Nem toda segunda-feira precisa ser terrível. Nem toda quarta tem que ser modorrenta. E, infelizmente, nem toda sexta-feira é incrível. Mas, mesmo nos dias ruins, ou nos inesperados dias bons, é possível melhorar tudo… Com música.
Pensando nisso, que há dias e há dias, fizemos uma seleção com algumas canções que versam, direta ou indiretamente, sobre os acasos e os estados de espírito que os dias da semana costumam evocar. Talvez nossa seleção soe um tanto esquisita – principalmente porque, aparentemente, não há nenhuma coerência entre as gravações. Todavia, mesmo com toda falta de unidade (Christina Aguilera e Beatles num mesmo disco?), ela ainda consegue fazer sentido.
Semana passada a gente disse categoricamente que 2012 seria “O” ano no que se referia a lançamentos de grandes artistas. Debuts aguardados como o de Lana Del Rey e a volta da Rainha do Pop eram alguns dos títulos que encabeçavam nossa listinha. E no final a gente se despediu dizendo que teria mais…
Pois bem, eis que estamos de volta. Dando prosseguimento a lista, apresentamos aqui a segunda parte de Os Discos Mais Aguardados de 2012. Se o pop e a música indie mais introspectiva dominaram a primeira seleção, nessa o rock se faz presente com gente da velha guarda, gente da nova guarda e gente que a gente simplesmente adora.
Vem com a gente e comece a salivar, porque, meus amigos, vem coisa boa por aí!
Bionic, o último álbum de Christina Aguilera, foi um tremendo fracasso comercial: vendendo cerca de um milhão de cópias ao redor do mundo, o disco, que muito prometia, foi abandonado devido a seu insucesso – que pode ser creditado a sua péssima estratégia de divulgação e também a seus problemas na tracklist (um bloco só de baladas? Serious?).
Divagações à parte, o fato é que o projeto de Christina, salvo alguns detalhes, possuía uma produção pra lá de caprichada e algumas das melhores músicas de sua carreira.
Podem rir: eu sei que soa meio ridículo escrever qualquer coisa que tenha Paris Hilton como tema. Mas se tem uma coisa que não é nada rídicula é Paris, o álbum de estréia da loirinha.
Produzido por gente do naipe de Greg Wells (responsável por discos de Mika e Katy Perry) e Kara DioGuardi (Britney Spears e Christina Aguilera), o debut de Paris Hilton foi mal recebido pelo público não pelo fato de ser ruim, mas sim por parecer um capricho sem propósito de uma menininha mimada que acordou e decidiu ser cantora. No entanto, quem se deu ao trabalho de ouvir o breve disquinho (ele tem pouco mais de 40 minutos!), percebeu que havia nele algo refrescante e deliciosamente pop. Continue lendo →
Vou que confessar que de todas as mixtapes que fizemos até agora essa é a menos… “coesa”.
A aparente falta de sentido se justifica (se justifica?) pela soma de percepções dos desmiolados que escolheram as faixas (somos cinco, gente, CINCO!): Renato lançou o tema “verão” e aí cada um mandou o que achava que cabia. O resultado, como vocês vão poder ouvir logo mais, é uma mixtape plural, heterogênea e muito divertida.
A intenção aqui não é prever os hits desse verão nem nada disso. A gente só quer dividir uma trilha bacana pros dias de Sol.
1. She & Him – In The Sun
2. Room Eleven – Somedays
3. Beach Boys – Wouldn’t It Be Nice
4. Lenka – We Will Not Grow Old
5. Sheryl Crow – Soak Up The Sun
6. The Kooks – Seaside
7. Best Coast – Our Deal
8. John Travolta e Olivia Newton John – Summer Nights
9. Christina Aguilera e Peaches – My Girls
10. Rihanna – S&M
11. Lady GaGa – Summerboy
12. Girls Aloud – Long Hot Summer
13. Shakira e Dizzee Rascal – Loca
14. Roberta Sá – Eu Sambo Mesmo
15. Kylie Minogue – Slow
Ahhhh e pra quem se interessar, a capa é ilustrada pela linda da Zooey Deschanel, a mocinha que fez (500) Dias Com Ela e que canta a faixa de abertura.
Uma prévia pro Oscar. Há anos o Globo de Ouro é vendido assim. Porém, nos últimos tempos, os resultados entre as duas premiações tem divergido tanto que a afirmação aí de cima tem ficado cada vez mais longe da realidade. Mas em 2011 a coisa muda de cenário. Ou regressa a ele. Tudo porque os possíveis indicados a maior premiação do cinema tem chances iguais de vencer o prêmio. Não há nenhuma – ou quase nenhuma – unanimidade. E se querem mesmo saber isso é ótimo.
