Arquivo da Tag Charlotte Gainsbourg

3Momentos: Charlotte Gainsbourg

23/06/2010 às 10:55 em Aleatoriedades, No Som, Telinha & Telão

As vezes, parece que Charlotte Gainsbourg está envolvida com tantos trabalhos interessantes que parece estar em toda parte: a atriz/cantora/modelo, filha de um dos casais de artistas mais influentes da cultura francesa – Serge Gainsbourg e Jane Birkin – é competente em tudo o que faz. Como se sozinha já não fosse suficientemente original, Charlotte já trabalhou com nomes como Beck, Michel Gondry, Lars Von Trier, Air, Jarvis Cocker e Alejandro Iñarritu. Sua carreira é cheia de momentos instigantes, trabalhos provocadores e cheios de originalidade. Abaixo, o MIOLÃOTEAM seleciona alguns deles, para que você conheça mais sobre o universo da francesa.

Charlotte & Serge Gainsbourg – Lemon Incest

Essa é a faixa título do álbum “Lemon Incest”, o primeiro disco lançado por Charlotte, ainda na pré-adolescência. Escrita por seu pai, Serge Gainsbourg – e com a participação dos mesmos nos vocais – a canção gerou polêmica na época de seu lançamento: a letra fala de um amor desmedido entre pai e filha, com a então jovem Charlotte sussurando em francês que ama seu pai mais que tudo e que esse sentimento é o mais violento que podia sentir. Serge responde, dizendo que ela é sua carne e seu sangue e exaltando seus doces beijos. O tom lento e sensual da voz do cantor impõe uma sensualidade perturbadora à música.

O maior “baque” viria com o videoclipe, que traz ambos sob uma cama, num local inóspito: Charlotte somente de calcinha e Serge com o peito nu, ambos enroscando-se de forma provocante e incômoda. Nada muito, er… familiar, não é? Depois de crescida, Charlotte se justificou dizendo que na época não era mais inocente, sabia muito bem o que aquilo significava e que havia se divertido participando das gravações.

Se na vida real a relação dos dois também passava do habitual, nunca saberemos. O fato é que “Lemon Incest” foi o primeiro tabu na carreira de Charlotte, e um a mais no currículo de seu pai, um dos mais provocativos artistas da canção francesa até hoje. Veja.

Anticristo – Prólogo

Caso nunca tenha assistido “Anticristo”, o polêmico filme de Lars Von Trier com Willem Dafoe e a própria Charlotte nos papéis principais, veja agora sua sequência de abertura: a produção, que conta a história de um casal procurando superar o luto causado pela perda de um filho, é fruto de uma depressão de dois anos do diretor dinamarquês, que segundo ele próprio, conseguiu realizar seu filme mais íntimo.

É também daquele tipo de obra que ninguém que tem contato permanece alheio: vaiado no festival de Cannes, o filme chocou por suas cenas violentas ou de sexo explícito e pelo clima constante de insanidade. O duelo entre o casal principal nos leva ao limite: Dafoe está excelente, bem como Charlotte, que em entrevistas, declarou como a experiência foi espantosa e decisiva em sua carreira.

Aparentemente, esses temores levantados pela sua participação no filme resultaram em coisas boas: ela foi vencedora da Palma de Ouro de Melhor Atriz também no Festival de Cannes. Por sinal, merecidamente: a artista alterna entre as diversas emoções de sua personagem de forma assombrosa – não há forma melhor de definir. O próprio filme consegue ser detestável e fascinante na mesma medida. Independente de gostar ou não, “Anticristo” vale como uma experiência cinematográfica quase surreal e para ver, boquiaberto, Gainsbourg em um de seus melhores momentos. (ps. O vídeo possui cenas explícitas. Cuidado onde você assiste, ok?) Veja.

Charlotte Gainsbourg – Time of The Assassins

Os trabalhos musicais recentes de Charlotte Gainsbourg são elegantes e totalmente envolventes. A moça cresceu e conseguiu trazer o melhor das influências que absorveu durante sua vida – grande parte no seu “berço” – para aquilo que produz hoje. Alternando entre o francês e o inglês, a moça escolhe os melhores parceiros possíveis para acompanhá-la em suas empreitadas: seu segundo CD, “5:55” (2006), foi produzido pela dupla Air e traz uma atmosfera sensual e onírica. As ótimas “The Operation” e “The Songs That We Sing” são dois exemplos das pérolas que podemos encontrar em seu disco.

