MIOLÃO • Cover - Part 2
 

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Cover: Slow Hands, Azealia Banks

Quando fizemos nossa lista dos melhores discos a serem lançados em 2012, deixamos de fora uma moça que certamente vai mandar bem em seu álbum de estréia, pelo menos se considerarmos suas canções que já rolam pela web: Azealia Banks.

Nascida no Harlem, em Nova York, a rapper – eleita uma das pessoas mais “cool” de 2011 pela revista NME – possui uma marra irresistível e um repertório em construção que mistura hip-hop, R&B, pitadas de eurodance, dancehall e electro. O seu maior sucesso até o momento, “212”, traz a garota vociferando que irá detonar qualquer uma que se atrever a comparar-se a ela.

Se essa postura durona e debochada é um de seus maiores atrativos, Azealia também possui alguns outros. Mostrando versatilidade, ela por vezes deixa de lado esses tons para interpretar com mais sutileza e mostrar que não manda bem só nas rimas aceleradas, mas também canta com leveza – como comprova nosso cover de hoje.

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Cover: Video Games, The Young Professionals

Se “Born To Die”, o álbum de estreia de Lana Del Rey, é bastante irregular, não dá pra negar que quando ele é bom, é realmente MUITO bom. Um de seus melhores momentos já era velho conhecido do público bem antes do disquinho chegar às lojas.

Video Games”, faixa que fez todos os olhares se virarem para a moça que era o enigma da vez no segundo semestre do ano passado, é impecável. O lamento da artista – que canta sobre um parceiro que não a valoriza e o amor incondicional que ainda assim sente pelo rapaz – possui uma atmosfera retrô e um tanto cinematográfica irresistível. É daquelas gravações que geram uma impressão forte logo na primeira vez que você escuta.

Impressão tão marcante, por sinal, que logo a canção viralizou: não só o vídeo da mesma começou a receber milhares de acesso, mas diversas versões, paródias e “homenagens” pipocaram no YouTube. Releituras da música já serviram de desabafo para a princesa Peach, de Super Mario, Katniss, de “Jogos Vorazes” – em letras adaptadas para cada uma das garotas – embalaram a homenagem de um dono ao seu cachorro… e serviram pra que muita gente boa também mandasse bem ao fazer covers que fogem da zoeira.

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Cover: Hey Ya!, Irma

Outro dia recebi um e-mail curioso na caixa do Miolão. Enviada por Jairo (se estiver lendo, um abraço, cara!), a mensagem indagava como a gente avaliava um disco. Pensei bastante para objetivar algo que é, em essência, subjetivo.

Disse a ele que não dava para usar o mesmo padrão e os mesmos critérios para todas as obras. Contei que eu tento avaliar a forma e o conteúdo, procurando entender as particularidades de cada trabalho. A partir daí, presto atenção no que é mais gritante: se é a letra, a melodia, a intenção, a produção, o carisma ou a voz. Quando falei de Irma aqui no Miolão eu tinha dito que o som dela, embora fosse bastante comum, merecia ser ouvido pelo simples fato de que a voz dela é linda. E sabe, merecia mesmo. Porque a voz dela, meus amigos, é mesmo muito linda.

Em tempos em que cantoras buscam artifícios nem tão sinceros para chamar a atenção, ouvir Irma é um prazer. O encanto que ela destila é magnético. Sabendo dosar muito bem as modulações de sua voz, a mocinha tem uma espécie de toque de midas. Mas ao contrário da história, em vez de transformar tudo o que toca em ouro, ela consegue transformar tudo que canta em… Mágica.

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Cover: You’ve Really Got A Hold On Me, Beatles

Para mim, a música escolhida para o cover de hoje é uma das coisas mais bonitas já cantadas. Isso se deve a uma letra composta, basicamente, por opostos, por um instrumental que reafirma os sentimentos expressos e pela compreensão que John Lennon demonstrou ter da faixa ao cantá-la com a paixão necessária para que sua releitura possa se equiparar a versão original – talvez até ultrapassá-la.

