Gosto de ler sobre cinema e sobre filmes quase tanto quanto gosto de assisti-los. Não me contento com sinopses ou críticas mecânicas que seguem à risca um modelo estrutural frio e antiquado. Caço entre linhas e informações as palavras que expressam o que o sujeito sentiu ao assistir.
Os primeiros textos que li a respeito de Os 3 não foram muito elogiosos. Os mais mal-humorados criticavam os esforços da (caprichada) direção de arte em deixar o apartamento do trio de protagonistas com um aspecto descolado. Houve quem tentasse discutir a gênese de triângulos amorosos no cinema. E Tiago Farias, o Superoito, disse que o cinema mostrado no filme era um tipo de “cinema publicitário sem culpa (e sem rumo, sem graça, sem brio, sem razão de ser)”.
Minhas expectativas em relação ao longa eram pequenas, mas suponho que mesmo que fossem enormes eu sairia da sessão do mesmo jeito que saí: completamente satisfeito.
Estava aqui pensando no quanto deve ter sido difícil bolar uma sinopse convincente e honesta para O Palhaço. Escrever em poucas linhas a respeito do que se trata a produção é uma tarefa complexa. Não que o mote do filme seja complicado (ele não é). A história, na verdade, é bastante simples. Complicado mesmo é tentar objetivar sensações que transbordam subjetividade.
Contando a história de uma trupe circense que viaja pelo interior de Minas Gerais, o segundo longa dirigido por Selton Mello, que também assina o roteiro, consegue, em 90 minutos, arrancar risos e lágrimas do espectador ao retratar situações bucólicas e “exóticas”. Esmiuçando com destreza a vida na estrada e o mundo do circo, Selton, que além de comandar o filme também o estrela, compõe um retrato em constante movimento de figuras estranhas e palhaços tristes.
Seu personagem, protagonista do longa, é um oximoro ambulante: “obrigado” a fazer graça junto de seu pai (Paulo José) durante os espetáculos, ele vive uma vida regada de melancolia. Sem ter tempo de pensar sobre seu estado de espírito – além de palhaço ele administra o circo -, e sem saber ao certo se deseja passar sua vida como palhaço, ele vai, progressivamente, se entregando a um estado de inércia e tristeza. O curioso é que, mesmo profundamente triste, ele continua sendo, aos olhos dos outros, engraçado. Compondo seu palhaço com uma notável sensibilidade, Selton Mello dispensa muletas e investe em uma caracterização sóbria. O que o transforma num quase-autista é seu olhar parado, sua fala acelerada – que nos momentos de ansiedade parece quase cantada – e sua postura sempre displicente. É como se as frustrações acumuladas ao longo da vida estivessem presentes nos mínimos detalhes. A escolha de Selton por usar, quando mostra o personagem, planos estáticos, amplificam a sensação de inadequação do personagem ao passo que constrói planos elegantes.
Foi mais ou menos há uns 4 ou 5 meses. Eu estava saindo do cinema, acho que da sessão de Partir, no Belas Artes, quando me deparei com este pôster aí de cima colado na parede.
O interesse foi imediato. Sempre fui meio obcecado por temas relacionados a essa coisa meio juvenil, quase infantil. E este, em específico, parecia ser mais um longa leve e divertido. Cheguei mais perto e li um nome que fez com que minha vontade de assistir só crescesse: Laís Bodanzky.
Um filme nacional específico tem feito barulho em eventos como o Festival de Cinema do Rio e em outros que tem sido exibido: ele chega às telonas pra todo mundo ver no dia 12 desse mês. Trata-se de Histórias de amor duram apenas 90 minutos, o primeiro filme do diretor Paulo Halm, que já possui uma extensa carreira como roteirista em nosso cinema.
Em entrevista, Halm, responsável por roteiros de sucessos nacionais como Cazuza – O Tempo não pára e a versão cinematográfica da peça Pequeno Dicionário Amoroso definiu o longa como “o retrato de uma geração que tem talento, mas nunca decola”. O título, sarcástico e que chama a atenção, refere-se ao tempo que o amor pode durar – tanto na ficção, quanto na vida real.
O protagonista da trama é um jovem escritor, Zeca, vivido por Caio Blat, que está envolvido no processo de criação de seu novo livro. Dramático e extremo, entrega-se a delírios de amor por sua noiva, Júlia, vivida por Maria Ribeiro (mulher de Blat também fora da ficção) que, por sua vez, possui planos e ambições bem diferentes para o relacionamento que os dois mantém e para sua própria vida. A chegada de uma terceira personagem promete mudar radicalmente o cotidiano do casal em crise, e faze-los pensar sobre suas reais necessidades, ambições e vontades.
O filme tem sido brindado pelo público e mídia especializada como uma comédia dramática que emociona pela simplicidade: o dia-a-dia dos protagonistas, seus sabores e vitórias são mostrados da forma mais natural possível, e o encanto dessa história de amor (ou mais que isso?) reside na idéia de que tudo o que é mostrado parece plausível e deriva das diversas sensações e decisões que passam pela cabeça das pessoas, como se cada um arquitetasse o seu próprio destino. Ui.
Se Histórias de amor duram apenas 90 minutos é bom como promete, grande parte das pessoas – inclusive o pobre Miolaoteam, que nunca foi convidado para festivais de cinema (?) – saberá daqui há poucos dias: pelo menos no Rio e em Sampa o filme estréia na próxima sexta, dia 12/03/2010. Se você ficou curioso, veja o trailer abaixo: