
Sexo Sem Compromisso, aquele filme que ficou conhecido como, com o perdão do trocadilho, o “projeto descompromissado” de Natalie Portman – que tinha acabado de vencer o Oscar deste ano por sua intensa Nina em Cisne Negro – abordava de uma maneira bastante convencional – e às vezes burocrática – uma questão bastante interessante: é possível manter uma relação baseada em sexo sem nenhum envolvimento emocional? O longa dizia que não.
Na produção, Portman dava vida a uma bem sucedida e independente médica, que cansada das complicações e da dependência gerada pelos relacionamentos românticos, acordava com seu amigo (Ashton Kutcher) fazer sexo pelo sexo. Como era de esperar, os planos da garota foram por água abaixo: eles acabaram se apaixonando. O final super previsível (com direito a todos os clichês do subgênero de comédia-romântica, incluindo a viagem desesperada de carro que um dos atores faz para ir de encontro ao outro), incomodou muita gente, mas, de certa forma, agradou casais apaixonados que só queriam comer pipoca e namorar.
Amizade Colorida, longa dirigido por Will Gluck e que chegou aos cinemas na última sexta-feira, trata, de certa forma, da mesma coisa que Sexo Sem Compromisso. E, aparentemente, busca o mesmo tipo de público. Vendido como uma comédia-romântica, Amizade Colorida, em sua hora inicial, se distancia – e muito – de seu “irmão gêmeo”. O texto do diretor, escrito em parceria com Keith Merryman, David A. Newman e Harley Peyton é espertinho o suficiente para tirar sarro dos lugares-comuns e arrancar boas risadas com isso – a cena em que a personagem de Mila Kunis, após levar um fora de seu namorado, rasga um postêr de A Verdade Nua e Crua e diz que sua insatisfação com relacionamentos é culpa de Katherine Heigl ilustra bem isso.
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