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Cover: Little Girl Blue, Janis Joplin

Caso Janis Joplin estivesse viva, completaria hoje 69 anos.

Se ela seria considerada a lenda que é hoje ou mesmo se ainda teria a mesma voz, são questões que não me preocupo em discutir ou mesmo em pensar. O que me interessa em Janis é o talento. A capacidade de transformar suas canções em algo inimitável. A voz áspera, densa, cheia de variações – que vai da mais absoluta tristeza a agressividade de um Jim Morrison em questão de segundos – e com uma facilidade que só confirma que, para ela, cantar era tão natural quanto o ato de respirar é para todos os seres humanos.

É isso o que eu gostaria de mostrar com o cover de hoje. Poderia ter escolhido Summertime, um clássico regravado milhões de vezes, mas optei por Little Girl Blue porque essa música é, até em seus menores detalhes, Janis Joplin.

Apesar de ter se popularizado na maravilhosa versão de Nina Simone, Little Girl Blue foi originalmente gravada por Gloria Grafton (infelizmente não encontrei nenhum vídeo no Youtube). Composta em 1935, por Richard Rodgers e Lorenz Hart, a faixa fala sobre infelicidade, tédio e desesperança. Sobre chegar a aquele ponto em que tudo o que se pode fazer é sentar e contar os pingos de chuva. E isso acontece de um modo tão simples e tão honesto que fez com que ela acabasse caindo no gosto de diversos cantores cujo estilo apontava, ainda que apenas em alguns momentos, para o confessional.

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Cover: Sleazy, Ben Folds

A vibe do repertório de Ke$ha não poderia ser melhor definida do que com uma frase contida no encarte de seu primeiro CD, “Animal”, escrita em letras cheias de glitter: “It’s party time!”. Noitadas, rapazes prepotentes e amigos loucos para festejar são temas recorrentes em suas letras, só pra citar alguns. Ela, que abusa do deboche e quase sempre pende para a vulgaridade, faz canções descartáveis, mas eficazes em seu propósito: divertir.

Mas o que acontece quando um artista totalmente oposto à figura bagaceira da moça resolve se aventurar pelas suas canções?

A resposta pode ser conferida em nosso cover de hoje: o cantor e produtor Ben Folds, cujo som difere muito do pop radiofônico da loira, resolveu fazer sua própria leitura de “Sleazy”, que compõe o EP “Cannibal”, lançado por K em 2010.

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Cover: Science Fiction/Double Feature, Joan Jett And The Blackhearts

Rocky Horror Picture Show e o punk têm muito mais em comum do que se pode imaginar. Por isso, a versão de Joan Jett And The Blackhearts para Science Fiction/Double Feature fecha perfeitamente com toda a proposta do filme.

Primeiramente, você precisa saber que Rocky Horror é um midnight movie. Esse termo, nos anos 50, era utilizado para apontar produções que fugiam dos padrões adequados para a sociedade da época e, por isso, só eram exibidas pela TV americana após a meia-noite. Nos anos 70, o termo passou a ser associado a filmes alternativos, produzidos pelas pessoas que estavam envolvidas com o movimento de contracultura. Em linhas gerais, os midnight movies são marcados pelo trash, devido a seu baixo custo e “má qualidade” (intencional) geral; pela exploração exagerada de determinado aspecto – visando nada mais do que o sensacionalismo -; e também pela ironia e o mau gosto. É como se os produtores de tais longas desejassem mesmo conseguir um produto final pedestre, que parecesse precário.

Aí você pode começar a se perguntar: “e isso fez sucesso?”. Dentro de um nicho específico, sim. E, em partes, isso se deve ao contexto do período: com o assassinato do presidente Kennedy, a falência do movimento hippie e a manutenção das tropas no Vietnã, o consumo de obras niilistas, experimentais, cínicas, que contassem com uma alta carga de humor aumento consideravelmente. E o cinema, tal como outras formas artísticas, foi a válvula de escape perfeita para tudo isso.

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Cover: I Wanna Be Your Lover, Corinne Bailey Rae

Após o lançamento de um álbum envolvido pelo luto, o introspectivo “The Sea”, a cantora Corinne Bailey Rae resolveu voltar um pouco ao som mais leve e romântico de seu debut: para isso, apresentou o EP “The Love”, de 2011, que como sugere o título, é repleto de canções de amor com uma vibe levemente sensual.

Sensualidade, por sinal, é algo que quando aparece nos registros da moça sempre possui um tom comedido. Ou quase: o cover de hoje, na contramão, é uma das gravações mais sugestivas em sua discografia. Pudera: o artista homenageado com a releitura é Prince, que já lançou diversas canções com uma temática um tanto mais “quente” e sabe criar atmosferas assim com classe e sem pender para a vulgaridade.

Corinne escolheu regravar “I Wanna Be Your Lover”, faixa do segundo disco de Prince e um dos maiores hits na carreira do artista.

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Cover: Venus in Furs, The Kills

Alison Mosshart e Jamie Hotel Hince sempre enfatizaram em entrevistas que o Velvet Underground foi a banda com maior peso e influência no som do The Kills.

Os reverenciando com bastante amor e devoção, a dupla se igualava a nós, fãs e mortais, ao expressar o quanto curtiam o conjunto de Lou Reed: sem poupar elogios, chegaram a dizer que gostariam de soar como eles.

E eles tentaram. Os riffs sujos e displicentes e a frequente alusão ao segundo disco do Velvet Underground permearam os primeiros trabalhos do The Kills. Com o tempo, o som da banda se distanciou mais e mais da música de seus ídolos e foi ganhando corpo e personalidade.

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Cover: Você Não Vale Nada, Tiê

Na época do lançamento de A Coruja e o Coração, o segundo disco de Tiê, pensei em falar a respeito dele aqui no Miolão.  Acabou que o texto nunca saiu, mas ainda lembro que enquanto tentava escrever eu pensava em abrir a resenha com a frase: “O segundo álbum de Tiê tem um cover de Calcinha Preta. E isso diz muito sobre ele.“.

A informação, que pareceria impensada nos tempos em que a mocinha lançou seu primeiro disquinho, talvez fosse encarada com desconfiança ou até como piada. Mas era verdade. Tiê tinha mesmo regravado Calcinha Preta.

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Cover: Bloodbuzz Ohio, Oh Land

A dinamarquesa Nanna Øland – que você pode chamar de Oh Land, seu nome artístico – parece ter saído de um universo onírico paralelo. Na capa de seu primeiro álbum, “Fauna”, a loira aparece abraçada a um homem-peixe (!), e em suas faixas arrisca experimentalismos eletrônicos minimalistas, que remetem aos bons momentos de Emilie Simon.

Aparando algumas arestas e mais ambiciosa, Oh Land retornou em 2010 com um disco homônimo que traz, entre suas dez ótimas canções, o mini-hit “Son of a Gun” e a deliciosa “White Nights”. Assista o clipe dessa última e irá entender o que queriamos dizer quando comentamos que a moça possui um mundo bem seu: a idéia é reforçada pelas imagens mega fofas, cheias de cores e brincadeiras mostradas no vídeo, que parecem definir também a essência de seu repertório.

Porém, em nosso cover de hoje, ela abriu mão de sua habitual doçura para interpretar uma canção do grupo The National, que reacendeu a atenção de público e crítica no ano passado com seu quinto disco de estúdio, “High Violet”. A gravação escolhida, “Bloodbuzz Ohio” é o carro chefe do CD, e torna-se, aos cuidados da moça, bem diferente de sua versão original.

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