada, la mejor mejor.
A melodia original de The Wind, do Cat Stevens, é tão simples e pura que parece tentar esconder o que a letra quer dizer. A interpretação de Stevens, não menos singela do que a melodia, endoça essa sensação de que a música versa não sobre o remorso de ter cometido um erro e sim sobre o aprendizado de tal ato.
Na versão da talentosíssima Carina Round a gravidade do tema é escancarada em um tom neutro que, se não fosse pela doçura da voz, poderia ser confundida com a mais pura melancolia.
De todas as mixtapes que fizemos essa é a maior. E também a mais bonita. Simples assim. Ao longo das 17 faixas – acredite: parece ser bem menos de tão rápido que passa – a gente sente algo que fica entre o frio, a melancolia e vontade de ser abraçado. E também a vontade de sorrir.
Escolher as canções que compõem esse disquinho não foi tarefa das mais fáceis. De início eram quase 40 faixas. Eu disse quase quarenta. Qua-ren-ta. E aí a gente foi cortando. Cortando. E cortando. Até que sobraram essas músicas que vocês podem ver aí embaixo:
Há alguns anos, para ser mais exato em 2006, me atrevi a escrever algumas linhas sobre Slow Motion Addict, o último disco de inéditas de Carina Round. Comecei o texto dizendo algo mais ou menos assim:
“Antes de mais nada, quem mané é Carina Round?”
Hoje, cinco anos depois, percebo que eu poderia começar esse texto da mesma maneira.
Embora Miss Round já tenha colaborado com gente grande (ela fez os vocais deCome Pick Me Up, do Ryan Adams, e abriu alguns shows da última turnê dos Smashing Pumpkins), ela nunca chegou a ser muito conhecida. E isso me causa um espanto – e até uma certa revolta -, pois Carina é tão boa que não consigo entender como ela não conseguiu fazer sucesso ainda.
Se você, meu amigo, ainda não a conhece, provavelmente vai achar que estou exagerando. Mas eu tenho certeza que quando você a ouvir cantar vai partilhar, nem que seja um pouquinho, desse sentimento.
Comparada frequentemente a PJ Harvey, o estilo visceral e confessional da moça soa tão sincero que comove, impressiona e diverte. As apresentações ao vivo nunca deixam a desejar. Intensa como poucas, a britânica domina cada centímetro do palco – e ela consegue isso até sussurrando.
O primeiro disco da cantora, First Blood Mystery, foi lançado há cerca de 10 anos. Maduro e um pouco sisudo, ele contava com faixas tão boas que parecia difícil ser superado. Mas ele foi. The Disconnection – a obra-prima de Carina – era um trabalho mais acessível, intenso e seguro. Redondinho, o cd expurgou de uma vez por todas qualquer desconfiança não deixando espaço para a tão falada “síndrome do segundo disco”.Into My Blood, Lacunae Paris, só para ficar em alguns exemplos, eram tão tão tão incríveis que fariam qualquer crítico cair de joelhos – e qualquer fã de boa música ficar boquiaberto.
Stolen Car, a primeira faixa de Slow Motion Addict, seu terceiro álbum, carrega em sua essência uma aura de “rendição”. É como se Carina desistisse de lutar contra suas vontades e se entregasse. Mais do que isso. Ela entrega logo no primeiro verso (treating my body like a stolen car) o que deseja. Metáfora sólida para vontades comuns.
Conseguindo equilibrar sutileza e agressividade em suas linhas de guitarra, Carina consegue criar melodias memoráveis que casam perfeitamente com suas letras coloridas com sarcasmo, sinceridade, entrega e beleza. O som, que em determinados momentos flerta com o trip-hop (como na belíssima The City eJanuary Hearts), assume nuances complexas e crescentes sem perder a sensibilidade pop. Livre, leve e solta, o repertório da cantora transita entre o folk, o rock e o punk sem nunca parecer refém de um único estilo.
Carina é dona de sua música. Carina é dona de si.
Agora me fala, com sinceridade, é ou não é revoltante ver gente como Carina não ter o reconhecimento merecido?
Vinicius de Moraes disse uma vez que o destino de todo homem é a liberdade. Se a liberdade é nosso destino, nada melhor que curtir o fim de semana livre!
Sugiro que você baixe nossa trilha, coloque para tocar a todo volume e esqueça por um momento as preocupações do dia a dia. Afinal, você merece! ;]
A garota loira que começou a tocar depois de ser expulsa do colégio se apropria da canção de GaGa de tal forma que por um breve momento a gente até esquece da irresistível embalagem pop de GaGa.
Se você gostou, vale a pena conhecer o trabalho de Lissie. Até agora ela possui apenas 2 EPs e uma porção de faixas soltas por aí. A música dela é uma mistura consciente de folk, trip hop, rock e country. Escute abaixo On My Chest, música presente em Lisse, seu primeiro EP, lançado ano passado:
Curtiu? Saiba que Lissie está preparando seu primeiro álbum e a produção será de ninguém menos que Glen Ballard, o responsável por Jagged Little Pill, de Alanis Morissette e Slow Motion Addict, de Carina Round.