A festa que rolou ontem na California fez com que toda e qualquer aposta fosse revista. A Rede Social, grande vencedor da noite, confirmou seu favoritismo com nada mais nada menos que 4 prêmios. Esquecendo por um momento toda essa história, vamos tentar responder a pergunta que realmente interessa: foi justo?Meu favorito venceu?
Quando nós do Miolaoteam estávamos decidindo sobre quais temas falariamos na Semana das Crianças, eu lembrei da minha vontade de comentar sobre um desenho animado que marcou minha infância da forma que nenhum outro – ou quase nenhum – conseguiu fazer. Trata-se de Mulan: lançado há doze anos, é uma daquelas produções que estão na minha lista de “posso-ver-mil-vezes-que-não-canso” e que trazem memórias incríveis de quando eu era criança.
Lembro de quando passei na frente de um cinema daqui da cidade, com meus sete ou oito anos, e vi o cartaz de Mulan: já envolvido pela divulgação massiva que a Disney estava fazendo sobre o filme na TV, fiquei empolgadíssimo para que meu pai me levasse ao cinema para assisti-lo. Acabei não vendo em tela grande, mas minha empolgação não diminuiu: comprei o VHS em seu primeiro dia nas lojas e me apaixonei pelo universo daquela jovem chinesa logo nessa ocasião.
O que me atraia naquela época era o que geralmente chama a atenção da maioria das crianças: o carisma dos protagonistas, a separação entre “lado bem x lado mal” que cria o clímax da trama, as situações engraçadinhas, o tom de musical que a história possui. Tudo com a marca do quase sempre impecável selo Walt Disney: Mulan pode ter sido uma das últimas películas 2D realmente relevantes produzidas pelo estúdio.
Com o passar do tempo, porém, o filme adquiriu diversas novas virtudes, conforme minha sensibilidade ia se expandindo. A história da moça comum que decide ir à guerra disfarçada de homem no lugar de seu pai idoso para honrar a família, inspirada num milenar poema chinês de autor desconhecido, intitulado “Ballad of Mulan”, quer dizer muito mais do que diversos outros longas de animação que chegam/chegaram aos cinemas.
O foco da trama reside na busca constante de Mulan por mostrar o seu valor: envolvida por uma sociedade conservadora e costumes antiquados, a moça não quer se casar, é ardilosa, esperta e acredita que sempre pode fazer as coisas de um jeito diferente. Com alguns conflitos internos e familiáres, ela não é uma princesa comum de contos de fadas. Ao longo de sua jornada, Mulan encontra diversas chances para descobrir coisas sobre si mesma, aproximar-se de seus parentes, aprender o significado da palavra companheirismo com seus parceiros de combate, arranjar um pretendente e, de quebra, derrotar um império maligno. (!)
No poema original, a personagem principal acaba morta: já na animação, direcionada ao publico infantil, o final é bem mais feliz. Apesar dos diversos “floreios”, isso não impede que “Mulan” seja um filme mais maduro do que parece e com uma enorme sensibilidade.
Para uma criança, qualquer um pode servir de modelo; não importa se você se refere a uma pessoa de verdade, alguém criado nas mãos de um desenhista, ou talvez na tela de um computador. A história da brava chinesinha foi inspiradora para mim: me fez criar uma enorme empatia pela protagonista, enxergar os personagens de desenhos animados de outra maneira e, talvez, me comover com uma produção desse gênero de forma significativa. E arrisco dizer mais: ela injeta um bem vindo otimismo para pessoas que estão na idade onde as influências que vem daquilo que ouvimos e assistimos são ainda maiores – como eu aos 8 anos – e também para o público mais velho, chegado numa produção inofensiva, mas cheia de vida.
Além das razões pessoais para gostar de Mulan, o título possui méritos técnicos inegáveis: a trilha sonora composta por Jerry Goldsmith é um deles, com uma qualidade semelhante à de outras assinadas pelo cara, incluindo outro clássico Disney, “Pocahontas”. Sua música tema, “Reflection”, cantada por Christina Aguilera, ainda em começo de carreira (mas talentosa como sempre) é exemplo de canção que derrubou as barreiras do filme e tornou-se um sucesso também nas rádios ao redor do mundo, sendo posteriormente indicada ao Globo de Ouro de “Melhor Canção Original”. Além disso, conte também com cenas vibrantes e com um lindo visual, roteiro fluído e que não se rende aos manejos de desenhos infantis comuns e pronto: você tem em mãos um filme de grandes pretensões… mas que entrega exatamente o que promete.
Esses dias, comprei uma das edições do DVD de Mulan, dando “tchau” ao meu pobre VHS, que não possui quase serventia alguma. Se ele está agora obsoleto, a minha adoração por esse marco da minha infância não pode ser considerado similar: torço pra que essa fábula sobre determinação, manter-se fiel às suas esperanças e “tornar-se flor em meio às adversidades” continue dialogando diretamente com algumas coisas que passam em minha cabeça e fascinando novos públicos.