Explorando os sentimentos contraditórios que coexistem em um locutor, que mesmo não gostando de quem sua amada é enquanto pessoa, não consegue deixar de amá-la, essa canção trata de um tema universal por um viés que, apesar de já ter sido utilizado antes, nos dá outra perspectiva do assunto. Porque o fato de sua letra não contar com qualquer idealização, mas antes nos fazer enxergar as coisas pelo que elas são, destaca o absurdo da situação em que o “narrador” de You’ve Really se encontra. Temos sim nessa música alguém apaixonado, porém, sem a cegueira característica e o que notamos é que a capacidade de racionalizar certas coisas não influencia em nada o sentimento (“I just can’t quit now). Esse é sim um clichê, mas nunca soou tão verdadeiro quanto na faixa escolhida.

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Cover: Inner City Blues, The Asteroids Galaxy Tour

Me sinto meio patético ao tentar expressar em palavras o que What’s Going On, o décimo primeiro disco de Marvin Gaye, significou para a música e, por que não dizer, para a própria história. Desde o seu lançamento, em 1971, milhares de críticos, jornalistas e apreciadores da boa música já tentaram explicar e escrever a respeito dessa obra. Se hoje ela é apontada como um marco na soul músic e na música de protesto, isso acontece graças ao teor das letras e melodias que Marvin alcançou. Emulando uma espécie de personagem/narrador que fica em choque ao voltar da Guerra do Vietnã, o cantor discorre em 9 faixas sobre os horrores do mundo moderno. A gravação de abertura, que dá nome ao disco, é o exemplo perfeito do estado de perplexidade que nosso “herói” tem a cerca do mundo.

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Cover: Little Girl Blue, Janis Joplin

Caso Janis Joplin estivesse viva, completaria hoje 69 anos.

Se ela seria considerada a lenda que é hoje ou mesmo se ainda teria a mesma voz, são questões que não me preocupo em discutir ou mesmo em pensar. O que me interessa em Janis é o talento. A capacidade de transformar suas canções em algo inimitável. A voz áspera, densa, cheia de variações – que vai da mais absoluta tristeza a agressividade de um Jim Morrison em questão de segundos – e com uma facilidade que só confirma que, para ela, cantar era tão natural quanto o ato de respirar é para todos os seres humanos.

É isso o que eu gostaria de mostrar com o cover de hoje. Poderia ter escolhido Summertime, um clássico regravado milhões de vezes, mas optei por Little Girl Blue porque essa música é, até em seus menores detalhes, Janis Joplin.

Apesar de ter se popularizado na maravilhosa versão de Nina Simone, Little Girl Blue foi originalmente gravada por Gloria Grafton (infelizmente não encontrei nenhum vídeo no Youtube). Composta em 1935, por Richard Rodgers e Lorenz Hart, a faixa fala sobre infelicidade, tédio e desesperança. Sobre chegar a aquele ponto em que tudo o que se pode fazer é sentar e contar os pingos de chuva. E isso acontece de um modo tão simples e tão honesto que fez com que ela acabasse caindo no gosto de diversos cantores cujo estilo apontava, ainda que apenas em alguns momentos, para o confessional.

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Cover: Sleazy, Ben Folds

A vibe do repertório de Ke$ha não poderia ser melhor definida do que com uma frase contida no encarte de seu primeiro CD, “Animal”, escrita em letras cheias de glitter: “It’s party time!”. Noitadas, rapazes prepotentes e amigos loucos para festejar são temas recorrentes em suas letras, só pra citar alguns. Ela, que abusa do deboche e quase sempre pende para a vulgaridade, faz canções descartáveis, mas eficazes em seu propósito: divertir.

Mas o que acontece quando um artista totalmente oposto à figura bagaceira da moça resolve se aventurar pelas suas canções?

A resposta pode ser conferida em nosso cover de hoje: o cantor e produtor Ben Folds, cujo som difere muito do pop radiofônico da loira, resolveu fazer sua própria leitura de “Sleazy”, que compõe o EP “Cannibal”, lançado por K em 2010.

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