Ano passado, Charlotte lançou “IRM”, inteiramente produzido pelo cantor Beck (foto). O disco, delicado como o primeiro, mas um pouco mais barulhento e experimental, foi concebido depois de uma fase “reclusa” da cantora, que sofreu um acidente grave em 2007 e passou pelo desgastante tratamento de uma hemorragia cerebral. Com ele, amplia seu repertório com outras ótimas gravações, como a homônima “IRM” – que traz arrepiantes sons de máquinas de ressonância magnética – “Voyage”, “Trick Pony” e “Heaven Can Wait” , que ganhou um clipe nonsense e bom como a faixa. O “terceiro momento” de Charlotte é o video de “Time of The Assassins”, novo single do álbum. Veja.

…e uma curiosidade.

Essa, os fãs de Madonna vão conhecer: sabe a introdução da música “What It Feels Like for a Girl” , que traz uma voz vacilante e frágil falando sobre repressão feminina? Trata-se de um dos diálogos do filme “The Cement Garden” (1993)de Andrew Birkin – tio de Charlotte na vida real. Ela, que fazia parte do elenco, recita o pequeno trecho que tornou-se célebre com a canção. Confira.

Seja o primeiro a comentar

#Miolão Especial: Quando elas cantam…

08/03/2010 às 13:24 em No Som

Para o Dia Internacional da Mulher, o Miolão indica algumas canções que se encaixam perfeitamente na temática e valem ser ouvidas pelo conteúdo, pelo talento de suas criadoras – ou intérpretes – e por serem, além de tudo, marcantes. Confira abaixo e diga: qual é sua favorita?

Woman Left Lonely – Janis Joplin

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=klhK_4evO5c
A voz de Janis Joplin, que influenciou uma geração, aparece vigorosa como sempre nessa gravação: a trajetória da “mulher solitária” do título ganhou diversas versões, incluindo uma ótima com Cat Power nos vocais, mas o Miolaoteam opta, no caso, pela gravação original. Nada mais justo: Janis é uma das mulheres que mais contribuíram para a história da música e merece um lugar na lista.

Bobagem – Céu

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=zkc_oIwYwas
“Minha beleza não é efêmera como o que eu vejo em bancas por aí”, canta a carioca Céu, num sambinha cru e simpático lançado em seu primeiro CD, homônimo, de 2007. Ela declara em letra própria que sua essência reside mais do que somente na aparência. A música possui menos de três minutos e consegue deixar o seu recado: “ser mulher a vida inteira”, pontua.

Me and a Gun – Tori Amos

 

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=uKzCxi2yf5s
Aterradora. “Me and a Gun” é o relato real de uma tentativa de estupro pela qual Tori passou quando tinha ainda vinte e um anos. A música, que faz parte de “Little Earthquakes”, o disco que fez a cantora tornar-se conhecida mundo afora, é cantada à capela e causa arrepios pela naturalidade com que ela fala sobre o ocorrido, relatando os pensamentos que passaram por sua cabeça enquanto estava encurralada pelo homem em questão. Poética e chocante.

What It Feels Like for a Girl – Madonna

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=qYwgG2oyUbA
Com introdução da francesa Charlotte Gainsbourg, essa canção de Madonna fala sobre opressão e critica o papel submisso ao qual a mulher é submetida em alguns momentos de sua vida. O clipe da mesma, dirigido pelo seu ex-marido Guy Ritchie, foi censurado pela MTV e alguns outros canais de música por mostrar a cantora interpretando uma vítima de agressões físicas, que em um momento de fúria e acompanhada de uma simpática senhorinha começa a brincar de GTA na rua (?), atropelando os homens que encontra pelo caminho.

