MIOLÃO • Cillian Murphy
 

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In Time

Produzido, dirigido e escrito por Andrew Niccol, o homem por trás de Gattaca – Experiência Genética, O  Show de Truman, O Terminal e Senhor das Armas, O Preço do Amanhã (In Time) é um filme… Diferente.

Apresentando um argumento bastante original, Niccol nos mostra uma visão distópica do futuro, onde as pessoas, ao completarem 25 anos, param de envelhecer e precisam, se quiserem continuar vivendo, trabalhar para pagar por seu tempo de vida. O tempo, aliás, é a moeda de troca daquele mundo. É com ele que os indivíduos compram café, pagam a passagem de ônibus e também o aluguel.

Prevendo perguntas do tipo “como tudo ficou assim?”, Niccol se antecipa e responde, logo nos primeiros minutos, através da narração de seu personagem principal, e explica que “as coisas simplesmente são assim”, fazendo com que o espectador mantenha o foco na história em que ele quer contar. O problema é que a tal história se perde em meio às intenções nada sutis do diretor em traçar um paralelo entre sua obra com o capitalismo (a frase “tempo é dinheiro”, de Benjamin Franklin, nunca foi tão literal).

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3 Momentos: Cillian Murphy

Acho que é o rosto. É, deve ser isso. O rosto de Cillian Murphy foi moldado pro cinema.

Quando o vejo em cena, a impressão que tenho é de que suas feições podem assumir qualquer humor com a mesma intensidade e capacidade de convencimento. Tenho a sensação de que ele pode se tornar louco, apaixonado, determinado, histérico ou sofrido quase sem fazer esforço. Só que por mais que sua expressividade funcione, parece que ele não se contenta. E aí, meus amigos, percebemos que ele atua não só com o rosto, mas com o corpo inteiro.

Modificando sua postura, seu jeito de andar, criando sotaques, se perdendo em meio a figurinos exóticos e por vezes emulando até uma respiração diferente da sua, o irlandês de 35 anos é um Ator com “A” maiúsculo. Mal dá pra acreditar que ele, por pouco, muito pouco, quase se graduou em direito. Ainda na universidade, Murphy demonstrava uma queda pelo mundo das artes. Com alguns amigos, ele tinha uma banda chamada Sons of Mr. Greeneges. Sua aptidão para música garantiu a ele um papel de destaque numa peça chamada Disco Pigs. Foi o tiro certeiro. Resoluto de sua verdadeira vocação depois de sair em turnê com a peça, Cillian largou a faculdade e pouco tempo depois foi parar no cinema numa adaptação daquele texto.

Bastante reservado quando o assunto é sua vida pessoal, ele mantém sua família (além de casado, o cara é pai de duas meninas!) longe dos holofotes. É visível que Cillian não está nessa pela fama. Ele faz cinema porque sabe fazer.

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Inception

De Christopher Nolan, diretor do ótimo The Dark Knight, Inception chegou ontem às salas de cinema do Brasil com muito menos glamour que seu irmão morcego. Um título misterioso – A Origem –, um pôster nada extravagante e um dos trailers mais instigantes do sec. XXI: essa foi a composição para a estreia do que pode vir a ser – e, por que não, já é – o melhor filme de ação/sci-fi norte-americano desse século.

Imagem de Amostra do You Tube

Só a lista do elenco já é um motivo mais do que suficiente para ir até a telona: Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe, Cillian Murphy… O enredo, no mínimo, desperta curiosidade. Quer dizer, é sobre um mundo – o nosso mundo, aliás – onde a tecnologia é usada para invadir sonhos alheios e roubar segredos. Se isso não for o suficiente, bom, Inception tem, simplesmente, algumas das cenas mais incríveis que a tecnologia de set pode nos proporcionar – isso porque o diretor quase não usou efeitos digitais. A cena da batalha com gravidade zero foi produzida em um cenário giratório.

A história é longa para os padrões atuais, mas prende o espectador a cada segundo, sem ser chata ou repetitiva. As peças do suspense bem construído, inicialmente com muitas questões confusas, vão se encaixando ao longo do filme, sem deixar brechas nem falhas. Às vezes a informação cai na tela meio mastigada demais – um close-up desnecessário ou um personagem formulando respostas em voz alta – mas esses detalhes não conseguem prejudicar o ótimo andamento do filme.

DiCaprio não está tão piegas como é o comum, a Ellen Page é uma Linda e Miss. Piaf está FA-BU-LO-SA. Aliás, as referências e os trocadilhos de Nolan discretamente inseridos entre um plano e outro chegam a criar mais um suspense para o espectador, um mistério minimalista da mente do diretor a ser desvendado pela plateia mais atenta; ou ninguém sentiu que já conhecia a música usada como sedativo? As “inspirações” de Nolan estão todas ali, nos cenários, nos personagens: M.C. Escher, os irmãos Wachowski… Por que vocês sabem, meus lindos, no cinema é como na física: nada se cria, tudo se copia. Hehe.

Além da ótima história, de todas as cenas incríveis, dos atores espetaculares e de uma direção de mestre, Inception ainda conta com uma trilha musical de Hans Zimmer, vestindo a cascata de imagens com o som perfeito. Christopher Nolan não fez somente uma obra-prima: com Inception, provou que, quando Hollywood quer, sabe fazer um grande filme – em todos os sentidos.


E, se alguém tiver interesse, agora eu tenho uma nova cena preferida. Quem deixar um comentário adivinhando qual é ganha um doce.

Inception, Christopher Nolan, 2010

A Origem. Com: Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ken Watanabe, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt e Cillian Murphy.  

 

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