MIOLÃO • Catherine Keener
 

All posts tagged Catherine Keener

Trust

Depois de muito polemizar no último ano por conta de sua temática, Trust, o segundo trabalho de David Schwimmer na direção, finalmente chegará as salas de cinema de todo o Brasil. A produção, que estreia nos cinemas amanhã, é totalmente diferente do que poderíamos esperar do Ross, de Friends. Trust não é uma comédia. Trust é um ensaio sobre as consequências de um tipo de violência que tem sido cada vez mais comum.

O mote do filme, escrito a quatro mãos por Andy Bellin e Robert Festinger, se dá a partir da relação de uma adolescente de 14 anos com um rapaz na internet que, mais tarde, descobrimos ser um pedófilo na casa dos 40 anos que vitimiza garotinhas inocentes.

Continue lendo →

3 Momentos: Ellen Page

Não é de hoje que queremos fazer um 3 Momentos em homenagem a Ellen Page. O motivo que nos levou a adiar – e cogitar nunca escrever nada a respeito – foi um só: a dificuldade em apontar (apenas) três momentos relevantes de sua carreira. Canadense, Ellen tem 24 anos de idade, rostinho de 17 e um talento tão grande e gritante que faz inveja a muita veterana.

Ela, que atua desde criancinha em seriados e pequenos filmes, ganhou notoriedade ao interpretar a personagem título de MeninaMá.Com (Hard Candy, 2005) com precisão e complexidade e foi alçada ao posto de uma das melhores interpretes de sua geração pelo fofíssimo Juno (2007) que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz (perdendo para Marion Cotillard, por Piaf – Um Hino ao Amor).

Depois do enorme sucesso de Juno, Page corria o risco de ter seu rosto estigmatizado como o da adolescente atrevida e espertinha que amava punk-rock. Mas esse, definitivamente, não foi o caso.

Escolhendo a dedo seus projetos, a garota demonstrou maturidade e ousadia ao trilhar um caminho pouco comum e nada óbvio. Participando de blockbusters (X-Men: O Confronto Final, A Origem) e filmes menores (Garota Fantástica, Face Oculta) com o mesmo afinco e desenvoltura, Page não se preocupou em “enterrar” a personagem que lhe rendeu fama. Ao contrário, ela evoluiu o suficiente para ser dissociada e reconhecida por seu – imenso – talento. E é isso que a gente vê agora.

Continue lendo →

Vem Aí: Please Give

Como vocês podem ver aí em cima, o título desse filme que estreou em março nos EUA e chega nas telonas do Brasil em 28 de outubro, é Please Give. Talvez para colocar um pouco mais de dramaticidade, a Sony, distribuidora do filme, preferiu modificar o título para Sentimento de Culpa.

O trailer, bem mais leve do que o título sugere, revela atuações ricas e todos os ingredientes dos recentes sucessos indies – tudo que a gente adora!

A história de Please Give se passa em Nova York e foca sua atenção nos dilemas cotidianos de Kate e Alex, um casal aparentemente comum (vividos pela ídolo Catherine Keener e pelo pouco valorizado Oliver Platt) que possuem uma loja de móveis que vai de vento em polpa e uma filha adolescente consumista (a ex-gordinha fofa que fez Espanglês e que eu não sei o nome). Além do dilema ético do que fazer com o dinheiro ganho, os protagonistas tem a missão de cuidar das netas de sua vizinha idosa que está prestes a morrer: Rebecca (Rebecca Hall, a Vicky, de Vicky Cristina Barcelona) é cuidadosa e parece ser uma boa moça e Mary (Amanda Peet, voltando a confortável posição de coadjuvante de luxo) que não tá nem aí para nada além de seu próprio umbigo.

Queridinho do Festival de Berlim e de Sundance (o filme foi exibido fora das competições oficiais, mas recebeu ótimas críticas), Sentimento de Culpa promete divertir e levantar sérias questões morais e éticas na mesma proporção.

De acordo com Nicole Holofcener, a roteirista e diretora, o tema central da película é a família.

Ah, outra coisa! Como se não bastasse a premissa e o elenco, nós, brasileiros, temos um motivo a mais para assistir Sentimento de Culpa: a trilha foi composta inteirinha por Marcelo Zarvos, pianista de responsa e parceiro habitual de Bruno Barreto (o cara tem no currículo a trilha de Última Parada 174 e o lindinho Bossa Nova).

Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief

Se reunirmos tudo que vem sendo dito sobre Percy Jackson e o Ladrão de Raios chegaremos em 3 pontos principais:

1. Ele é o novo Harry Potter.
2. Não há nenhum respeito pelas figuras mitológicas retratadas.
3. O filme não engrena: não emociona, não empolga.

O mais absurdo nisso é que por mais que repitam tudo isso, é tudo mentira.

Primeiro porque essa coisa de comparação rasa com Harry Potter é coisa de crítico preguiçoso. Só porque o filme é baseado num livro infanto-juvenil de sucesso e lida com um universo fantástico não quer dizer que haja uma ligação, porque se assim fosse, Preciosa seria a mesma coisa que Amor Sem Escalas, já que os dois são baseados em livrinhos “dramáticos”.

Segundo que Percy Jackson não tem porque ter compromisso com o classicismo grego, já que seu enredo não é baseado na Odisséia ou nas histórias clássicas e sim no livro Percy Jackson e os Olimpianos, de Rick Riordan. Não li o livro, mas através de uma breve pesquisa pude constatar que o grande diferencial da série é justamente mesclar o mundo contemporâneo com a mitologia clássica. E partindo dessa premissa, Percy Jackson e o Ladrão de Raios faz isso com louvor.

Por último, mas não menos importante, o filme engrena sim e logo nos primeiros minutos. O grande responsável por isso é Chris Columbus, diretor do longa. Chris que tem em seu gene a mesma qualidade que fez de Steven Spilberg uma lenda prova mais uma vez seu talento para contar histórias. Pegue por exemplo seus trabalhos como roteirista nos anos 80 (Os Goonies, Gremlins e Uma Noite de Aventura) ou seus divertidos e despretensiosos filmes dos anos 90 (Esqueceram de Mim, Uma Babá Quase Perfeita e Lado a Lado) e confira que os protagonistas valentes e aventuras cheia de ritmo são marcas constantes em seus trabalhos. E com Percy Jackson não é diferente.

Sem perder tempo com explicações e blá blá blá, somos apresentados a Percy Jackson, um garoto desajustado e dislexo que vive com a mãe (interpretada pela sempre ótima Catherine Keener) e seu odioso padrasto. Logo descobrimos – junto com Percy – que ele na verdade é um semideus, filho de Poseidon e está no meio de uma batalha que envolve muitos interesses: o Raio de Zeus (a mais poderosa arma já criada) foi roubado e Percy é o principal suspeito.

Acompanhado de seu melhor amigo e protetor Groover (Brandon T. Jackson) e Annabeth Chase (Alexandra Daddario), filha de Atena, Percy parte em uma missão que tem como objetivo ir a Terra dos Mortos e resgatar sua mãe rapitada por Hades, ao mesmo tempo em que deve encontrar o Raio. No meio do caminho sobram referências pop e participações deliciosas, como a de Uma Thruman – quanto menos você souber é melhor, acredite -, Pierce Brosnan, Rosario Dawson e o super divertido Steve Coogan. A trilha sonora acompanha o filme de maneira óbvia mas funcional. É admirável como eles conseguiram colar AC/DC, Lady GaGa e Ke$ha de um jeito tão bem humorado.

É claro que Percy Jackson tem defeitos -e não são poucos-, mas a soma geral é tão positiva que eles se tornam quase nulos. Quase. Porque é bem que é complicado conceber que Percy tenha superado a morte de sua mãe tão rapidamente quando ele achou que ela tinha falecido- isso não é spoiler, eu juro! – ou que todos os pontos que eles precisou ir em sua jornada- inclusive a Terra dos Mortos e o Olimpo- ficassem nos EUA. Mas como eu disse, no geral o saldo é positivo.

Os 121 minutos do filme passam rápido e ele diverte. Os bons efeitos especiais não soam exagerados, o roteiro, embora falho, funciona e as personagens principais são carismáticas e divertidas. Destaque especial para Logan Lerman como Percy Jackson e Rosario Dawson como Perséfone, totalmente à vontade no papel.

Se quiser um conselho, assista o filme tendo em mente o que ele realmente é: um passatempo divertido e ritmado, como os bons filmes da Sessão da Tarde. Aliás se quer um conselho mesmo, assista o filme sem nada em mente: assim a experiência vai ser boa (mesmo que você a esqueça 15 minutos depois).

Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief, Chris Columbus, 2010.

Percy Jackson e O Ladrão de Raios. Com: Logan Lerman, Rosario Dawson, Brandon T. Jackson, Alexandra Daddario, Jake Abel, Sean Bean, Pierce Brosnan, Steve Coogan,Catherine Keener, Uma Thruman, Joe Pantoliano e Kevin McKidd.

Where The Wild Things Are

Onde Vivem Os Montros, o filme, é um dos projetos que mais tive vontade de ver na tela grande ano passado, ficando atrás apenas de Bastardos Inglórios e Foi Apenas Um Sonho. Quando soube que teria que esperar meses até ter a chance de assistir (o filme só estreou no Brasil na última sexta), fiquei meio desapontado, mas a vontade de ver não só continuou lá como foi crescendo com o tempo.

Há cerca de 20 dias passei pela Livraria Cultura e por curiosidade peguei o livro Onde Vivem Os Monstros, de Maurice Sendak, pra ler. Li a história em menos de 2 minutos e fiquei perplexo em como aquele material poderia ter virado filme. Na hora foi impossível conceber como um livro com apenas 9 frases daria um bom longa metragem. Se você não teve a chance de ler, eu explico. No clássico livro de 1963, um menino chamado Max é castigado depois de fazer malcriações e acaba ficando sem jantar. Do seu quarto, o garoto imagina um mundo selvagem, repleto de monstros, onde ele se torna rei.

O que eu não consegui imaginar na hora que li acabou se tornando real enquanto assistia: o livro, de 9 frases, tinha sim virado filme. E mais do que isso: um bom filme.

Nas mãos de Spike Jonze, cultuado diretor de Quero Ser John Malkovich e Adaptação, o argumento de Sendak ganhou contornos explosivos, sensíveis e enigmáticos. Assistir Onde Vivem Os Monstros é quase como entrar em uma Máquina do Tempo e regressar a uma época em que toda emoção era intensa e todo sentimento vivo.

Quando o garoto Max chega a terra dos Monstros e grita “Que comece a selvageria!” ele ordena o início não só da baderna mas também da liberação de seus sentimentos mais profundos. Nos monstros, ele percebe pouco a pouco vestígios de sua personalidade mimada, egocêntrica e instável. Ao mesmo tempo em que ele nota seus defeitos ele não se reconhece nas figuras. Um bom exemplo disso é o ciúme que Carol, o monstro, sente por KW;  obviamente uma reprodução de todo sentimento de Max por sua mãe, da mesma maneira que outras situações refletem exatamente o que ele passa.

Rasteiro e aterrador como só o universo infantil pode ser, Max se vê em situações limites, indo dos risos as lágrimas de uma cena pra outra. A grosso modo, o filme é o que Max vê e, principalmente, sente. Nós somos Max. A câmera trêmula de Jonze aliada à vitalidade do estreante Max Records são admiráveis, assim como a trilha sonora composta por Karen O and the Kids, que impulsiona o filme e impõe ritmo as cenas de ação (que não são poucas), criando uma atmosfera densa e doce durante todo o tempo.
Como se não bastasse, o elenco ainda conta com a sempre ótima Catherine Keener e Mark Ruffalo. No time dos monstros, a dublagem ficou a cargo de gente do mais alto nível, como por James Gandolfini, Forest Whitaker, Catherine O’Hara, Paul Dano, Chris Cooper e Lauren Abrose.

Outro ponto que merece destaque é a questão estética, que salta aos olhos desde a primeira cena. O visual do filme e os monstros são um show a parte: os bonecos que foram trabalhados em computação gráfica transmitem um realismo de emoções completamente crível, despertando antipatia e carinho na mesma medida. Um belo exemplo do uso da tecnologia a favor da arte.

Como o próprio Spike Jonze declarou, o filme é sobre compreender o mundo e as pessoas a nossa volta. Crescer. E essa mensagem fica clara no final, porque assim como Max, a gente cresce um pouquinho quando retorna ao mundo real. Belo filme.

Where The Wild Things Are, Spike Jonze, 2009.

Onde Vivem Os Monstros. Com: Max Records, Catherine Keener, Mark Ruffalo, James Gandolfini, Lauren Ambrose, Michael Berry Jr., Forest Whitaker, Catherine O’Hara, Chris Cooper e Paul Dano.

 

Features Stats Integration Plugin developed by YD

UA-11237259