Travelling Woman – Bat for Lashes

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=a4XXkz4iFUM
Natasha Khan dirige o discurso de sua canção à uma mulher viajante e obstinada, dizendo que ela deve continuar trilhando seu caminho e ignorando as tentações do amor, que podem fazer seus planos irem por água abaixo. “Never fall in love with potential/cause you can’t see with your own eyes”, diz Natasha. O tom resignado e endurecido da canção, aliado aos arranjos precisos e a voz quase onírica de Natasha emociona.

Isobel – Dido

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=lpG4Pci6el8
Existem diversas teorias de fãs sobre o que a situação retratada na enigmática canção da inglesa Dido. Na letra da mesma, que é uma das melhores músicas do seu disco de estréia, “No Angel”, ela parece consolar uma amiga que perdeu seu filho, num aborto que não podemos entender claramente se foi espontâneo ou provocado. Isobel se sente ressentida pelo que aconteceu, enquanto Dido levanta questões sobre como teria sido a criança no futuro, caso tivesse nascido e tenta acalmá-la: “don’t punish yourself, live it well alone”. A cantora estabelece um diálogo marcante com a personagem, numa canção envolvente e misteriosa.

Todas as Mulheres do Mundo – Rita Lee

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=T1_z9ZKneAM
Rita Lee evoca todas as Xuxas, Madonnas, Dianas, Leilas Diniz e Evitas do mundo para mostrar, numa divertida canção de seu repertório, que as mulheres do mundo querem mesmo é poder. Sem duplo sentido, ok?

(You Make Me Feel Like) A Natural Woman – Aretha Franklin

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=-DSYZAiM-20
A canção clássica de Aretha Franklin foi regravada por nomes como Carole King e Celine Dion, que mandaram bem, mas não conseguiram superar a versão original e a emoção evidente da diva da black music, que canta sobre uma mulher que se sente plena devido a um novo amor que tomou conta de sua vida. Daquelas músicas que merecem ser relembradas diversas vezes.

Resposta – Maysa

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=z-AIc7yTJi8
Escrita pela cantora como um revide às criticas feitas em relação a sua vida profissional e particular, essa canção sintetiza toda a angústia e raiva reprimida que Maysa sentia por ter sua vida esmiuçada pelo público/mídia na época. “Se alguém não quiser entender e falar, pois que fale”, desabafa. Maysa teve uma vida breve, mas intensa. Uma canção marcante, que continua atual e pertinente nos dias de hoje, criada por uma das artistas mais expressivas de nossa música.

Girls Just Wanna Have Fun – Cyndi Lauper

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=x0cJnVeiMrw
Porque mesmo depois de quase 30 anos, as garotas ainda querem se divertir.

I’m a Lady – Santigold

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=PpL8odTN2_c
Nessa simpática faixa de seu debut, Santigold (ex-Santogold), conta vantagem por ser uma “dama”: decidida, que quebra corações e que provavelmente será  martirizada um dia por essa postura. A música é levemente sarcástica e cativa - talvez não no início, mas certamente depois de algumas audições. Vale ouvir.

Mary Jane – Alanis Morissette

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=IxBAuIuFGCk
Misto de homenagem a uma amiga e canção autobiográfica, a saga de Mary Jane, “a última grande inocente”, segundo as palavras de Alanis, é narrada de forma dramática e lindíssima. Impossível não se arrepiar com a letra fantástica e os diversos tons da cantora. Mary é, no fim das contas, igual a muitas mulheres, homens e muitos de nosso cotidiano.

Zé – Vanessa da Mata

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=JD1jX-qidBQ
Um relato delicado sobre um romance cheio de elementos antigos: tudo é descrito com tantos detalhes que quase dá pra sentir os tais cheiros de “hortelã, alecrim e jasmim”. Vanessa da Mata captou a ternura do ponto de vista feminino com maestria.

Ramblin’ (Wo)Man – Cat Power

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=jD6HceVd5Y8
Nessa versão do blues das antigas de Hank Williams, Cat Power declara o amor que sente por um homem, mas também que sua paixão pela liberdade da vida é ainda maior: ela sabe que poderá machucá-lo por isso, mas é simplesmente o seu jeito e não pode evitar.

E você? Que outra canção colocaria na lista?

2 Comentários